CFP: (Re)criando futuros possíveis ou presentes alternativos através das artes

2022-09-21
Pensando sobre os novos caminhos pelos quais as produções artísticas e literárias têm se enveredado a fim de imaginar futuros possíveis e/ou presentes alternativos para reconfigurar nossos tempos distópicos, como o afrofuturismo, o amazofuturismo, o sertãopunk, o ecofeminismo e as queertopias (cuirtopias), dentre outras vertentes contemporâneas, esse número temático da revista Ilha do Desterro receberá artigos com propostas que dialoguem com a arte e a literatura como meios de vislumbrar tais cenários voltados para a (re)construção do presente, abrangendo figurações tais como: a alfabetização de futuros, as estratégias para criação desses cenários, os espaços de resistência e enfrentamento das hegemonias opressoras, a construção de sistemas antecipatórios de vivências melhores e mais justas, as ontologias emergentes e corporalidades dissidentes, as dinâmicas decoloniais, dentre outras. Em comemoração aos cem anos do Modernismo, aceitaremos também análises comparativas entre os movimentos avantgardistas do início do século XX e movimentos da contemporaneidade que discutam os temas e ideias mencionadas. Como podemos observar, diferentes manifestações artísticas e literárias vêm, especialmente nas últimas décadas, abrindo meios para a criação de futuros possíveis e/ou presentes alternativos, como por exemplo a trilogia MaddAddam (2003-2013), de Margaret Atwood, e a metaforização do surgimento de uma comunidade multiespécies sobrevivente no cenário pós-apocalíptico; a HQ Cangaço Overdrive (2018), com roteiro de Zé Welligton e desenhos de Walter Geovani e Luiz Carlos B. Freitas, que imagina um nordeste futurista e extremamente tecnológico; o filme Pantera Negra (2018), dirigido por Ryan Coogler, que, entre outras coisas, mostra o reino de Wakanda, um lugar próspero e com uma dinâmica organização social, bem como tecnologias fantásticas; ou os álbuns Pajubá, de Linn da Quebrada (2017), que suscita intervenções utópicas de subjetividades queer, e Dirty Computer (2018), de Janelle Monáe, que muito brinca com as interfaces entre diferentes tecnologias e nossos processos identitários contemporâneos. Paralelamente, temos acompanhado reflexões teóricas que buscam explorar modos de ser alternativos ao nexo patriarcal, capitalista e neoliberal, bem como futuridades possíveis para além dessa lógica, como é o caso do pensamento de Ailton Krenak (2020) e suas ideias para adiar o fim do mundo; Donna Haraway (2016), que nos conclama a seguir com o problema e a vislumbrar o Chthuluceno (em contrapartida à noção de Antropoceno); a José Esteban Muñoz (2009) e sua proposição de uma futuridade queer; Angela Davis (2015) e as pautas urgentes do ativismo e da conscientização; Julieta Paredes (2019), com a chamada para um feminismo decolonial e comunitário com base na noção de vida em plenitude (o viver bem); Boaventura de Sousa Santos (2021) e Tom Moylan (2021), que reforçam seus apelos para revisitarmos a ideia e a práxis da utopia; dentre tantos/as outros/as. Em comum, vemos nestas intervenções artísticas, literárias e acadêmicas – e em outras que poderão ser trazidas à luz em direcionamentos semelhantes  – um modo crítico de fazer figurar instâncias de esperança em face ao mundo distópico em que estamos inseridos/as, o que, por sua vez, age como antídoto à paralisia política e como catalizador de modos mais positivos de vivermos juntos/as num contexto de crise global e num planeta devastado.   Para esta edição da Ilha do Desterro, serão aceitos artigos que abordem as artes e as literaturas enquanto produtos culturais que inspiram letramentos para futuros possíveis e/ou presentes alternativos, como por exemplo: interpretações críticas de produções literárias, teatrais, performáticas, musicais, cinematográficas, multimídia, intermídia, entre outros meios. Salientamos que os artigos devem ter corpus anglófono e/ou comparativo com culturas anglófonas e seus contextos. Serão aceitos também artigos escritos em português, contanto que dialoguem com o contexto anglófono que é o foco desta revista. A presente edição também aceitará resenhas e entrevistas que façam conexões com os temas e ideias mencionados. Organizadores: Profa. Ildney Cavalcanti (Universidade Federal de Alagoas), Prof. Matias Corbett (Universidade Federal de Santa Catarina), e Profa. Raffaella Baccolini (Universidade de Bologna). Submissões até o dia 20 de dezembro de 2022. Previsão de publicação: Maio de 2023