O tempo no conto "Testemunha", de Lídia Jorge

Letícia Braz da Silva

Resumo


O presente artigo tem por fito analisar a estrutura temporal do conto “Testemunha”, de Lídia Jorge, a partir da aplicação teórica da metodologia do estudo do texto narrativo proposto por Gérard Genette, mas se apropriando também de outros teóricos que estudaram o assunto: Paul Ricoeur e Benedito Nunes. O conto em questão permite esse tipo de abordagem, pelo fato da escritora se valer do tempo narrativo como categoria central em sua história, apresentando evocações de cenas da infância, no período escolar, rememoradas pela protagonista. A alteração da ordem temporal (anacronia) é, portanto, evidente nesta narrativa, tendo a organização discursiva subvertida por meio de recuos temporais (analepses), que contribuem para a motivação da história. Como método, o levantamento de referências temporais contribuiu tanto no entendimento da configuração da analepse no discurso narrativo de “Testemunha”, quanto em sua classificação no que concerne à tipologia narrativa: narração ulterior, em sua totalidade. Por se tratar de um conto contemporâneo, notam-se inversões da ordem dos acontecimentos, por vezes, sem dizer; sendo cabível, portanto, a análise do aspecto linguístico (expressões, indícios temporais) para auxiliar nas identificações das variações temporais e, consequentemente, do movimento retrospectivo do conto de Lídia Jorge.


Palavras-chave


Tempo Narrativo; Anacronia; Analepses; Lídia Jorge; “Testemunha”.

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7917.2013v18n2p53

Direitos autorais 2013 Letícia Braz da Silva

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