Educação infantil do campo: reflexões sobre o atendimento em contextos de assentamentos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-795X.2019.e54697

Palavras-chave:

Educação infantil do campo, Atendimento, Assentamentos

Resumo

Este artigo focaliza o atendimento às crianças em contexto de assentamentos, com destaque às articulações entre o movimento social organizado (MST) e o Poder Público para a garantia do direito à Educação Infantil do Campo em um Estado localizado na Região Sudeste do Brasil. Com referencial teórico-metodológico bakhtiniano, destaca dados decorrentes de entrevista com a gestão municipal, adensados com enunciados dos integrantes do Setor de Educação do MST, produzidos por meio de roda de conversa. Os resultados de seu estudo assinalam que a oferta da Educação Infantil do Campo representa uma conquista da comunidade, ainda que o atendimento se efetive por meio da configuração de salas anexas às escolas multisseriadas de Ensino Fundamental, evidenciando os desafios na concretização do direito à educação das crianças campesinas. Nesses desafios, emergem, em especial, questões concernentes à infraestrutura das instituições e aos processos de articulação entre o MST e o Poder Público, vinculados ao acesso e à permanência das crianças na Educação Infantil do Campo.


Biografia do Autor

Marle Aparecida Fidéles Vieira, Universidade Federal do Espírito Santo, UFES

Doutoranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo, na linha Docência, Currículo e Processos Culturais. Professora efetiva da rede Municipal de Vitória.

Valdete Côco, Universidade Federal do Espírito Santo, UFES

Professora no Departamento de Linguagens Cultura e Educação (DLCE) e no Programa de Pós-Graduação, do Centro de Educação, da Universidade Federal do Espírito Santo. Coordenadora do Grupo de Pesquisa Formação e Atuação de Educadores (GRUFAE).

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Publicado

2019-12-19

Edição

Seção

Dossiê Retratos da Educação Infantil do Campo