O coração e a razão no discurso infantil: uma análise do projeto literário “It is ok to be diferente”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2026.e108604

Palavras-chave:

Infância, Letramentos críticos, Afetividade, Translinguagem

Resumo

Em 2022, observamos alguns episódios de preconceito entre crianças de 3 e 4 anos, das quais uma das autoras deste estudo era professora em uma escola bilíngue de Campo Grande-MS. Criamos, então, um projeto literário com o livro It is ok to be different de Todd Parr (2001), baseando-nos em estudos sobre letramento crítico e visando minimizar a problemática. Neste texto, temos por objetivo analisar o processo de desenvolvimento desse projeto, de uma perspectiva autoetnográfica/autocrítica reflexiva (Takaki, 2013), inspiradas pelo “corazonar” de Guerrero Arias (2010), bem como em estudos de letramentos críticos (Duboc, 2017; Duboc e Ferraz, 2011) e de translinguagem (Canagarajah, 2013; Blackledge; Creese , 2017; Garcia; Takaki, 2018; Wei, 2014). As análises mostram que, para além  das expectativas iniciais do projeto, este mostrou-se como um espaço de ampliação de interpretações não apenas para os alunos, mas também para as professoras envolvidas, que tiveram a oportunidade de rever suas crenças e prática docente. Para além das concepções teóricas, para o desenvolvimento da interação com crianças e de projetos a partir de problemas diários da sala de aula, é preciso inserir o ‘coração’ em nossas práticas, assumindo o amor político descrito por Paulo Freire (1987), possibilitado por uma autocrítica constante das relações de poder que embasam nossas atitudes.

Biografia do Autor

Fabiana Poças Biondo, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Professora Associada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande-MS, nos Cursos de Graduação em Letras e no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (PPGEL) - Mestrado e Doutorado - da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (FAALC). Graduada e Mestra em Letras pela Universidade Estadual de Maringá (UEM); Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Realizou estágio pós-doutoral na Universidade de São Paulo (USP), sobre redes sociais, feminismos e diversidade. Foi coordenadora do Curso de Graduação em Letras Português/Espanhol da UFMS (2015-2017) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens da UFMS (2025-2026). Lidera o grupo de pesquisas CNPq Linguagens e Feminismos: gênero, letramentos e identidades (GELF) e participa do GT Transculturalidade, Linguagem e Educação da ANPOLL. Integra a comissão de Diversidade, Inclusão e Igualdade da Abralin (CDII). Tem experiência na Linguística Aplicada, principalmente com os temas letramentos hipermidiáticos/críticos; redes sociais; linguagens e identidade/subjetividades; gênero/sexualidade e feminismos.

Iasmin Maia, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Atua no componente de linguagens, na Coordenadoria de Educação infantil e Ensino fundamental, da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul. Mestra pelo Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagens (PPGEL/FAALC/UFMS); especialista em "Educação Bilíngue" pela UniDombosco e em "Gamificação" pela Universidade Federal de São Carlos. Possui interesse em Gamificação e no ensino de língua estrangeira, sob a perspectiva teórica dos letramentos críticos.

Ana Claudia Gauto de Sousa Sovernigo, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

É doutoranda em Estudos de Linguagens na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Mestre em Estudos de Linguagens pela UFMS, especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Católica Dom Bosco e em Linguagens, suas tecnologias e o Mundo do trabalho pela Universidade Federal do Piauí, graduada em Letras-Português/Espanhol e respectivas Literaturas pela UFMS. Atualmente, é membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguagens e Educação (Geple) (UFMS/CNPq), liderado pela professora Daniela Sayuri Kawamoto Kanashiro. Exerce a função de assessoramento pedagógico na Coordenadoria de Modalidades Específicas (Comesp) da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SEDMS). e-mail: claudiagauto79@gmail.com

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Publicado

2026-03-05

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Seção

Dossiê | Educação Linguística Crítica: saberes, práticas e resistências