Compostos com síndrome e complexo no português brasileiro: uma abordagem construcional

Autores

  • Natival Almeida Simões Neto Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (Universidade Federal da Bahia)

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-8412.2018v15n4p3373

Palavras-chave:

Composição, Morfologia construcional, Polissemia, Herança

Resumo

Neste trabalho, serão estudados os compostos instanciados pelos esquemas [Síndrome [X]]N e [Complexo [SP]]N, com base nos pressupostos teóricos da Morfologia Construcional (BOOIJ, 2010; GONÇALVES, 2016). Os dados foram coletados em publicações de sites brasileiros, no século XXI. Alguns exemplos encontrados são síndrome de Peterpan, complexo de Wendy, complexo de vira-lata, complexo de Cinderela e síndrome de Dona Florinda. Este estudo ainda visa contribuir com as discussões acerca da herança semântica em relação aos compostos. Para isso, foi revisitada a pouca literatura sobre o assunto, o que inclui Corbin (1990), Booij (2017) e Soledade (2018a), tendo esses autores atentado mais contundentemente para aspectos da derivação sufixal.

Biografia do Autor

Natival Almeida Simões Neto, Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (Universidade Federal da Bahia)

Natival Almeida Simões Neto é graduado em Letras Vernáculas (2014) pela Universidade Federal da Bahia. É mestre (2016) e doutorando em Linguística Histórica pelo Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura (PPGLINC) da Universidade Federal da Bahia Universidade Federal da Bahia (UFBA). É membro do Grupo de Estudos em Semântica Cognitiva (GESGOG), vinculado ao Programa Para a História da Língua Portuguesa (PROHPOR). Realiza pesquisas sobre morfologia, léxico e semântica do português e das demais línguas românicas. É autor de artigos publicados em livros e periódicos nacionais e internacionais. 


Referências

ABRRT, C. Dormi de casaco, calça e meia. Acordei sem nada! N sei q síndrome de índio é essa q eu tenho q n consigo dormir de roupa. Brasil (26 ago. 2017). Twitter: @carlaabrrt. Disponível em: https://twitter.com/Carlaabrrt/status/901405040291852292 . Acesso em: 25 set. 2017.

ALECRIM, V. Eu tenho algum tipo de síndrome de mendigo que me puxa pra sentar/deitar em qualquer lugar, no chão. Brasil (6 set. 2017). Twitter: @victoralecrim. Disponível em: https://twitter.com/victoralecrim/status/905466027131232256. Acesso em: 25 de setembro de 2017.

ARONOFF, M. Word formation in generative grammar. Cambridge: MIT Press, 1976.

AULETE, C. iDicionário Aulete. Disponível em: http://www.aulete.com.br. Acesso em: 11 jan. 2019.

BARROS, C. Quem Sérgio Moro pensa que é pra não cumprir a ordem do TRF4 de soltar Lula? Essa síndrome de Deus dele já foi longe demais. Brasil (8 jul. 2018). Twitter: @calu_barros. Disponível em: https://twitter.com/calu_barros/status/1015991613611536384. Acesso em: 11 jan. 2019.

BASÍLIO, M. Estruturas lexicais do português: uma abordagem gerativa. Petrópolis: Vozes, 1980.

BAUER, L. English word-formation. Cambridge: Cambridge University Press, 1983.

BOOIJ, G. Compounding and derivation: evidence for construction Morphology. In: DRESSLER, W. et al. (Ed.). Morphology and its demarcations. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company, 2005. p. 109-131.

BOOIJ, G. Construction Morphology. Oxford: Oxford University Press, 2010.

BOOIJ, G. Form and meaning in morphology: the case of Dutch ‘agent nouns’. Linguistics, Berlin, n. 24, p. 503-517, 1986.

BOOIJ, G. Inheritance and motivation in Construction Morphology. In: GISBORNE, Nikolas; HIPPISLEY, Andrew (Ed.). Defaults in morphological theory. Oxford: Oxford University Press, 2017. p. 18-39. Disponível em: <https://geertbooij.files.wordpress.com/2014/02/booij-2015-inheritance-issues-in-constructionmorphology-feb-2014.pdf>. Acesso em: 22 set. 2017.

CASTILHO, R. O Reaça Pobre e a Síndrome de Dona Florinda. 2014. Disponível em: http://blogdorafaelcastilho.blogspot.com/2014/09/o-reaca-pobre-e-sindrome-de-dona.html. Acesso em: 23 set. 2017.

CONSELHO DE NOIA. Tem gente que vem de rabo abanando quando termina o namoro, diz que agora já era, aí ataca a síndrome de trouxa volta com o/a ex . São Paulo, Brasil (28 ago. 2017). Twitter: @conselhodenoia. Disponível em: https://twitter.com/ironicomkofc/status/902167660401713152. Acesso em: 25 set. 2017.

CORBIN, D. Associativité et stratification dans la représentation des mots construits. In: DRESSLER, W.U et al. Contemporary morphology. New York: Mouton de Gruyter, 1990. p. 43-59.

CUNHA, A. G. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2007.

DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO. Síndrome de Luciano Huck. Gabeira apaga fotos com os amigos do MBL. Brasil (13 set. 2017). Twitter: @DCM_Online. Disponível em: https://twitter.com/DCM_online/status/907920514726944768. Acesso em: 25 set. 2017.

DOBRORUKA, V. Considerações sobre o pensamento trinitário de Joaquim de Fiore em suas relações com as filosofias especulativas da história. Revista Múltipla, Brasília, v. 6, n.8, p. 9-27, 2000.

FARIA, A. L. Motivação morfossemântica das construções compostas N-N no português brasileiro. 2011. 189 f. Tese (Doutorado em Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.

FERNANDES, P. R. PTB aparelhou a Casa da Moeda, agora está com síndrome de Tio Patinhas, não quer a privatização!. Brasil (26 ago. 2017). Twitter: @mpaularfer. Disponível em: https://twitter.com/mpaularfer/status/901463045913927681. Acesso em 25 set. 2017.

GIFS DA VIDA REAL. Esse povo com síndrome de Sol juram que tudo que a gente faz gira em torno dela. Brasil (5 set. 2017). Twitter: @gifsvidareal. Disponível em: https://twitter.com/gifsvidareal/status/905112344346447877. Acesso em: 25 set. 2017.

GIO. Adolescente com síndrome de underground q acha q as series/filmes/bandas são exclusivas vcs precisam de acompanhamento psiquiátrico e eu falo seríssimo. Brasil (11 jan. 2019). Twitter: @desgrazinha. Disponível em: https://twitter.com/desgrazinha/status/1083751417242943488. Acesso em: 11 jan. 2019.

GOLDBERG, A. E. Constructions: a construction grammar approach to argument structure. Chicago: University of Chicago Press, 1995.

GOLDBERG, A. E. Constructions at work: the nature of generalization in language. Oxford: Oxford University Press, 2006.

GONÇALVES, C. A. V. Flexão e derivação: o grau. In: VIEIRA, S. R.; BRANDÃO, S. F. Ensino de gramática: descrição e uso. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. p. 147-167.

GONÇALVES, C. A. V. Morfologia construcional: uma introdução. São Paulo: Contexto, 2016.

GONÇALVES, C. A. V.; ALMEIDA, M. L. L. de. Morfologia Construcional: o que é e como se faz. In: GONÇALVES, C. A. V. Morfologia construcional: uma introdução. São Paulo: Contexto, 2016. p. 11-48.

HOUAISS, A.; VILLAR, M. Dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. CD-ROM.

JACKENDOFF, R. Morphological and semantic regularities in the lexicon. Language, v. 51, n. 3, p. 639-671, 1975.

JAN, L. M. Meu pai tô com síndrome de virginiano só reglama de limpeza aaaaaaaa. Brasil (26 ago. 2017). Twitter: @jungleyoungjan. Disponível em: https://twitter.com/jungleyoungjan/status/901493411617832960. Acesso em: 25 set. 2017.

JOREIVAX. Para os coxinhas que tem complexo de cinderela a se realizar no ‘american dream’, esse é o braZil perfeito. Brasil (8 set. 2017). Twitter: @Jollimaa. Disponível em: https://twitter.com/Jollimaa/status/906316574570762240. Acesso em: 25 set. 2017.

KILEY, D. The Peter Pan Syndrome: men who have never grown up. New York: Dodd Mead, 1983.

KINGCOCK, J. Já repararam como eu me odeio e tenho complexo de Deus? É muito engraçado e explicável cientificamente. Brasil (24 set. 2017). Twitter: @ jesusvckingcock. Disponível em: https://twitter.com/jesusvckingcock/status/911930465808011264. Acesso em: 25 set. 2017.

LAKOFF, G. Women, fire, and dangerous things. Chicago, IL: Chicago University Press, 1987.

LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Metáforas da vida cotidiana. Coordenação de tradução: Mara Sophia Zanotto. Campinas: Mercado das Letras; São Paulo: Educ, 2002. [1980].

LINS, C. Dor de facão. Dicionário Informal. Disponível em: https://www.dicionarioinformal.com.br/dor+de+fac%E3o/. Acesso em: 11 jan. 2019.

MADUREIRA, F. Gente assim deve ter ‘síndrome d cirurgião’: quer meter a mão nas partes internas interiores dos recônditos + profundos da condição humana. Brasil (29 ago. 2017). Twitter: @FabioMadureira. Disponível em: https://twitter.com/FabioMadureira/status/902569661924966405. Acesso em: 25 set. 2017.

MARINATO, P. Eu me engano mt com as pessoas, tenho a síndrome da bela e a fera, fico tentando achar qualidades em quem na vdd é só um monstro msm. Brasil (3 nov. 2017). Twitter: @Pri_Marinato. Disponível em: https://twitter.com/Pri_Marinato/status/926636373515427845. Acesso em: 11 jan. 2019.

MBRANDREA. Exato! Renato Sabia das coisas, não tinha complexo de Peter pan nem queria ser forever Young . Brasil (24 set. 2017). Twitter: @MBRAndrea. Disponível em: https://twitter.com/MBRAndrea/status/912106965211508736. Acesso em: 25 set. 2017.

MELO, C. N. de. Sobre coleções e lugares: o caso das formações X-teca do português brasileiro. 2017. 86 f. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.

MIRANDA, F. Síndrome de vira-lata: precisamos falar sobre isso. 2017. Disponível em: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/fatimamiranda/298587/%E2%80%9CS%C3%ADndrome-de-vira-lata%E2%80%9D-precisamos-falar-sobre-isso.htm. Acesso em: 23 set. 2017.

NALUY, M. Por aqui nada cinza, só cultura e arte. Que a Síndrome João Dória Jr não nos alcance jamais. Brasil (8 set. 2017). Twitter: @MaisaNaluy. Disponível em: < https://twitter.com/MaisaNaluy/status/906312863408672768>. Acesso em: 25 de setembro de 2017

RAFAELA. Se aquela fdp tivesse o complexo de wendy talvez soubesse o quão frustrante é querer ser responsável o tempo todo por tudo. Brasil (12 mar. 2017). Twitter: @kindkurama. Disponível em: https://twitter.com/kindkurama/status/840806725989126145. Acesso em: 25 set.2017.

ROSSATTO, N. D.; COSTA, M. R. N; TER REGEEN, J. Ação, escolha e justiça: Joaquim de Fiore e a inversão de Trasímaco. Anais do XI Congresso Latino-Americano de Filosofia Medieval. Fortaleza-CE: Universidade Estatual Fortaleza, 2006. v. 1. p. 1-11.

SAH. Ariana com síndrome do Peter Pan. Pqp eu tô rindo muito. Brasil (30 ago. 2017). Twitter: @moonIighr. Disponível em: https://twitter.com/moonIighr/status/902993340056178693. Acesso em: 25 set. 2017.

SILVA, J. C. T. da. Esquemas de imagem na formação de denominais em português: o caso de –eiro e –ário. 2017. 226 f. Tese (Doutorado em Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.

SILVA, N. H. da. Metáfora e metonímia nas construções com ‘pé’: uma abordagem cognitivista. 2011. 112 f. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011.

SIMÕES NETO, N. A. Morfologia Construcional e alguns desafios para a análise de dados históricos da língua portuguesa. Domínios de Lingu@gem, Uberlândia, v. 11, n. 3, p. 468-501, 2017.

SIMÕES NETO, N. A. Um enfoque construcional sobre as formações X-eir-: da origem latina ao português arcaico. 2016. 655 f. Dissertação (Mestrado em Língua e Cultura) – Instituto de Letras, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2016. 2 tomos.

SIQUEIRA, A. O Complexo de Dona Florinda. 2014. Disponível em: http://brasilemdiscussao.blogspot.com/2014/09/criei-esse-termo-eu-pensava-muito.html. Acesso em: 23 set. 2017.

SMITH, A. Blogueiro britânico diz que brasileiros exageram na rejeição ao Brasil. 2015. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150428_parainglesver_adamsmith2_ss. Acesso em: 23 set. 2017.

SOLEDADE, J. De pecadores a sabedores: agentes de –dor no Livro das Aves. In: ALMEIDA, A. A. D.; LOPES, M. S. Livro em homenagem aos 50 anos da edição do Livro das Aves. 2018a. [No prelo].

SOLEDADE, J. Experimentando esquemas: um olhar sobre a polissemia das formações [[X – EIR]N] no português arcaico. Revista Diadorim / Revista de Estudos Linguísticos e Literários, Rio de Janeiro, número especial, p. 83-111, 2013.

SOLEDADE, J. Por uma abordagem cognitiva da morfologia: revisando a morfologia construcional. In: ALMEIDA, A. A. D.; SANTANA, E. S. (Orgs.). Linguística Cognitiva: redes de conhecimento d'aquém e d'além mar Salvador: Edufba, 2018b, p. 345-378.

TALIRA. Conversar com pessoas que tem síndrome de antibiótico te responde de 8 em 8 horas. Brasil (29 ago. 2017). Twitter: @atilsat. Disponível em: <https://twitter.com/atilsat/status/902563088465059844>. Acesso em: 25 set. 2017.

VILLALVA, Alina. Formação de palavras: composição. In: MATEUS, M. H. M. et al.. Gramática da Língua Portuguesa. 7. ed. Lisboa: Caminho, 2003. p. 969-983.

Downloads

Publicado

2018-12-28

Edição

Seção

Artigo