Trabalhadores rurais e o “credo vermelho”: experiências protestantes na Liga Camponesa em Goiana, Pernambuco

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1984-9222.2020.e72616

Palavras-chave:

Protestantismo, Ligas camponesas, Goiana

Resumo

Entre os anos finais da década de 1950 e início dos anos 1960, os trabalhadores rurais foram protagonistas de um tempo de grande convulsão social. Atuando nas Ligas Camponesas ou nos sindicatos rurais, os trabalhadores mobilizaram lutas que tinham como finalidade a conquista de direitos, alcançando melhores condições de vida e trabalho. Essas experiências foram registradas cuidadosamente pelas autoridades policiais do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), que enxergavam nas mobilizações o desenvolvimento da ameaça comunista em Pernambuco. Dos registros policiais foi possível identificar a mobilização dos trabalhadores em Goiana, município da Zona da Mata Norte de Pernambuco. A partir da denúncia de incêndios nos canaviais das usinas pertencentes à Companhia Açucareira de Goiana, os investigadores policiais descreviam em seus relatórios a presença de “elementos perigosos” que contribuía para a “desestabilização da ordem” naquele município. Ao mesmo tempo, a análise dos registros policiais trouxe à luz a participação de protestantes nessas mobilizações sociais que, segundo a interpretação dos investigadores, promoviam uma nova modalidade de “infiltração comunista no campo”. Portanto, nosso objetivo repousa sobre a investigação da participação protestante nas mobilizações rurais em Goiana, enfatizando o papel dessas lideranças e sua aproximação com o debate sobre o Evangelho Social.

Biografia do Autor

Márcio Ananias Ferreira Vilela, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Graduado em História pela Universidade Federal de Pernambuco (2004) e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em História da UFPE (2008). É doutor pelo mesmo Programa (2014) onde também desenvolveu o Pós-doutorado Júnior - PDJ/CNPq (2015). Tem experiência como professor de História no nível Fundamental II e Médio. Também tem exercido a docência no ensino superior (Graduação e Pós-Graduação em História) e no curso de Graduação em Pedagogia. Atua desde 2016 como professor efetivo de História no Colégio de Aplicação - CAp/UFPE. Publicou em 2014 o livro A trajetória política de Francisco Heráclio do Rêgo e, em 2015, Discursos e práticas da Igreja Presbiteriana do Brasil durante as décadas de 1960 e 1970: diálogos entre religião e política, ambos pela Editora Universitária da UFPE. Na Associação Nacional de História - Secção Pernambuco - ANPUH/PE (gestões 2012-2014; 2014-2016 e 2016-2018) tem participado da diretoria ocupando diversos cargos. E na ANPUH/Brasil (gestão 2017-2019), eleito vice-presidente. Nomeado em 2019 para gerir a Coordenadoria do Ensino de Ciências do Nordeste - CECINE/UFPE.

Arthur Victor Barros, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Doutorando em História pelo PPGH/UFPE, sob orientação da Profª. Drª. Christine Rufino Dabat. Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, 2017). Possui especialização (lato sensu) em Ensino de História do Brasil pela Faculdades Integradas da Vitória do Santo Antão (FAINTVISA,2014) e graduação em História pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (2012, Funeso). Pesquisador estudante do grupo de pesquisa Poder e relações sociais no Norte e Nordeste (PPGH-UFPE). Tem interesse e desenvolve trabalhos nas áreas de História Social, História do Trabalho, História Política e História Ambiental.

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Publicado

2020-05-18

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Artigos