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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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            <journal-title-group>
                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">2175-795X</issn>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e93825</article-id>
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                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
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                <article-title>Histórias de vida e formação experiencial de pessoas adultas
                    aposentadas</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Life stories and experiential learning of retired
                        adults</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="fr">
                    <trans-title>Histoires de vie et formation expérientielle des personnes adultes
                        retraités</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-0920-9914</contrib-id>
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                        <surname>Silva</surname>
                        <given-names>Maria das Neves</given-names>
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                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-8261-7650</contrib-id>
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                        <surname>Cavaco</surname>
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                <institution content-type="orgname">Associação Nacional de
                    Gerontologia</institution>
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                <season>Apr-Jun</season>
                <year>2024</year>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Na sociedade contemporânea, o número de adultos aposentados vem aumentando devido
                    ao prolongamento da expectativa média de vida. Neste artigo, objetiva-se
                    analisar os processos de formação experiencial de pessoas adultas aposentadas a
                    partir das suas histórias de vida. A análise é baseada em dados empíricos
                    resultantes de uma investigação biográfica com seis indivíduos de idade superior
                    a 60 anos, residentes no Brasil. As entrevistas foram objeto de análise temática
                    de conteúdo e adotados os procedimentos e princípios éticos requeridos nesse
                    tipo de pesquisa. A abordagem biográfica possibilitou a compreensão das
                    narrativas, histórias de vida, e da forma como os sujeitos da pesquisa
                    apropriaram as suas experiências, em especial aquelas que consideraram mais
                    significativas na sua formação. Os resultados apontam para experiências muito
                    diversificadas e momentos significativos, que interferiram na formação dos
                    sujeitos, nomeadamente, na forma de pensar e agir; na identidade; e, por vezes,
                    na espiritualidade. As influências da escola e dos pais, na história de vida e
                    no processo de formação, são reconhecidas pelos participantes. Na infância,
                    predominam relações marcadas pela heteronomia em face da família e,
                    progressivamente, ocorre uma tentativa de autonomização, mesmo quando isso
                    implica decisões diferentes, ou mesmo contrárias, às esperadas pelos pais. A
                    singularidade da trajetória e do modo como cada sujeito (re)apropria e
                    (re)elabora a experiência origina o processo da individuação.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>In contemporary society, the extension of average life expectancy was reflected
                    in the increase in the number of retired adults. This article aims to analyze
                    experiential learning processes of retired adults, based on their life stories.
                    The analysis is based on empirical data resulting from biographical research
                    with six adults over the age of 60, living in Brazil. The interviews were
                    subject to thematic content analysis. The procedures and ethical principles
                    required in this type of research were adopted. The biographical approach
                    enabled the comprehension of the narratives of life stories, of the way in which
                    subjects across their experiences, especially those they considered most
                    significant in their training. The research results point to very diversified
                    life experiences and significant moments that interfere in the learning of the
                    individual, namely, in way of thinking and acting, as well as in identity and,
                    sometimes, spirituality. The influences of the school and parents in the life
                    history and in the learning are recognized by the participants. In childhood,
                    relationships marked by heteronomy with the family predominate and,
                    progressively, there is an attempt to predominate autonomy, even when this
                    implies different or even contrary decisions to those expected by the parents.
                    Experiential learning results from the uniqueness of the life history and the
                    way each subject (re)appropriates and (re)elaborates the experience, which
                    originates the process of individuation.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="fr">
                <title>Resumé</title>
                <p>Dans la société contemporaine, l’augmentation du nombre des personnes retraités
                    dérive de l’allongement de l’espérance de vie moyenne. Cet article vise à
                    analyser les processus de formation expérientielle des personnes adultes
                    retraitées à partir de leurs histoires de vie. L’analyse est basée sur des
                    données empiriques résultants d’une enquête biographique auprès de six adultes
                    de plus de 60 ans, résidant au Brésil. Les entretiens ont fait l’objet d’une
                    analyse de contenu thématique. Ont été adoptés les procédures et les principes
                    éthiques requis dans ce type de recherche. L’approche biographique a permis de
                    comprendre les récits de vie, la manière dont les sujets s´approprient ces
                    expériences, notamment les plus significatives dans leur formation. Les
                    résultats de la recherche manifestent des expériences de vie très diversifiées
                    et des moments significatifs qui interfèrent dans la formation du sujet, à
                    savoir dans sa façon de penser et d’agir, ainsi que dans son identité et
                    spiritualité. Les influences de l’école et des parents dans le récit de vie et
                    dans le processus de formation sont reconnues par les participants. Dans
                    l’enfance, prédominent les relations marquées par l’hétéronomie avec la famille
                    et progressivement gagne place l’autonomie, même lorsque cela implique des
                    décisions différentes voire contraires à celles attendues par les parents. La
                    formation expérientielle résulte de la singularité du récit de vie et de la
                    façon dont chaque sujet se (ré)approprie et (ré)élabore l’expérience, ce qui est
                    à l’origine du processus d’individuation.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Formação experiencial</kwd>
                <kwd>Histórias de vida</kwd>
                <kwd>Pessoas adultas aposentadas</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Experiential learning</kwd>
                <kwd>Life histories</kwd>
                <kwd>Retired adults</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="fr">
                <title>Mots-clés:</title>
                <kwd>Formation expérientielle</kwd>
                <kwd>Histoires de vie</kwd>
                <kwd>Personnes retraitées</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Nas últimas décadas, o alargamento da expectativa de vida, decorrente da progressiva
                melhoria de condições e dos avanços da Ciência, contribuiu para o aumento do número
                de pessoas adultas de idade avançada. Os dados empíricos, que suportam a análise
                apresentada neste artigo, foram obtidos em uma investigação biográfica, realizada
                por meio de entrevistas com seis indivíduos, de idade superior a 60 anos, residentes
                no Brasil. Neste artigo, o objetivo é analisar os processos de formação experiencial
                de pessoas adultas aposentadas com base em suas histórias de vida, como recorte de
                uma investigação mais ampla. Desde meados do século XX, os indivíduos vêm se
                deparando com mudanças significativas nos domínios econômico, social e cultural,
                aspectos que têm influenciado as vivências e os processos formativos. Nesse contexto
                de mudanças rápidas e alta imprevisibilidade, a “[...] pressão para tomar decisões
                sempre novas, para mudar continuamente de orientação, é interiorizada de maneira
                mais ou menos clara pelos próprios indivíduos” (<xref ref-type="bibr" rid="B2"
                    >Alheit; Dausien, 2006, p. 184</xref>), nas várias fases - infância, juventude,
                adultez e velhice.</p>
            <p>A formação experiencial é um processo amplo, diversificado e complexo, que ocorre em
                todos os tempos e espaços de vida, e resulta da reflexão, (re)elaboração e
                apropriação da experiência de vida. Nesse sentido, “[...] acompanha o processo de
                humanização, de socialização e de individuação, sendo complementar à transmissão de
                saberes construídos ao nível sócio-histórico” (<xref ref-type="bibr" rid="B7"
                    >Cavaco; Presse, 2022, p. 215</xref>). A humanização diz respeito a conviver em
                harmonia com o ambiente, os outros e si próprio. A socialização incide nas trocas
                sociais; na capacidade de viver juntos; na relação com os outros, por meio da
                apropriação e transformação de elementos culturais.</p>
            <p>A individuação é interdependente da humanização e socialização, mas consiste na
                singularidade que cada sujeito assume em face dos demais, do ponto de vista das suas
                experiências, saberes, capacidade de agir, identidade e existencialidade. A
                individuação decorre de um conjunto diversificado e complexo de fatores –
                individuais, ambientais, sociais e culturais. A formação experiencial é permeada por
                dinâmicas de humanização, socialização e individuação, nas quais os sujeitos
                procuram o equilíbrio entre heteronomia e autonomia. A construção da narrativa
                biográfica é uma oportunidade “[...] para ter acesso à compreensão diacrônica de
                processos emancipatórios, e mais especificamente à evolução – sempre singular – de
                relações entre autonomia e dependência” (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
                    >Alhadeff-Jones, 2019, p. 69</xref>).</p>
            <p>A investigação biográfica afigurou-se essencial para compreender o processo de
                formação experiencial de pessoas adultas aposentadas, a partir das histórias de
                vida, porquanto permitiu a (re)elaboração da experiência, com base na diversidade de
                contextos sociais, culturais, econômicos e políticos, através da “[...] dimensão
                temporal da experiência e da existência” (<xref ref-type="bibr" rid="B11"
                    >Delory-Momberger; Melin, 2018, p. 2</xref>).</p>
            <p>O artigo está organizado em quatro partes. Na primeira, apresentam-se os elementos
                teóricos sobre a experiência e as histórias de vida; na segunda, trata-se da
                formação experiencial; na terceira, explicita-se a metodologia; e, na quarta, estão
                expressos os dados empíricos sobre a história de vida e a formação experiencial das
                pessoas adultas aposentadas entrevistadas.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Experiência e histórias de vida</title>
            <p>Definir o significado de experiência é uma tarefa difícil, devido, essencialmente, a
                dois tipos de fatores. Primeiro, porque a experiência é concomitante com a vida e
                (re)construída em todos os tempos e espaços. Por ser intrínseca e familiar aos
                sujeitos, é uma dimensão naturalizada e, com frequência, pouco refletida, do ponto
                de vista consciente. Segundo, porque a experiência é diversificada, complexa, difusa
                e singular, pois resulta do modo como os sujeitos se apropriam e (re)configuram as
                vivências quotidianas.</p>
            <p>A experiência advém da biografização de “[...] situações e acontecimentos da nossa
                existência, quando os organizamos e lhe atribuímos sentido” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B12">Delory-Momberger, 2019, p. 81</xref>). Nessa perspectiva, a
                experiência é tudo o que se constitui ao longo do tempo, de formas individual e
                coletiva, na relação que a pessoa estabelece consigo própria, com os outros e o
                ambiente, quando é confrontada com a necessidade de agir e resolver situações e
                problemas, usando o corpo e a inteligência, o imaginário e a sensibilidade (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B15">Jobert, 1991</xref>). Além disso, inclui as situações
                e os projetos desejados e não concretizados, mas que influenciam a biografia,
                incorporando “[...] mesmo os não-fatos, as não-ações, as não comunicações” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B6">Cavaco, 2009, p. 222</xref>). Embora afetada pelo
                social, é uma dimensão singular, determinante no processo de individuação. A
                apropriação e (re)elaboração da experiência de vida são dimensões específicas de
                cada sujeito, e assumem configurações muito variáveis, o que torna a pessoa
                diferente e única em relação às demais. As experiências influenciam e,
                simultaneamente, são influenciadas, pelas dimensões identitária e existencial.</p>
            <p>A transformação das vivências em experiências implica a reflexão, por parte dos
                sujeitos, de que o processo, embora seja natural, é complexo, porquanto depende de
                um conjunto de fatores, como a disponibilidade, a motivação, a atribuição de
                sentido, a relação estabelecida com a experiência anterior e com os projetos
                futuros. A reflexão sobre as vivências, além de desencadear a (re)elaboração de
                experiências, possibilita a (re)formulação de sentidos e interligações para os
                acontecimentos, tornando as situações (im)previsíveis e desordenadas em iniciativas
                coerentes e articuladas. Nesse processo, os sujeitos (re)constroem, em permanência,
                a sua história de vida, através de narrativas nas quais emerge um enredo articulado,
                com sentidos espacial e temporal. As narrativas biográficas, elaboradas por meio de
                processos de biografização, são “[...] sincronizadores pessoais das diferentes
                temporalidades que nos compõem e decompõem” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Pineau,
                    2019, p. 232</xref>).</p>
            <p>As histórias de vida resultam de narrativa (re)construída pelos sujeitos, na
                tentativa de dar forma, atribuir sentido e apropriar-se das vivências,
                transformando-as em experiências constituintes do modo de agir, estar, pensar e
                viver. Nesse processo, os sujeitos (re)configuram-se e apoderam-se de si e da
                própria vida, pela narrativa e a representação da experiência, compreendendo o poder
                de dizer, narrar, agir e formar-se. Os sujeitos tornam-se quem são por meio de
                figurações com as quais representam a existência (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
                    >Delory-Momberger, 2008</xref>). As narrativas que os sujeitos elaboram para si
                próprio e socializam com os outros são uma oportunidade de “[...] autoformação
                existencial, enfrentando os desafios sócio-pessoais, éticos e políticos para
                empreender a aprender, de modo a fazer e a refazer” (<xref ref-type="bibr" rid="B20"
                    >Pineau, 2019, p. 232</xref>) a sua existência.</p>
            <p>A importância dos momentos-charneira nos domínios familiar, escolar, profissional e
                social; a influência de pessoas significativas e dos contextos; e a progressiva
                autonomização dos sujeitos em face da família são dimensões transversais às
                histórias de vida e ao processo de formação experiencial. As narrativas biográficas
                explicitadas e socializadas dão conta de dinâmicas complexas de heteronomia e
                autonomia na (transformação dos sujeitos. A narrativa biográfica, quando “[...] é
                descrita e interpretada, permite dar acesso a certas dinâmicas através das quais o
                sujeito individual ou coletivo desenvolve a autonomia ao longo da existência” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B1">Alhadeff-Jones, 2019, p. 71</xref>).</p>
            <p>As narrativas elaboradas pelos sujeitos, para dar forma e coerência à história de
                vida, revelam “[...] sentidos múltiplos de existencialidade singular-plural,
                criativa e inventiva do pensar, do agir e do viver junto” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Josso, 2007, p. 413</xref>). Nessa multiplicidade, a existencialidade
                humana é permeada por processos emancipatórios de “[...] conquista progressiva e
                sempre em vir-a-ser de uma autonomia de ação, de uma autonomia de pensamento, de uma
                autonomia em nossas escolhas” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Josso, 2007, p.
                    436</xref>), e modos de vida.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Formação experiencial</title>
            <p>A formação é um processo amplo e difuso que acontece, em todos os tempos e espaços de
                vida, na relação que os sujeitos estabelecem com os outros, o ambiente e com eles
                próprios. Assumida essa perspectiva, a formação é interdependente da experiência de
                vida, porquanto é condição necessária “[...] para aprender algo” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B5">Canário, 2006, p. 4</xref>). As vivências apresentam
                potencial formativo; contudo, a concretização da (trans)formação dos sujeitos
                ocorre, ou não, em função de um conjunto de fatores.</p>
            <p>O processo formativo dá-se no período imediato à vivência e à sua (re)elaboração em
                experiência, ou ocorre mais tarde, diferido no tempo. A passagem da vivência para a
                experiência implica reflexão, atribuição de sentido e apropriação, por parte dos
                sujeitos, ou seja, “[...] perlaboração da experiência” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B2">Alheit; Dausien, 2006, p. 179</xref>). A perlaboração da experiência é
                a habilidade, ou o potencial, para interpretar, rever e reajustar situações
                decorrentes das experiências vivenciadas.</p>
            <p>A (re)interpretação, atribuição de sentido e apropriação da experiência, decorrem da
                biografização realizada pelos sujeitos e originam a autoformação. A formação
                experiencial implica a biografização, ou seja, um trabalho psicocognitivo realizado
                pelos sujeitos, de (re)interpretação e socialização da experiência de vida, no qual
                se produz “[...] como ser social singular” (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
                    >Delory-Momberger, 2019, p. 47</xref>). A biografização pode ser desencadeada
                pelos sujeitos, no cotidiano, na relação com eles próprios, ou com os outros, nos
                momentos de balanço e reflexão sobre as vivências.</p>
            <p>Na formação experiencial, há uma relação de interdependência entre o individual e o
                social. Tal processo requer um trabalho realizado pela pessoa quando da reflexão e
                atribuição de sentido à experiência. Contudo, os recursos que mobiliza resultam de
                dimensões adquiridas no contato com os outros e da influência sociocultural. Além
                disso, as experiências individuais são marcadas, permanentemente, pela presença e
                influência do outro e do ambiente circundante.</p>
            <p>A formação experiencial é influenciada pelos outros (heteroformação), pelo ambiente
                (ecoformação) e pela forma como cada pessoa se apropria da experiência de vida
                (autoformação). Através dela, a pessoa constitui-se, em paralelo, como ator e
                produtor de si mesmo e da sua formação. Essa dupla ação “[...] desdobra o indivíduo
                num sujeito e num objeto de um tipo muito particular, que podemos denominar de
                auto-referencial” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Pineau, 2014, p. 95</xref>). A
                formação experiencial origina “[...] transformações silenciosas” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B18">Jullien, 2009, p. 21</xref>), porquanto são contínuas
                e afetam todas as dimensões do ser humano, tornando-se difícil captá-las na sua
                continuidade e globalidade. As histórias de vida e a formação experiencial são, com
                frequência, estruturadas com base nos momentos-charneira, em que ocorrem mudanças
                significativas.</p>
            <p>Os sujeitos são confrontados com o desconhecido, a necessidade de decidir; resolver
                impasses e problemas; gerir sentimentos, medos, angústias; (re)definir projetos e
                estratégias; e mobilizar recursos. Nos momentos significativos, confrontam-se
                consigo próprios, com as suas possibilidades e limitações, a necessidade de refletir
                e agir, o que conduz a (trans)formações. Nesses períodos, é mais fácil aceder à sua
                atividade “[... ] não só em situação de aprendizagem, mas também da sua atividade de
                integração das aprendizagens no seio de conjuntos comportamentais, orientados por um
                projeto de sujeito ativo” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Josso, 2014, p.
                75</xref>). O ritmo acelerado da sociedade contemporânea, em geral, acarreta
                momentos de mudança, turbulência, e bastantes desafios, os quais interferem no curso
                da vida e no processo de formação.</p>
            <p>Na idade adulta, a formação é influenciada por “[...] uma pluralidade de suportes
                educativos, culturais e afetivos, assim como de espaços diversificados de
                socialização” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Dominicé, 2008, p. 23</xref>).
                Através da formação experiencial, “[...] o sujeito é o produtor de si, e a
                experiência é o principal recurso que tem ao seu dispor para evoluir no sentido da
                autonomia, da participação social e da emancipação” (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
                    >Cavaco, 2009, p. 221</xref>).</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Metodologia</title>
            <p>A análise apresentada neste artigo é fundamentada em dados empíricos provenientes de
                uma investigação biográfica de seis pessoas adultas aposentadas, com idades entre 61
                e 80 anos. O objetivo foi analisar os processos de formação experiencial de pessoas
                adultas aposentadas com base em suas histórias de vida, como recorte de uma
                investigação mais ampla.</p>
            <p>O estudo da formação experiencial exige a compreensão da história de vida do sujeito,
                a (re)elaboração e a socialização da experiência e dos adquiridos experienciais, o
                que justifica o recurso à investigação biográfica. Essa abordagem permite o estudo
                da formação experiencial através das histórias de vida, pois desencadeia e atualiza
                processos de biografização.</p>
            <p>Os sujeitos participantes explicitam e socializam experiências, temporalidades,
                processos, aprendizagens, saberes, tensões e transições. Por meio da investigação
                biográfica, foi possível aceder à história de vida, às pessoas, aos momentos e
                contextos significativos na formação dos sujeitos. A investigação incidiu na
                realização de entrevistas biográficas com seis pessoas adultas aposentadas,
                residentes na Região Nordeste do Brasil.</p>
            <p>Os critérios para a seleção dos entrevistados foram os seguintes: pessoas adultas
                aposentadas, da rede de contatos da investigadora, do sexo masculino e do sexo
                feminino, com qualificações acadêmicas e experiências profissionais diversificadas,
                além da disponibilidade para colaborar na pesquisa. O guião elaborado para a
                entrevista biográfica foi composto por quatro blocos temáticos: trajetórias de vida
                familiar, social, escolar e profissional; momentos significativos, pessoas e
                contextos; percepções sobre o envelhecimento e a velhice; formação experiencial.</p>
            <p>Neste artigo, o recorte incidiu, essencialmente, na influência da escola,
                nomeadamente, dos professores, da família e do contexto político, na experiência e
                história de vida dos participantes. As entrevistas biográficas permitiram o acesso à
                diversidade, riqueza, complexidade e singularidade da história de vida e formação
                experiencial de cada sujeito, por meio de “[...] entradas que os sujeitos lhe dão
                mediante os atos de biografização a que se entregam” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B10">Delory-Momberger, 2012, p. 525</xref>). No tratamento dos dados
                empíricos, optou-se pela análise temática de conteúdo (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B4">Bardin, 2020</xref>).</p>
            <p>Ao longo das várias fases, procurou-se assegurar os princípios éticos da informação,
                transparência, do respeito, reconhecimento e da empatia (Sociedade Portuguesa de
                Ciências da Educação (<xref ref-type="bibr" rid="B21">SPCE, 2020</xref>); All
                European Academies (<xref ref-type="bibr" rid="B3">ALLEA, 2018</xref>). Nos contatos
                iniciais, os participantes da pesquisa tomaram conhecimento dos objetivos,
                procedimentos e princípios éticos da investigação, assim como da justificativa do
                contato. Na ocasião, obteve-se o consentimento informado dos entrevistados e
                sublinhou-se o caráter voluntário da participação.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Apresentação e discussão de dados</title>
            <p>Os dados empíricos provenientes das entrevistas biográficas permitiram analisar a
                formação experiencial das pessoas adultas aposentadas entrevistadas, a partir das
                suas histórias de vida. Narrativas biográficas viabilizam a compreensão das suas
                interpretações sobre as experiências nos diversos domínios – familiar, acadêmico,
                profissional e social – e nas múltiplas temporalidades (infância, juventude, adultez
                e velhice). Apesar da singularidade das histórias de vida, há pontos de similaridade
                nas experiências vivenciadas. Nos relatos do domínio acadêmico, as pessoas
                entrevistadas percepcionam os professores como educadores, preocupados e
                interessados nos processos formativos dos alunos.</p>
            <p>Além disso, transparece a importância que as famílias de origem atribuem à escola
                como estratégia de mobilidade social, por meio do acesso a uma qualificação e a um
                trabalho condizente. O investimento na escola, por meio do prolongamento dos
                estudos, é influenciado pelas famílias, na tentativa de um duplo retorno –
                desenvolvimento pessoal e acesso ao trabalho qualificado –, com consequências
                positivas nas condições econômicas e na qualidade de vida. Nas narrativas
                biográficas, a escola e os professores são considerados determinantes nas
                oportunidades e nos projetos dos sujeitos:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Guardo esse lugar e meus professores num lugar muito especial do meu
                        coração. [...] lá abriram as portas para mim, daquilo que eu queria ser no
                        futuro</italic> (Franscisca).</p>
                <p><italic>Era uma formação que foi um segundo lar. Era formador de personalidades:
                        ser direito, ser respeitador, ser correto. Todos, nos anos 70, eram
                        professores que educavam perfeitamente, tanto nas matérias deles como
                        moralmente. [...] O ginásio foi muito importante, perfeito, professores
                        dedicados e o interesse da minha parte</italic> (João).</p>
            </disp-quote>
            <p>A história de vida, o conhecimento adquirido e a formação dos sujeitos são
                influenciados, de formas contínua e transversal, pelas famílias. As decisões
                familiares, experiências e a educação proporcionadas no ambiente familiar, durante a
                infância e juventude, assumem papel de relevo no percurso dos sujeitos. A influência
                dos múltiplos domínios – familiar, escolar, profissional e espiritual – é
                mencionada. Apesar da singularidade de cada história de vida, há traços comuns,
                nesse domínio, como se percebe nas narrativas:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Fui a única pessoa da minha casa a estudar em colégio particular, [...]
                        meu pai achava que eu merecia. [...] lá só estava gente com muito dinheiro.
                        [...] que vinham do interior estudar interno e só falavam em dinheiro. Eu
                        não tinha dinheiro. [...] Eu trazia da minha infância, da minha casa,
                        leituras e poesias de poetisas, as mais importantes. [... ] Meu pai me fazia
                        ler e decorar, achava que eu tinha uma memóriaprodigiosa. [.] sou muito
                        grata a tudo, toda minha vida escolar e à minha família. E também a Deus
                        [que] me deu oportunidade de ser uma pessoa autêntica. [...] cheia de
                        defeitos, de virtudes e com uma liberdade incrível</italic> (Francisca).</p>
                <p><italic>Nas coisas mais simples. Eu tenho a capacidade de imprimir uma página por
                        causa de uma vírgula. Você tem de ser bom naquilo que faz [...] ele foi um
                        exemplo. Painho era Auxiliar de Pedreiro, depois foi Pedreiro [...] foi
                        Mestre de Obras. E estudou engenharia por correspondência. [...] Uma das
                        coisas que eu trago é o respeito [...] a liberdade de cada um. Como a gente
                        aprendeu em casa, minha liberdade termina onde a do outro começa [...] isso
                        é o que eu levo [...]para os grupos que eu participo. São comportamentos
                        trazidos do familiar, que eu aplico no social. [...] A gente lembra muito da
                        educação deles e traz para a vida, em todo canto. Tanto na profissional como
                        na vida doméstica</italic> (Joana).</p>
                <p><italic>Eu fui educado [.] pela minha mãe e tinha uma supervisão do meu pai [.].
                        Ele falava muito e marcou muito isso. [...] Sou muito disciplinado. [...]
                        esse valor que eu dou ao núcleo familiar, pai, mãe, filhos, irmãos. [...] As
                        influências que eu tive foram também de cunho político. [...] tinha posição
                        política. [...] afrontava meu pai porque eu era</italic> hippie (Pedro).</p>
            </disp-quote>
            <p>Nos excertos das entrevistas, denota-se a importância da estrutura e das famílias na
                definição de estratégias e comportamentos individuais que atravessam as várias
                temporalidades, influenciando decisivamente as experiências dos sujeitos – o modo
                como exercem o seu ofício de aluno; as áreas de formação que escolhem; os seus
                valores; as possibilidades de inserção profissional e as condições de vida. A
                relação com o saber e a escola é mencionada, nas narrativas, e percebe-se a
                influência das família, dos professores e dos próprios sujeitos, determinando, em
                grande medida, o ofício de aluno, mas também o reconhecimento e a identidade dos
                sujeitos:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Eu era um aluno [...] quase um símbolo da escola. [...] participava de
                        tudo, de jogos, programas na televisão representando o colégio [...] jogos
                        estudantis. Participava de todas as tarefas</italic> (João). <italic>Ali eu
                        comecei e amei estudar. [...] aprender era [...] deslumbrante. Eu misturava
                        aquilo ali com um conto de fadas [...] uma coisa mágica. Tudo era muito
                        surpreendente [...] indo para a escola [...] estava indo para esse mundo
                        inimaginável [...] Eu era eternamente deslumbrada, feliz. Fazia [...]
                        tarefas com muita alegria [...]felicidade. [...]Eu adorava ir para a escola
                        [...] sempre tirava notas boas e meus pais [... ] vibravam</italic>
                    (Francisca).</p>
            </disp-quote>
            <p>Nas biografias, os sujeitos apontam, essencialmente, momentos significativos
                caraterizados por dificuldades, os quais faziam surgir a necessidade de operar
                mudanças e tomar decisões, o que deu origem a transições biográficas. Essas
                transições resultaram de acontecimentos e constrangimentos muito diversos – sociais,
                políticos, profissionais e familiares. A figuração elaborada para narrá-las não
                contempla a experiência vivida em sua plenitude (<xref ref-type="bibr" rid="B8"
                    >Chené, 2014</xref>), mas aquilo que os sujeitos consideram mais significativo
                para socializar nas narrativas biográficas, no decurso das entrevistas.</p>
            <p>A formação acadêmica, os projetos profissionais e o trabalho ocupam grande
                centralidade na sociedade contemporânea, porquanto determinam as condições de vida e
                a identidade dos sujeitos. Contudo, esses projetos e essas experiências
                profissionais, por vezes, são afetados pela imprevisibilidade da vida e pelos
                contratempos, e têm de ser revistos e alterados, para que os sujeitos encontrem o
                seu equilíbrio e bemestar, o que é notório nas narrativas dos entrevistados:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Imaginava fazer Arquitetura no nível superior. Surgiu a oportunidade de
                        fazer Desenho Industrial [...] um curso novo, pioneiro. Na época, não era
                        nem reconhecido. [...] muitos colegas [...], perderam um ano e melhoraram a
                        nota de cálculo para entrar em Arquitetura. Eu não quis. Optei por ficar em
                        Desenho Industrial. [...] me dei muito bem [...] levei vantagem em relação a
                        quem tinha feito o científico. Eu fiz Desenho de Móveis e Arquitetura na
                        escola técnica e lá aprendia desenho</italic> (Joana).</p>
                <p><italic>Para ingressar na carreira de delegado nas polícias, onde já trabalhava,
                        passei para delegado no Estado do Maranhão, mas não gostei nada das
                        condições. A distância era grande, dos familiares. Muito distante de tudo.
                        Fiz para Polícia Federal e fui reprovado em informática. Fiz para Pernambuco
                        e fui reprovado em informática. Me irritei, me abusei, fui trabalhar e
                        abandonei para fazer o concurso de delegado</italic> (João).</p>
                <p><italic>Na Petrobras, demitiram todos os funcionários da Decon/Digec. Foi um dos
                        diretores do Ministério das Minas e Energias. [...] nem sequer se preocupou
                        em ajudar a gente. [...] foi em 1973. Era a época da Ditadura. A gente não
                        podia abrir a boca</italic> (Margarida).</p>
                <p><italic>Eu tinha um foco [...] jogar, lutar pelo Náutico [...] eu fazia tudo para
                        jogar pelo Náutico. [...] mas a gente vai evoluindo. Chegou um ponto que eu
                        estava vendo [...] muito difícil um atleta viver muito tempo. Os treinadores
                        começaram a puxar demais e eu disse [...] dessa maneira [...] não! [...]
                        Estou andando no limite. [...] comecei a divergir com a parte técnica [...]
                        comecei a não fazer [.] o que eles exigiam e isso teve um preço. Eu fui
                        colocado em segundo plano [...]. Mas, em nenhuma altura me arrependia [...]
                        eu estava zelando pela minha saúde. Pela minha longevidade</italic>
                    (Pedro).</p>
            </disp-quote>
            <p>Nas narrativas de Joana, Margarida, João e Pedro, é evidente a importância que
                atribuem a projetos, ou experiências, assumidos numa fase inicial da adultez ou na
                transição da juventude para a vida adulta e que ficaram suspensos. As vivências
                interrompidas ou inviabilizadas são assumidas como experiências marcantes para os
                sujeitos, merecendo um lugar de destaque nas narrativas que moldam a história de
                vida de cada um.</p>
            <p>Os sujeitos expressam a sua margem de autonomia para (re)orientar os projetos, ainda
                que esses sejam condicionados por fatores sociais e políticos. A narrativa
                biográfica de Pedro é atravessada por uma mudança de planos que implicou a saída do
                Brasil e a interrupção dos estudos acadêmicos:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Na Escola Técnica [o que] aconteceu de relevância foi um certo percurso
                        político. [...] fui tirar a carteira de motorista, não quiseram tirar,
                        disseram que eu era cabeludo. Tive problemas, inclusive saí em jornais. [...
                        ] não consegui concluir o curso da Escola Técnica. Eu tive de sair do
                        Brasil. Em 74(,) fui para Portugal. Antes disso, fiz vestibular e consegui
                        entrar para Física. Não consegui cursar, saíligeiramente apressado. [... ]
                        Foi quando tive de sair para Portugal. [...] não consegui fazer o curso da
                        Escola Técnica. Não consegui cursar a Federal, Física. Foi um ponto muito
                        importante porque modificou a trajetória previsível que eu tinha</italic>
                    (Pedro).</p>
            </disp-quote>
            <p>As trajetórias são influenciadas por múltiplos fatores e, nesse caso, o contexto
                político foi eterminante. As contrariedades e dificuldades são, por vezes,
                entendidas e aproveitadas como portunidades, promovendo transições biográficas que
                contribuem para novas vivências, experiências e trans)formação do sujeito:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Tive de sair [do país] e isso alterou completamente minha trajetória de
                        vida. [Viajei para] Portugal, outro país, outra maneira de ver as coisas
                        [...] adquiri outros conhecimentos, outra maneira de encarar a vida [...],
                        até brinco com a situação e digo: [...] Eu adoro a Ditadura [...] graças à
                        Ditadura [...] consegui ir para Portugal e ser um vencedor, hoje [...] a
                        Ditadura [...] abriu esse caminho para mim</italic> (Pedro).</p>
            </disp-quote>
            <p>Em Portugal, Pedro iniciou a sua vida profissional e tentou dar continuidade à
                formação acadêmica o ensino superior, mas surgiram novos desafios, que teve de
                ultrapassar:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Consegui me matricular no Instituto Superior Técnico em Engenharia
                        Eletrotécnica [...] trabalhando na Rede Ferroviária, em Portugal. [...] Não
                        cheguei a concluir. Tive um esgotamento [...] trabalhava de noite. A carga
                        horária nos Caminhos de Ferro era quase 45 horas semanais [...] a facilidade
                        que me deram foi trabalhar à noite e estudar de dia. [...] tive de ir para o
                        Brasil. [...] me recuperar junto à família e amigos [...]. Passei nove meses
                        [...] depois regressei a Portugal</italic> (Pedro).</p>
            </disp-quote>
            <p>As experiências apresentam sempre um potencial formativo, para os sujeitos. Pedro
                reconhece que, mbora não tenha concluído os cursos de ensino superior que frequentou
                no Brasil e em Portugal, as prendizagens obtidas por meio dessas experiências foram
                muito importantes, dos pontos de vista rofissional e pessoal, em sua trajetória de
                vida:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Apesar de não ter concluído Engenharia Eletrotécnica, ficou a experiência
                        adquirida com eletrotécnica, estudei muita matemática [...] visão do mundo
                        [...]. Na física, também estudei muita matemática e isso fez com que eu me
                        tornasse uma pessoa muito versátil, tanto profissionalmente como em termos
                        de vida. [...] faço milhões de coisas. [...] sou capaz de construir uma
                        casa, conserto carro, tudo isso. E isso me ajudou bastante [...] apanhei um
                        conhecimento e soube aproveitar e adaptar a minha profissão. Eu era Operador
                        de Subestação de Centrais Elétricas e depois fui encarregado. Quando eu me
                        aposentei, mais da metade da rede elétrica ferroviária portuguesa era
                        coordenada por mim</italic> (Pedro, grifo nosso).</p>
            </disp-quote>
            <p>A influência das famílias nas trajetórias de vida, nomeadamente na orientação do
                percurso cadêmico e nas escolhas vocacionais, é um traço comum a vários
                entrevistados. As histórias de vida dos sujeitos participantes da pesquisa dão conta
                de processos que oscilam entre a heteronomia e a autonomia. A heteronomia é
                predominante na infância e a autonomia começa a ganhar relevo na juventude,
                reforçando-se na adultez.</p>
            <p>Com a autonomização, os sujeitos decidem o que consideram mais adequado para si e,
                por vezes, contrariam as expectativas daqueles que são mais próximos e importantes.
                Os entrevistados destacam momentos e situações experienciadas na juventude e na
                adultez resultantes de decisões pessoais, tomadas com o apoio da família e, outras
                vezes, à sua revelia:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Foi o maior desgosto que eu dei para o meu pai e minha mãe. [...] quem
                        pagou meu vestibular foram eles, disseram: Está aí o dinheiro para você
                        fazer Direito ou Jornalismo. [...] me inscrevi em Pedagogia, quase que têm
                        uma coisa lá</italic> (Francisca).</p>
                <p><italic>A partir dos quinze anos, surgiram esses choques. [...] já no Ensino
                        Médio e comecei a perceber. O sonho do meu pai era que eu fosse para a
                        carreira militar</italic> (Pedro).</p>
                <p><italic>Não esqueço nunca, ele tirou o dinheiro do bolso. [...] e me deu o
                        [dinheiro] da matrícula e disse: Olhe, minha filha, você acabou com o único
                        sonho que seu pai tinha para você, ver você estudando aqui nesse colégio.
                        Como botou tudo a perder, tome aqui o dinheiro e vá estudar onde quiser. A
                        gente faz questão de não decepcioná-los</italic> (Joana).</p>
                <p><italic>Minha família era católica e evangélica, eu fui me tornar espírita. E não
                        era aceita, tive muita dificuldade, mas nunca desisti porque sempre achei
                        certo o que sentia, do que eu era chamada a trabalhar com a espiritualidade.
                        Isso aí colocou para mim [...] como uma pessoa muito decidida [...]. Embora
                        eu tivesse que enfrentar conflitos na minha casa, sentia que o que eu estava
                        fazendo era bom. Hoje, tenho essa consciência que, embora com muita
                        dificuldade, mas eu buscava fazer aquilo que eu me sentia bem [...] Mesmo
                        que todos estivessem contra. [...] foi importante para mim eu saber que
                        tenho essa determinação em fazer as coisas mesmo com dificuldade</italic>
                    (Clara).</p>
            </disp-quote>
            <p>Na adultez tardia, os sujeitos mantêm o seu processo de autonomização, procurando
                novas experiências, em continuidade ou ruptura com o já acontecido na sua vida:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Minha professora levantou-se, aplaudiu [...] e disse: Você foi além [...]
                        Você pode mais do que eu imaginei! [...] eu era a aluna mais velha da turma,
                        vim fazer esse curso de pós-graduação, meus filhos já [eram] adultos. Eles
                        que me ajudavam a digitar. Eu tinha mais de 50 anos</italic> (Francisca).
                        <italic>Era vista como uma pessoa diferente, porque sempre busquei coisas
                        diferentes. Minha família sempre me chamou estranha, por isso eu sempre
                        busquei dentro de mim. [...] uma necessidade de conhecer algumas vertentes
                        religiosas. Fiz pesquisas com o candomblé, conheci a umbanda e passei os
                        últimos dez anos dentro do espiritismo. Todo esse processo foi uma
                        preparação para eu chegar no xamanismo</italic> (Clara).</p>
            </disp-quote>
            <p>Os momentos significativos constituintes da história de vida dos sujeitos influenciam
                de forma determinante o seu processo de formação. Os desafios, as contrariedades e
                os problemas vividos apresentam elevado potencial educativo, como se percebe nas
                narrativas dos entrevistados. Os momentos-charneira destacados ocorreram,
                essencialmente, em situações acadêmicas e profissionais, mas também no domínio
                espiritual.</p>
            <p>Os momentos identificados nas narrativas biográficas são associados a processos de
                formação experiencial, porquanto os sujeitos foram implicados no confronto e na
                resolução de problemas. Isso exigiu um processo de reflexão e decisão, ancorado nas
                suas experiências anteriores, naquilo que vivenciavam no presente e na forma como se
                projetava no futuro:</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Tinha uma capacidade enorme [...] competência, uma inteligência, uma
                        memória incrível. [...] comecei a usar isso a meu favor. Eles falavam de
                        dinheiro e eu de inteligência</italic> (Francisca).</p>
                <p><italic>Outro país, outra maneira de ver as coisas. [...] adquiri outros
                        conhecimentos, outra maneira de encarar a vida, [...] as coisas que eu não
                        teria tido se não tivesse acontecido de ir</italic> (Pedro).</p>
                <p><italic>No xamanismo, eu me senti muito acolhida. [...] a gente passa por vários
                        processos. [...] aqui eu posso dizer que me desconstruípara poder me
                        construir. [...]passei por mortes. Mortes espirituais [...] porque cheguei
                        com muitos conceitos e para me autoconhecer e entender tudo que estava
                        acontecendo comigo, tive de deixar vários conceitos. Passei por vários
                        tratamentos, de traumas de infância, de culpa, de medo. Com base em ritos
                        xamânicos [...]. Eu me sinto bem diferente</italic> (Clara).</p>
            </disp-quote>
            <p>As experiências que a memória (re)elabora, tais como relatam os sujeitos da
                investigação, remontam a várias fases da vida e constituem-se por meio de um
                processo global e contínuo, revelando o seu potencial de (trans)formação (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">Dominicé, 2014</xref>). As narrativas biográficas dos
                entrevistados permitem compreender a diversidade, singularidade, continuidade e
                complexidade das experiências de vida e do seu impacto na formação dos sujeitos,
                nomeadamente nos planos identitário e existencial.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>As histórias de vida (re)construídas e explicitadas na investigação, pelas pessoas
                adultas aposentadas, revelam a diversidade e singularidade das experiências de cada
                sujeito. Os momentos significativos, que definem as suas narrativas biográficas,
                deram lugar a processos de (trans)formação em diversos domínios, fluindo do familiar
                ao escolar, do profissional ao social, evidenciando as ligações entre as várias
                esferas da vida (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Dominicé, 2014</xref>).</p>
            <p>Esses momentos resultaram de vivências programadas e desejadas, mas também de
                situações imprevisíveis. Os dados empíricos revelam que os sujeitos (re)constroem,
                atribuem sentido e coerência a experiências decorrentes de desafios e da
                imprevisibilidade, nas quais são confrontados com a necessidade de mudanças
                rápidas.</p>
            <p>Nas entrevistas biográficas, os sujeitos participantes (re)elaboraram a sua história
                de vida e organizaram a narrativa de acordo com enredos que constituem a trama
                principal da individuação, ou seja, a forma singular e única de ser e sentir-se
                sujeito. Francisca destacou a inteligência e a curiosidade, o que justifica a
                relação muito forte com a escola e com o saber. Procurou sempre ser uma aluna
                exemplar e, em termos profissionais, viria a ser professora, contra a vontade do
                pai, atividade que ainda mantém, apesar de estar aposentada. A escola marcou as
                trajetórias pessoal, profissional e familiar, segundo relatou.</p>
            <p>Pedro mencionou a insubordinação ao pai e à sociedade, sua ação política, a migração,
                a diversidade de saberes e competências, e o sucesso profissional. Joana referiu a
                insubmissão à escola e aos professores, a escolha de um curso em uma área
                profissional essencialmente masculina, na época; o sucesso profissional e as
                dificuldades sentidas devido à discriminação contra as mulheres no mercado de
                trabalho.</p>
            <p>João estabeleceu como fio condutor da sua narrativa a importância do reconhecimento
                obtido nos espaços constitutivos de sua trajetória de vida, destacando o empenho, a
                qualidade, dedicação, liderança, o diálogo, a empatia e o bem-estar.</p>
            <p>Margarida realçou, como caraterística da sua trajetória, a capacidade de se refazer
                com tranquilidade, alegria e perseverança, nas múltiplas fases da vida. Clara focou
                o enredo da sua história de vida no fato de se sentir diferente, no seio da família,
                assim como no processo de (re)conhecimento de si através da espiritualidade. Os
                enredos são figurações que marcam as histórias de vida, a identidade e existência
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Delory-Momberger, 2008</xref>).</p>
            <p>Os momentos significativos destacados nas narrativas dão forma e sentido à história
                de vida. Neles, os sujeitos revelam a atividade de confronto próprio e com os que os
                rodeiam, registrando “[...] uma dupla lógica [...] da individualidade que procura
                exprimir-se e da coletividade que exige em nome de normas e impõe” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Josso, 2014, p. 67</xref>) condutas e modos de
                ser.</p>
            <p>Nesses momentos, ocorrem transições biográficas e os sujeitos deparam-se com a
                interdependência entre individualidade e coletividade, ou seja, entre o ser singular
                social, e a sua existencialidade singular-plural (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
                    >Delory-Momberger, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Josso,
                    2007</xref>). A reflexão sobre os momentos significativos dos sujeitos implica a
                “[...] perlaboração da experiência” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alheit; Dausien,
                    2006, p. 179</xref>) e manifesta, simultaneamente, um ser individual, com
                autonomia e singularidade, e um ser social determinado pelas influências
                sócio-históricas do seu tempo e dos seus contextos de vida.</p>
            <p>A história de vida e a formação experiencial são caraterizadas pela interdependência
                entre a heteronomia e a autonomia. Ao longo da vida, os sujeitos tomam consciência
                do seu poder de agir e buscam autonomizar-se relativamente às imposições que surgem
                nos diversos contextos. Procuram o predomínio da autonomia, para conduzir o enredo
                da narrativa biográfica, com opções advindas de reflexões e análises (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">Dominicé, 2014</xref>). Nessa autonomização, os
                sujeitos deparam-se com a dualidade de “[...] ser ou tornar-se para ser reconhecido
                e aquilo que acredita querer ser ou tornar-se para ser autenticamente ele próprio”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Josso, 2014, p. 67</xref>).</p>
            <p>As narrativas dão conta da influência dos pais e da autonomização de cada sujeito,
                nesse domínio. Os momentos de ruptura e a autonomização relativamente aos pais foram
                importantes e fazem parte da formação, porquanto interferiram na forma como cada
                sujeito se construiu e no que se transformou (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
                    >Dominicé, 2014</xref>). Aquilo em que os sujeitos se transformaram resultou de
                um processo diacrônico de emancipação-dependência (<xref ref-type="bibr" rid="B1"
                    >Alhadeff-Jones, 2019</xref>), que atravessou as várias fases da vida e se
                mantém em evolução na adultez tardia.</p>
            <p>A formação experiencial das pessoas adultas aposentadas participantes da investigação
                confunde-se com as suas experiências. O percurso de vida foi concomitante com “[...]
                transformações silenciosas” (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Jullien, 2009, p.
                    21</xref>), porquanto ocorreram mudanças em continuidade e na globalidade do
                sujeito. A continuidade é notória, em momentos significativos que atravessam as
                várias fases da vida – infância, adolescência, adultez e velhice. A globalidade é
                observada em mudanças que afetam as várias dimensões – cognitivas, motoras,
                emocionais, sociais, identitárias e existenciais.</p>
            <p>Além disso, o que cada indivíduo reportou sobre a sua formação revelou a influência
                de padrões socioculturais constantes na multiplicidade de contextos – familiar,
                escolar, profissional e social. A atribuição de valor dada a cada experiência, que
                se afigura singular e complexa, amplia o entendimento do processo de formação,
                percebendo-se a sua concomitância com a vida. A formação experiencial das pessoas
                adultas aposentadas resultou da influência recíproca de fatores socioculturais que
                marcaram os seus contextos de vida e das dimensões subjetivas de cada sujeito.</p>
        </sec>
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