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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e93358</article-id>
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                    <subject>Artigo</subject>
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                <article-title>Indígenas na universidade: possibilidades de construção de uma
                    pedagogia intercultural</article-title>
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                    <trans-title>Indigenous people at the university: possibilities for building an
                        intercultural pedagogy</trans-title>
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                    <trans-title>Pueblos indígenas en la universidad: posibilidades para la
                        construcción de una pedagogía intercultural</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7488-6022</contrib-id>
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                        <surname>Nascimento</surname>
                        <given-names>Adir Casaro</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Vieira</surname>
                        <given-names>Carlos Magno Naglis</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Urquiza</surname>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Católica Dom Bosco,
                    UCDB</institution>
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                    <state>MS</state>
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                <email>adir@ucdb.br</email>
                <institution content-type="original">Universidade Católica Dom Bosco, UCDB, MS,
                    Brasil, E-mail: adir@ucdb.br,
                    https://orcid.org/0000-0002-7488-6022</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de São Carlos,
                    UFSCar</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, SP,
                    Brasil, E-mail: carlos.vieira@unir.br,
                    https://orcid.org/0000-0003-4004-4836</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Mato Grosso do Sul,
                    UFMS</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal do Mato Grosso do Sul,
                    UFMS, MS, Brasil, E-mail: hilarioaguilera@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0002-3375-8630</institution>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Com a Constituição Federal de 1988 que rompe com a política de integração e
                    garante o <italic>status</italic> de cidadania, o direito à diferença e à
                    autonomia aos povos indígenas, temos presenciado um crescimento significativo
                    dessas populações circulando nos espaços das universidades. Neste sentido, tendo
                    como referência as experiências vividas com indígenas em cursos de pós-graduação
                    (mestrado e doutorado) no Mato Grosso do Sul e alguns anos de pesquisa com a
                    temática, o artigo busca refletir a presença dos indígenas nos cursos de
                    Graduação e Pós-Graduação e suas contribuições para a construção de uma
                    pedagogia intercultural. Amparado em estudos que estão marcados pelo pensamento
                    de intelectuais que se orientam pela cosmovisão de populações tradicionais, o
                    estudo apresenta que a convivência presencial com a diferença tem sido
                    enriquecedora, pois tem possibilitado o compromisso político-epistêmico e
                    pedagógico de encontrar as brechas e as fissuras para estabelecer uma relação de
                    mão dupla que possibilite a todos os envolvidos tensões e conflitos, o
                    desaprender e reaprender com outras percepções e questionamentos críticos, além
                    de reelaborar a relação com a diferença, com as marcas da colonização e da
                    colonialidade que insistem em povoar nossos conceitos e preconceitos, bem como
                    em fortalecer os estereótipos historicamente produzidos com relação aos povos
                    indígenas.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>With the 1988 Federal Constitution, which breaks with the integration policy and
                    guarantees the status of citizenship, the right to difference and autonomy to
                    indigenous peoples, we have witnessed a significant growth of these populations
                    circulating in university spaces. In this sense, having as a reference the
                    experiences lived with indigenous people in postgraduate courses (master's and
                    doctorate) in Mato Grosso do Sul and some years of research on the subject, the
                    article seeks to reflect the presence of indigenous people in undergraduate and
                    postgraduate courses. - Graduation and its contributions to the construction of
                    an intercultural pedagogy. Supported by studies that are marked by the thinking
                    of intellectuals who are guided by the cosmovision of traditional populations,
                    the study shows that living in person with difference has been enriching, as it
                    has enabled the political-epistemic and pedagogical commitment to find the gaps
                    and fissures to establish a two-way relationship that allows all involved
                    tensions and conflicts to unlearn and relearn with other perceptions and
                    critical questions, in addition to re-elaborating the relationship with
                    difference, with the marks of colonization and coloniality that insist on
                    populating our concepts and prejudices, as well as to strengthen historically
                    produced stereotypes regarding indigenous peoples.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="fr">
                <title>Resumé</title>
                <p>Con la Constitución Federal de 1988, que rompe con la política de integración y
                    garantiza el estatus de ciudadanía, el derecho a la diferencia y la autonomía a
                    los pueblos indígenas, asistimos a un crecimiento significativo de estas
                    poblaciones que circulan por los espacios universitarios. En ese sentido,
                    teniendo como referencia las experiencias vividas con indígenas en cursos de
                    posgrado (maestría y doctorado) en Mato Grosso do Sul y algunos años de
                    investigación sobre el tema, el artículo busca reflejar la presencia de
                    indígenas en cursos de pregrado y posgrado. -La graduación y sus aportes a la
                    construcción de una pedagogía intercultural. Apoyado en estudios que están
                    marcados por el pensamiento de intelectuales que se guían por la cosmovisión de
                    los pueblos tradicionales, el estudio muestra que la convivencia con la
                    diferencia ha sido enriquecedora, pues ha permitido el compromiso
                    político-epistémico y pedagógico para encontrar los vacíos y fisuras para
                    establecer una relación bidireccional que permita desaprender y reaprender todas
                    las tensiones y conflictos involucrados con otras percepciones y
                    cuestionamientos críticos, además de reelaborar la relación con la diferencia,
                    con las marcas de la colonización y la colonialidad que insisten en poblando
                    nuestros conceptos y prejuicios, así como fortalecer estereotipos producidos
                    históricamente sobre los pueblos indígenas.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Acadêmicos indígenas</kwd>
                <kwd>Universidade</kwd>
                <kwd>Mato Grosso do Sul</kwd>
                <kwd>Pedagogia Intercultural</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Indigenous scholars</kwd>
                <kwd>University</kwd>
                <kwd>Mato Grosso do Sul</kwd>
                <kwd>Intercultural Pedagogy</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="fr">
                <title>Mots-clés:</title>
                <kwd>Estudiosos indígenas</kwd>
                <kwd>Universidad</kwd>
                <kwd>Mato Grosso do Sul</kwd>
                <kwd>Pedagogía Intercultural</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Palavras iniciais</title>
            <p>Com uma população de 1.652.876 indígenas (<xref ref-type="bibr" rid="B16"
                    >IBGE/2022</xref>), o Brasil sinalizou, por meio do último censo demográfico de
                2022, um crescimento significativo dessa população no país, residindo em terras
                indígenas e espaço urbano. Com quase o dobro de povos indígenas, em consideração aos
                últimos dados censitários, os índios estão vivendo em regiões que vão do litoral ao
                sertão, da caatinga ao Pantanal e da floresta ao cerrado (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B26">Vieira, 2016</xref>), distribuídos em 305 povos e 274 línguas
                    (IBGE/2012)<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>.</p>
            <p>O aumento da população indígena no país, iniciada nos anos setenta, fica mais
                constante a partir da Constituição Federal de 1988, a qual rompe com a política de
                integração e garante o <italic>status</italic> de cidadania, o direito à diferença e
                à autonomia aos povos indígenas. A criação desse marco político/legal para essa
                população colaborou para as políticas educacionais, rompeu com políticas de tutela e
                integração, auxiliou na desconstrução de imaginários estereotipados, subalternizados
                e colonizados ainda presente no senso comum da sociedade e fortaleceu a entrada de
                indígenas nas universidades brasileiras.</p>
            <p>No estado de Mato Grosso do Sul, cenário desse artigo, a população indígena, segunda
                maior do país, é de aproximadamente 80 mil indígenas (SESAI/MS), distribuído em 8
                etnias: Guarani e Kaiowá, Terena, Kadiwéu, Guató, Ofaié, Kiniquinau e Atikum. Esses
                grupos se localizam em terras indígenas/aldeias rurais, espaços urbanos/aldeias
                urbanas e situação de acampamentos/assentamentos (terras em litígios ou à beira de
                estradas).</p>
            <p>Nesse cenário indígena do Mato Grosso do Sul identificamos uma forte presença e
                influência da colonialidade, principalmente pelo fato de provocar um padrão de
                controle, hierarquização e classificação dessa população (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B23">Quijano, 2005</xref>). Apoiado em leituras de intelectuais de
                nacionalidade latino-americana e americanista, denominado
                    Modernidade/Colonialidade<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>, verificamos que
                essa população está diante de um “Estado em que a ‘cultura do boi’ dita as regras e
                impõe seus valores, e a economia do agronegócio e da pecuária constrói, estimula e
                reproduz um discurso carregado de estereótipos e intenso preconceito e
                discriminação” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Vieira, 2015, p. 127</xref>). Em
                outras palavras, é possível mencionar que esses povos sofreram com o violento
                processo de colonização, e ao mesmo tempo, desenvolveram mecanismos de resistência,
                mantendo culturas próprias, ainda que hibridizadas e ressignificadas, as quais são
                expressas em suas cosmovisões, epistemologias, religiosidades, saberes, línguas e
                pedagogias.</p>
            <p>A presença significativa de indígenas no Brasil, e consequentemente no estado de Mato
                Grosso do Sul, reflete no número de matrículas nos espaços das universidades e das
                faculdades, cursando graduação e pós-graduação. Com base nos dados do Censo da
                Educação Superior de 2022, o Brasil registra 46.552 matrículas de indígenas nos
                cursos de graduação, em instituições públicas e privadas, nas modalidades presencial
                e à distância (INEP/2022). No Mato Grosso do Sul, o estado com a segunda maior
                população indígena do país, os registros correspondem a 2.069 matrículas de
                acadêmicos indígenas.</p>
            <p>A experiência de pesquisa com populações indígenas dos pesquisadores na condição de
                professor/pesquisador/orientador, nos cursos de graduação e pós-graduação, na
                orientação de acadêmicos e mestrandos indígenas, tem provocado a realização de novas
                leituras, ressignificações e deslocamentos no pensar outras lógicas epistemológicas,
                metodológicas e culturais, além de um desconforto/desestabilização na maneira de
                perceber o outro e em determinadas práticas pedagógicas (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B19">Nascimento, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">Candau,
                    2016</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Walsh, 2009</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B28">2016</xref>).</p>
            <p>Nesse sentido, o artigo busca refletir a presença de indígenas nos cursos de
                Graduação e Pós-Graduação e suas contribuições para a construção de uma pedagogia
                intercultural. Amparado em estudos que estão marcados pelo pensamento de
                intelectuais que se orientam pela cosmovisão de populações tradicionais, o estudo
                apresenta que a convivência presencial com a diferença tem sido enriquecedora, pois
                tem possibilitado o compromisso político-epistêmico e pedagógico de encontrar as
                brechas e as fissuras para estabelecer uma relação de mão dupla que possibilite a
                todos os envolvidos tensões e conflitos, o desaprender e reaprender com outras
                percepções e questionamentos críticos, além de reelaborar a relação com a diferença,
                com as marcas da colonização e da colonialidade que insistem em povoar nossos
                conceitos e preconceitos, bem como em fortalecer os estereótipos historicamente
                produzidos com relação aos povos indígenas.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Indígenas nas universidades: breves apontamentos</title>
            <p>Por mais que na última década as instituições de ensino superior tenham implantado
                diversas modalidades de políticas de ação afirmativa, em especial após a aprovação
                pelo Governo Federal da Lei n. 12.711/2012, mais conhecida como “Lei de Cotas” e,
                por mais que os povos indígenas tenham passado a ocupar mais espaços nas
                universidades, estas seguem sendo um ‘local hostil’; desde a arquitetura, as
                relações hierárquicas, a centralidade do pensamento único chamado “científico” e,
                ainda a pouca visibilidade das minorias e a grande desvalorização de outras formas
                de conhecimento, ou de epistemologias outras.</p>
            <p>Diante do contexto moderno e hegemônico que a universidade organiza e compreende suas
                ações de ensino, os escritos de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Gomes (2017)</xref>
                apoiada nos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Santos (2006)</xref> nos
                auxilia na reflexão de que esse processo conservador, muitas vezes ignorante e
                excludente, de entender o conhecimento “científico” é visto como uma forma de
                regulação. Nesse conhecimento-regulação,</p>
            <disp-quote>
                <p>o ato de conhecer passou a ser vinculado à ciência moderna, a experimentação, à
                    teorização, à sistematização de informações, à tecnologia; ou seja, à ideia do
                    cientista como aquele que se afasta do mundo para escrever sobre ele. Nessa
                    perspectiva, não há lugar para outras formas de conhecer que estão fora do
                    cânone (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Gomes, 2017, p. 58</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>De maneira geral, os indígenas não se sentem acolhidos nas universidades. Constatam
                que estão ali “de corpo presente”, mas sua cultura, cosmologia e tradições de seus
                povos de origem, ficam de fora dos muros da universidade. Declaram a sensação de que
                necessitam se apropriar dos conhecimentos chamados científicos, mas que seus
                próprios conhecimentos tradicionais não são considerados, ou sequer levados a sério
                no contexto acadêmico.</p>
            <p>Em que pesem a centralidade dessas discussões, constamos que anteriormente a situação
                era muito pior, pois os indígenas, com raras exceções, simplesmente não conseguiam
                acesso à educação superior. Esta situação começa a mudar com a Constituição Federal
                de 1988, a qual rompe com a política de integração e garante o
                    <italic>status</italic> de cidadania, o direito à diferença e a autonomia aos
                povos indígenas, com a consequente superação do paradigma da
                <italic>tutela</italic>. Presenciamos concretamente, nas últimas décadas, um
                crescimento significativo dessas populações circulando e ocupando diferentes espaços
                na sociedade, em especial, no campo da educação e nas universidades.</p>
            <p>Certamente que não basta a criação desse marco político/legal para que os povos
                indígenas tenham acesso a uma educação superior democraticamente constituída e com
                práticas interculturais, no entanto, essas mudanças colaboraram para mudar as
                políticas educacionais: rompeu com a visão de que os povos indígenas viviam em uma
                passado remoto com a superação das políticas de tutela e integração; auxiliou no
                movimento de desconstrução de imaginários estereotipados, subalternizados e
                colonizados ainda presente no senso comum da sociedade e, finalmente, fortaleceu a
                entrada – e na sequência a permanência – de indígenas nas universidades
                brasileiras.</p>
            <p>Podemos afirmar, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B17">Lima (2018)</xref>,
                que a presença indígena nas instituições de ensino superior é registrada desde os
                anos de 1990, momento em que as discussões envolvendo a diferença, o
                multiculturalismo e a interculturalidade ganham espaço de reflexão nas políticas
                educacionais. Mas, é possível verificar a partir dos escritos de <xref
                    ref-type="bibr" rid="B2">Aguilera Urquiza <italic>et all</italic> (2014)</xref>,
                que mesmo antes desse período de 1990, já havia indígenas matriculados em cursos
                superiores. Segundo o autor, “trata-se de indivíduos que lograram obter respaldo
                financeiro da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) para estudar em instituições
                privadas” (p. 16). No diálogo com outros autores que estudam a temática, esse número
                de matrículas anterior a década de 1990, não ficava restrito a uma região do Brasil,
                mas, distribuído em todo o território nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B21"
                    >Nascimento, Aguilera Urquiza, Vieira, 2020</xref>).</p>
            <p>No Estado de Mato Grosso do Sul, percebemos que a ampliação da oferta de educação nas
                aldeias, inicialmente com o Ensino Fundamental, ciclos I e II e, em muitas outras
                aldeias maiores, toda a Educação Básica, complementada pelo Ensino Médio, favoreceu
                o aumento significativo da presença de indígenas nas universidades, sobretudo na
                última década.</p>
            <p>Nessa discussão, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Paladino (2012)</xref> escreve que a
                busca das populações indígenas pelo ensino superior inicia diante da</p>
            <disp-quote>
                <p>necessidade de adquirir melhores ferramentas para a interlocução com os
                    diferentes órgãos governamentais responsáveis pela implementação de políticas
                    indigenistas e de qualificar a participação de indígenas em projetos e ações de
                    interesse de suas comunidades. Neste contexto, a educação superior é percebida
                    por muitos como um meio de prepará-los para tais expectativas e necessidades
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Paladino, 2012, p. 176</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Dessa forma e diante desse cenário de demandas e expectativas, percebemos um aumento
                da presença do protagonismo indígena, tanto no diálogo, quanto na elaboração de
                políticas públicas para o seu povo e de projetos para a sua comunidade. Com isso, a
                influência externa tem ocorrido de outras formas e ocupando espaços diferenciados
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aguilera Urquiza; et all, 2014</xref>).</p>
            <p>Nos últimos 20 anos, esse aumento da presença indígena na educação superior no
                Brasil, tem se mostrado intenso e constante, o que traz consigo desafios de toda
                ordem, a começar pelas estatísticas de seu reconhecimento nesses novos espaços. Essa
                demanda, que inicialmente referia-se quase que completamente à área das
                licenciaturas, com o objetivo de suprir ou mesmo substituir as lacunas de
                professores/as nas Terras Indígenas, nos últimos anos, vem se diversificando. Surge
                um leque cada vez mais amplo de procura por outras formações profissionais (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B21">Nascimento, Aguilera Urquiza, Vieira,
                2020</xref>).</p>
            <p>No estado de Mato Grosso do Sul, por sua vez, os estudantes indígenas estão
                matriculados em instituições públicas e privadas, nas modalidades presencial e à
                distância, inscritos em diferentes cursos de graduação como: Pedagogia, Letras
                (Português/Espanhol e Inglês), História, Ciências Sociais, Filosofia, Ciências
                Biológicas, Educação Física, Direito, Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Química,
                Agronomia, Engenharia de Alimentos, Administração, Comunicação Social, entre outros.
                Na pós-graduação registramos a presença de mestrandos e doutorandos indígenas em
                diversos programas, tanto no Mato Grosso do Sul quanto em outros estados (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B20">Nascimento; Vieira; Landa, 2019</xref>).</p>
            <p>Tomando como ponto de partida as experiências e os eventos vividos pelos autores com
                populações indígenas no Mato Grosso do Sul, mais precisamente com professores
                indígenas e acadêmicos indígenas na graduação e pós-graduação, o texto é fruto de
                reflexões que foram construídas e produzidas no Grupo de pesquisa Educação e
                Interculturalidade/CNPq, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação –
                Mestrado e Doutorado da Universidade Católica Dom Bosco/UCDB e no Grupo de Pesquisa
                Antropologia, Direitos Humanos e Povos Tradicionais, vinculado ao Programa de
                Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso do
                Sul/UFMS.</p>
            <p>Com objetivo de refletir sobre a presença dos indígenas na Pós-graduação e suas
                contribuições para a decolonização do currículo e do espaço universitário, o estudo
                está marcado pelo pensamento de intelectuais que denominamos de pós-coloniais e que
                nos auxiliam a perceber o movimento epistêmico dos estudantes indígenas, na
                tentativa de ocupar os espaços universitários e, sobretudo, a busca da colaboração
                intercultural e o que chamamos de “diálogo de saberes”.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Estudantes indígenas e o “diálogo de saberes”<xref ref-type="fn" rid="fn3"
                    >3</xref></title>
            <p>Há alguns desafios presentes nesse avanço dos povos indígenas em direção aos espaços
                acadêmicos. Um primeiro diz respeito a sua presença na Universidade e das
                dificuldades deste em dialogar com esses povos, situados em outra tradição cultural,
                com saberes e processos sociais e históricos diferenciados. Um segundo desafio
                seria: como transitar em direção a uma educação mais engajada nos problemas diários
                vivenciados pelos povos indígenas, nos quais se destacam problemas relacionados aos
                seus territórios, recursos naturais e à reconstrução de condições de
                sustentabilidade, ou, ainda, problemas decorrentes de relações profundamente
                assimétricas, marcadas e corroídas pelo preconceito contra seu modo de vida? Como
                transformar, nesse contexto, o espaço escolar, em especial o acadêmico, em espaço de
                diálogo, troca e articulação de saberes e alternativas para uma população que se
                confronta com inúmeros desafios novos? Um terceiro desafio diz respeito a como
                superar as relações assimétricas e de preconceitos no meio acadêmico?</p>
            <p>Considerando, em Mato Grosso do Sul, a situação de conflito aberto entre índios e
                fazendeiros pela posse da terra, agravada por uma relação histórica de exclusão e
                negação da cultura indígena, manifestada pelos preconceitos que perpassam a relação
                com o entorno regional, como evitar que a passagem pelas IES não se traduza em nova
                frustração, amanhã, quando, concluído o curso, não encontram trabalho ou, em outros
                termos, seguem sem lugar na realidade regional, assim como em suas próprias aldeias
                de origem?</p>
            <p>A partir do que estamos tratando neste texto, um profissional indígena “qualificado”
                em uma perspectiva intercultural poderia possibilitar a “solução” dos problemas
                tendo os saberes locais (tradicionais) como ponto de partida. <xref ref-type="bibr"
                    rid="B27">Walsh (2009)</xref> caracteriza a necessidade “por um pensar e agir
                pedagógicos fundamentados na humanização e descolonização [...] no re-existir e
                re-viver como processo de re-criação” (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Walsh, 2009,
                    p. 38</xref>). Para isso a autora aponta o cruzamento de pedagogias que permitam
                um “pensar a partir de” e “pensar com”, ou seja, “construir caminhos outros”.
                Ancorada em Fanon, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Walsh (2009)</xref> propõe uma
                pedagogia para construir uma nova humanidade questionadora.</p>
            <p>Em outras palavras, uma Pedagogia sem fronteira, que colabore para a construção de um
                espaço de transformação, provocação, problematização e a desconstrução de
                conhecimentos inferiores e dominantes. Uma pedagogia que consiga tensionar e criar
                brechas para a libertação de pensamentos conservadores que valorizam a moralidade e
                as verdades hierárquicas. Uma pedagogia do viver e das ações coletivas, onde a
                cultura e o conhecimento tradicional tenha um lugar que possa ser trabalhado,
                produzido e legitimado (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Arroyo, 2014</xref>).</p>
            <p>Por outro lado, a presença indígena nas IES tem provocado uma tensão no espaço
                acadêmico, no sentido de considerar o conhecimento a partir da diferença, de outras
                lógicas epistemológicas que não a produzida pela cultura ocidental e imposta como
                condição única de compreensão e concepção de mundo. Gera instabilidades de cunho
                epistemológico e metodológico que dão consistência aos desafios de pensar relações
                tais como: culturas locais, culturas híbridas e globalização; o território acadêmico
                com as diversas formas de produção de conhecimento; a academia e a produção de
                conhecimento sobre as diferenças; a universidade como espaço público requisitado
                pelos índios como garantia de sustentabilidade étnica e de reelaboração de
                conhecimento a partir de lógicas de compreensão de mundo, como âncoras para a
                produção de alternativas de sustentabilidade econômica (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B18">Nascimento, 2006</xref>).</p>
            <p>Para Eliel <xref ref-type="bibr" rid="B5">Benites (2009)</xref>, professor e
                acadêmico kaiowá, da Terra Indígena Te`yikue, município de Caarapó, referindo-se à
                presença indígena nas Universidades, reconhece que “nossa maior dificuldade foi
                desestruturar aquilo que (já) estava fixado” (<xref ref-type="bibr" rid="B5"
                    >Benites, 2009, p. 29</xref>). A simples “ampliação do acesso”, além de manter
                os saberes indígenas à margem, se traduziria, também, na formação de intelectuais
                desconectados de seus povos e suas lutas e que, após concluírem seus cursos, não se
                sentiriam mais em condições de contribuir com os mesmos povos.</p>
            <p>Na mesma perspectiva acima, segue outro professor e acadêmico, Joaquim Adiala<xref
                    ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, guarani, da Terra Indígena de Porto Lindo,
                município de Japorã:</p>
            <disp-quote>
                <p>Muitas vezes as Universidades não querem aceitar o conhecimento, organização
                    política, social e economia dos nossos povos [...]. Os professores [das IES] não
                    conhecem os nossos anseios e por isso não conseguem trabalhar com os acadêmicos
                    indígenas.</p>
            </disp-quote>
            <p>E segue afirmando que “os acadêmicos têm uma perspectiva e as universidades trabalham
                com os objetivos delas, o que muitas vezes dificultam a permanência dos indígenas.
                Elas só formam para o individualismo, na perspectiva do capitalismo”. E conclui,
                reconhecendo que, “se formando assim os acadêmicos não terão mais preocupação no
                coletivo, que são suas comunidades”.</p>
            <p>Essa mesma dificuldade é apontada por Gersem Luciano (2009), Baniwa, do Alto Rio
                Negro, AM, antropólogo, concursado na UFAM e, atualmente, professor da UnB. Afirma
                ele que “O conhecimento acadêmico é individualizado e privatizado, vendido de acordo
                com interesses pessoais e não de coletividades” (Luciano, 2009, p, 38). Aliás, esse
                é um fundado temor de muitos sábios indígenas, frente à crescente demanda dos jovens
                de suas aldeias em busca das IES, considerando, especialmente, experiências
                históricas recentes. Por isso, afirma o já citado Prof. Eliel <xref ref-type="bibr"
                    rid="B5">Benites (2009)</xref>, que “é preciso afirmar a nossa visão, para,
                dessa forma, fortalecer a nossa cultura e nosso povo [...]. Se não soubermos quem
                somos, não poderemos atingir o desenvolvimento e o fortalecimento de nossa cultura e
                de nossa língua” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Benites, 2009, p. 38</xref>).</p>
            <p>São, certamente, raros, na história, os “encontros” entre as demandas e lutas dos
                povos indígenas e as IES, espaços historicamente reservados às elites regionais,
                profundamente anti – indígenas, marcadas por preconceitos e práticas de
                discriminação e às vezes até de racismo. Por isso, as demandas que os povos
                indígenas apresentam às IES vêm permeadas e atravessadas por intensa disputa de
                poder num espaço até agora a eles inacessível. A afirmação da identidade étnica, com
                ênfase na luta pelo reconhecimento dos seus saberes, nos espaços acadêmicos, não
                pode ser dissociada desse viés de disputa de poder ou, se quisermos, dos processos
                de autonomia em construção.</p>
            <p>Segundo Silva (2000, p. 76), os processos de afirmação da identidade e/ ou da
                diferença - termos “mutuamente determinantes” são “fabricados” e “criados” no
                contexto das “relações culturais e sociais”. São resultados de um “processo de
                produção simbólica e discursiva” (Silva, 2000, p. 81), indicando, portanto, disputas
                mais amplas “por recursos simbólicos e materiais”, no caso, dentro das instituições
                acadêmicas. A afirmação da identidade indígena dentro dos espaços acadêmicos
                demonstra que o que está em disputa é muito mais do que apenas o direito ao acesso e
                permanência nesses espaços.</p>
            <p>Para Silva (2000, p. 82), a “demarcação de fronteiras”, entre um “nós”, acadêmicos
                índios e um “eles”, não índios, é resultado e, ao mesmo tempo, afirma e reafirma
                “relações de poder” em operação. Por isso, os desafios maiores dizem respeito à
                dificuldade em construir experiências de interculturalidade ou relações
                interculturais, ou chegar a um diálogo de saberes dentro das IES, que exige
                questionar as relações de poder construídas pela modernidade (Sousa <xref
                    ref-type="bibr" rid="B24">Santos, 2006</xref>), além da revisão de metodologias
                e currículos, para assim transitar em direção a uma educação mais aberta às demandas
                dos povos indígenas.</p>
            <p>Uma prática intercultural exige, acima de tudo, a superação, por parte das IES, do
                modelo de integração, que marcou a trajetória histórica dos Estados Nacionais. Não
                lidamos, apenas, com “sujeitos escolares carentes”, mas com “sujeitos étnicos
                diferentes”, frente aos quais não se trata da universalização da escolarização,
                apenas, ou de inclusão desses outros, excluídos, mas na abertura de espaços de
                diálogo de saberes. Percebe-se, hoje, ser mais fácil para as IES dialogar com as
                categorias de exclusão e inclusão social do que lidar com os desafios postos pelas
                diferenças, exigindo práticas de interculturalidade.</p>
            <p>Portanto, a percepção de que os acadêmicos índios vêm de um “eu coletivo ou
                verdadeiro”, apoiado em “uma história e uma ancestralidade partilhadas” (Hall, 1990
                apud Silva, 2000, p. 108), não deve fazer esquecer essa enorme diferenciação de
                olhares, percepções, leituras e inserções, que trazem para dentro dos espaços
                acadêmicos.</p>
            <p>Referindo-se à construção de “novos paradigmas de emancipação social” por parte de
                povos subalternizados pela “modernidade ocidental”, Sousa <xref ref-type="bibr"
                    rid="B24">Santos (2006, p. 33)</xref> entende que se trata de “trabalho
                arqueológico de escavação” em busca de “elementos ou tradições suprimidas ou
                marginalizadas”, ou “menos colonizadas”, que nos possam guiar nessa construção.</p>
            <p>O longo processo histórico de negociação e/ou enfrentamentos com os colonizadores de
                ontem e hoje, ao mesmo tempo em que provocou uma enorme gama de perdas: perda da
                terra, perda de vidas e povos, comprometimento da autonomia e da qualidade de vida,
                permitiu aos povos indígenas construírem inéditas experiências de resistência,
                negociação e de luta coletiva, apoiados na “centralidade” de sua cultura (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">Hall, 1997</xref>). São esses os saberes, com todas as
                suas ambivalências e contradições, que os acadêmicos indígenas que aportam às
                Universidades trazem e a partir dos quais dialogam com os assim chamados saberes
                universais, veiculados pelas mesmas Universidades, em busca de melhor
                capacitação.</p>
            <p>Trata-se de ensaiar novas práticas curriculares e didáticas, nas universidades – e
                por que não dizer, na educação básica – a partir de novas bases epistemológicas, as
                quais redimensionam a tendência eurocêntrica em hierarquizar os conhecimentos,
                desconsiderando e subalternizando outras formas de saberes. É significativo, na
                sequência, o depoimento de um acadêmico indígena.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B5">Benites (2009)</xref>, após reconhecer que,
                inicialmente, veio para a Universidade em busca de tecnologia e novos conhecimentos,
                afirma que hoje, como acadêmico, tem pela frente dois desafios que considera mais
                importante: o principal é o de contribuir com a “sistematização dos conhecimentos
                tradicionais”, o que lhe exige uma crescente articulação com os que, na aldeia,
                melhor dominam esses conhecimentos (os rezadores); e, segundo, traduzir para o
                contexto da aldeia e dos desafios de sua comunidade, os assim denominados
                “conhecimentos universais”.</p>
            <p>Por outro lado, o professor Eliel explica logo que não se trata de traduzir esses
                conteúdos para o guarani, mas assumir o papel de “articulador, intermediário e
                tradutor” desses conhecimentos. O mesmo professor reconhece que, na medida em que
                assume esse papel vem se tornando referência na aldeia, mas que isso exige
                “humildade” e disposição de sempre querer ouvir o outro, sem nunca
                “desclassificá-lo” em caso de discordância. E conclui afirmando ser “esse o problema
                que ele percebe no contexto das Universidades” (<xref ref-type="bibr" rid="B5"
                    >Benites, 2009, p. 38</xref>).</p>
            <p>Ultimamente, no âmbito do Programa Rede de Saberes, foram realizadas oficinas de
                discussão com acadêmicos indígenas, exatamente sobre a possibilidade/necessidade do
                diálogo entre os saberes ‘tradicionais’ e os chamados saberes acadêmicos, a partir
                do contexto das universidades, tendo em vista o próprio futuro destes jovens e suas
                relações com as aldeias de origem. Compreendemos, a partir dessas ações juntos aos
                acadêmicos indígenas, que a universidade pode ser entendida como um
                    <italic>entre-lugar</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bhabha,
                1998</xref>). Isso significa que é preciso reconhecer que eles estão em um espaço
                escorregadio, um espaço “fora de controle, mas não fora da possibilidade de
                organização” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Bhabha, 1998, p. 34</xref>).</p>
            <p>Um espaço de negociação onde ao mesmo tempo em que posso ser isto, noutro momento
                posso ser aquilo, noutro momento, a partir da alteridade, posso ser isto e aquilo ao
                mesmo tempo. Seria como um lugar que possibilita a apropriação do outro, do
                diferente, mas não em um sentido negativo de usurpação ou imposição à medida em que
                não me aproprio da mesmice do outro, pois o que me aproprio é uma ressignificação,
                uma tradução (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Hall, 1997</xref>, <xref
                    ref-type="bibr" rid="B15">2003</xref>) a partir da minha subjetividade, daquilo
                que me construiu.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>O texto, além de buscar refletir a presença dos indígenas nos cursos de Graduação e
                Pós-Graduação e suas contribuições para a construção de uma pedagogia intercultural,
                nos faz perceber o quanto somos fruto dessa lógica opressora, homogeneizante,
                colonizadora, que aceita e valida teorias dominantes. Conforme avançávamos no
                encontro com os povos indígenas na universidade, nas relações de orientação e
                docência, observamos a forma cartesiana/moderna de como encaramos nossas pedagogias
                e enxergamos o outro nesse processo de ensino e aprendizagem.</p>
            <p>Pensando na problematização sobre a universidade enquanto espaço formativo que pode
                extrapolar os modos pelos quais o conhecimento é produzido, de modo a trazer o
                outro, o indígena para a visibilidade, sem minimizar seus conhecimentos, culturas,
                identidades, entendemos que a visibilidade cultural ocorre por meio da cultura e de
                conhecimentos tradicionais específicos que os/as indígenas carregam consigo em suas
                diferenças e fazem transitar pelos corredores das instituições de ensino.</p>
            <p>Mediante os apontamentos realizados, entendemos que o processo de produção das
                identidades indígenas está diretamente relacionado ao processo intercultural
                presente nas ações universitárias. A interculturalidade permite a produção de
                identidades por meio da troca cultural e do reconhecimento do “outro” nos âmbitos da
                formação universitária, locais de cultura onde possibilitam as relações entre as
                culturas numa perspectiva fronteiriça. O conceito de interculturalidade produz a
                ideia de identidades a partir dos diálogos culturais nas quais estas fluem
                carregadas de significados outros que vão agregando e ressignificando as culturas em
                relação.</p>
            <p>Diante das discussões realizadas no artigo, podemos mencionar que ele não para por
                aqui, trata-se apenas de considerações/reflexões de um caminho, ainda em aberto. Um
                assunto que pode ser trabalhado, revisto por inúmeros olhares e escrito a partir de
                outras teorias e experiências. Esse e outros artigos tensionam e apresentam que o
                convívio com a diferença oportuniza aprendizagens, encontros e desconstruções de
                posturas, posicionamentos e principalmente nossa prática pedagógica enquanto docente
                que trabalha com o outro.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>É importante ressaltar que até o momento do encaminhamento do artigo, o Instituto
                    Brasileiro de Geografia e Estática/IBGE, não apresentou um conjunto de
                    informações básicas, do censo 2022, sobre as populações indígenas no País, em
                    diferentes níveis geográficos e recortes territoriais.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>O grupo Modernidade/Colonialidade possui intelectuais como filósofo argentino
                    Enrique Dussel, o sociólogo peruano Aníbal Quijano, o semiólogo e teórico
                    cultural argentino Walter Mignolo, o sociólogo porto-riquenho Ramón Grosfoguel,
                    a linguista norte-americana radicada no Equador Catherine Walsh, o filósofo
                    porto-riquenho Nelson Maldonado Torres, o filósofo colombiano Santiago
                    Castro-Gómez, o sociólogo venezuelano Edgardo Lander, o antropólogo colombiano
                    Arturo Escobar, a semióloga argentina Zulma Palermo, o antropólogo venezuelano
                    Fernando Coronil e o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>Este item tem por base <xref ref-type="bibr" rid="B3">Aguilera Urquiza e
                        Nascimento (2013)</xref>, apresentado com atualizações e modificações.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>III Encontro de Acadêmicos Indígenas de MS, Dourados, 17-19 de outubro de
                    2008.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B1">
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                        xlink:href="http://serie-estudos.ucdb.br/index.php/serie-estudos/article/viewFile/774/645"
                        >http://serie-estudos.ucdb.br/index.php/serie-estudos/article/viewFile/774/645</ext-link></mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>AGUILERA URQUIZA</collab>
                    </person-group>
                    <article-title>Antônio Hilário. Direitos humanos e educação intercultural: as
                        fronteiras da exclusão e as minorias sub-representadas - os indígenas no
                        ensino superior</article-title>
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                    <year>2014</year>
                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="http://serie-estudos.ucdb.br/index.php/serie-estudos/article/viewFile/774/645"
                            >http://serie-estudos.ucdb.br/index.php/serie-estudos/article/viewFile/774/645</ext-link></comment>
                </element-citation>
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                    2014.</mixed-citation>
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