Chamada de artigos (v. 25, n. 1, 2020)

Ficções queer brasileiras

ResumoNo cânone da literatura brasileira há poucos casos de ficções dedicadas ao universo queer. Pode-se recordar de exemplos emblemáticos como a tensão homoerótica entre estudantes de um internato em O Ateneu (1888), de Raul Pompéia, vislumbres naturalistas da homossexualidade feminina em O cortiço (1890), de Aluísio de Azevedo, o problema do afeto homoerótico inter-racial em O bom crioulo (1895), de Adolfo Caminha, a masculinidade em crise no mundo do cangaço com Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa, ou em obras de um dos ícones da literatura gay brasileira, Caio Fernando Abreu, autor de Onde andará Dulce Veiga? (1990). A despeito de mudanças significativas no campo social acerca das ideias de gênero e sexualidade, a representação e a representatividade de personagens queer na literatura brasileira contemporânea continuam muito pequenas – assim como os tensionamentos críticos do cânone. Nos últimos anos, editoras independentes têm lançado nov@s autor@s e apostado em ficções que são sensíveis – de modo interseccional ao universo queer – a questões como doença, velhice, deficiência, raça, etnia e classe social. Esta chamada temática, portanto, é uma convocatória a dar visibilidade teórica a estudos que tenham se debruçado sobre ficções queer na literatura brasileira. Entendemos aqui o conceito queer em sua forma mais ampla, como categoria aglutinadora de expressões de gênero e configurações de corpos considerados abjetos em relação às normas hegemônicas da heterossexualidade.

Palavras-chave: queer; literatura brasileira contemporânea; LGBTQ; representação; representatividade.  


Organização: Geovana Quinalha de Oliveira (UFMS) e Marcio Markendorf (UFSC)


Período de submissão: 9 de setembro a 25 de outubro de 2019.

As diretrizes e normas para submissão estão disponíveis em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/about/submissions