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                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">2175-795X</issn>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e93359</article-id>
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                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
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                <article-title>Panorama das Ações Afirmativas no Programa de Pós-Graduação em
                    Educação da Universidade Federal de Santa Catarina: entre conflitos e
                    conquistas</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Overview of Affirmative Actions in the Graduate Program in
                        Education at the Federal University of Santa Catarina: between conflicts and
                        achievements</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="es">
                    <trans-title>Panorama de las Acciones Afirmativas en el Programa de Posgrado en
                        Educación de la Universidad Federal de Santa Catarina: entre conflictos y
                        conquistas</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Fernandes</surname>
                        <given-names>Jéssica Lins de Souza</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Passos</surname>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina,
                    UFSC</institution>
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                <email>jessicalins.souza@gmail.com</email>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC,
                    SC, Brasil, E-mail: jessicalins.souza@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0002-0559-8705</institution>
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                <institution content-type="orgname">Prefeitura Municipal de Florianópolis,
                    PMF</institution>
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                <institution content-type="original">Prefeitura Municipal de Florianópolis, PMF, SC,
                    Brasil, E-mail: eduardagaudio@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0001-6499-6052</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina,
                    UFSC</institution>
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                <email>passos.jc@gmail.com</email>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC,
                    SC, Brasil, E-mail: passos.jc@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0001-9946-7900</institution>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>As Ações Afirmativas (AA) são um conjunto de políticas, ações e estratégias
                    destinadas a reparar desigualdades reproduzidas aos grupos historicamente
                    discriminados por raça, gênero, deficiências, etnia, classe, etc. Após 20 anos
                    da primeira iniciativa de AA no Ensino Superior, estas vão se consolidando como
                    política de Estado, em consonância direta com as reivindicações de Movimentos
                    Sociais Negros. Neste contexto, este trabalho tem por objetivo apresentar um
                    panorama sobre a política de AA na Pós-Graduação em Educação da Universidade
                    Federal de Santa Catarina (PPGE/UFSC), apresentando um breve histórico da
                    implementação e de seus conflitos. Para a realização do estudo, optou-se pela
                    leitura e análise dos editais de seleção, das atas de reuniões de colegiado e
                    dos dados de inscrições, elencando critérios como público-alvo da reserva de
                    vagas, presença de bancas de validação, notas de corte definidas para vagas
                    reservadas e de ampla concorrência, oferta e prioridade de bolsas e demais
                    políticas de permanência ao público atendido pelas AA. Os resultados apontam que
                    o processo de implementação da política de AA é permeado por tensões, disputas e
                    negociações que se explicitam na cultura acadêmica a partir das definições
                    epistemológicas, das relações sócio-raciais e do racismo estrutural. Destacamos,
                    ainda, a queda do número de estudantes autodeclaradas/os negras/os em relação
                    aos anos anteriores à política, em consequência do agrupamento de pretas/os e
                    pardas/os não mais somente como categoria de pertencimento racial, mas também
                    como reivindicação do direito ao acesso pela reserva de vagas.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>Affirmative Actions (AA) are a set of policies, actions and strategies to repair
                    inequalities reproduced in groups historically discriminated against by race,
                    gender, disability, ethnicity, class, etc. Twenty years after the first AA
                    initiative in Higher Education, these have been consolidating as a State policy
                    in direct consonance with the claims of Black Social Movements. In this context,
                    this paper aims to present an overview of the AA policy in the Graduate Program
                    in Education at the Federal University of Santa Catarina, presenting a brief
                    history of its implementation and its conflicts. To carry out the study, we read
                    and analyzed notices of the selection processes, minutes of the Collegium
                    meetings as well as the enrollment data. The analysis criteria included the
                    target audience for the reservation of vacancies, use of a validation jury,
                    cutoff score defined for reserved and general vacancies, offer and priority of
                    scholarships and other permanence policies for the AA public. The results
                    indicate that the AA implementing process is permeated by tensions, disputes and
                    negotiations made explicit in the academic culture, based on epistemological
                    definitions, socio-racial relations and structural racism. We also highlight the
                    decrease in the number of self-declared black students in relation to the years
                    prior to the policy, as a result of the grouping of blacks and browns not only
                    as a category of racial belonging, but also as a claim for rights of access by
                    reservation of vacancies.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="es">
                <title>Resumen</title>
                <p>Las Acciones Afirmativas (AA) son un conjunto de políticas, acciones y
                    estrategias encaminadas a reparar las desigualdades reproducidas en grupos
                    históricamente discriminados por raza, género, discapacidad, etnia, clase, etc.
                    Luego de 20 años de la primera iniciativa de AA en Educación Superior, estas se
                    consolidan como una política de Estado en consonancia directa con las
                    reivindicaciones de los Movimientos Sociales Negros. En este contexto, este
                    artículo tiene como objetivo presentar un panorama de la política de AA en el
                    Programa de Posgrado en Educación de la Universidad Federal de Santa Catarina,
                    presentando una breve historia de su implementación y sus conflictos. Para
                    realizar el estudio se decidió leer y analizar las convocatorias de selección,
                    las actas de las reuniones de Colegiados y los datos de inscripción, enumerando
                    criterios como el público objetivo para la reserva de vacantes, presencia de
                    bancas de validación, notas de corte definidos para las vacantes reservadas y
                    generales, oferta y prioridad de becas y otras políticas de permanencia del
                    público atendido por las AA. Los resultados indican que el proceso de
                    implementación de la política de AA está permeado por tensiones, disputas y
                    negociaciones que se explicitan en la cultura académica a partir de definiciones
                    epistemológicas, relaciones socio-raciales y racismo estructural. Destacamos
                    también la caída en el número de estudiantes negros autodeclarados en relación a
                    los años anteriores a la política, como consecuencia de la agrupación de negros
                    y pardos no sólo como categoría de pertenencia racial, sino también como
                    reivindicación de derecho de acceso por reserva de vacantes.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Ações Afirmativas</kwd>
                <kwd>Pós-Graduação em Educação</kwd>
                <kwd>Universidade Federal de Santa Catarina</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Affirmative Actions</kwd>
                <kwd>Graduate Program in Education</kwd>
                <kwd>Federal University of Santa Catarina</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="es">
                <title>Palabras clave:</title>
                <kwd>Acciones Afirmativas</kwd>
                <kwd>Programa de Posgrado en Educación</kwd>
                <kwd>Universidad Federal de Santa Catarina</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>1. Introdução</title>
            <p>As Ações Afirmativas (AA) se constituem em políticas de combate ao racismo e à
                discriminação racial mediante a alocação de recursos que criam meios para que as
                pessoas pertencentes a grupos socialmente discriminados possam competir em mesmas
                condições (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Munanga; Gomes, 2016</xref>). Tais
                políticas assumem com centralidade o enfretamento à discriminação racial, de gênero,
                por deficiência, religiosa ou de casta, procurando propiciar o crescimento do acesso
                a posições significativas, tornando a composição mais representativa do perfil
                demográfico da sociedade (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Venturini; Feres Júnior,
                    2020</xref>).</p>
            <p>O Movimento Negro, enquanto ator social (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Gomes,
                    2019</xref>), elegeu a educação como um campo primordial no processo de
                alteração das desigualdades sociais e emancipação dos sujeitos. Dentre as atuações
                desse movimento, destacamos o conjunto de políticas conquistadas no âmbito da
                educação, sobretudo a Lei Federal n. 10.639/2003, que alterou a Lei de Diretrizes e
                Bases da Educação n. 9.394/96, obrigando a inserção da história e cultura
                afro-brasileira e africana nos estabelecimentos de Ensino Fundamental e Médio,
                públicos e particulares, modificada novamente pela Lei Federal n. 11.645/2008,
                incluindo a temática indígena no currículo escolar (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
                    >Brasil, 2003</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B2">2008</xref>). Tais
                políticas são consideradas como ações afirmativas, pois, ao proporem uma reeducação
                das relações étnico-raciais, contribuem com a transformação do quadro das
                desigualdades.</p>
            <p>No Brasil, as AA no Ensino Superior são resultado das lutas dos movimentos sociais,
                sobretudo, dos movimentos negros. São essas lutas que vão possibilitar não somente a
                pessoas negras, mas também a estudantes de escolas públicas, indígenas, pessoas com
                deficiência, travestis, transexuais, refugiadas/os, entre outros grupos
                historicamente discriminados, o acesso às universidades públicas federais (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">Passos, Cruz e Mwewa, 2014</xref>).</p>
            <p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B21">Venturini e Feres Júnior (2020)</xref>, as
                medidas de AA na pós-graduação tiveram origem paralelamente àquelas direcionadas à
                graduação. No âmbito da pós-graduação, a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) foi
                a primeira instituição de Ensino Superior a implantar a política de AA,
                estabelecendo, em 2002, a reserva de 40% das vagas para o acesso de estudantes
                negros/as oriundas/as de escolas públicas (CONSU, 2002). Na graduação, a UNEB e a
                Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foram as primeiras universidades a
                adotar medidas, no mesmo ano. Apesar disso, as propostas de AA na pós-graduação só
                foram emergir dez anos depois, em 2012, no Programa de Pós-Graduação em Antropologia
                Social do Museu Nacional (PPGAS-MN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro
                (UFRJ), tornando-se uma referência nas discussões acerca da política nos programas
                de pós-graduação. No âmbito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC),
                    <italic>lócus</italic> do presente estudo, o Programa de Pós-Graduação em
                Antropologia Social foi o primeiro a instituir AA, no ano de 2014.</p>
            <p>Em nível nacional, no entanto, é somente em 2016 que o Ministério da Educação,
                através da Portaria Normativa n. 13 (MEC, 2016), orienta as Instituições de Ensino
                Superior a apresentarem propostas de inclusão de pessoas negras, indígenas e com
                deficiência em seus programas de pós-graduação, como políticas de ações afirmativas,
                além de instituir que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
                (Capes) elabore periodicamente um censo étnico-racial da pós-graduação. No contexto
                de sua aprovação, cabe ressaltar a luta e a articulação da Educafro e da Associação
                Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), que atuaram no Grupo de Trabalho que apoiou a
                edição da portaria. Conforme aponta <xref ref-type="bibr" rid="B21">Venturini
                    (2021)</xref>, em 2014 a ANPG apresentou à Capes um pedido para que a
                autodeclaração de cor/raça de discentes e docentes da pós-graduação fosse
                obrigatória nos registros da coordenação, gerando, assim, dados sobre o perfil
                étnico-racial da pós-graduação brasileira. Esse pedido foi um dos desdobramentos do
                24° Congresso Nacional de Pós-Graduandos, no qual a ANPG destaca a urgência e
                delibera pelo apoio público a cotas raciais e sociais no âmbito da pós-graduação das
                instituições públicas.</p>
            <p>Mesmo passados 20 anos da primeira iniciativa de AA no Ensino Superior no Brasil, os
                estudos acerca dessas políticas nos cursos de pós-graduação vêm se constituindo como
                um campo ainda em ascensão, caracterizando-se por dificuldades práticas, devido ao
                número elevado de programas acadêmicos reconhecidos pela Capes. Após a última
                avaliação quadrienal da Capes (2017-2020), foram contabilizados 1306 Programas de
                Pós-Graduação (PPG) pelo país que oferecem curso de Mestrado Acadêmico, 77 que
                oferecem Doutorado Acadêmico e 2353 que oferecem os dois níveis de formação.</p>
            <p>Em que pesem os tensionamentos, as AA vão se consolidando como política de Estado, em
                consonância direta com as reivindicações dos movimentos sociais negros, que elegem,
                sobretudo, a esfera da Educação como campo de atuação central na luta pela superação
                do racismo e das desigualdades raciais na sociedade brasileira (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B10">Gomes, 2017</xref>). Neste contexto, desenvolvemos uma
                pesquisa com foco em descrever e analisar o processo de implementação da política de
                AA no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa
                Catarina (PPGE/UFSC), visando a compreender não somente as mudanças causadas pela
                adoção da política, mas também as tensões, disputas e negociações que se explicitam
                durante o percurso de implementação.</p>
            <p>Assim, este artigo visa a apresentar um panorama sobre a política de AA no PPGE/UFSC,
                por meio de um breve histórico da implementação e de seus conflitos. Para a
                realização do estudo, optou-se pela leitura e análise dos editais de seleção, das
                atas de reuniões de colegiado e dos dados de inscrições dos anos 2018, 2019 e 2021,
                elencando critérios como público-alvo da reserva de vagas, presença de bancas de
                validação, notas de corte definidas para vagas reservadas e de ampla concorrência,
                oferta e prioridade de bolsas e demais políticas de permanência ao público atendido
                pelas AA.</p>
            <p>Na seção “As Ações Afirmativas na UFSC”, apresentamos um breve histórico da política
                na universidade, desde a adoção de reserva de vagas nos cursos de Graduação até a
                presente situação, com uma Resolução Normativa própria para AA nos Programas de
                Pós-Graduação. Em “Ações Afirmativas no Programa de Pós-Graduação em Educação”,
                situamos o ponto central de nossa pesquisa, através de um panorama que descreve as
                características e perfil étnico-racial do PPGE, bem como o caminho trilhado e
                negociado durante a implementação das AA, antes e depois da regulamentação
                estabelecida pela UFSC. Finalizamos com uma discussão acerca das tensões, disputas e
                negociações que se explicitaram durante os processos descritos.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>2. As Ações Afirmativas na UFSC</title>
            <p>Na Universidade Federal de Santa Catarina, as ações afirmativas passam a ser objeto
                de discussão a partir de demandas dos movimentos sociais e sindicais, articulados
                pela ação conjunta de coletivos e docentes da instituição, aliadas/os da luta
                antirracista. Neste cenário, destacamos o “Grupo de Trabalho: Etnia, Gênero e
                Classe”, da Associação dos Professores da UFSC (APUFSC), que já entre os anos de
                2002 e 2006 promovia debates sobre a reserva de vagas para pessoas negras e
                indígenas. Além disso, na abertura do “Colóquio Pensamento Negro e Educação no
                Brasil”, promovido pelo Núcleo de Estudos Negros (NEN), integrantes de movimentos
                sociais negros da cidade apresentaram à reitoria suas reivindicações e proposições
                para a instituição da política de reserva de vagas na universidade.</p>
            <p>Segundo histórico das AA na UFSC elaborado por Joana Célia dos <xref ref-type="bibr"
                    rid="B15">Passos e Pamela Cristina dos Santos (2021)</xref>, essas movimentações
                acabaram por subsidiar a criação da “Comissão de Política de Ampliação de
                Oportunidades de Acesso”, destinada a discutir a implementação das AA e apresentar
                propostas de políticas de acesso ampliadas, a partir de critérios socioeconômicos e
                étnico-raciais. Fizeram parte desta comissão representantes de cada um dos centros
                de ensino da instituição, da Comissão Permanente de Vestibular (COPERVE), da
                Secretaria de Estado de Educação, do Sindicato de Professores da UFSC (APUFSC), do
                Sindicato dos Trabalhadores da UFSC (SINTUFSC), do Conselho Estadual dos Povos
                Indígenas e da Associação de Mulheres Antonieta de Barros (AMAB), nomeadas pelo
                então reitor da UFSC Lúcio José Botelho, através da Portaria n. 195/GR/2006 (UFSC,
                2006).</p>
            <p>Em 2007, o Conselho Universitário da UFSC publica a Resolução Normativa n.
                008/CUN/2007, criando o Programa de Ações Afirmativas da instituição, destinada a
                estudantes que i) tenham cursado integralmente o ensino fundamental e médio em
                instituição de ensino pública; ii) pertençam ao grupo racial negro; e/ou iii)
                pertençam aos povos indígenas (CUN, 2007). Além da reserva de vagas no vestibular, a
                resolução orientava a implementação de preparação para o acesso e políticas de
                permanência, além da ampliação de vagas nos cursos de graduação e criação de cursos
                com oferta no período noturno. Deste modo, em 2008 ingressaram os/as primeiros/as
                estudantes cotistas na universidade, tornando a UFSC pioneira no estado de Santa
                Catarina e fazendo com que mais de 11 mil estudantes ingressassem por essa
                modalidade até o ano de 2019, segundo dados da extinta Secretaria de Ações
                Afirmativas e Diversidades (SAAD).</p>
            <p>A SAAD foi criada em 2016, buscando subsidiar o Programa de Ações Afirmativas da UFSC
                por meio de um conjunto de estratégias com o intuito de possibilitar o acesso e a
                permanência de estudantes no processo formativo da academia. A estrutura
                organizacional da referida secretaria era constituída por coordenadorias
                responsáveis pelo acompanhamento, avaliação e apoio para estudantes ingressantes da
                política de AA. Dentre as propostas desenvolvidas pela SAAD, destacamos bolsa
                permanência, moradia estudantil, restaurante universitário, auxílio e compra de
                medicação, auxílio-creche, bolsas para cursos extracurriculares, auxílio para
                material didático, atendimento psicológico e apoio pedagógico.</p>
            <p>A partir da atual gestão da <xref ref-type="bibr" rid="B20">universidade
                    (2022-2026)</xref>, a SAAD foi transformada em Pró-Reitoria de Ações Afirmativas
                e Equidade (Proafe), ampliando e intensificando os programas e ações, a partir da
                criação de Comitê Permanente de Discussão de Política de Ações Afirmativas e
                Equidade, Diretoria de Ações Afirmativas e Equidade e Diretoria de Validações<xref
                    ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>.</p>
            <p>No âmbito da Pós-Graduação da UFSC, o primeiro registro de Política de Ações
                Afirmativas se dá no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social que, em 2014,
                publica seu primeiro edital com cotas para estudantes negros/as e indígenas. A
                partir daí, outras iniciativas pontuais se espalharam pela universidade, de modo
                que, até 2020, 12 programas de pós-graduação tivessem instituído, por iniciativa
                própria, algum tipo de política de AA em seus processos de seleção, incluindo o
                Programa de Pós-Graduação em Educação. No <xref ref-type="table" rid="T1">Quadro
                    1</xref>, são apresentados os 12 programas pioneiros, indicando o ano de
                implementação das AA, o nível ou níveis oferecidos (sendo ME Mestrado e DO
                Doutorado), o público-alvo das reservas de vagas, assim como sua cota em relação ao
                número geral de vagas ofertadas, e, ainda, informações correspondentes ao
                fornecimento de bolsas às pessoas ingressantes pela reserva de vagas – isto é, se,
                além das políticas de acesso, houve também preocupação com a permanência dessas/es
                estudantes.</p>
            <table-wrap id="T1">
                <label>Quadro 1</label>
                <caption>
                    <title>Panorama dos PPGs da UFSC com AA até 2020</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <thead>
                        <tr>
                            <th align="center" valign="middle">PPG/ano do primeiro edital com
                                AA</th>
                            <th align="center" valign="middle">Nível</th>
                            <th align="center" valign="middle">Público-alvo</th>
                            <th align="center" valign="middle">% das vagas reservadas</th>
                            <th align="center" valign="middle">Bolsas</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Antropologia Social (2014)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 12%</p>
                                <p>DO: 14%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Prioridade</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Estudos da Tradução (2018)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, PcDs</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 29%</p>
                                <p>DO: 19%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Edital não faz referência</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Filosofia (2018)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, PcDs,
                                Estrangeiras/os</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO: 20%</td>
                            <td align="left" valign="middle">Uma por segmento</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Direito (2018)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, PcDs</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 5%</p>
                                <p>DO: 15%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Sem garantia prévia de bolsa</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">História (2018)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas,
                                Estrangeiros</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 28%</p>
                                <p>DO: 28%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Sem garantia prévia de bolsa</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Interdisciplinar em Ciências Humanas
                                (2018)</td>
                            <td align="left" valign="middle">DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas e Pessoas
                                trans e travestis</td>
                            <td align="left" valign="middle">DO: 18%</td>
                            <td align="left" valign="middle">Prioridade</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Linguística (2018)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, PcDs</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 29.7%</p>
                                <p>DO: 31%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Classificação na prova escrita como
                                critério para fila de espera por bolsa</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Ecologia (2019)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, Quilombolas,
                                PcDs, beneficiários do PROUNI e estudantes baixa renda</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 50%</p>
                                <p>DO: 50%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">50% das bolsas para estudantes em
                                vulnerabilidade socioeconômica</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Educação (2019)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, Quilombolas
                                e Pessoas trans e travestis</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 31%</p>
                                <p>DO: 40%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Edital não faz referência</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Educação Científica e Tecnológica
                                (2019)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, PcDs</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 33%</p>
                                <p>DO: 35%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Edital não faz referência</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Psicologia (2020)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras, Indígenas, PcDs e
                                Pessoas trans e travestis</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 29%</p>
                                <p>DO: 32%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Sem garantia prévia de bolsa</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="middle">Odontologia (2020)</td>
                            <td align="left" valign="middle">ME/DO</td>
                            <td align="left" valign="middle">Pessoas Negras</td>
                            <td align="left" valign="middle">
                                <p>ME: 19%</p>
                                <p>DO: 16%</p>
                            </td>
                            <td align="left" valign="middle">Edital não faz referência</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN1">
                        <p>Fonte: elaborado pelas autoras, a partir dos Editais de seleção dos
                            referidos Programas</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>Estes programas, no entanto, representam uma parcela muito pequena do total de cursos
                de pós-graduação oferecidos pela UFSC. Segundo dados disponíveis na página da
                própria instituição, em 2023 a UFSC conta com 91 programas distribuídos nos cinco
                campi (Florianópolis, Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville), sendo 71
                acadêmicos e 20 profissionais. Estes programas, por sua vez, oferecem um total de
                154 cursos: seis cursos de Especialização <italic>lato sensu</italic>, 69 de
                Mestrado Acadêmico, 20 de Mestrado Profissional, 58 de Doutorado Acadêmico e um de
                Doutorado Profissional. Sendo assim, apenas cerca de 10% do total de programas havia
                implementado, ao menos, a reserva de vagas nos seus editais de seleção.</p>
            <p>Em toda a universidade, apenas em outubro de 2020, com a aprovação pelo Conselho
                Universitário (CUn) da UFSC da Resolução Normativa n. 145/2020/CUN (CUN, 2020), foi
                instituída a Política de Ações Afirmativas a fim de promover o ingresso e a
                permanência de pessoas negras (pretas e pardas), indígenas, pessoas com deficiência
                e outras categorias de vulnerabilidade social nos cursos de pós-graduação
                    <italic>lato sensu</italic> e <italic>stricto sensu</italic>.</p>
            <p>É possível observar que, com exceção do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, da
                área de Ciências Biológicas, e do Programas de Pós-Graduação em Odontologia, da área
                de Ciências da Saúde, todos os demais cursos que decidem implementar as AA antes
                mesmo da resolução normativa se encontram nas áreas das ciências ditas humanas, como
                a própria grande área das Ciências Humanas (Antropologia Social, História, Educação
                e Psicologia), a área de Ciências Sociais Aplicadas (Direito) e a de Linguística,
                Letras e Artes (Estudos da Tradução e Linguística). O Programa de Pós-Graduação em
                Educação Científica e Tecnológica é considerado, de acordo com os critérios
                estabelecidos pela Capes, como curso de Área Multidisciplinar, abrangendo,
                principalmente, a área das Ciências Humanas. Sendo assim, não havia quaisquer
                reservas de vagas em programas das áreas de Ciências Agrárias, de Engenharias, e de
                Ciências Exatas e da Terra – as ditas ciências <italic>duras</italic>. Desta forma,
                com a resolução, programas que eram historicamente resistentes à implementação das
                políticas de ações afirmativas se viram obrigados a incluir políticas de acesso e de
                permanência em seus editais de seleção, como é o caso de programas nas áreas de
                Ciências Agrárias, de Engenharias, e de Ciências Exatas e da Terra.</p>
            <p>A obrigatoriedade das ações afirmativas no âmbito da pós-graduação da UFSC, assim,
                trouxe mudanças significativas nos processos seletivos para mestrado e doutorado,
                até mesmo para os programas que já haviam implementado alguma política de AA em seus
                editais antes da aprovação da Resolução Normativa n. 145/2020/CUN. Isso porque, com
                a normatização, alguns termos importantes foram estabelecidos, como o público-alvo
                das políticas de ações afirmativas, os percentuais mínimos da reserva das vagas e
                das bolsas e, ainda, o processo de validação das autodeclarações, sejam elas de
                raça/cor, etnia, renda, deficiência, nacionalidade, entre outras. Esta normativa e
                seus efeitos no PPGE serão apresentados nas próximas seções deste artigo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3. Ações Afirmativas no Programa de Pós-Graduação em Educação</title>
            <sec>
                <title>3.1 O Programa</title>
                <p>O Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa
                        Catarina<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> iniciou suas atividades em
                    1974, com a oferta de um curso de especialização. Apenas 10 anos depois, em
                    1984, o PPG passa a ser reconhecido como <italic>stricto sensu</italic>,
                    oferecendo curso de Mestrado em Educação com duas linhas de pesquisa: “Teoria e
                    Prática Pedagógica” e “Educação e Trabalho”. O curso de doutorado, por sua vez,
                    foi reconhecido em 1994.</p>
                <p>De acordo com dados de março de 2023, o PPGE possui 41 docentes permanentes e 17
                    colaboradores/as, distribuídos em seis linhas de pesquisa: Educação e
                    Comunicação (ECO), Educação e Infância (EI), Trabalho, Educação e Políticas
                    (TEP), Sujeitos, Processos Educativos e Docência (SUPED), Filosofia da Educação
                    (FIL) e Sociologia e História da Educação (SHE). Após sofrer uma queda na
                    avaliação da Capes relativa ao quadriênio 2013-2016, o PPGE consegue se
                    recuperar e voltar ao patamar de Programa Nota 5 na última avaliação da agência,
                    relativa ao quadriênio 2017-2020.</p>
                <p>O processo seletivo para ingresso no programa acontece uma vez por ano, com
                    oferta de cerca de 40 vagas para o curso de mestrado e 40 para o doutorado. A
                    seleção é publicada em forma de edital único, embora a turma de mestrado
                    ingresse no segundo semestre do mesmo ano da seleção, e a turma de doutorado
                    inicie as atividades no primeiro semestre do ano seguinte. Conforme informações
                    do primeiro semestre de 2023, 254 estudantes formam o corpo discente do
                    programa, sendo 161 de doutorado, 79 de mestrado e 14 de pós-doutorado, tendo o
                    programa já formado 1434 mestres/as e doutores/as, ao longo de sua história.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.2 Implementação</title>
                <p>As ações afirmativas entraram na pauta do PPGE por proposição da professora Joana
                    Célia dos Passos, em reunião do Colegiado realizada em 4 de dezembro de 2018. No
                    encontro, ficou acordado, segundo registrado na ata, que uma apresentação da
                    proposta deveria ser feita posteriormente em uma reunião ampliada (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B16">PPGE, 2018</xref>). A professora, assim, ficou
                    responsável por realizar uma apresentação em Reunião Ampliada do Colegiado,
                    agendada para a semana seguinte, em 11 de dezembro de 2018.</p>
                <p>Na reunião, aberta a toda a comunidade do PPGE, a professora apresentou e
                    discutiu o conceito de ações afirmativas e o conjunto da legislação (leis e
                    resoluções normativas) para sua implementação, em destaque:</p>
                <list list-type="simple">
                    <list-item>
                        <p>a) Supremo Tribunal Federal, Arguição de Descumprimento de Preceito
                            Fundamental 186 (STF: ADPF 186) – Parecer sobre a constitucionalidade
                            das cotas na Universidade de Brasília.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>b) Lei de Cotas 12.711/2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades
                            federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e
                            dá outras providências.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>c) Ministério da Educação, Portaria Normativa 18/MEC/2012. Dispõe sobre a
                            implementação das reservas de vagas em instituições federais de ensino
                            de que tratam a Lei n. 12.711, de 29 de agosto de 2012, e o Decreto n.
                            7.824, de 11 de outubro de 2012.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>d) Lei 12.990/2014. Reserva aos negros 20% (vinte por cento) das vagas
                            oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e
                            empregos públicos no âmbito da administração pública federal, das
                            autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das
                            sociedades de economia mista controladas pela União.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>e) Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Orientação
                            Normativa 3/2016/MPOG. Dispõe sobre regras de aferição da veracidade da
                            autodeclaração prestada por candidatos negros para fins do disposto na
                            Lei n. 12.990, de 9 de junho de 2014.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>f) Conselho Nacional do Ministério Público, Recomendação 41/CNMP. Define
                            parâmetros para a atuação dos membros do Ministério Público brasileiro
                            para a correta implementação da política de cotas étnico-raciais em
                            vestibulares e concursos públicos</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>g) Supremo Tribunal Federal, Ação Declaratória de Constitucionalidade
                            12.990/2017/STF.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>h) Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Portaria
                            Normativa n. 4, de 6 de abril de 2018. Regulamenta o procedimento de
                            heteroidentificação complementar à autodeclaração dos candidatos negros,
                            para fins de preenchimento das vagas reservadas nos concursos públicos
                            federais, nos termos da Lei n. 12.990, de 9 de junho de 2014.</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Além disso, foi apresentado também um demonstrativo do comportamento da reserva
                    de vagas por cotas em programas acadêmicos de pós-graduação da UFSC até 2018,
                    conforme informações contidas no <xref ref-type="table" rid="T1">Quadro
                    1</xref>. Naquele momento, sete programas contemplavam pessoas negras,
                    indígenas, pessoas com deficiência, estrangeiras e transexuais e travestis;
                    quatro com bancas de heteroidentificação e três sem a utilização de bancas. Com
                    relação à destinação de bolsas, três alocavam para cada ingressante, dois
                    definiam cotistas como prioritários às bolsas, um edital não fazia referência e
                    um programa destinava uma bolsa para cada segmento contemplado.</p>
                <p>Além disso, foi apresentado um perfil étnico-racial do Programa de Pós-Graduação
                    em Educação, conforme apresentado na <xref ref-type="table" rid="T2">Tabela
                        1</xref>.</p>
                <table-wrap id="T2">
                    <label>Tabela 1</label>
                    <caption>
                        <title>Número de estudantes do <xref ref-type="bibr" rid="B16">PPGE em
                                2018</xref>, por critérios de autodeclaração de raça/cor</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="left" valign="middle"/>
                                <th align="center" valign="middle">Mestrado</th>
                                <th align="center" valign="middle">Doutorado</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Branca</td>
                                <td align="center" valign="middle">94</td>
                                <td align="center" valign="middle">128</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Preta</td>
                                <td align="center" valign="middle">03</td>
                                <td align="center" valign="middle">14</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Parda</td>
                                <td align="center" valign="middle">22</td>
                                <td align="center" valign="middle">17</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Amarela</td>
                                <td align="center" valign="middle">03</td>
                                <td align="center" valign="middle">02</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Não declarada</td>
                                <td align="center" valign="middle">06</td>
                                <td align="center" valign="middle">02</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">TOTAL</td>
                                <td align="center" valign="middle">128</td>
                                <td align="center" valign="middle">163</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN2">
                            <p>Fonte: Elaborada pelas autoras, a partir de dados coletados no
                                Sistema de Controle Acadêmico da Pós-Graduação (CAPG/UFSC), em
                                21/11/2018</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Quando observamos o quantitativo de estudantes de mestrado e doutorado do PPGE em
                    2018, tínhamos 291 estudantes, das/os quais 222 se autodeclaravam pessoas
                    brancas, 56 se autodeclaravam negras (pretas ou pardas), cinco amarelas, nenhuma
                    indígena e oito não declaravam seu pertencimento racial. Ou seja, o perfil era
                    de um programa majoritariamente branco (superior a 76%), com nenhuma pessoa
                    indígena e com pessoas negras representando menos de 25% do total.</p>
                <p>Um outro dado usado durante a apresentação foi a distribuição do número total de
                    ingressantes nos anos de 2016, 2017 e 2018 por critérios de autodeclaração de
                    raça/cor. Estes dados são apresentados na <xref ref-type="table" rid="T3">Tabela
                        2</xref>.</p>
                <table-wrap id="T3">
                    <label>Tabela 2</label>
                    <caption>
                        <title>Número de ingressantes no <xref ref-type="bibr" rid="B16">PPGE em
                                2016, 2017 e 2018</xref>, por autodeclaração de raça/cor</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle"/>
                                <th align="center" valign="middle">ME 2016</th>
                                <th align="center" valign="middle">DO 2016</th>
                                <th align="center" valign="middle">ME 2017</th>
                                <th align="center" valign="middle">DO 2017</th>
                                <th align="center" valign="middle">ME 2018</th>
                                <th align="center" valign="middle">DO 2018</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Branca</td>
                                <td align="center" valign="middle">47</td>
                                <td align="center" valign="middle">34</td>
                                <td align="center" valign="middle">42</td>
                                <td align="center" valign="middle">35</td>
                                <td align="center" valign="middle">39</td>
                                <td align="center" valign="middle">35</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Preta</td>
                                <td align="center" valign="middle">06</td>
                                <td align="center" valign="middle">05</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">04</td>
                                <td align="center" valign="middle">03</td>
                                <td align="center" valign="middle">04</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Parda</td>
                                <td align="center" valign="middle">05</td>
                                <td align="center" valign="middle">05</td>
                                <td align="center" valign="middle">10</td>
                                <td align="center" valign="middle">03</td>
                                <td align="center" valign="middle">08</td>
                                <td align="center" valign="middle">06</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Amarela</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Não declarada</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">06</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">TOTAL</td>
                                <td align="center" valign="middle">60</td>
                                <td align="center" valign="middle">45</td>
                                <td align="center" valign="middle">53</td>
                                <td align="center" valign="middle">44</td>
                                <td align="center" valign="middle">57</td>
                                <td align="center" valign="middle">46</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN3">
                            <p>Fonte: Elaborada pelas autoras, a partir de dados coletados no
                                Sistema de Controle Acadêmico da Pós-Graduação (CAPG/UFSC), em
                                21/11/2018</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Além da base legal e dos dados do próprio programa, a professora também tocou em
                    pontos como o conceito de branquitude e sua consequente manutenção de
                    privilégios, a partir dos estudos de Ruth <xref ref-type="bibr" rid="B7"
                        >Frankenberg (1993</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B8">1999</xref>, <xref
                        ref-type="bibr" rid="B9">2004</xref>). Para fins de encaminhamento da
                    Política de Ações Afirmativas, foi apresentada também uma proposta de reserva de
                    vagas para apreciação do coletivo, além de critérios para inscrição, avaliação,
                    classificação, homologação através de bancas de heteroidentificação, bem como
                    definições sobre distribuição de bolsas e exigência de testes de proficiência em
                    língua estrangeira.</p>
                <p>É preciso dizer que, mesmo com uma exposição com propostas de encaminhamento bem
                    formatadas, fundamentada em referenciais acadêmicos e legais e respaldada por
                    dados quantitativos de outros programas e do próprio PPGE, a aprovação não veio
                    sem resistência de parte das pessoas presentes, gerando tensionamentos. Houve
                    inclusive uma tentativa de adiar a decisão para uma terceira reunião – o que
                    chegou a ir à votação, mas foi vencido pela grande quantidade de pessoas
                    comprometidas com a implementação da política. Sendo assim, na histórica manhã
                    do dia 11 de dezembro de 2018, foram aprovadas as ações afirmativas no Programa
                    de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina.</p>
                <p>Para marcar o início do que esperançávamos ser uma nova era no programa, a
                    professora Nilma Lino Gomes, Emérita da Faculdade de Educação da Universidade
                    Federal de Minas Gerais, foi convidada para ministrar a aula inaugural do ano
                    letivo seguinte, de 2019, cujo título era “Ações Afirmativas como estratégia de
                    resistência em tempos de retrocessos”<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>. No
                    mesmo mês, março de 2019, foram ofertadas formações para participação nas bancas
                    de heteroidentificação que seriam responsáveis por homologar as inscrições de
                    optantes pela reserva de vagas já no processo seletivo seguinte.</p>
                <p>No início de 2019, após a aprovação da reserva de vagas para ingresso no
                    programa, o PPGE lança o Edital n. 02/2019 – o primeiro com ações afirmativas,
                    oferecendo um total de até 85 vagas, sendo até 48 em nível de mestrado e até 37
                    de doutorado (<xref ref-type="bibr" rid="B17">PPGE, 2019</xref>). De acordo com
                    o estabelecido na Reunião Ampliada de Colegiado que aprovou as cotas para
                    acesso, foram destinadas duas vagas em cada uma das seis linhas de pesquisa para
                    pessoas autodeclaradas negras (pretas ou pardas), além de uma vaga para
                    indígenas, uma vaga para quilombolas e uma vaga para travestis e transexuais –
                    tanto no mestrado (ME), quanto no doutorado (DO). Sendo assim, das 85 vagas, 30
                    foram reservadas e 55 foram destinadas à ampla concorrência. A <xref
                        ref-type="fig" rid="F1">Figura 1</xref> resume esta distribuição.</p>
                <p><fig id="F1">
                        <label>Figura 1</label>
                        <caption>
                            <title>Distribuição das vagas no Edital de 2019</title>
                        </caption>
                        <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-03-e97703-gf01.tif"/>
                        <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras, em março de 2023</attrib>
                    </fig></p>
                <p>De acordo com as especificações do edital, as pessoas candidatas optantes pela
                    seleção por reserva de vagas concorreriam entre si por Linha de Pesquisa. Ainda,
                    caso atingissem nota final superior às das pessoas candidatas pela ampla
                    concorrência de mesma Linha de Pesquisa, poderiam ocupar as vagas de ampla
                    concorrência, sendo a vaga reservada redistribuída para o/a candidato/a
                    autodeclarado/a classificado/a da mesma Linha de Pesquisa.</p>
                <p>Mesmo que a proposição inicial feita pela professora Joana Célia dos Passos
                    mencionasse a necessidade de priorizar bolsas para o público das AA –
                    caracterizando preocupação não somente com o acesso, mas com a permanências
                    dessas/es estudantes – o edital não faz nenhuma menção à distribuição de bolsas
                    para quaisquer dos grupos. Até 2018, as bolsas eram distribuídas por ordem de
                    classificação no processo seletivo em cada linha de pesquisa, e por sorteio da
                    ordem entre as linhas. Ou seja, as bolsas disponíveis se distribuem na seguinte
                    sequência: 1<sup>a</sup> pessoa colocada da linha sorteada em primeiro lugar;
                        1<sup>a</sup> pessoa colocada da linha sorteada em segundo lugar, …,
                        1<sup>a</sup> pessoa colocada da linha sorteada em último lugar,
                        2<sup>a</sup> pessoa colocada da linha sorteada em primeiro lugar,
                        2<sup>a</sup> pessoa colocada da linha sorteada em segundo lugar, … até que
                    se esgotem o número de bolsas. A mudança negociada e alcançada foi a de
                    considerar todas/os as/os cotistas como pertencentes a uma mesma linha, de modo
                    que estas/es estudantes pudessem concorrer à bolsa tanto na linha de pesquisa em
                    que foram selecionadas/os, quanto enquanto coletivo denominado “Ações
                    Afirmativas”.</p>
                <p>O edital explicita também que candidatos/as autodeclarados/as negros/as
                    (pretos/as ou pardos/as) somente teriam sua inscrição homologada após a
                    participação presencialmente na banca de heteroidentificação. Esta banca, por
                    sua vez, seria nomeada em portaria emitida pela Secretaria de Ações Afirmativas
                    e Diversidades (SAAD/UFSC) e consideraria exclusivamente o fenótipo negro como
                    critério para análise, sem considerações sobre a ascendência ou ancestralidade.
                    Para aqueles/as autodeclarados/as indígenas, era necessário apresentar
                    declaração de pertencimento a um povo indígena emitida por autoridade indígena
                    ou pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI). De modo semelhante, quilombolas
                    deveriam apresentar declaração de pertencimento à comunidade remanescente de
                    quilombo, emitida por autoridade da Associação Quilombola reconhecida pela
                    Fundação Palmares. No caso de candidato/a autodeclarado/a transexual ou
                    travesti, deveria ser apresentado comprovante de retificação do nome ou
                    documento que comprovasse o nome social.</p>
                <p>Todo o processo de bancas de heteroidentificação ou validação de documentação das
                    autodeclarações foi realizado antes das demais etapas de seleção, de modo que as
                    inscrições só seriam homologadas caso os critérios para ingresso por reserva de
                    vagas fossem verificados e legitimados. Das 34 pessoas autodeclaradas negras que
                    se candidataram ao mestrado naquele ano, 11 não tiveram suas inscrições
                    homologadas, sendo que oito não compareceram à banca de heteroidentificação e
                    duas tiveram sua declaração indeferida pela banca; apenas em um dos casos a não
                    homologação foi causada por falta de outro tipo de documentação. No doutorado,
                    quatro das 17 inscrições não foram aceitas: duas por não comparecerem e duas por
                    indeferimento da banca. Uma pessoa indígena e duas travestis ou transexuais se
                    inscreveram para o mestrado e tiveram suas inscrições homologadas. Não houve
                    inscrições para o doutorado nessas duas categorias.</p>
                <p>Após a homologação, a seleção consistia em três etapas de avaliação, com notas
                    entre 0,0 e 10,0. Um ponto importante a ser destacado no edital, resultado da
                    intervenção e da presença da professora Joana Célia dos Passos na comissão de
                    seleção, foi o de que as notas de corte nas etapas eliminatórias seriam
                    diferentes para os públicos cotistas e de ampla concorrência. Assim, a nota
                    mínima para aprovação em cada uma das etapas era 5,0 para optantes de AA e 7,0
                    para ampla concorrência. Até o ano anterior, a nota mínima para aprovação era
                    8,0 para todas as pessoas candidatas, o que reforça que, com a assunção das
                    políticas de AA, todas as pessoas são beneficiadas, não somente aquelas que têm
                    direito a acessar o programa através de vagas reservadas. A nota final, por sua
                    vez, consistia na média aritmética das notas obtidas nas três etapas.</p>
                <p>A primeira fase da seleção, tanto para mestrado quanto para doutorado, consistia
                    em uma análise de projetos de pesquisa. Aqueles/as que, então, atingissem a
                    respectiva nota de corte faziam uma prova escrita. A última fase era a única que
                    diferenciava os dois níveis de seleção: pessoas candidatas ao mestrado passavam
                    por arguição e análise do Currículo Lattes, enquanto candidatas/os ao doutorado
                    eram submetidas/os à arguição, análise do Currículo Lattes e análise de um
                    memorial descritivo da trajetória acadêmica.</p>
                <p>Ao fim das três etapas, 11 pessoas pretas ou pardas ingressaram no programa
                    através da reserva de vagas para autodeclarados/as negros/as – nove no Mestrado
                    e duas no Doutorado, e uma pessoa travesti foi admitida no mestrado pela reserva
                    para travestis e transexuais. Além disso, uma estudante negra e um estudante
                    negro optante pela reserva de vagas foram aprovados/as, respectivamente, no
                    doutorado e no mestrado em ampla concorrência, pois alcançaram nota superior às
                    de todas as pessoas candidatas da ampla concorrência de suas Linhas de Pesquisa.
                    Deste modo, 14 optantes de reservas de vagas foram admitidos/as no programa,
                    fazendo com que menos da metade das vagas destinadas a AA fossem
                    preenchidas.</p>
                <p>Este número, no entanto, não difere muito do processo seletivo anterior,
                    realizado em 2018, antes da implementação das AA no PPGE. Antes da política de
                    AA, apenas duas pessoas travestis haviam sido selecionadas em toda a história do
                    programa, ambas para o doutorado, nos editais de 2017 e de 2018, e uma estudante
                    indígena havia ingressado no mestrado em 2011. Não há, no entanto, informações
                    sobre número de pessoas travestis ou transexuais (TT) inscritas nos anos
                    anteriores. Na <xref ref-type="table" rid="T4">Tabela 3</xref>, vemos um
                    comparativo entre o número de pessoas autodeclaradas negras, pretas, pardas ou
                    indígenas (PPI) inscritas em 2018 e em 2019, tanto em nível de mestrado quanto
                    de doutorado, enquanto na <xref ref-type="table" rid="T5">Tabela 4</xref>, vemos
                    este quantitativo com relação ao número de pessoas ingressantes, tanto PPI
                    quanto travestis e transexuais.</p>
                <table-wrap id="T4">
                    <label>Tabela 3</label>
                    <caption>
                        <title>Número de pessoas PPI inscritas no mestrado e no doutorado em 2018 e
                            2019</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle"/>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">ME 2018</th>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">ME 2019</th>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">DO 2018</th>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">DO 2019</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="4">Categorie</td>
                                <td align="left" valign="middle">Preta</td>
                                <td align="left" valign="middle">36</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">Negra</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">34</td>
                                <td align="left" valign="middle">Preta</td>
                                <td align="left" valign="middle">21</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">Negra</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">17</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Parda</td>
                                <td align="left" valign="middle">93</td>
                                <td align="left" valign="middle">Parda</td>
                                <td align="left" valign="middle">38</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">TOTAL</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">130</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">35</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">60</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">18</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN4">
                            <p>Fonte: Elaborada pelas autoras, em março de 2023</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <table-wrap id="T5">
                    <label>Tabela 5</label>
                    <caption>
                        <title>Número de pessoas PPI e TT ingressantes no Mestrado e no Doutorado em
                            2018 e 2019</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle"/>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">ME 2018</th>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">ME 2019</th>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">DO 2018</th>
                                <th align="center" valign="middle" colspan="2">DO 2019</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="6">Categorie</td>
                                <td align="left" valign="middle">Preta</td>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">Negra</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">10</td>
                                <td align="left" valign="middle">Preta</td>
                                <td align="left" valign="middle">04</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">Negra</td>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="3">03</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Parda</td>
                                <td align="left" valign="middle">08</td>
                                <td align="left" valign="middle">Parda</td>
                                <td align="left" valign="middle">06</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle" colspan="2"/>
                                <td align="left" valign="middle" colspan="3"/>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle" colspan="2"/>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">00</td>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">00</td>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">00</td>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="left" valign="middle">00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">TT</td>
                                <td align="left" valign="middle">00</td>
                                <td align="left" valign="middle">TT</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                                <td align="left" valign="middle">TT</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                                <td align="left" valign="middle">TT</td>
                                <td align="left" valign="middle">00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">TOTAL</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">11</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">11</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">11</td>
                                <td align="left" valign="middle"/>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN5">
                            <p>Fonte: Elaborada pelas autoras, em março de 2023</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Chama a atenção a estreita aproximação entre o quantitativo de pessoas
                    pertencentes às categorias “preta”, usada antes das AA, e “negra”, que passa a
                    ser adotada no edital de 2019 para unificar, conforme critérios do Instituto
                    Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os grupos de pessoas pretas e
                    pardas. Ao primeiro olhar, poderíamos pensar que, na verdade, a adoção de cotas
                    fez diminuir o número de pessoas negras concorrendo e ingressando no programa.
                    No entanto, o que nos parece haver é uma espécie de apagamento da categoria
                    “parda”, que passa a ser diluída na categoria de pessoas brancas ou não
                    declaradas – ou porque estas pessoas, mesmo sendo pardas, não se reconhecem como
                    negras, ou porque entendem que estão em um limiar fenotípico que não lhes
                    permite o direito ao acesso através de cotas raciais. Além disso, há registro de
                    pelo menos uma pessoa negra, de acordo com nossa heteroatribuição<xref
                        ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, que ingressou no mestrado sem optar pela
                    reserva de vagas, sendo heteroidentificada como uma estudante parda.</p>
                <p>Essas informações nos fazem pensar que ainda é preciso investir muito em uma
                    formação extensiva sobre como se dão as relações raciais no Brasil e sobre o
                    papel das AA, pois a falta de entendimento sobre a política faz com que pessoas
                    negras deixem de acessar direitos. Enquanto a queda do número de estudantes
                    autodeclaradas/os negras/os em relação aos anos anteriores à política, em
                    consequência do agrupamento de pretas/os e pardas/os não mais somente como
                    categoria de pertencimento racial, mas também como reivindicação do direito ao
                    acesso pela reserva de vagas, pode indicar uma obstrução de possíveis
                    fraudadoras/es, indica também que há pessoas detentoras deste direito, mas que
                    não o conhecem ou optam por não o reivindicar.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.3 Efeitos da Resolução Normativa n. 145/2020 no PPGE</title>
                <p>No âmbito de toda a universidade, a Política de Ações Afirmativas nos cursos de
                    pós-graduação <italic>lato sensu</italic> e <italic>stricto sensu</italic> foi
                    instituída em outubro de 2020, com a aprovação pelo Conselho Universitário (CUn)
                    da UFSC da Resolução Normativa n. 145/2020/CUN (CUN, 2020). O documento visa a
                    regulamentar a política a fim de promover o ingresso e a permanência de pessoas
                    negras (pretas e pardas), indígenas, pessoas com deficiência e outras categorias
                    de vulnerabilidade social.</p>
                <p>A resolução prevê a reserva de 20% das vagas para estudantes negras, negros
                    (pretas/os e pardas/os) e indígenas, e 8% para pessoas com deficiência (PcD) e
                    para aquelas pertencentes a outras categorias de vulnerabilidade social, sendo
                    estas identificadas pelos próprios cursos de pós-graduação, de acordo com
                    critérios definidos pelos Colegiados de Curso. Trata-se de um marco legal no que
                    tange às ações afirmativas no âmbito da pós-graduação, pois, a partir dessa
                    normatização, todos os programas de pós-graduação da UFSC se viram obrigados a
                    adequar seus editais de seleção à reserva de 28% das vagas para o público
                    atendido pelo sistema de cotas, bem como a destinar, no mínimo, 28% das bolsas
                    disponíveis anualmente para estudantes cotistas.</p>
                <p>Para dar suporte aos programas e, ainda, para contribuir para a qualificação da
                    própria Política de Ações Afirmativas e dos processos de seleção e controle da
                    reserva de vagas, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação, em parceria com a Secretaria
                    de Ações Afirmativas e Diversidades, elaboraram uma série de documentos que
                    orientam a inclusão das diferentes modalidades de cotas nos editais, tomando
                    como base os termos da Resolução n. 145/2020/CUN. Ainda, esses documentos
                    orientam a formulação de comissões de validação das autodeclarações e dos demais
                    documentos comprobatórios para o acesso por parte de candidatas e candidatos às
                    ações afirmativas, sendo inclusive oferecidas formações para pessoas que desejem
                    integrar as bancas de heteroidentificação.</p>
                <p>Em 2020, em decorrência da pandemia de COVID-19, o PPGE deliberou pelo
                    cancelamento do processo seletivo. No edital de 2021, então, o programa passa a
                    incluir a reserva de vagas, a partir das possibilidades previstas na resolução,
                    para pessoas refugiadas, profissionais da educação básica da rede pública e
                    pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, a partir do que o documento
                    normativo chama de “outras categorias de vulnerabilidade social”. Ainda,
                    conforme preconiza a resolução, houve destinação de reserva de vagas para
                    pessoas com deficiência. O critério para distribuição de bolsas permanece o
                    mesmo do edital anterior.</p>
                <p>Assim como no edital de 2019, o edital de 2021 previa a oferta de até 85 vagas;
                    desta vez, no entanto, até 40 eram destinadas ao curso de mestrado e 45 para o
                    doutorado (<xref ref-type="bibr" rid="B18">PPGE, 2021</xref>). O número de vagas
                    reservadas para pessoas negras e indígenas se mantém em 13 para cada nível de
                    formação. No entanto, não são mais divididas por linhas de pesquisa e, sim,
                    destinadas a toda e qualquer linha. As vagas reservadas para pessoas com
                    deficiência, travestis, transexuais, refugiadas, em vulnerabilidade econômica e
                    professoras/es da Educação Básica também foram agrupadas, de modo a somarem 20
                    para todas as linhas e todos os níveis oferecidos. Sendo assim, das 85 vagas, 46
                    foram reservadas para que candidatas/os autodeclaradas/os concorressem entre si,
                    e 39 foram destinadas à ampla concorrência. A <xref ref-type="fig" rid="F2"
                        >Figura 2</xref> resume esta distribuição.</p>
                <p><fig id="F2">
                        <label>Figura 2</label>
                        <caption>
                            <title>Distribuição das vagas no edital de 2021</title>
                        </caption>
                        <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-03-e97703-gf02.tif"/>
                        <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras, em março de 2023</attrib>
                    </fig></p>
                <p>Devido à impossibilidade de realizar atividades presenciais, o edital de 2021
                    previa apenas duas fases de seleção, de modo que a prova escrita não foi
                    aplicada naquele ano. O processo, assim, consistia na análise de um projeto de
                    pesquisa e de uma fase de arguição e análise do Currículo Lattes e de um
                    Memorial Descritivo realizada virtualmente, tanto para mestrado quanto para
                    doutorado. As duas etapas eram avaliadas com notas de 0,0 a 10,0, com escala de
                    0,5 ponto, sendo a nota final a média aritmética entre as duas notas. As notas
                    de corte, mais uma vez, eram diferentes para os diferentes públicos do edital:
                    5,0 para Ações Afirmativas e 6,0 para ampla concorrência.</p>
                <p>A forma de validação das candidaturas de pessoas negras, indígenas, quilombolas,
                    travestis e transexuais se manteve, através da solicitação de documentação
                    específica ou participação em banca de heteroidentificação remota. A essas
                    especificações foram somadas as exigências de laudo médico, no caso de optantes
                    de reserva de vagas para PCD; declaração de refúgio para candidatas/os
                    refugiadas/os; comprovante oficial de vínculo ativo na rede pública de Educação
                    Básica para profissionais da educação; e autodeclaração para pessoas em situação
                    de vulnerabilidade econômica. Diferente do processo anterior, no entanto, as
                    bancas de validação ocorreriam apenas depois de finalizadas todas as etapas de
                    avaliação.</p>
                <p>Ao fim da seleção, 29 estudantes ingressaram por ações afirmativas – mais do que
                    o dobro de ingressantes no edital anterior, de 2019, pelo qual ingressaram 14
                    optantes de cotas para pessoas negras, indígenas, quilombolas, travestis ou
                    transexuais, e também maior que o de 2018, sem reserva de vagas, pelo qual
                    ingressaram 22 pessoas autodeclaradas pretas, pardas, travestis ou transexuais.
                    Na <xref ref-type="table" rid="T6">Tabela 5</xref>, vemos um comparativo entre o
                    número de pessoas negras (pretas e pardas), indígenas, travestis e transexuais
                    ingressantes através dos editais publicados em 2018 (sem reserva de vagas), 2019
                    (com reserva de vagas, antes da resolução) e 2021 (com reserva de vagas, após a
                    resolução), além do número de profissionais da Educação (PEd) que ingressaram
                    por cotas neste último edital. Nos anos anteriores, não há como precisar o
                    número de profissionais da Educação que ingressaram, uma vez que esta não era
                    uma categoria de seleção ou de cadastro.</p>
                <table-wrap id="T6">
                    <label>Tabela 5</label>
                    <caption>
                        <title>Comparativo entre ingressantes no mestrado e no doutorado em 2018,
                            2019 e 2021</title>
                    </caption>
                    <table frame="box" rules="all">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle"/>
                                <th align="center" valign="middle"/>
                                <th align="center" valign="middle">ME 2018</th>
                                <th align="center" valign="middle">ME 2019</th>
                                <th align="center" valign="middle">ME 2021</th>
                                <th align="center" valign="middle">DO 2018</th>
                                <th align="center" valign="middle">DO 2019</th>
                                <th align="center" valign="middle">DO 2021</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle" rowspan="4">Categoria</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Negra</td>
                                <td align="center" valign="middle">11</td>
                                <td align="center" valign="middle">10</td>
                                <td align="center" valign="middle">05</td>
                                <td align="center" valign="middle">10</td>
                                <td align="center" valign="middle">03</td>
                                <td align="center" valign="middle">06</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Indígena</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">02</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">TT</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">01</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                                <td align="center" valign="middle">00</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">PEd</td>
                                <td align="center" valign="middle">--</td>
                                <td align="center" valign="middle">--</td>
                                <td align="center" valign="middle">09</td>
                                <td align="center" valign="middle">--</td>
                                <td align="center" valign="middle">--</td>
                                <td align="center" valign="middle">07</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">TOTAL</td>
                                <td align="center" valign="middle"/>
                                <td align="center" valign="middle">11</td>
                                <td align="center" valign="middle">11</td>
                                <td align="center" valign="middle">16</td>
                                <td align="center" valign="middle">11</td>
                                <td align="center" valign="middle">03</td>
                                <td align="center" valign="middle">13</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN6">
                            <p>Fonte: Elaborada pelas autoras, em março de 2023</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Embora possa parecer um avanço com relação aos editais anteriores, um estudo
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Fernandes, Gaudio e Passos, 2021, p.
                        2</xref>) indica “um desvirtuamento da finalidade da Política de Ações
                    Afirmativas, uma vez que professoras/es e demais profissionais da Educação já
                    constituíam público considerável do Programa”, fazendo com que o número de vagas
                    ocupadas pela população negra, por exemplo, fosse reduzido após a resolução –
                    mesmo que o número efetivo de vagas oferecidas tenha sido maior. Isto acontece
                    porque, das 29 pessoas selecionadas por cotas, a maioria (16) eram profissionais
                    da Educação Básica Pública, enquanto apenas 13 eram de fato o público a quem as
                    Ações Afirmativas deveriam se destinar, sendo 11 pessoas negras e duas
                    indígenas.</p>
                <p>Depois de identificado e denunciado tal desvio (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
                        >Fernandes, Gaudio e Passos, 2021</xref>), certamente não livre de
                    intenções, o PPGE altera novamente o público de sua Política de Ações
                    Afirmativas no ano seguinte, estabelecendo, nos termos da Resolução 145/2020, a
                    reserva de vagas para pessoas negras e indígenas, e definindo pessoas com
                    deficiência, travestis e transexuais, quilombolas, pessoas refugiadas e pessoas
                    em vulnerabilidade socioeconômica como outras modalidades de ações afirmativas
                    (PPGE, 2022).</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>4. Considerações finais</title>
            <p>As discussões tecidas neste texto apresentaram uma análise do panorama e trajetória
                acerca da política de AA na Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de
                Santa Catarina, aprovada em 2018, tendo o primeiro edital com reserva de vagas com
                essa finalidade na seleção de mestrado e doutorado de 2019. Para além da leitura e
                análise dos documentos elaborados pelo PPGE, tais como editais de seleção, atas de
                reuniões de Colegiado e dados de inscrições, as autoras atuaram na implementação da
                política de AA enquanto estudantes e docente do programa, tendo participado
                presencialmente de muitas das discussões ocorridas. Conforme citamos, a proposta de
                adoção da reserva de vagas para pessoas negras (pretas e pardas), indígenas,
                quilombolas, transexuais e travestis, enquanto ação afirmativa, foi elaborada e
                direcionada ao PPGE por uma das autoras. As demais autoras contribuíram nos momentos
                de discussão e votação para aprovação, juntamente com o coletivo de pesquisa e
                extensão do qual todas fazem parte (Grupo Alteritas – Diferença, Arte e Educação).
                Essa proximidade com o objeto nos permitiu ter acesso a informações e tensões
                implícitas nos documentos, ao mesmo tempo em que atravessa de subjetividades nossas
                análises.</p>
            <p>A trajetória de implementação das AA no PPGE da UFSC demonstra que, embora o corpo
                docente reconheça as desigualdades sociais brasileiras, resiste aos projetos de
                rompimento de uma academia branca e eurocentrada, confirmando o pressuposto de que
                os direitos à educação das populações negras, indígenas e quilombolas foram
                historicamente conquistados na luta. Evidencia também que as propostas para a
                democratização do acesso à pós-graduação são protagonizadas por docentes negras/os
                credenciados/as aos cursos, em articulação com discentes, grupos e núcleos de
                pesquisas ligados a movimentos sociais, sobretudo ao Movimento Negro.</p>
            <p>Estas disputas se refletem no número de estudantes negras/os, indígenas, travestis e
                transexuais no programa, que se caracteriza como um coletivo discente maciçamente
                branco, em discrepância com o perfil demográfico da sociedade brasileira. Mesmo com
                a instituição da reserva de vagas, ainda não foi possível modificar este quadro em
                favor dos grupos a quem as AA se destinam, devido a tentativas de desvirtuamento da
                política, da lacuna no provimento de bolsas e outras iniciativas de permanência,
                além da possível falha na comunicação dos editais para o grande público, uma vez que
                o número de inscrições de pessoas negras, indígenas, quilombolas, travestis e
                transexuais não se alterou significativamente após a instituição da reserva de
                vagas. Nesse sentido, a continuidade de tal política exige constante avaliação e
                revisão desse processo, com intuito de alcançar sujeitos historicamente excluídos do
                direito à educação.</p>
            <p>Pensar no acesso de pessoas negras, indígenas, quilombolas, travestis e transexuais
                implica também reconsiderar toda a estrutura universitária que mantêm suas lógicas
                voltadas à branquitude. Propor condições de permanência deve ser premissa para a
                continuidade e ampliação das políticas de AA na pós-graduação, uma vez que o
                desempenho acadêmico está intimamente ligado a condições materiais e simbólicas para
                o desenvolvimento dos estudos e pesquisas. O oferecimento de bolsas estudantis,
                auxílio-moradia, alimentação, investimentos em pesquisas e extensão, grupos de apoio
                acadêmico e psicológico, dentre outras ações, são fundamentais para subsidiar a
                manutenção de estudantes cotistas na pós-graduação.</p>
            <p>Ademais, a presença de negros/as altera o espaço universitário de modo ético,
                político e estético, transformando a academia a partir de epistemologias, culturas,
                experiências e corporeidades outras. Estudar, pesquisar e analisar a realidade
                brasileira a partir do ponto de vista de sujeitos historicamente desconsiderados da
                produção acadêmica altera a estrutura colonial da universidade, construindo outras
                lógicas de pensar, ser e estar nesses espaços. Na medida em que negros/as,
                indígenas, quilombolas e pessoas trans e travestis adentram o ambiente da
                pós-graduação, revelam o racismo e o sexismo epistêmico e a branquitude acadêmica,
                como também criam e inserem novas perspectivas epistemológicas, ampliando e
                potencializando as políticas de AA.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Para maiores informações acessar: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://proafe.ufsc.br/">https://proafe.ufsc.br/</ext-link>.
                    Acesso em: 11 mar. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>Maiores informações em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://ppge.ufsc.br/">https://ppge.ufsc.br/</ext-link>. Acesso
                    em: 11 mar. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>A aula, ocorrida em 18/03/2018, foi gravada e pode ser assistida em <ext-link
                        ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://youtube.com/playlist?list=PLt8Kqii1sx4YzQSJ0mzrpBbMW30L70jwo"
                        >https://youtube.com/playlist?list=PLt8Kqii1sx4YzQSJ0mzrpBbMW30L70jwo</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>A heteroatribuição consiste num método de identificação racial no qual outra
                    pessoa define o grupo racial de outro sujeito a partir das categorias de
                    classificação (<xref ref-type="bibr" rid="B13">OSÓRIO, 2003</xref>).</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B1">
                <mixed-citation>BRASIL. <italic>Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003</italic>.
                    Altera a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e
                    bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino
                    a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras
                    providências. Brasília: MEC, 2003. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm"
                        >http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm</ext-link> .
                    Acesso em: 11 ago. 2023.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="legal-doc">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>BRASIL</collab>
                    </person-group>
                    <source><italic>Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003</italic>. Altera a Lei n.
                        9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da
                        educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a
                        obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá
                        outras providências</source>
                    <publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
                    <publisher-name>MEC</publisher-name>
                    <year>2003</year>
                    <date-in-citation content-type="access-date">11 ago. 2023</date-in-citation>
                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm"
                            >http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm</ext-link>.</comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B2">
                <mixed-citation>BRASIL. <italic>Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Lei n.
                        11.645, de 10 março de 2008</italic>. Altera a Lei n. 9.394, de 20 de
                    dezembro de 1996, modificada pela Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que
                    estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo
                    oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura
                    Afro-Brasileira e Indígena”. Brasília: MEC, 2008. Disponível em: <ext-link
                        ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm"
                        >https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm</ext-link>.
                    Acesso em: 11 ago. 2023.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="legal-doc">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>BRASIL</collab>
                    </person-group>
                    <source><italic>Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Lei n. 11.645, de 10
                            março de 2008</italic>. Altera a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de
                        1996, modificada pela Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece
                        as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo
                        oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura
                        Afro-Brasileira e Indígena”</source>
                    <publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
                    <publisher-name>MEC</publisher-name>
                    <year>2008</year>
                    <date-in-citation content-type="access-date">11 ago. 2023</date-in-citation>
                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm"
                            >https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm</ext-link>.</comment>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B3">
                <mixed-citation>CONSELHO UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - CONSU.
                        <italic>Resolução n. 196/2002.</italic> Estabelece e aprova o sistema de
                    quotas para população afrodescendente, oriunda de escolas públicas, no
                    preenchimento de vagas relativas aos cursos de graduação e pós-graduação e dá
                    outras providências. Salvador (BA), 25 de julho de 2002. Disponível em:
                        <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="http://redeacaoafirmativa.ceao.ufba.br/uploads/uneb_resolucao_2002_196_1.pdf"
                        >http://redeacaoafirmativa.ceao.ufba.br/uploads/uneb_resolucao_2002_196_1.pdf</ext-link>.
                    Acesso em: 24 ago. 2023.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="legal-doc">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>CONSELHO UNIVERSITÁRIO DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA -
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