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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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            <journal-title-group>
                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="epub">2175-795X</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e93329</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>O Ensino Superior como espaço de rompimento “dos silêncios dos lares
                    e escolares”: o processo de construção de identidade e pertencimento de
                    estudantes pardos</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Higher Education as a space to break “the silences of home and
                        school”: the process of identity construction and belonging of brown
                        students</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="es">
                    <trans-title>La educación superior como espacio para romper “los silencios del
                        hogar y la escuela”: el proceso de construcción de identidad y pertenencia
                        de los estudiantes mestizos</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-1520-9141</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Almeida</surname>
                        <given-names>Tatiane Martins Moacir de</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-4402-2805</contrib-id>
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                        <surname>Rodrigues</surname>
                        <given-names>Tatiane Cosentino</given-names>
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            <aff id="aff1">
                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de São Carlos,
                    UFSCar</institution>
                <addr-line>
                    <state>SP</state>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <email>tatianemm.al@gmail.com</email>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, SP,
                    Brasil, E-mail: tatianemm.al@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0003-1520-9141</institution>
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            <aff id="aff2">
                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de São Carlos,
                    UFSCar</institution>
                <addr-line>
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                <email>tatiane.rodrigues@ufscar.br</email>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, SP,
                    Brasil, E-mail: tatiane.rodrigues@ufscar.br,
                    https://orcid.org/0000-0002-4402-2805</institution>
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            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
                <day>08</day>
                <month>04</month>
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            <pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
                <season>Jul-Sep</season>
                <year>2024</year>
            </pub-date>
            <volume>42</volume>
            <issue>3</issue>
            <fpage>01</fpage>
            <lpage>22</lpage>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este artigo é resultado de projetos de pesquisa que temos desenvolvido e que
                    focalizam o processo de implementação de políticas de ação afirmativa no Ensino
                    Superior com atenção às mudanças de cultura organizacional e epistemológicas,
                    essenciais para que as políticas de ação afirmativa não se limitem ao acesso de
                    estudantes anteriormente excluídos ou com desiguais oportunidades e
                    possibilidades de ingressar nesse nível de ensino. Neste artigo, analisamos os
                    processos de construção de identidade e pertencimento étnico-racial de pessoas
                    pardas, oriundas de famílias inter-raciais, que atualmente são discentes do
                    Ensino Superior, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Para esse
                    diálogo, buscamos referenciais nos campos da sociologia, psicologia e educação
                    (Carneiro, 2003; Devulsky, 2021; Fanon, 2008; Gomes, 2003, 2018; Gonzalez, 1984;
                    Guimarães, 2003, 2009; Hall, 2006, 2008; Munanga 1999; Schucman, 2014, 2018). As
                    entrevistas com estudantes autodeclarados pardos possibilitaram compreender os
                    dilemas vivenciados na construção de um pertencimento étnico-racial definido em
                    parte pelas características fenotípicas, pela pigmentação da pele e cabelos, mas
                    também por um pacto de silêncio que se rompe no Ensino Superior. As falas
                    demonstram que a universidade impacta na construção da identidade e do
                    pertencimento étnico-racial, rompendo com ciclos de silenciamento
                    operacionalizados nas experiências familiares e escolares anteriores ao Ensino
                    Superior. Mesmo com os limites impostos pela amostra, localizada em um único
                        <italic>campus</italic> de uma universidade, os dados construídos nesta
                    pesquisa sinalizam para a importância de fortalecermos no Ensino Superior o
                    acesso a espaços formativos sobre relações étnico-raciais, identidade e
                    pertencimento étnico-racial.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This article is the result of research projects we have been developing that
                    focus on the process of implementing affirmative action policies in Higher
                    Education with attention to changes in organizational and epistemological
                    culture, essential so that affirmative action policies are not limited to the
                    access of students previously excluded or with unequal opportunities and
                    possibilities of entering this level of education. In this article, we analyze
                    the processes of identity construction and ethno-racial belonging of people of
                    mixed race, from interracial families, who are currently students in Higher
                    Education at the Federal University of São Carlos (UFSCar). For this dialogue,
                    we require references in the fields of sociology, psychology and education
                    (Carneiro, 2003; Devulsky, 2021; Fanon, 2008; Gomes, 2003, 2018; Gonzalez, 1984;
                    Guimarães, 2003, 2009; Hall, 2006, 2008; Munanga 1999; Schucman, 2014, 2018).
                    The interviews with self-declared brown students allowed us to understand the
                    dilemmas experienced in the construction of an ethnic-racial belonging defined
                    in part by phenotypic characteristics, by the pigmentation of skin and hair, but
                    also by a pact of silence that is broken in Higher Education. The speeches
                    demonstrate that the university impacts the construction of identity and
                    ethno-racial belonging, breaking the cycles of silencing operationalized in
                    family and school experiences prior to higher education. Even with the limits
                    imposed by the sample, located in a single campus of a university, the data
                    constructed in this research signals the importance of strengthening in Higher
                    Education the access to formative spaces on ethnic-racial relations, identity,
                    and ethnic-racial belonging.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="es">
                <title>Resumen</title>
                <p>Este artículo es el resultado de proyectos de investigación que hemos
                    desarrollado centrados en el proceso de implementación de políticas de acción
                    afirmativa en la Educación Superior con atención a los cambios en la cultura
                    organizacional y epistemológica, esenciales para que las políticas de acción
                    afirmativa no se limiten al acceso de estudiantes anteriormente excluidos o con
                    oportunidades y posibilidades desiguales de ingresar a este nivel de enseñanza.
                    En este artículo, analizamos los procesos de construcción de identidad y
                    pertenencia étnico-racial de personas mestizas, provenientes de familias
                    interraciales, que actualmente son estudiantes de Educación Superior en la
                    Universidad Federal de São Carlos (UFSCar). Para este diálogo se utilizan
                    referencias en el campo de la sociología, la psicología y la educación
                    (Carneiro, 2003; Devulsky, 2021; Fanon, 2008; Gomes, 2003, 2018; Gonzalez, 1984;
                    Guimarães, 2003, 2009; Hall, 2006, 2008; Munanga 1999; Schucman, 2014, 2018).
                    Las entrevistas con estudiantes autodeclarados mestizos permitieron comprender
                    los dilemas vividos en la construcción de una pertenencia étnico-racial definida
                    en parte por características fenotípicas, por la pigmentación de la piel y del
                    cabello, pero también por un pacto de silencio que se rompe en la Enseñanza
                    Superior. Los discursos demuestran que la universidad impacta en la construcción
                    de la identidad y pertenencia étnico-racial, rompiendo los ciclos de
                    silenciamiento operacionalizados en las experiencias familiares y escolares
                    previas a la Educación Superior. Aún con los límites impuestos por la muestra,
                    localizada en un único campus de una universidad, los datos construidos en esta
                    investigación señalan la importancia de fortalecer en la Educación Superior el
                    acceso a espacios formativos sobre relaciones étnico-raciales, identidad y
                    pertenencia étnico-racial.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Ações Afirmativas</kwd>
                <kwd>Identidade e pertencimento</kwd>
                <kwd>Famílias inter-raciais</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Affirmative Actions</kwd>
                <kwd>Identity and belonging</kwd>
                <kwd>Interracional families</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="es">
                <title>Palabras clave:</title>
                <kwd>Acción afirmativa</kwd>
                <kwd>Identidad y pertinência</kwd>
                <kwd>Familias interraciales</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>O título sugerido para este artigo indica um diálogo com o livro de Eliane <xref
                    ref-type="bibr" rid="B10">Cavallero (2004)</xref> intitulado <italic>Do silêncio
                    do lar ao silêncio escolar: racismo, preconceito e discriminação na Educação
                    Infantil</italic>, no qual a autora aborda a existência de inúmeras situações de
                discriminação racial nos primeiros anos de escolarização. Neste trabalho, nosso
                intuito é reunir dados de uma pesquisa de mestrado que objetivou analisar os
                processos de construção da identidade e pertencimento étnico-racial de pessoas
                pardas, oriundas de famílias inter-raciais <xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>,
                que atualmente são discentes do Ensino Superior, na Universidade Federal de São
                Carlos (UFSCar). Nossa proposta parte da observação de estudos sobre as políticas de
                ações afirmativas e processos de democratização do acesso ao Ensino Superior no
                Brasil que têm se dedicado principalmente à análise do perfil dos estudantes nas
                dimensões econômica, de gênero, de desempenho, étnico-racial e de área de ingresso.
                Não obstante, como apontam <xref ref-type="bibr" rid="B42">Silva e Leão
                    (2012)</xref>, os estudos sobre as identidades pardas são escassos, de tal modo
                que “a multiplicidade de significados que a identidade parda pode ter ainda precisa
                ser explorada” (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Silva; Leão, 2012, p.
                131</xref>).</p>
            <p>Em geral, os alunos pardos oriundos de famílias inter-raciais constroem suas
                identidades e pertencimentos étnico-raciais nas relações, ou seja, a pessoa filha de
                um casal inter-racial experiencia diferentes processos de negociação e vivência em
                torno da questão racial. O lugar da ambiguidade racial, para tais pessoas,
                caracteriza a sua constituição enquanto sujeitos, tendo como elemento central o
                fenótipo que molda e orienta a atitude como o indivíduo é tratado nos espaços
                sociais, numa lógica racial subalternizante que constitui as hierarquias raciais na
                sociedade brasileira. Carregando as marcas da colonização e do processo de
                escravização, é possível identificar que pardos e pretos (negros) “possuem
                indicadores socioeconômicos muito parecidos e sistematicamente inferiores aos dos
                brancos”, além de não constituírem um grupo uniforme, no que diz respeito à
                percepção e à construção de identidades e pertencimentos étnico-raciais (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B42">Silva; Leão, 2012, p. 123</xref>).</p>
            <p>Em referência aos efeitos dos processos de colonização, <xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Fanon (2008)</xref>, em <italic>Pele negra, máscaras brancas</italic>,
                apontou a centralidade do fenótipo como elemento de caracterização entre colonizados
                e colonos. Nessa perspectiva, portar determinados corpos no campo social impacta os
                modos de constituição enquanto sujeito. Ou seja, determinados caracteres fenotípicos
                promovem certas experiências a respeito de como a pessoa se vê e de como é vista nos
                espaços sociais. Isso pode ser visualizado na universidade, tendo em vista que a
                identidade e o pertencimento étnico-racial dos estudantes são questionados interna e
                externamente. Assim, cabe analisar em que medida a hierarquia racial e a lógica de
                unicidade cultural e racial, ambas ainda presentes em certa linguagem acadêmica e
                simbolicamente ocupando os mesmos espaços, atuam na forma como brancos, pretos e
                pardos se constituem na ambiguidade entre o ser branco e o ser negro (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B13">Daflon, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36"
                    >Santos, 2020</xref>).</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Os estudos sobre as políticas de ações afirmativas no Brasil</title>
            <p>Embora as políticas de Ações Afirmativas no Ensino Superior sejam uma realidade há
                quase vinte anos, o tema continua provocando divergências de opiniões. Desde as
                primeiras iniciativas de implementação, em meados de 2003, na Universidade do Estado
                do Rio de Janeiro (Uerj) e na Universidade de Brasília (UnB), diversos estudos foram
                produzidos (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Silva, 2019</xref>). De acordo com <xref
                    ref-type="bibr" rid="B30">Jesus <italic>et al</italic>. (2019)</xref>, a ampla
                maioria das discussões versou sobre a constitucionalidade e pertinência dessas
                políticas, desempenho acadêmico, impacto nas instituições e permanência econômica
                dos estudantes.</p>
            <p>A Lei nº 12.711/2012<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>, que dispõe sobre o
                ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de
                nível médio, entre outras providências, representou um marco histórico no processo
                de democratização do Ensino Superior no Brasil. Os debates que se desdobraram
                durante a elaboração da lei evidenciaram uma disputa em torno da função social da
                universidade pública brasileira em seu caráter de formação de quadros políticos e de
                agentes de transformação social. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia
                e Estatística (<xref ref-type="bibr" rid="B28">IBGE, 2019</xref>), ter Ensino
                Superior pode triplicar a renda (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Almeida,
                2018</xref>). Entre os 36 países que compõem a Organização para a Cooperação e
                Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o que possui o maior índice de retorno
                salarial para pessoas que concluíram o Ensino Superior (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B31">Loschi, 2018</xref>). Desse modo, o Estado brasileiro, ao estabelecer
                um compromisso de inclusão de estudantes negros oriundos de escolas públicas,
                permitiu a projeção do estabelecimento de condições para que toda a sociedade
                brasileira possa se desenvolver de maneira igualitária.</p>
            <p>Entretanto, nota-se que ainda são escassos os estudos voltados a abordar os
                ingressantes que se autodeclaram pardos e o modo como negociam e vivenciam os
                processos de racialização enquanto pardos (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Schucman,
                    2018</xref>). É nessa lacuna que esta pesquisa se insere, nos difíceis, porém
                urgentes, questionamentos acerca da constituição do pertencimento e da identidade
                étnico-racial. Será nesse espaço de negociação entre o que se muda ou se reafirma
                que se pretende captar esse pertencimento por meio dos diálogos e reflexões ao longo
                do percurso e dos conhecimentos teóricos ou por meio da convivência com diferentes
                coletivos de estudantes ou grupos de pesquisa e extensão.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>As políticas de ações afirmativas da UFSCar</title>
            <p>Uma década antes da legislação nacional que hoje rege as universidades federais, o
                Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UFSCar, documento que dispõe da
                participação democrática de toda a comunidade universitária, apresentava, no ano de
                2002, as primeiras medidas de ação afirmativa. Sua aprovação, ocorrida em 2004,
                orientou a implantação de diversas mudanças na estrutura da UFSCar, inclusive o
                reconhecimento da necessidade de uma Política de Ações Afirmativas (PAA). Em 2005,
                foi organizada uma comissão interna para conduzir o processo de formulação de
                proposta para uma PAA que garantisse o ingresso no Ensino Superior público de
                candidatos pertencentes aos estratos pobres da sociedade, com especial atenção às
                pessoas negras e populações indígenas (UFSCar, 2017).</p>
            <p>Após longo e intenso debate, foi aprovada a Portaria GR nº 695 de 6 de junho de 2007,
                que dispõe sobre a implementação da reserva de vagas para acesso aos cursos de
                graduação da UFSCar no Programa de Ações Afirmativas, tendo efeito legal para os
                ingressantes a partir de 2008. Poderiam optar pela reserva de vagas os candidatos
                que houvessem cursado integralmente o Ensino Médio em instituições públicas,
                municipais, estaduais ou federais, além dos negros e indígenas (UFSCar, 2007). Cabe
                ressaltar que para garantir a permanência de estudantes de famílias de baixa renda –
                principalmente nos primeiros anos de implementação do PAA – políticas de assistência
                estudantil, como bolsas, moradia e alimentação, foram custeadas mediante recursos
                próprios da administração da UFSCar, visto que o Programa Nacional de Assistência
                Estudantil (Pnaes) só foi constituído em 2010, por meio do Decreto nº. 7.234, de 19
                de julho (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brasil, 2010</xref>). Da mesma maneira,
                diferentes ações foram desenvolvidas com o propósito de apoiar e acolher esses
                estudantes, a fim de possibilitar a permanência e conclusão de seus estudos.</p>
            <p>A aprovação da Lei nº 12.711, em 29 de agosto de 2012, que instituiu a reserva de
                vagas como política nacional, estendendo-se a todas as universidades federais do
                Brasil, levou a UFSCar a realizar adequações em sua política interna, por exemplo, a
                inclusão do fator renda familiar bruta mensal do candidato. O critério raça/cor já
                havia sido adotado dentro da reserva para estudantes de escolas públicas. Em
                decorrência da Lei nº 13.409 de 28 de dezembro de 2016, a UFSCar passou a ter cinco
                modalidades ou grupos de ingresso via Sistema de Seleção Unificada (Sisu)
                contemplados com um percentual de 50% das vagas reservadas de cada curso (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2016</xref>).</p>
            <p>Em síntese, muito se conquistou desde a implantação do PAA, mas ainda há lacunas a
                serem preenchidas nos âmbitos da pesquisa e do aprimoramento da política pública
                para que se alcance o objetivo que levou à sua elaboração. Há que se destacar que
                essas medidas são reivindicações históricas dos movimentos sociais e dos movimentos
                ligados à consolidação de uma educação pública gratuita que garanta formação
                adequada para toda a população brasileira.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Famílias inter-raciais e o debate sobre identidade e pertencimento
                étnico-racial</title>
            <p>A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada
                pelo <xref ref-type="bibr" rid="B28">IBGE (2019)</xref>, reúne indicadores que
                possibilitam compreender aspectos sociais e demográficos do país, quando expõe, por
                exemplo, que “a população branca, em 2018, representava 43,1% da população
                residente, ao passo que a população preta era de 9,3% e pardos correspondiam a
                46,5%” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">IBGE, 2019, p. 8</xref>). Em 2012, ano de
                implementação da Lei nº 12.711, “as pessoas declaradas brancas totalizavam 46,6%,
                enquanto 45,3% eram pardas, e 7,4%, pretas” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">IBGE,
                    2019, p. 8</xref>). Por meio da análise desses dados, pode-se inferir que, no
                que tange à autodeclaração, houve mudanças quanto ao contingente de pessoas que se
                identificam como pretas e pardas. Embora a questão racial seja a base de formação do
                Brasil, esses números permitem inferir que os debates em torno da adoção de
                políticas de ação afirmativa levaram a modificações sobre o pertencimento
                étnico-racial. Acreditamos que seja importante o diálogo em torno daqueles que se
                autodeclaram pardos, pois, como destacam <xref ref-type="bibr" rid="B42">Silva e
                    Leão (2012)</xref>, as desigualdades socioeconômicas entre os diversos grupos
                raciais indicam que o pertencimento étnico-racial continua sendo fundamental para
                compreender as discrepâncias sociais existentes em nosso país. As autoras denominam
                como “sociabilidade fluida” os casamentos inter-raciais e a pouca segregação
                existente no Brasil que nos dão a falsa sensação de democracia racial (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B42">Silva; Leão, 2012, p. 117</xref>).</p>
            <p>Nos estudos sobre famílias inter-raciais, observa-se uma tendência dominante de se
                estudar “a socialização racial que atravessa as famílias ao invés de olhar para
                dentro delas” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Hordge-Freeman, 2018, p. 17</xref>).
                Da mesma forma, <xref ref-type="bibr" rid="B41">Schucman, Mandelbaum e Fachim (2017,
                    p. 440)</xref> indicam que “são raros os estudos que relacionam dinâmicas
                familiares raciais, bem como incipientes os trabalhos que falam de vínculos afetivos
                e a relação com os processos de racialização no país”. Cabe salientar que tais
                pesquisas concentram-se na área da psicologia social, com ainda pouca interlocução
                com pesquisas na área da educação. No que tange ao ambiente universitário, várias
                estratégias impactam a formação do pertencimento étnico-racial. <xref
                    ref-type="bibr" rid="B32">Marques (2018)</xref> apontou que estudantes negros
                podem ressignificar sua identidade e pertencimento étnico-racial por meio de
                participações em grupos de pesquisas, eventos e espaços de debates.</p>
            <p>Ao falarmos de identidade, é necessário salientar que tal conceito no decorrer das
                décadas foi se transformando e passou a ser demasiado complexo. Stuart <xref
                    ref-type="bibr" rid="B25">Hall (2006)</xref> ressalta que mudanças estruturais
                na sociedade alteraram fortemente o modo como as pessoas lidam com questões de
                classe, gênero, sexualidade, etnia e raça, e consequentemente alteraram a maneira
                como os indivíduos se percebem socialmente. O autor pontua ainda que as identidades
                vão assumindo diferentes características ao longo da vida, não sendo uma única, mas
                sendo mutável conforme as socializações às quais a pessoa está exposta. Em
                determinado momento, tal identidade pode sofrer mudanças, à medida que a pessoa
                passa a fazer questionamentos que a levam a indagar-se sobre o seu pertencimento,
                algo que pode levá-la a não se reconhecer em um determinado grupo e a não
                compreender qual o seu lugar na sociedade e na família. <xref ref-type="bibr"
                    rid="B25">Hall (2006)</xref> apresenta a identidade como sendo definida
                historicamente e não como uma característica biológica, existindo em uma única
                pessoa identidades diferentes e contraditórias, “construídas ao longo de discursos,
                práticas e posições” (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Hall 2008, p. 108</xref>).</p>
            <p>Da mesma maneira que identidade é tida como um conceito histórico e construído ao
                longo do tempo, das experiências e das relações, o conceito de raça abordado nesta
                pesquisa também é entendido segundo um viés social, ou seja, uma construção social
                baseada em fenótipos e experiências que mantêm desigualdades e influenciam a vida de
                muitas pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Guimarães, 2003</xref>). Como afirma
                o referido autor, “cor não é uma categoria objetiva, cor é uma categoria racial,
                pois quando se classificam as pessoas como negros, mulatos ou pardos é a ideia de
                raça que orienta essa forma de classificação” (<xref ref-type="bibr" rid="B22"
                    >Guimarães, 2003, p. 103-104</xref>). Portanto, raça e cor são entendidas nesta
                pesquisa como conceitos sociológicos que estabelecem e explicam determinadas
                características, experiências e indicadores da sociedade brasileira. É importante
                considerar o termo como moldura de ação política que leva à conscientização e
                compreensão das lutas raciais, buscando cada vez mais colocar em evidência as
                temáticas ligadas às relações étnico-raciais.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B33">Munanga (1999)</xref> enfatiza que no Brasil a
                classificação racial ocorre de forma cromática, baseada na cor e nos fenótipos, e
                não na origem, de tal forma que, dependendo do grau de miscigenação, o indivíduo
                pode autodeclarar-se como pertencente à categoria branca, salvo exceções, nas quais,
                por escolha política e posicionamento ideológico, o sujeito se autoafirma negro.
                Assim, na construção do sistema racial brasileiro, “o mestiço é visto como ponte
                transcendente” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Munanga, 1999, p. 119</xref>), tendo
                privilégios por sua aproximação fenotípica ao grupo branco. De tal ideário surge o
                mito da democracia racial, de que somos um povo misturado e somos todos um, sem
                preconceitos e nem discriminação, uma nação vivendo em plena harmonia.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Metodologia</title>
            <p>O presente trabalho tem como referência a metodologia qualitativa, abordando
                diferentes conhecimentos, estratégias de investigação e métodos de coleta, análise e
                interpretação de dados. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B12">Creswell (2010, p.
                    26)</xref>, trata-se de uma abordagem que permite “explorar e [...] entender o
                significado que os indivíduos ou os grupos atribuem a um problema social ou humano”.
                Como estratégia de investigação, também adotamos o estudo de caso, explorando
                profundamente “[...] um processo ou um, ou mais indivíduos” a partir de coleta de
                dados e de entrevistas semiestruturadas (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Creswell,
                    2010, p. 38</xref>).</p>
            <p>A pesquisa foi desenvolvida em quatro fases: 1) Apresentação da trajetória histórica
                da política de ação afirmativa da UFSCar; 2) Constituição do campo de pesquisa sobre
                ações afirmativas, identidade, pertencimento étnico-racial e famílias inter-raciais
                nas seguintes bases de dados: SciELO, Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
                Dissertações (BDTD) e base internacional (busca realizada por meio do Serviço Comum
                de Documentação da Université Paris Nanterre<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>);
                3) Realização de entrevistas por meio de amostras aleatórias com cinco pessoas,
                buscando contemplar ao menos uma pessoa de cada Centro Acadêmico<xref ref-type="fn"
                    rid="fn4">4</xref> (Exatas e Tecnologia, Humanas, e Biológicas); 4) Análise dos
                dados e resultados, buscando articular identidade e pertencimento étnico-racial às
                discussões sobre a implementação e avaliação das políticas de ação afirmativa,
                acesso e permanência no Ensino Superior e, por último, aos estudos sobre famílias
                inter-raciais.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="results">
            <title>Resultados e análise</title>
            <p>As entrevistas foram realizadas entre agosto e outubro de 2020, no mesmo período de
                agravamento da pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2, popularmente conhecido como
                covid-19 ou novo coronavírus. Por esse motivo, a solução encontrada para a
                continuidade da pesquisa foi a aplicação do questionário e a realização das
                entrevistas de forma remota.</p>
            <p>Para os objetivos descritos foram convidados a participar todos os discentes da
                graduação que responderam ao questionário e se autodeclararam pardos de famílias
                inter-raciais. Os alunos excluídos da análise foram os que se autodeclararam
                brancos, pretos ou indígenas, não pertencentes a famílias inter-raciais e que já
                concluíram a graduação. Através de tal condicionantes, foram realizadas cinco
                entrevistas. O <xref ref-type="table" rid="T1">Quadro 1</xref> apresenta informações
                a respeito dos participantes. Salientamos que, a fim de garantir o anonimato das/os
                entrevistadas/os, utilizaremos nomes fictícios inspirados no livro <italic>Com qual
                    penteado eu vou?</italic>, de autoria de Kiusam de <xref ref-type="bibr"
                    rid="B35">Oliveira (2021)</xref>, com ilustrações de Rodrigo Andrade.</p>
            <table-wrap id="T1">
                <label>Quadro 1</label>
                <caption>
                    <title>Participantes da entrevista</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Nome</td>
                            <td align="center" valign="middle">Significado e origem do nome</td>
                            <td align="center" valign="middle">Sexo</td>
                            <td align="center" valign="middle">Idade</td>
                            <td align="center" valign="middle">Centro acadêmico e curso</td>
                            <td align="center" valign="middle">Modalidade de acesso</td>
                            <td align="center" valign="middle">Autodeclaração de raça/cor</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <italic>Kwame</italic>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Nascido no sábado em Akan/Gana</td>
                            <td align="center" valign="middle">Masculino</td>
                            <td align="center" valign="middle">36</td>
                            <td align="center" valign="middle">
                                <p>CCET</p>
                                <p>Estatística</p>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Grupo 3</td>
                            <td align="center" valign="middle">Preto</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <italic>Monifa</italic>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Eu tenho sorte em Iorubá/Nigéria</td>
                            <td align="center" valign="middle">Feminino</td>
                            <td align="center" valign="middle">21</td>
                            <td align="center" valign="middle">
                                <p>CCBS</p>
                                <p>Terapia Ocupacional</p>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Grupo 5</td>
                            <td align="center" valign="middle">Parda</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <italic>Aisha</italic>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Ela é vida em Suaíli/África
                                Oriental</td>
                            <td align="center" valign="middle">Feminino</td>
                            <td align="center" valign="middle">29</td>
                            <td align="center" valign="middle">
                                <p>CECH</p>
                                <p>Pedagogia</p>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Grupo 3</td>
                            <td align="center" valign="middle">Parda</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <italic>Jafari</italic>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Digno em Suaíli/África Oriental</td>
                            <td align="center" valign="middle">Masculino</td>
                            <td align="center" valign="middle">24</td>
                            <td align="center" valign="middle">
                                <p>CCET</p>
                                <p>Engenharia Civil</p>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Grupo 1</td>
                            <td align="center" valign="middle">Pardo</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <italic>Amara</italic>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Misericórdia em Igbo/Nigéria</td>
                            <td align="center" valign="middle">Feminino</td>
                            <td align="center" valign="middle">21</td>
                            <td align="center" valign="middle">
                                <p>CECH</p>
                                <p>Pedagogia</p>
                            </td>
                            <td align="center" valign="middle">Grupo 1</td>
                            <td align="center" valign="middle">Parda</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN1">
                        <p>Fonte: Dados da pesquisa.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Buscou-se articular a análise das entrevistas ao levantamento bibliográfico e ao
                referencial teórico. Por questões metodológicas, as falas foram divididas em
                categorias com as seguintes dimensões: fenótipo; hipersexualização e relações de
                gênero; racismo e suas consequências; violência policial; universidade, ações
                afirmativas e seus impactos; relações familiares; identidade e pertencimento
                étnico-racial.</p>
            <p>Em síntese, a categoria fenótipo registra as primeiras experiências relacionadas à
                raça em ambiente escolar, intimamente relacionadas às características físicas e ao
                sentimento de pertença. Nilma <xref ref-type="bibr" rid="B19">Gomes (2002)</xref>
                aponta que a escolarização é uma importante etapa da construção da identidade e,
                infelizmente, tende a reforçar estereótipos e representações negativas sobre o corpo
                e a cultura negra. A fala a seguir exemplifica essa situação.</p>
            <disp-quote>
                <p>Na minha sala, todo mundo tinha o cabelo cacheado, e quando eu fui para outra
                    escola já tinha as meninas loiras ou aquelas que começavam a alisar o cabelo, aí
                    tinha aquele questionamento “por que você não alisa o seu cabelo?”. (Aisha).</p>
            </disp-quote>
            <p>As entrevistas com as três mulheres participantes da pesquisa também evidenciam que
                os ritos com os cabelos se iniciam antes mesmo das idas ao salão de cabeleireiro e
                dos usos de produtos químicos. São rituais instituídos geralmente pelas mães para
                que os cabelos sejam “domados” e que tenham um aspecto de arrumados, seguindo os
                padrões estabelecidos por uma sociedade racista. As mães, em seus atos de amor,
                reproduzem, muitas vezes, as práticas às quais foram submetidas quando crianças e
                adolescentes, em uma tentativa de proteger suas filhas de situações de preconceito e
                racismo.</p>
            <disp-quote>
                <p>É que a minha mãe, ela amarrava meu cabelo muito forte para ir pra escola, aí ela
                    estendia minha raiz pra ficar impecável, porque a gente tinha que ir linda pra
                    escola [...] Sempre tive complexo com meu cabelo. Eu ainda tenho um pouquinho.
                    Mas eu sempre tive, minha adolescência toda, foi difícil aceitar ele desse jeito
                    assim, sabe? Ele do jeito que ele é foi bem complexo. (Amara).</p>
            </disp-quote>
            <p>Dessa forma, bell <xref ref-type="bibr" rid="B26">hooks (2005)</xref> aponta que, em
                meados dos anos 1960, os penteados afros tornaram-se símbolos da resistência ao
                racismo, sendo associados a militâncias contra as opressões impostas pelo
                capitalismo branco. Logo depois, as indústrias começaram a visualizar um mercado
                atrativo e lucrativo de produtos específicos para cabelos afros e tratamentos
                capilares (<xref ref-type="bibr" rid="B26">hooks, 2005</xref>). Hoje vemos um
                movimento de transição capilar e muitos produtos específicos para diferentes
                curvaturas do fio de cabelo.</p>
            <p>Nesse sentido, Nilma <xref ref-type="bibr" rid="B18">Gomes (2003)</xref> nos mostra
                que algumas mulheres desejam o cabelo natural e o fazem por razões políticas e por
                julgarem que dessa forma expressam sua negritude, enquanto outros grupos defendem o
                uso das tranças, por considerarem que tal penteado aproxima homens e mulheres das
                raízes africanas. Há aquelas/aqueles que optam pelo cabelo alisado, por acreditarem
                que dessa forma estarão mais próximas(os) do padrão estético imposto socialmente.
                Nilma <xref ref-type="bibr" rid="B18">Gomes (2003)</xref> adverte sobre o
                “patrulhamento ideológico”, pois “esse tipo de cerceamento da liberdade da expressão
                estética e corporal do negro, sobretudo da mulher negra, demonstra que continuamos
                mergulhados nas malhas do racismo e do preconceito racial” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B18">Gomes, 2003, p. 177</xref>).</p>
            <p>A esse respeito, Monifa pontua: “Quando eu coloquei trança, de repente eu fiquei
                muito mais negra do que sem trança. Tipo, as características que vão ficando na
                gente e vai tornando a gente mais preto para o movimento aceitar mais.”</p>
            <p>Nilma <xref ref-type="bibr" rid="B18">Gomes (2003)</xref> ressalta, ainda, a
                importância da desconstrução de estereótipos na formação das identidades
                étnico-raciais e salienta a importância da simbologia contida na manipulação e
                penteados de cabelos negros e na importância de considerar diferentes espaços nesse
                processo, desde a sala de aula até os salões de beleza étnicos. As três mulheres
                entrevistadas abordam em suas falas essa relação com o cabelo. Aisha relata que a
                relação com o cabelo passou a mudar quando ela passou a estudar em uma escola
                distante de sua residência, onde o contato com alunas e alunos de outros bairros e
                de diferentes estéticas era mais evidente.</p>
            <p>A categoria “hipersexualização e relações de gênero”, que centraliza a dimensão do
                corpo, foi novamente acionada pelas participantes mulheres. A hipersexualização do
                corpo da mulher negra possui desdobramentos desde a colonização. <xref
                    ref-type="bibr" rid="B34">Oliveira (2016, p. 5)</xref> salienta que as marcas da
                lógica escravagista, que deu início à visão do corpo feminino negro como produto
                sexual, “foram carregadas ao longo de todo o processo histórico brasileiro, criando
                relações de poder e discursos que têm potencial para transformar o corpo negro em
                espaço violável, explorável e dominável”. Ainda nesse sentido, Lélia <xref
                    ref-type="bibr" rid="B20">Gonzalez (1984)</xref> traz o conceito de “neurose
                cultural brasileira” através do qual mobiliza um sentido psicanalítico para explicar
                o racismo como sintoma no cerne da cultura brasileira de forma interseccional com o
                sexismo. As falas das entrevistadas exemplificam tal aspecto:</p>
            <disp-quote>
                <p>Ele [pai] nunca vai entender que ele também reproduz com ela [mãe] esse lugar da
                    mulher que vai ficar em casa para cuidar dos filhos e que vai ficar em casa para
                    suprir ele e as necessidades dele. Então, ela sempre diz a frase “eu não sou sua
                    mucama”. E aí eu falo com ela o quanto isso é pesado, porque ela nem reconhece o
                    que tem por trás de tudo isso né, mucama não é só a empregada doméstica, é
                    aquela da exploração sexual também. E aí ela me relata algumas coisas de vez em
                    quando, que a gente é muito amiga, nesse lugar de “olha, eu não queria e seu pai
                    me forçou”, e aí eu fico relatando para ela de como, além de ter recorte de um
                    homem, é um recorte de homem branco sobre um certo domínio do corpo dela, que é
                    uma mulher negra. (Monifa).</p>
                <p>Aquela fase da adolescência, do namoro, eu ouvi coisas assim “ah, você não é uma
                    menina pra namorar, você é só uma menina pra ficar”, e aí eu comecei a me
                    questionar “por que eu não sou uma menina pra namorar? Eu faço tudo certinho”.
                    Mas depois, quando eu já estava mais velha, eu fui prestar atenção que era
                    relacionado ao meu tom de pele e tudo mais, que as pessoas associam, aquela
                    coisa da mulher negra, então depois que eu fui entender, mas, quando eu era
                    jovem, eu não entendia. (Aisha).</p>
            </disp-quote>
            <p>As falas também remetem a contextos de assédio por motoristas de aplicativos e
                sexualização do corpo durante o Ensino Médio e graduação.</p>
            <disp-quote>
                <p>No caminho, eu fui assediada pelo motorista do aplicativo, ele me sequestrou por
                    alguns minutos, ele me levou para outros lugares que não era o meu caminho,
                    disse que eu ia ter que fazer coisas para ele. Foi um processo bastante difícil
                    [com voz de choro] até eu chegar lá no condomínio. Quando eu cheguei já estava
                    em contato com algumas pessoas pelo celular, falando. Aí eu abri a porta do
                    carro e saí correndo. Tipo, foi isso, o final da história. Porque aí ele ficou
                    rodando comigo dentro do condomínio, aí eu saí correndo. (Monifa).</p>
            </disp-quote>
            <p>Em outro trecho, Monifa complementa:</p>
            <disp-quote>
                <p>Meu corpo, ele foi muito sexualizado no Ensino Médio, então eu comecei a ser
                    reconhecida na escola pela mulata, né? Era um negócio, então eu fiquei com
                    muitos professores no Ensino Médio, muitos! E relações sexuais com professores
                    de 40 anos, eu tinha 15, 16. (Monifa).</p>
            </disp-quote>
            <p>Também são evidenciadas pelas falas a dificuldade em frequentar cursos
                majoritariamente masculinos e conseguir estágio na área. Abaixo alguns um exemplo de
                fala nesse sentido:</p>
            <disp-quote>
                <p>Quando eu estava na engenharia, eu observava os comentários, não pra mim. Mas é
                    aquilo, quando você estuda com um monte de homem, era aqueles comentários
                    “porque mulher negra é isso, porque mulher negra é aquilo”, e às vezes soltavam
                    do meu lado, só que isso que era o curioso, eles não me identificavam como
                    negra, porque eu não tinha o tom de pele mais escuro, então eles achavam que eu
                    estava ali... Mas eu ficava observando, sabe, mas vocês estão falando do quadril
                    dela, eu também tenho o mesmo quadril, sabe, eu ficava pensando, observando. Mas
                    eram uns comentários, assim, muitos. [...] Eu enfrentava muito preconceito, por
                    ser mulher na área de tecnologia e também por ser uma mulher negra. Porque a
                    gente percebe, por exemplo, as meninas mais bonitinhas da sala, elas conseguiam
                    estágio, e por que elas conseguiam e eu não? Se eu era melhor, se eu tinha
                    melhores notas que elas, qual que era a diferença? Então isso que eu fui
                    perceber só depois. (Aisha).</p>
            </disp-quote>
            <p>Relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a respeito da violência
                contra mulher indica que 68,15% das mulheres negras expressam medo de serem vítimas
                de agressão sexual; e 62,58% relatam temor de sofrerem sequestro ou
                sequestro-relâmpago (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Engel, [2015?]</xref>). Outro
                dado aponta que, em algumas situações, a mulher negra é tida como um objeto sexual e
                não é considerada ideal para manter relacionamentos duradouros (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B34">Oliveira, 2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B37"
                    >Santos; Queiroz, 2017</xref>).</p>
            <p>Faz-se necessário, portanto, refletir sobre os padrões sociais que possibilitam que o
                sexismo continue atuando e determinando padrões estéticos, de modo a contrapor-se às
                limitações que são impostas diariamente às mulheres com a justificativa dos papéis
                que os gêneros devem ou podem assumir. Além disso, uma análise realizada pelo <xref
                    ref-type="bibr" rid="B29">Ipea (2021)</xref> sobre o mercado de trabalho,
                compreendendo o intervalo de 2012 a 2020, aponta que mulheres e não brancos são os
                que mais sofrem com o desemprego ou subemprego, sendo também maioria entre os que
                não possuem ocupação. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Carmo e Rodrigues
                (2021)</xref>, corroborando tais dados, afirmam que na base da pirâmide social está
                a mulher negra.</p>
            <p>As falas das entrevistadas indicam uma cultura machista, sexista e racista. Como nos
                aponta Sueli <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carneiro (2003, p. 129)</xref>, é
                necessário trazer à tona “as implicações do racismo e do sexismo que condenaram as
                mulheres negras a uma situação perversa e cruel de exclusão e marginalização
                social”. A luta antirracista perpassa pela luta feminista que enfatiza o lugar das
                mulheres negras como protagonistas de suas histórias e narrativas. Apesar dos
                séculos de silenciamento e opressão contra as mulheres negras, como defende <xref
                    ref-type="bibr" rid="B40">Schucman (2010)</xref>, é necessário romper com
                hierarquizações e promover articulações políticas capazes de transformar as
                características da negritude, que hoje são alvos de preconceitos, em características
                positivas.</p>
            <p>Sobre “Racismo e suas consequências”, a terceira categoria de análise, os
                entrevistados relataram inúmeras situações que evidenciam os conflitos raciais –
                tais como preterição; impedimento, não atendimento e perseguição em ambientes
                comerciais, e violência física.</p>
            <p>Salientamos que, no contexto brasileiro, raça e cor possuem grande importância nas
                análises de conflitos e desigualdades que atravessam os mais variados ambientes de
                socialização dos indivíduos – casa, escola, igreja e demais espaços (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B40">Schucman, 2010</xref>).</p>
            <p>Monifa retrata em sua fala a experiência escolar, ao se ver preterida em relação ao
                outro:</p>
            <disp-quote>
                <p>Uma vez alguém bateu na porta [da sala de aula], que eles faziam aquelas
                    propagandas de <italic>outdoor</italic>, muita coisa para fazer propaganda da
                    escola. E aí falou que precisavam de cinco alunas para descer para tirar foto
                    para ir para o <italic>outdoor</italic> e ela olhou para toda sala e perguntou
                    quem queria participar e aparecer no <italic>outdoor</italic>. E eu fui uma das
                    crianças que levantou a mão, e ela escolheu várias das minhas amigas, mas eu não
                    fui escolhida e aí ela disse para mim, depois que as meninas saíram e na frente
                    da sala inteira, que eu não fazia o perfil e ela falou que meninas como eu não
                    podiam aparecer no <italic>outdoor.</italic> Para mim foi muito difícil porque
                    ela disse na frente da sala inteira, eu fiquei muito mal e não contei para minha
                    mãe, só que aí o processo de perseguição continuou, porque depois teve um dia
                    que teve uma prova de matemática que aí veio também, aonde eu sempre detestei as
                    exatas começou aí, porque ela alegou que eu estava colando da minha colega da
                    frente e eu não estava colando, porque eu estava na primeira série eu nem tinha
                    razões para colar e ela me bateu na frente da sala, me pegou pelo braço, da
                    cadeira né e deu um tapa na minha bunda. (Monifa).</p>
            </disp-quote>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B21">Guimarães (2009, p. 204)</xref> destaca “que a
                discriminação racial no Brasil baseia-se na suspeição da vítima”, ou seja,
                discrimina-se aquele de quem se espera uma atitude desviante ou criminosa. Silvio
                    <xref ref-type="bibr" rid="B2">Almeida (2019)</xref> complementa que o racismo
                vincula-se em certo nível à segregação racial e social, através, por exemplo, da
                divisão de espaços, prática que, diferentemente do que ocorreu nos EUA e na África
                do Sul com o <italic>apartheid</italic>, acontece de maneira velada no Brasil –
                aqui, em locais onde a concentração de determinados grupos raciais é maior, o
                ingresso de alguém de um grupo racial ou de uma classe social distinta gera
                desconforto e tratamentos diferenciados.</p>
            <disp-quote>
                <p>No Butantã tem um mercado que quando eu tava no cursinho eu sempre fazia compra
                    nesse mesmo mercado. Como é um bairro nobre, esse mercado era mais para a elite,
                    e tinha um segurança que sempre ficava me seguindo, eu questionei ele por que
                    estava me seguindo e é sempre isso né, até mesmo aqui em São Carlos tem vez que
                    tem seguranças que te seguem no mercado. [...] Teve uma situação que eu fiquei
                    muito bravo, eu fui no supermercado parei na frente do caixa e peguei uma
                    revista pra lê, pra vê a revista. Aí o alto-falante começou a gritar “vai no
                    caixa 27 com brevidade”, pediram para o segurança ir no caixa 27 com brevidade,
                    aí quando eu vi o segurança parado, eu olhei pra cima era o caixa que eu estava,
                    isso eu tinha 19 anos. (Kwame).</p>
            </disp-quote>
            <p>Diante do exposto, o papel da escola e da sociedade no enfrentamento do racismo é
                fundamental. Não podemos fechar os olhos e naturalizar violências que são sofridas
                desde a mais tenra idade. É preciso auxiliar crianças e adolescentes a construírem
                suas identidades e pertencimentos de forma positiva. Em consonância com <xref
                    ref-type="bibr" rid="B7">Carapello (2020)</xref>, deve-se considerar que não é
                aceitável que escolas e professores reforcem estereótipos e minimizem o racismo
                sofrido por alunos no ambiente escolar. A escola como um lugar formativo deve ser
                espaço para a construção de “características positivas”, pois “aprender a conviver,
                cooperar, respeitar a diversidade e exercitar a empatia é um processo de construção
                [...] e requer intencionalidade, planejamento e acompanhamento” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B7">Carapello, 2020, p. 177</xref>). Mas não apenas na
                Educação Básica, pois as atitudes antirracistas estão presentes em todos os níveis
                de ensino e em todos os ambientes da sociedade. Nilma <xref ref-type="bibr"
                    rid="B17">Gomes (2018)</xref> sugere que uma nação sem racismo é aquela em que
                raça é tida como garantia de direitos e de inclusão, e não de exclusão, de tal forma
                que o Estado garanta acesso às políticas de igualdade e equidade racial.</p>
            <p>A quarta categoria, “Violência Policial”, é evidenciada, em sua maioria, nas falas
                dos homens entrevistados. Quando aparece na fala das mulheres, elas estão se
                referindo a acontecimentos com alguém do sexo masculino. De acordo com a Organização
                Não Governamental (ONG) Conectas, com base nos dados do Levantamento Nacional de
                Informações Penitenciárias (InfoPen), em 2020 o Brasil se manteve em 3º lugar no
                    <italic>ranking</italic> de países com maior população carcerária, ficando atrás
                apenas dos Estados Unidos e da China, que ocupavam respectivamente o primeiro e o
                segundo lugares (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Conectas, 2020</xref>). De acordo
                com os dados divulgados em 2019, a população carcerária brasileira era de 748.009
                pessoas privadas de liberdade, sendo que 44,79% eram jovens de 18 a 29 anos. Com
                relação à cor e à raça, 49,88% das pessoas em privação de liberdade se autodeclaram
                pardas e 16,81%, pretas, totalizando uma população carcerária de 69,69%
                autodeclarada negra (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Brasil, 2020</xref>). Abaixo
                alguns relatos das entrevistas realizadas</p>
            <disp-quote>
                <p>No Ensino Médio, meu primo foi assassinado, quando eu estava no terceiro ano, meu
                    primo foi assassinado por policiais. Ele morava na periferia, eu já não morava
                    mais, mas era um primo muito próximo, ele tinha 18 anos. Ele estava indo comprar
                    pão levou um tiro e aí o policial foi atrás dele no hospital e estrangulou ele.
                    Ele [policial] filmou isso e mandou para a gente, família, falando que era isso
                    que acontecia com quem mexia com ele. Depois ele esteve no enterro do meu primo,
                    perseguiu nossa família por muito tempo. (Monifa).</p>
                <p>Eu só não fui agredido quando eu fui abordado, porque eu estava num bairro nobre.
                    Eu fazia pintura e ele só não fez nada porque eu parei na frente de um
                    restaurante. O policial me abordou na frente de um restaurante que eu almoçava
                    sempre, eu estava indo para o cursinho, estava ainda com a roupa, a roupa com
                    mancha de tinta, porque a gente, quando trabalha, mesmo que você tome banho,
                    você fica com tinta. [...] Apareceram dois policiais [inaudível], eu quase bati
                    a testa na arma do cara e ele gritando “mão para cima”. Mas eu não estava nem
                    ligando, minha sorte que os donos do restaurante ficaram ali na frente, olhando.
                    [...] A outra vez eu estava entrando na casa da minha madrinha, abri a porta da
                    casa da minha madrinha, era meia-noite, estava voltando do cursinho. Aí o
                    policial para o carro na frente da casa dela e perguntou “que que você tá
                    fazendo aí?” eu disse: “eu tô entrando em casa”. Minha sorte é que minha
                    madrinha saiu e estava na sacada. Ela olhou pro policial e deu um tchauzinho, o
                    policial foi embora. Aí ele falou “não, é que roubaram um carro e a gente tá
                    correndo atrás”. (Kwame).</p>
            </disp-quote>
            <p>A realidade das periferias brasileiras é marcada pela constante violência e
                insegurança. O medo das ações da polícia é contínuo, uma organização que deveria
                proteger e trazer segurança à população, mas que causa apreensão, principalmente
                para a população negra. <xref ref-type="bibr" rid="B23">Guimarães (1999)</xref>
                afirma que</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] pode-se dizer, sem risco de errar, que o tratamento desigual dos indivíduos
                    perante a lei é ainda hoje prática corrente e também informal no Brasil. O mesmo
                    fenômeno de estereotipia negativa dos traços somáticos negros fundamenta o
                    mecanismo de “suspeição policial” que torna os negros as vítimas preferenciais
                    do arbítrio dos policiais e dos guardas de segurança nas ruas, nos transportes
                    coletivos, em lojas de departamento, bancos e supermercados. (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B23">GUIMARÃES, 1999, p. 107</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Por fim, Nilma <xref ref-type="bibr" rid="B17">Gomes (2018, p. 118)</xref> salienta
                que se afirmar enquanto preto ou pardo “é um posicionamento político e identitário
                que causa desconforto nas elites e nos poderes instituídos e que o uso da força e da
                violência, uma das estratégias antigas do racismo, tem sido uma tentativa de
                fazê-los calar”.</p>
            <p>Na sequência, abordaremos a quinta categoria, “Universidade, ações afirmativas e seus
                impactos”. Nela os entrevistados relatam mudanças, após o ingresso no Ensino
                Superior, no que concerne à forma de se perceber e de lidar com questões raciais;
                salientam que o ingresso na universidade via ações afirmativas causa um impacto na
                compreensão sobre seu próprio pertencimento. As ações afirmativas cumprem dois
                objetivos centrais: primeiramente, possuem a função compensatória de acesso da
                população negra a vagas em universidades e cargos públicos; e, em segundo lugar,
                propiciam a construção da identidade e do pertencimento racial (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B40">Schucman, 2010</xref>).</p>
            <p>A autodeclaração e a identidade parda passam por questionamentos, muitas vezes por
                não se compreender as dinâmicas raciais e por haver dúvidas sobre o próprio
                pertencimento. As comissões de verificação da autodeclaração surgem com o intuito de
                inibir possíveis fraudes. Mas, para algumas pessoas, causam uma sensação de
                estranheza e de dúvida sobre o pertencimento. Nas entrevistas realizadas, apenas
                dois participantes tiveram suas matrículas confirmadas pelas comissões de
                heteroidentificação no ingresso na graduação.</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] eu achei que era necessário, porque, por mais que meu irmão tenha feito um
                    pouquinho da faculdade, [...] eu nunca tive dentro da família uma pessoa que
                    tenha realmente cursado uma faculdade, ainda mais federal. A federal a gente
                    nunca teve. Então, quando eu vi que eu tinha oportunidade de entrar com as
                    cotas, aí eu optei pelas cotas. Mas é claro, quando eu fui pedir as cotas, a
                    gente fica pensando: será que eu posso pedir, será que eu posso entrar nesse
                    grupo? Mas í eu fui pesquisando um pouco mais e falei: não, eu vou tentar pelas
                    cotas. (Amara).</p>
            </disp-quote>
            <p>Embora seja consenso entre os entrevistados a percepção da importância da comissão de
                verificação para inibir possíveis fraudes, muitas dúvidas apareceram nas falas sobre
                quem será considerado pardo nas validações, questionamentos sobre a história do
                candidato, dúvidas sobre ascendência e o sentimento de constrangimento perante a
                comissão.</p>
            <disp-quote>
                <p>É difícil, né? Olha, assim, você vai lá... pra mim eu vejo mais como um paredão,
                    sabe, um paredão que os caras vão te olhar e vão ficar tipo te julgando. É meio
                    ruim, é uma sensação bem íntima, parece que eles penetram tua alma, sabe? Mas,
                    enfim, é uma sensação ruim, eu não gostei. Mas, assim, eu acho que o pior é
                    ficar... Quando eu fui, tinha uma fila de pessoas, e você para e olha pra fila e
                    você pensa “cara, será que eu tô dentro? Aquela pessoa também tá? Será que eu
                    não tô?”. Sabe, você fica meio que nessa paranoia de tentar se acalmar e ver se
                    você pode entrar ou não. Eu acho que a fila também é bem... a fila, quando você
                    se depara com aquele tanto de pessoa que pede a mesma cota que você, também te
                    dá um medinho, não é só os caras que tão lá e vão te avaliar. Eu acho que é uma
                    estranheza bem complicada, mas eu acho necessário. Eu fui, eu fiz, eu falei
                    “mano, se eu não passar, não vou passar”. Mas é complicado, bem tenso.
                    (Amara).</p>
            </disp-quote>
            <p>Nesse sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B44">Souza (2019)</xref> enfatiza o papel
                formador que as comissões de verificação podem tomar. Para o autor: “Essa norma
                objetiva também incitar a percepção e reflexão do estudante sobre o processo de
                exclusão vivenciada ao longo da história pela população negra no Brasil” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B44">Souza, 2019, p. 63</xref>). Além disso, as ações
                afirmativas impulsionam que outros familiares também possam ingressar na
                universidade e causam transformações nas relações familiares. Os entrevistados
                relataram que os diálogos que se estabelecem no interior das famílias podem
                proporcionar novos conhecimentos, podem mudar a forma de perceber as relações
                familiares.</p>
            <p>Os impactos não atingem somente os discentes que ingressam na universidade, pois
                mudam também a própria universidade. Discentes movimentam os espaços universitários,
                incitando novos diálogos, novas discussões, que antes não existiam ou eram
                restritas. Logo, os coletivos de alunos, os grupos de extensão e demais espaços
                propiciam discussões que vão sendo levadas para a sala de aula.</p>
            <p>Na sexta categoria, “Relações familiares”, ressaltamos que família é entendida nesta
                pesquisa como o primeiro espaço de socialização. Destacamos, no entanto, que
                compreendemos a família como uma instituição que sofreu inúmeras transformações ao
                longo dos anos, de tal modo que não tomamos como base nenhum padrão de organização
                familiar. Ainda que as configurações familiares dos entrevistados sejam compostas
                por pai, mãe e irmãos, essa configuração foi aleatória e não intencional.</p>
            <p>Com relação à organização familiar, <xref ref-type="bibr" rid="B14">Devulsky
                    (2021)</xref> defende a importância de criar um ambiente acolhedor para que
                possam ser discutidas questões raciais com todos os membros, um lugar seguro para
                expressar as angústias causadas pelo racismo. Ainda assim, a referida autora
                salienta que nada prepara uma criança para enfrentar situações de preconceito e
                racismo. Em concordância com a autora, devemos ainda pensar nas questões geracionais
                entre pais e filhos que podem causar atritos na relação, como demostram os excertos
                de entrevistas a seguir:</p>
            <disp-quote>
                <p>Quando era mais nova, no Ensino Médio, comecei a militar muito, então eu ia em
                    movimento negro para a Paulista, em marcha das vadias, mas era uma militância
                    bem adolescente, né? Então: “nossa, mãe, você reproduz racismo, você reproduz
                    machismo... não gosto de você... não gosto disso”. Era uma coisa bem radical e
                    não tinha conversa. Então, ela odiava que eu fazia parte desses movimentos, eu
                    odiava ela porque ela reproduzia tudo o que eu mais odiava. (Monifa).</p>
                <p>Eu tenho conflito com o meu pai de não aceitar que a sociedade é racista. O meu
                    pai ele não aceita que a sociedade é racista, ele vê várias situações que eu
                    vejo que hoje a gente tem que é fundamental. Por exemplo, a Lei Maria da Penha,
                    ele acha que a Lei Maria da Penha veio para piorar para as mulheres. E não é
                    isso, aí tudo que a gente discute ele é sempre o contra. (Kwame).</p>
            </disp-quote>
            <p>Nesse sentido, Lélia <xref ref-type="bibr" rid="B20">Gonzalez (1984)</xref> elucida
                os conceitos de “memória” e “consciência”, na qual memória pode ser entendido como o
                lugar da ancestralidade na qual “consciência se expressa como discurso dominante
                [...] numa dada cultura, ocultando memória, mediante a imposição do que ela,
                consciência, afirma como a verdade” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Gonzalez, 1984,
                    p. 226</xref>). É nesse sentido que as falas dos entrevistados indicam que os
                conflitos geracionais, muitas vezes, limitam a interação e dificultam a comunicação
                entre pais e filhas(os). Tais conflitos apareceram em tópicos relacionados ao que é
                racismo, relações conjugais e relações de gênero. Mas também foi possível perceber,
                ao longo das falas, que o amadurecimento e, em alguns casos, a distância geográfica
                dos pais possibilitaram outro olhar para as vivências familiares e uma compreensão
                maior a respeito das divergências.</p>
            <p>A última categoria, “Identidade e pertencimento étnico-racial”, perpassa por
                conflitos internos, subjetivos. Para Lia <xref ref-type="bibr" rid="B39">Schucman
                    (2014, p. 82)</xref>, “‘ser negro’ possui múltiplas conceituações e modos de
                identificação pelos próprios sujeitos negros”, podendo requerer a identidade negra
                por meio de três vieses: a) valorização da afrodescendência; b) produção cultural
                ligada à diáspora, e c) politicamente por meio da luta antirracista.</p>
            <p>É na infância, mais precisamente no ambiente escolar, que a maioria das crianças se
                deparam com o diferente e, então, iniciam-se os conflitos raciais, mesmo que ainda
                não compreendam o que está acontecendo. Monifa relata um episódio em que estava
                passando mal na instituição escolar e, por recomendação dos coordenadores, ficou
                deitada próximo à quadra, quando um grupo de alunos passou por ela:</p>
            <disp-quote>
                <p>Aí uma falou assim “nossa será que ela tá bem”. Aí o outro falou “quem se importa
                    com ela, filha da faxineira mesmo”. E esse é o marco porque foi aí que comecei a
                    me reconhecer enquanto negra, até então eu não sabia disso, até então eu não
                    entendia e eu nem queria também porque meu pai é branco e minha mãe é preta,
                    para mim era tipo eu sou da cor do meu pai, eu não sou da cor da minha mãe.
                    (Monifa).</p>
            </disp-quote>
            <p>Para Monifa, naquele momento, ficou evidente que havia uma diferença entre ela e as
                outras crianças, da mesma maneira que havia uma diferença entre seus pais. Stuart
                    <xref ref-type="bibr" rid="B25">Hall (2006)</xref> elucida que a identidade não
                é fixa, mas mutável de acordo com as vivências e momentos. As dificuldades de
                identificação passam pelo julgamento dos outros. E, nesse sentido, a
                heteroidentificação é uma constante preocupação para aqueles que se autodeclaram
                pardos e vivem entre o ser branco e o ser negro. “Então, só quem tem o fenótipo mais
                escuro é que pode [ser negra]? A gente que é pardo fica onde, então? A gente fica no
                limbo, porque a gente não pode ser negro, mas a gente também não é branco, porque a
                gente sabe que não é branco, a gente sofre um preconceito também.” (Amara).</p>
            <p>Nesse processo de construção da identidade, as formações são momentos importantes,
                seja em uma conversa informal com familiares e amigos, seja na formação acadêmica.
                As/Os entrevistadas/os, ao serem questionadas/os sobre suas autodeclarações, trazem
                elementos fenotípicos e de ascendência.</p>
            <disp-quote>
                <p>Eu entendo que pertenço a um grupo de negros e pardos, sou fruto de uma
                    miscigenação. Meus avôs são negros e pardos, minha bisavó era índia, inclusive
                    tem até questão do nome, eu não sei ao certo a origem dele. Tem diferença:
                    metade da família tem um nome e outra metade tem outro. Se você for pesquisar,
                    vai ver que é inclusive nome de uma cidade do norte da Bahia, se não me engano.
                    Meu pai, ele é baiano, e minha mãe pernambucana, mas eles se conheceram em São
                    Paulo e eu nasci aqui. Mas tem um pouco dessa miscigenação, então tem mistura de
                    português com índio, com negro, e eu sou fruto dessa miscigenação. (Jafari).</p>
                <p>Características físicas: o meu tom de pele, porque eu não sou branca, embora as
                    pessoas falem que eu sou morena clara, mas eu não sou branca. O meu cabelo e a
                    boca também, que é mais carnuda, e também o quadril que é muito característico
                    que todo mundo sabe. (Aisha).</p>
            </disp-quote>
            <p>Ao falar de identidade, é inevitável não tratarmos do colorismo. <xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">Devulsky (2021, p. 17)</xref> ressalta que “o
                colorismo surge como um quadro identitário racial e político que plasma os sujeitos
                em um arquétipo predefinido”. Atinge homens e mulheres e aprofunda as
                desigualdades.</p>
            <p>Em consonância com o postulado por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Devulsky
                    (2021)</xref>, as falas dos entrevistados apontam algumas diferenças sociais
                entre os negros claros e escuros, enfatizando que a lógica do colorismo determina
                quem usufrui de algum nível de segurança no Brasil. Ainda que seja evidente que há
                distinções entre negros claros e escuros, “o reconhecimento de vantagens concedidas
                a negros de pele clara não faz deles sujeitos pertencentes aos espaços de poder
                tradicionalmente ocupados por brancos no Brasil” (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
                    >Devulsky, 2021, p. 19</xref>). Mas é inegável que negros de pele escura
                necessitam transpor barreiras maiores e passam por situações de racismo com mais
                frequência.</p>
            <p>De fato, as lutas enfrentadas por pardos possuem algumas particularidades, como, por
                exemplo, o fator de haver um sentimento de solidão e de não pertença que fica
                evidente na fala de uma das entrevistadas, que demonstra desconforto perante
                situações em que teve sua negritude questionada e nas quais o relacionamento de seus
                pais foi posto como “errado” por se tratar de uma relação inter-racial.</p>
            <p>Contudo, no processo de construção da identidade e pertencimento étnico-racial, a
                descoberta da história dos antepassados é uma importante descoberta para uma
                construção positiva da identidade. A constituição da identidade e do pertencimento
                de forma positiva é um processo complexo e difícil perante a sociedade que temos
                hoje. Portanto, faz-se necessário permitir contextos formadores e de combate ao
                racismo nas instituições de ensino, seja da Educação Básica, seja do nível superior.
                    <xref ref-type="bibr" rid="B40">Schucman (2010, p. 49)</xref> salienta que “a
                representação negativa ou não representação dos grupos minoritários dentro de uma
                sociedade atua de forma perversa sobre a própria subjetividade”.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>Esta pesquisa buscou contribuir com as discussões sobre as políticas de ação
                afirmativa, especialmente em relação aos processos de construção da identidade e
                pertencimento étnico-racial no acesso ao Ensino Superior. O contexto da UFSCar, por
                se consolidar como uma das primeiras instituições a adotar tais medidas e por contar
                com pesquisas, formação de quadros e discussões em âmbito nacional sobre os impactos
                de políticas públicas dessa natureza, é fecundo para a proposta aqui desenhada. Para
                além dos dados estatísticos, cabe ressaltar a necessidade de que tais informações
                sejam enriquecidas com análises das dimensões socioemocionais que marcam a
                constituição étnico-racial dos estudantes, especialmente dos autodeclarados
                pardos.</p>
            <p>Ao longo do texto, buscamos evidenciar o debate em torno da identidade e
                pertencimento da pessoa parda. Um debate em torno do que é ser pardo e como se
                constitui essa identidade. Embora este estudo tenha resultado em muitas respostas,
                inúmeras outras ficaram pendentes ou surgiram no meio do caminho, sendo, dessa
                forma, necessárias novas pesquisas, pois o estudo aqui pretendido não nos
                possibilita um panorama, por se tratar de um estudo de caso realizado em apenas um
                    <italic>campus</italic> de uma universidade.</p>
            <p>Mesmo com tais limitações, os resultados da pesquisa, em consonância com o aporte
                teórico, demonstram como a socialização impacta no sentimento de identidade e
                pertencimento racial e que os processos e as hierarquizações sociais moldam o modo
                como o indivíduo se percebe e atua no mundo. A família, enquanto primeiro espaço de
                sociabilização, possui grande influência, mas é no convívio social que as diferenças
                aparecem. Corroborando as afirmações de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Devulsky
                    (2021)</xref>, é necessário perceber que enfrentar o racismo no dia a dia e nos
                diferentes espaços trará um impacto menor para a pessoa, se ela puder contar com
                familiares acolhedores e que proporcionem um ambiente propício para o
                empoderamento.</p>
            <p>A identidade e o pertencimento vão se modificando ao longo da vida. O contato com a
                universidade e os diferentes espaços e discussões que ela proporciona com pessoas de
                diferentes etnias, raças e culturas possibilita questionamentos sobre a identidade e
                influencia na maneira como o discente se percebe no mundo e nas posições que
                ocupa.</p>
            <p>Nesse contexto, a condição parda, que é marcada em muitos momentos pela dualidade
                entre pertencimento e não pertencimento, deve ser vista e entendida por meio de um
                processo de construção da identidade e do pertencimento étnico-racial positivo,
                através do qual possamos olhar a raça como um processo de criação de identidade, e
                não apenas como um <italic>status</italic> predeterminado (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B27">Hordge-Freeman, 2018</xref>). A experiência universitária, nas
                atividades curriculares, grupos de pesquisa, coletivos e amizades, destacou-se para
                todos os participantes da pesquisa como uma trajetória que provocou mudanças nos
                processos de identificação étnico-racial, aprofundou e possibilitou a compreensão de
                experiências de racialização que ocorreram nas suas vidas anteriormente, e
                possibilitou identificar situações de discriminação no interior das relações
                familiares, o que provocou tensões, mas também mudanças formativas na percepção de
                familiares sobre o tema.</p>
            <p>Mesmo com os limites impostos pela amostra, localizada em um único
                    <italic>campus</italic> de uma universidade, os dados construídos nesta pesquisa
                sinalizam para a importância de fortalecermos no Ensino Superior o acesso a espaços
                formativos sobre relações étnico-raciais, identidade e pertencimento étnico-racial.
                A despeito dos critérios de ingresso e da presença das comissões de
                heteroidentificação, há processos de mudança e construção da identidade e de
                pertencimento étnico-racial que estão se configurando no Ensino Superior e que não
                se reduzem ao binarismo branco e preto, pois permitem a ressignificação de
                experiências silenciadas desde a Educação Infantil para muitos/as.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Consideramos como família inter-racial aquela constituída por um(a) cônjuge
                    autodeclarado(a) negro(a) e o(a) outro branco(a).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>A lei reserva 50% das matrículas por curso e turno nas universidades e institutos
                    federais de educação, ciência e tecnologia a alunos que cursaram integralmente o
                    Ensino Médio público, em cursos regulares ou da Educação de Jovens e Adultos
                    (EJA). As demais vagas permanecem disponíveis para a ampla concorrência. As
                    vagas reservadas às cotas (50% do total de vagas da instituição) foram
                    subdivididas — metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar
                    bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio <italic>per capita</italic> e
                    metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar superior a um
                    salário mínimo e meio. Em ambos os casos, também será considerado percentual
                    mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas no estado, de
                    acordo com o último censo demográfico do IBGE.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>Trabalho desenvolvido no âmbito do acordo de cooperação entre a Universidade
                    Federal de São Carlos e a Université Paris Nanterre, assinado em 2020 durante a
                    implementação do Programa Abdias Nascimento (MEC/Capes).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>A UFSCar possui quatro <italic>campi</italic>: São Carlos, Sorocaba, Araras e
                    Lagoa do Sino. É composta por 48 departamentos acadêmicos, divididos em centros
                    acadêmicos conforme a área de estudo – São Carlos abriga três centros
                    acadêmicos: o Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET), o Centro de
                    Educação e Ciências Humanas (CECH) e o Centro de Ciências Biológicas (CCBS).</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B1">
                <mixed-citation>ALMEIDA, Cássia. Concluir o ensino superior triplica a renda, mostra
                    IBGE. <italic>O Globo, online</italic>, 11 abr. 2018. Disponível em: <ext-link
                        ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://oglobo.globo.com/economia/concluir-ensino-superior-triplica-renda-mostra-ibge-22579344"
                        >https://oglobo.globo.com/economia/concluir-ensino-superior-triplica-renda-mostra-ibge-22579344</ext-link>.
                    Acesso em: 13 out. 2021.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="webapge">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>ALMEIDA</surname>
                            <given-names>Cássia</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <article-title>Concluir o ensino superior triplica a renda, mostra
                        IBGE</article-title>
                    <source>O Globo</source>
                    <day>11</day>
                    <month>04</month>
                    <year>2018</year>
                    <date-in-citation content-type="access-date">13 out. 2021</date-in-citation>
                    <comment><italic>online</italic>, Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="https://oglobo.globo.com/economia/concluir-ensino-superior-triplica-renda-mostra-ibge-22579344"
                            >https://oglobo.globo.com/economia/concluir-ensino-superior-triplica-renda-mostra-ibge-22579344</ext-link>.</comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B2">
                <mixed-citation>ALMEIDA, Silvio Luiz de. <italic>O que é racismo
                        estrutural?.</italic> São Paulo: Sueli Carneiro; Polén, 2019. (Feminismos
                    Plurais; coordenação de Djamila Ribeiro).</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>ALMEIDA</surname>
                            <given-names>Silvio Luiz de</given-names>
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                        <collab>Comissão da Avaliação do Ingresso por Reserva de Vagas e do Programa
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                    <publisher-loc>São Carlos</publisher-loc>
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                        sobre a implantação do Ingresso por Reserva de Vagas para acesso aos cursos
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