A personagem feminina medieval no romance "O guarani"

Afrânio Gurgel Lucena, Maria Edileuza da Costa

Resumo


Objetivamos apresentar uma análise intertextual do texto literário que contempla um processo de constituição mítica das personagens do romance O Guarani (1857) do escritor José de Alencar. Focamos a análise sobre a jovem Cecília para onde descobrimos sua adaptação “estática” como mito medieval no romance romântico brasileiro. O amor incondicional, protetor e servil do índio Peri (Um arquétipo do cavaleiro medieval.) condiciona a construção da amada, pois sob o mito medieval do amor cortês, uma personagem é formada em função da outra, são destinos opostos que buscam o equilíbrio no amor. Mesmo sendo algo distante e inacessível, como apresentam as trovadorescas Cantigas de amor. Na fundamentação teórica, temos: MOISÉS (2004 - 2005) caracterizando o mythos e as definições das personagens planas e redondas; uma referência platônica ao amor servil no Banquete; Spalding (1973), Brunel (1988) para as dicionarizações acerca da temática e da crítica; na teoria literária, Brunel, Pichois e Rousseau (1995, p.115): o mito, “um conjunto narrativo consagrado pela tradição”; em Samuel (2000), a literariedade mítica na formação de um povo; Bosi (1994), informações sobre o indianismo e Coutinho (1988), gênese da nossa literariedade e o romance romântico. Assim, nosso trabalho apresenta um resultado ao estudo literário: a influência temática da Idade Média e seu mítico amor (cortês e servil) na composição do romance indianista.


Palavras-chave


Mito; Amor; Adaptação; Personagem; Feminino

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7917.2011v16n1p60

Direitos autorais 2011 Afrânio Gurgel Lucena, Maria Edileuza da Costa

Rev. Anu. Lit. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. Santa Catarina. Brasil. ISSNe 2175-7917

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