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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">2175-795X</issn>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e94540</article-id>
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                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>Provimento da Educação de Jovens e Adultos sob o olhar de
                    coordenadores municipais em Minas Gerais</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Providing Youth and Adult Education from the perspective of
                        municipal coordinators in Minas Gerais</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="es">
                    <trans-title>La educación de jóvenes y adultos desde la perspectiva de los
                        coordinadores municipales en Minas Gerais</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-8790-0882</contrib-id>
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                        <surname>Silva</surname>
                        <given-names>Fernanda Aparecida Oliveira Rodrigues</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Soares</surname>
                        <given-names>Leôncio</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Leal</surname>
                        <given-names>Anna Carolina de Paiva</given-names>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Ouro Preto,
                    UFOP</institution>
                <addr-line>
                    <city>Minas Gerais</city>
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                <country country="BR">Brasil</country>
                <email>fernandasilva@ufop.edu.br</email>
                <institution content-type="original">Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP, Minas
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                    UFMG</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Minas Gerais,
                    UFMG</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
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                <season>Apr-Jun</season>
                <year>2024</year>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>No âmbito da legislação brasileira, a escolarização das pessoas jovens e adultas
                    sem a educação básica é um direito incorporado no sistema público de ensino que
                    requer acompanhamento e avaliação das condições em que se opera o respeito ao
                    pleno atendimento deste dever constitucional. Os esforços empreendidos pelo
                    poder local efetivam o direito educacional dessa população? A questão norteou um
                    estudo amplo com 29 municípios mineiros inicialmente, dos quais o aprofundamento
                    ocorreu com 10 municípios, tendo como preocupação central verificar o provimento
                    da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em um momento em que turmas e escolas são
                    fechadas em todo o País. Serão apresentadas, neste artigo, as etapas
                    quanti-qualitativas que retrataram a contagem de escolas e de matrículas do
                    Ensino Fundamental EJA e a validação dos dados pelos gestores municipais. O
                    mapeamento apontou acentuada tendência negativa das matrículas em conformidade
                    com a realidade nacional. Buscou-se compreender essa realidade educacional pelo
                    olhar dos coordenadores municipais da EJA. A análise compreensiva aponta que, na
                    EJA dos municípios, convergem tensões multilaterais que se associam à
                    descontinuidade do executivo e às condições políticas da oferta municipal e seus
                    desdobramentos. As singularidades apresentadas são quanto à elaboração de
                    materiais didáticos próprios e ao horário de aula diurno. Ressalta-se a
                    importância do monitoramento da oferta de EJA na agenda municipal visto ser uma
                    arena em que disputam vontade política e capacidade administrativa.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>In the Brazilian legislation, the schooling of young people and adults without
                    basic education is a right incorporated into the public education system that
                    requires monitoring and evaluation of the conditions under which the full
                    compliance with this constitutional duty is carried out. Do the efforts
                    undertaken by the local government make the educational right of this population
                    effective? The question initially guided a broad study with 29 municipalities in
                    Minas Gerais, being 10 of them thoroughly studied, with the main concern to
                    verify the provision of Youth and Adult Education (YAE) at a time when classes
                    and schools are being closed all over the country. We will hereby deal with the
                    quantitative-qualitative stages that portrayed the counting of schools and of
                    EJA enrollments, and the validation of the data by municipal managers. The
                    mapping showed a marked negative trend in enrollments, in line with the national
                    reality. We tried to understand this educational reality through the eyes of the
                    municipal coordinators of YAE. The comprehensive analysis points out that in YAE
                    of the municipalities there is a convergence of multilateral tensions associated
                    with the discontinuity of the executive branch and the political conditions of
                    the municipal offer and its developments. The singularities presented are the
                    elaboration of their own didactic materials and the daytime class schedule. The
                    importance of monitoring the supply of YAE in the municipal agenda is emphasized
                    since it is an arena where political will and administrative capacity
                    compete.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="fr">
                <title>Resumé</title>
                <p>En el ámbito de la legislación brasileña, la escolarización de jóvenes y adultos
                    sin educación básica es un derecho incorporado al sistema público de educación
                    que requiere seguimiento y evaluación de las condiciones del pleno cumplimiento
                    de este deber constitucional. ¿Los esfuerzos emprendidos por el poder local
                    garantizan el derecho educativo de esta población? Este interrogante guio un
                    estudio amplio que contó, inicialmente, con 29 municipios de Minas Gerais, cuyo
                    análisis en profundidad ocurrió con 10 municipios, siendo la preocupación
                    central verificar la provisión de la Educación de Jóvenes y Adultos (EJA) en un
                    momento en que clases y escuelas son cerradas en todo Brasil. Este artículo
                    presenta las etapas cuanti-cualitativas que retrataron el conteo de escuelas y
                    matrículas de la Escuela Primaria EJA y la validación de los datos por parte de
                    gestores municipales. El mapeo señaló una acentuada tendencia negativa de las
                    matrículas acorde con la realidad nacional. Se buscó comprender esa realidad
                    educativa a través de la mirada de los coordinadores municipales de la EJA. El
                    análisis integral indica que en la EJA de los municipios convergen tensiones
                    multilaterales asociadas a la discontinuidad del Poder Ejecutivo y a las
                    condiciones políticas de la oferta municipal y sus desdoblamientos. Las
                    singularidades presentadas están relacionadas con la elaboración de materiales
                    didácticos propios y con el horario de clase diurno. Se destaca la importancia
                    de monitorear la oferta de EJA en la agenda municipal, dado que es un ámbito en
                    el que compiten la voluntad política y la capacidad administrativa.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Educação de Jovens e Adultos</kwd>
                <kwd>Coordenação da EJA</kwd>
                <kwd>Oferta Municipal</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Youth and Adult Education</kwd>
                <kwd>YAE Coordination</kwd>
                <kwd>Municipal offer</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="es">
                <title>Palabras clave:</title>
                <kwd>Escuela Secundaria</kwd>
                <kwd>Reforma Curricular</kwd>
                <kwd>Política Educativa</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Passadas mais de duas décadas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no sistema
                público de ensino brasileiro (LDB nº 9.394 de 1996), este artigo apresenta
                resultados de um estudo empírico<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> que verificou
                o atendimento da EJA em escolas públicas municipais de duas microrregiões mineiras –
                Metropolitana de Belo Horizonte e a dos Inconfidentes. A escolarização da população
                que não teve acesso à educação básica é um direito inalienável protegido pelo
                sistema legislativo brasileiro e deve ser cumprido nas redes públicas de ensino na
                modalidade Educação de Jovens e Adultos. Portanto, a oferta em condições necessárias
                ao provimento desse dever constitucional deve ser acompanhada de avaliações, pois,
                trata-se do respeito ao pleno atendimento a 47% da população com 25 anos ou mais
                (Pnad Contínua, 2022). A responsabilidade pública pela oferta da EJA se amplia
                quando adultos e idosos pouco letrados cuidam da escolarização dos netos (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B18">Coutrim <italic>et al.,</italic> 2018</xref>). A
                literatura informa a correlação entre origem social, trajetória educacional e nível
                sociocultural da família (<xref ref-type="bibr" rid="B19">D’Ávila, 1998</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B32">Nogueira; Romanelli; Zago, 2011</xref>).
                Partindo dessa proposição, há que se pensar sobre os efeitos da escolarização de
                jovens, adultos e idosos na trajetória escolar de crianças e adolescentes, seus
                descendentes, sobretudo quando estão sob sua responsabilidade. A manutenção da EJA
                torna-se ainda mais indiscutível.</p>
            <p>Estudos apontam que a Educação de Jovens e Adultos se define por um conjunto muito
                diverso de processos, práticas formais e informais relacionado à aquisição ou
                ampliação de conhecimentos básicos, de competências técnicas, profissionais e
                habilidades socioculturais (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Haddad; Di Pierro,
                    2000</xref>), que se constitui como espaço de lutas, de direitos e de
                responsabilidade pública (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Beisiegel, 1974</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B33">Paiva, 2003</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B2">Arroyo, 2015</xref>).</p>
            <p>Os esforços empreendidos pelo poder local efetivam o direito educacional dos
                demandantes para a EJA? Para responder à questão, trabalhou-se com 29 municípios e,
                na segunda etapa, destacou-se 10 municípios da região central mineira para
                aprofundamento dos estudos quanti-qualitativos, com base nos critérios de
                atendimento contínuo a jovens, adultos e idosos e na presença de um servidor
                responsável pela coordenação da EJA na Secretaria Municipal de Educação
                (Coordenação, Núcleo, Gestão ou Secretaria específica de EJA). A etapa quantitativa
                da contagem de escolas e de matrículas do Ensino Fundamental EJA<xref ref-type="fn"
                    rid="fn2">2</xref> nos municípios selecionados retratam acentuada tendência
                negativa nas duas variáveis em conformidade com a realidade nacional. Buscou-se
                compreender essa realidade educacional segundo o olhar dos gestores municipais da
                EJA, por entender que eles podem expressar o cumprimento da responsabilidade
                municipal para com a modalidade. Partindo daí, foram realizadas cinco reuniões com
                os coordenadores municipais da EJA<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, sendo
                essas gravadas e analisadas. A primeira apresentou a pesquisa e os dados
                quantitativos dando margem ao surgimento de vários temas, entre os quais se destacou
                o das juventudes, que se tornou assunto central da segunda reunião<xref
                    ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>. Na terceira e na quarta reuniões, os gestores
                da EJA trouxeram os temas da formação inicial e continuada, os jovens e os desafios
                com outras temporalidades etárias, novamente, e os materiais didáticos. Na quinta
                reunião, a temática que ganhou destaque foi o impacto da mudança no poder executivo
                na EJA. Muitos salientaram que as mudanças nas prefeituras influenciavam a
                descontinuidade das políticas, a desobrigação do atendimento, a redução das equipes
                e a nucleação.</p>
            <p>A interpretação compreensiva dos temas abordados nas reuniões aponta que os
                coordenadores municipais coincidem quanto ao fato de que a EJA tem suas
                especificidades e que os municípios seguem com a oferta mono temporal tendendo à
                redução de turmas, ou seja, somente no horário noturno e concentrada em algumas
                escolas. Com isso, o quadro de atendimento reflete a redução das matrículas. Redução
                essa entendida como multifatorial, pois emerge associada aos temas: fechamento de
                turmas, falta de busca ativa dos estudantes, ausência da chamada pública, condições
                políticas da oferta como a infraestrutura da escola, horário de atendimento,
                currículos e materiais didáticos, tempo de duração de aula, pouca atenção dada à
                formação continuada dos educadores, questão de segurança pública nas cidades e
                situação socioeconômica dos sujeitos.</p>
            <p>Ainda que os coordenadores municipais coincidam quanto às condições de atendimento,
                há que destacar que cada municipalidade responde de forma heterogênea tanto à
                pressão quanto à resistência para garantir o direito à escolarização, à inovação na
                área e à manutenção das formas históricas de se oferecer a EJA. Com isso,
                ressalta-se a importância da continuidade de acompanhamento da oferta de EJA na
                agenda municipal, sobretudo após mudanças no executivo.</p>
            <sec>
                <title>Provimento da EJA pelo poder local nas microrregiões</title>
                <p>A sociedade comemorou a inclusão da educação para todos no texto da Constituição
                    Federal de 1988, mas ressentiu o retrocesso ao direito na redação final da Lei
                    de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9.394, de 1996, que suprimiu os esforços
                    defendidos pelo projeto de Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional da
                    Câmara, de autoria de Octávio Elísio e Jorge Hage. A LDB deixou de imprimir, na
                    normativa, a ideia de escolaridade e de processos próprios para jovens e adultos
                    ao vetar o financiamento, e uma “atitude ativa por parte do poder público na
                    convocação e na criação de condições para que o aluno possa frequentar a escola”
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Haddad, 2007, p. 9</xref>).</p>
                <p>Os governos municipais se viram desestimulados a atender jovens e adultos por
                    diversas razões, como o julgamento de que “a EJA vai acabar” e pelo
                    desconhecimento acerca da modalidade sem o devido financiamento, que só aportou
                    com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização
                    dos Profissionais da Educação (Fundeb), em 2007, dez anos depois da Lei de
                    Diretrizes e Bases. Na mesma época, um estudo coordenado por <xref
                        ref-type="bibr" rid="B28">Haddad (2007)</xref> centrou-se nas políticas
                    públicas de regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis,
                    Rio de Janeiro, São Paulo, João Pessoa e Goiânia) buscando sinais concretos de
                    tendências qualitativas desenvolvidas para a EJA. A análise de Haddad concluiu
                    que havia sinais de algumas formas de fazer a EJA, ou “tentativas de inventar
                    alternativas corajosas” nas palavras de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arroyo
                        (2006a, p. 46)</xref>. Ao mesmo tempo que se desenvolvem alternativas
                    corajosas, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Haddad e Graciano (2006)</xref>
                    alertam sobre os desafios que são exigir o cumprimento da educação como um dever
                    e monitorá-la como direito.</p>
                <p>Nesse sentido, considerando-se que a população brasileira, estimada em 2022, era
                    de 203,1 milhões de pessoas, que 47% da população com 25 anos ou mais não
                    completou a educação básica (Pnad Contínua, 2022) e que o número de matrículas
                    gira em torno de 2,6 milhões<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>, interessa
                    aqui averiguar como se revela a realidade de atendimento da EJA em Minas Gerais,
                    alargando o trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B40">Soares e Venâncio
                        (2007)</xref> que abordou uma escola da capital mineira, integrante do
                    estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B28">Haddad (2007)</xref>. As cidades da
                    região metropolitana de Belo Horizonte (Belo Horizonte, Betim, Contagem, Lagoa
                    Santa e Nova Lima) são mais populosas que as da região leste (Acaiaca, Diogo de
                    Vasconcelos, Itabirito, Mariana e Ouro Preto) e, em comum, estão ligadas ao
                    comércio e à prestação de serviços, à atividade minerária e ao turismo (<xref
                        ref-type="fig" rid="F1">Figura 1</xref>).</p>
                <p><fig id="F1">
                        <label>Figura 1:</label>
                        <caption>
                            <title>Microrregiões de Belo Horizonte e dos Inconfidentes - Minas
                                Gerais</title>
                        </caption>
                        <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-02-e94540-gf01.tif"/>
                    </fig></p>
                <p>O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto da área estudada se encontra
                    em Nova Lima (0,749) e o menor, em Diogo de Vasconcelos (0,601), portanto,
                    valores considerados alto e médio, respectivamente (IBGE, 2010). Uma vez que os
                    índices são favoráveis ao desenvolvimento humano, interessa aqui direcionar a
                    atenção para o direito educacional e, especialmente, ao atendimento na Educação
                    de Jovens e Adultos, analisando o número de escolas que ofertam EJA versus o
                    número de matrículas que a recebem. Com base no exposto a seguir, verifica-se a
                    tendência do movimento de oferta e demanda pela escolarização (<xref
                        ref-type="table" rid="T1">Quadro 1</xref>).</p>
                <table-wrap id="T1">
                    <label>Quadro 1:</label>
                    <caption>
                        <title>Atendimento Municipal da Educação de Jovens e Adultos
                            (2015-2018)</title>
                    </caption>
                    <table frame="box" rules="all">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="right" valign="top" rowspan="2">Município</th>
                                <th align="right" valign="middle" colspan="2">2015</th>
                                <th align="right" valign="middle" colspan="2">2016</th>
                                <th align="right" valign="middle" colspan="2">2017</th>
                                <th align="right" valign="middle" colspan="2">2018</th>
                            </tr>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle">Escola</th>
                                <th align="left" valign="middle">Matrícula</th>
                                <th align="left" valign="middle">Escola</th>
                                <th align="left" valign="middle">Matrícula</th>
                                <th align="left" valign="middle">Escola</th>
                                <th align="left" valign="middle">Matrícula</th>
                                <th align="left" valign="middle">Escola</th>
                                <th align="left" valign="middle">Matrícula</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Acaiaca</td>
                                <td align="right" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">31</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                                <td align="left" valign="middle">17</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">30</td>
                                <td align="left" valign="middle">01</td>
                                <td align="left" valign="middle">15</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Belo Horizonte</td>
                                <td align="right" valign="middle">128</td>
                                <td align="left" valign="middle">17.433</td>
                                <td align="left" valign="middle">124</td>
                                <td align="left" valign="middle">15.841</td>
                                <td align="left" valign="middle">119</td>
                                <td align="left" valign="middle">14.071</td>
                                <td align="left" valign="middle">107</td>
                                <td align="left" valign="middle">13.770</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Betim</td>
                                <td align="right" valign="middle">16</td>
                                <td align="left" valign="middle">3.193</td>
                                <td align="left" valign="middle">16</td>
                                <td align="left" valign="middle">3.144</td>
                                <td align="left" valign="middle">16</td>
                                <td align="left" valign="middle">3.049</td>
                                <td align="left" valign="middle">16</td>
                                <td align="left" valign="middle">2.971</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Contagem</td>
                                <td align="right" valign="middle">22</td>
                                <td align="left" valign="middle">3.157</td>
                                <td align="left" valign="middle">23</td>
                                <td align="left" valign="middle">3.089</td>
                                <td align="left" valign="middle">23</td>
                                <td align="left" valign="middle">3.046</td>
                                <td align="left" valign="middle">21</td>
                                <td align="left" valign="middle">3.344</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Diogo de Vasconcelos</td>
                                <td align="right" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">40</td>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">47</td>
                                <td align="left" valign="middle">04</td>
                                <td align="left" valign="middle">53</td>
                                <td align="left" valign="middle">04</td>
                                <td align="left" valign="middle">32</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Itabirito</td>
                                <td align="right" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">205</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">248</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">241</td>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">317</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Lagoa Santa</td>
                                <td align="right" valign="middle">05</td>
                                <td align="left" valign="middle">338</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">386</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">412</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">375</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Mariana</td>
                                <td align="right" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">694</td>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">644</td>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">568</td>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">614</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Nova Lima</td>
                                <td align="right" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">413</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">381</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">351</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">237</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="right" valign="middle">Ouro Preto</td>
                                <td align="right" valign="middle">04</td>
                                <td align="left" valign="middle">225</td>
                                <td align="left" valign="middle">03</td>
                                <td align="left" valign="middle">225</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">278</td>
                                <td align="left" valign="middle">02</td>
                                <td align="left" valign="middle">207</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN1">
                            <p>Fonte: QEdu, 2018.</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Os dados acima mostram que os municípios tendem a operar com um movimento mais
                    descendente do que ascendente, tanto nas matrículas quanto na manutenção de
                    escolas que atendem a EJA, confirmando os estudos de <xref ref-type="bibr"
                        rid="B42">Ventura (2017)</xref> para o Rio de Janeiro, e de <xref
                        ref-type="bibr" rid="B15">Catelli Jr; Di Pierro; Girotto (2019)</xref> em
                    São Paulo. A razão negativa oscila nas duas variáveis, número de escolas e
                    matrículas, e se repete na maioria dos municípios da região estudada. Em recente
                    estudo, <xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva e Soares (2021)</xref> apontam que
                    há diferença entre a demanda e a oferta nos mesmos municípios, o que leva os
                    autores a afirmarem que o poder local está longe de garantir a cobertura dos
                    potenciais demandantes. Com frequência, a redução das matrículas tem sido
                    interpretada como sinônimo de diminuição da demanda, no entanto, não é o caso.
                    Pode-se dizer que a demanda potencial é uma demanda latente e diz respeito aos
                    milhares de jovens, adultos e idosos sem a escolarização básica. Por outro lado,
                    quando se lê a demanda relacionada ao reprimido número de matrículas, pode-se
                    interpretá-la, erroneamente, como o não interesse pelos estudos, quando é, de
                    fato, mais uma narrativa de desresponsabilização dos governos.</p>
                <p>O fechamento das escolas pela lógica do número mínimo de matrículas amparada pela
                    Resolução nº 01/2021, de 25 de maio de 2021<xref ref-type="fn" rid="fn6"
                        >6</xref>, tem levado ao processo denominado nucleação<xref ref-type="fn"
                        rid="fn7">7</xref>. A nucleação, como estratégia que permite aos gestores
                    agruparem sua oferta de EJA em apenas algumas escolas, fechando aquelas que
                    apresentam menor número de alunos frequentes, é contrariada pelos dados da
                    pesquisa que explicitam a necessidade de se ampliar os espaços de atendimento. A
                    análise que a coordenação de Lagoa Santa fez é de que o deslocamento do
                    estudante “não foi positivo, pois o município cresceu muito e onde a escola está
                    localizada não favorece ao público da EJA a frequentar” (Coordenação de EJA,
                    2016). O município estava com cinco escolas e condensou para duas, oscilando, de
                    positivo a negativo, os números de matrícula, o que gera certa instabilidade na
                    oferta, criando o “temor do professor de ficar sem aluno nesse segmento,
                    levando-o a agarrar o aluno na sala para não ficar sem emprego”, segundo a
                    coordenadora de Lagoa Santa.</p>
                <p>Afinal, tal lógica economicista quando aplicada à Educação de Jovens e Adultos,
                    além de comprometer a cobertura da população demandante da EJA, força os
                    estudantes a se deslocarem de seus espaços, ficando à mercê do transporte, o que
                    implica a reorganização da própria autonomia de frequentar a escola.</p>
                <p>Um estudo anterior já constatou que “a justificativa mais frequente dos gestores
                    para nuclear o atendimento em poucas unidades de ensino é a reduzida demanda por
                    vagas” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Catelli Jr <italic>et al.,</italic>
                        2019, p. 479</xref>). A nucleação passa a ser um desestímulo àqueles e
                    àquelas que desejam escolher onde iniciar ou finalizar os estudos. Outro fator a
                    ser considerado é como, historicamente, a EJA parece estar sempre em xeque:</p>
                <disp-quote>
                    <p>Certamente devido ao perfil majoritário do seu público, trabalhadores de
                        baixa renda, setores em situação de exclusão e vulnerabilidade social,
                        parece estar sempre em xeque, com baixo reconhecimento, acusada de ser uma
                        modalidade educativa com pouca produtividade e concorrente da educação de
                        crianças e adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Catelli Jr
                                <italic>et al.,</italic> 2014, p. 5</xref>).</p>
                </disp-quote>
                <p>Outra questão que se coloca diz respeito ao fato de que os municípios, em sua
                    maioria, não constituem sistemas próprios de educação, o que os deixa
                    dependentes da normativa estadual, à exceção de Belo Horizonte e Contagem. Isso
                    significa que há pouca margem de autonomia do coordenador para administrar
                    iniciativas mais condizentes com sua realidade, por exemplo, manter turmas de
                    EJA com números inferiores ao determinado pela normativa estadual ou ampliar o
                    atendimento em diferentes pontos da cidade. São questões que influenciam
                    diretamente a permanência dos estudantes jovens adultos. Significa dizer que uma
                    oferta de EJA que tem como foco a diversidade de seus estudantes no centro do
                    processo, tende a proporcionar, a eles, condições mais favoráveis de
                    estudos.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Queda da oferta e das matrículas sob o olhar do coordenador de EJA</title>
                <disp-quote>
                    <p>“É muito bom trocar ideia, é bom perceber que o problema da gente é o mesmo”
                        (Coordenação São José da Lapa).</p>
                </disp-quote>
                <p>Entende-se aqui que as respostas— envolvendo queda de matrículas enquanto há
                    demanda represada por escolarização — são multifatoriais e podem ser melhor
                    compreendidas pela ótica do coordenador municipal de EJA. Para tanto, foram
                    realizadas cinco reuniões com coordenadores municipais<xref ref-type="fn"
                        rid="fn8">8</xref>. Um debate aberto entre eles mostrou-se viável e
                    acessível a todos tendo em vista que a posição de cada um, naquele momento, não
                    estabelecia uma hierarquia entre as falas, mas sim, uma troca de pontos de vista
                    e experiências que permitissem aprofundar alguns tópicos, comentários e ideias.
                    Tal postura, de pensar junto, ancora-se na teoria da ação dialógica de <xref
                        ref-type="bibr" rid="B23">Freire (2005)</xref> ao se propor pensar o objeto.
                    O objeto foi compartilhado no encontro “para a pronúncia do mundo” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B23">Freire, 2005, p. 192</xref>), de modo que os dados
                    se tornassem ferramentas a serem utilizadas na problematização da realidade.</p>
                <p>Desse modo, as reuniões foram moderadas com base em questões estruturadas,
                    intencionando evidenciar aspectos que se destacaram nos dados quantitativos, nas
                    observações e entrevistas: a) O coordenador acompanha o provimento da EJA,
                    relacionando demanda potencial <italic>versus</italic> oferta real?; b) Nos
                    cálculos operados pelo município, à medida em que os estudantes realizam
                    trajetórias de estudos intermitentes (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Coura,
                        2007</xref>), representadas por entradas e interrupções dos estudos, as
                    escolas precisam ser fechadas?; c) Como se caracteriza a oferta municipal?; d)
                    Quais os desafios encontrados ao coordenar a EJA?. As respostas mesclam-se e,
                    não raras as vezes, têm interfaces entre elas que, somente, foram divididas para
                    efeito do estudo. Levam-se em conta as singularidades e as convergências que as
                    falas dos coordenadores conjugam.</p>
                <sec>
                    <title>a) O coordenador acompanha o provimento da EJA, relacionando demanda
                        potencial versus oferta real?</title>
                    <p>Logo na primeira reunião, foram apresentados os dados quantitativos
                        relacionando número de escolas e matrículas em um panorama geral de
                        população com 15 anos ou mais sem escolarização, ou seja, o movimento de
                        oferta de EJA aferido para cada município. É possível afirmar que os
                        coordenadores ficaram impactados, mostraram desconhecimento e surpresa
                        acerca dos indicadores, além do fato de constatarem a difícil, senão
                        impossível na visão deles, progressão para cobrir a demanda potencial de
                        estudantes para a EJA. Durante as reuniões, buscou-se desenvolver reflexões
                        com os coordenadores sobre as possíveis causas da interrupção dos estudos ou
                        da não atratividade da escolarização aos jovens e adultos. “Fim do ano,
                        baixa as matrículas e, no início, volta”, é o pressuposto da coordenação de
                        EJA de Contagem.</p>
                    <p>É consenso de que a EJA é afetada pela evasão, infrequência e repetência dos
                        estudantes, e por vários outros fatores. Compreender os condicionantes da
                        oferta real demanda o reconhecimento das especificidades dos estudantes. O
                        público idoso, por exemplo, demonstra dificuldades de adaptação ao período
                        mais frio do ano e não consegue ser assíduo. Já as mulheres sofrem ainda com
                        a imposição da família quando há o desejo de que elas não continuem
                        frequentando as aulas. Quando a escola é distante da moradia ou do trabalho,
                        o horário das aulas nem sempre dialoga com essas realidades. A adaptação dos
                        estudantes ao modelo da escola e a forma que rege o sistema educacional
                        acabam sendo obstáculos para a escolarização. Nesse sentido, a redução de
                        turmas e escolas implica deslocamentos maiores e a frequência na EJA entra
                        em xeque novamente.</p>
                    <p>Em termos gerais, a coordenação municipal conhece o movimento das matrículas
                        e coincide quanto ao agravamento da redução das turmas de EJA, porém, não
                        trabalha com os dados constantemente atualizados e nem faz projeções e
                        simulações sobre as consequências da redução das escolas e das matrículas à
                        demanda potencial. Isso porque, os cálculos, geralmente, giram em torno da
                        economia escolar, fator determinante para a manutenção das escolas que será
                        tratado junto às políticas públicas.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>b) Nos cálculos operados pelo município, à medida em que os estudantes
                        realizam trajetórias de estudos intermitentes (<xref ref-type="bibr"
                            rid="B17">Coura, 2007</xref>), representadas por entradas e interrupções
                        dos estudos, as escolas precisam ser fechadas?</title>
                    <p>Claro está que as políticas públicas educacionais se direcionam à
                        escolarização de crianças e adolescentes, por várias razões, haja vista que
                        a menor ponderação do custo aluno, que consta no Fundeb, é da EJA<xref
                            ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>. Até que ponto a prioridade dada à
                        escolarização das crianças e dos adolescentes em detrimento da EJA
                        desestimula os municípios a investir em sua oferta? (<xref ref-type="bibr"
                            rid="B21">Di Pierro, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28"
                            >Haddad, 2007</xref>). Parte das respostas indicativas do fechamento de
                        salas para jovens e adultos está no financiamento. Sem a cobertura total dos
                        gastos, de fato, compromete-se o investimento na modalidade, a manutenção do
                        aparato educativo equitativo aos estudantes jovens e adultos e inibe
                        qualquer iniciativa inovadora. Soma-se ao reduzido financiamento, o fato de
                        que a coordenação da EJA tem conhecimento incipiente da área e da disputa
                        por espaço nas secretarias municipais, principalmente, em momentos de
                        mudança do executivo como se percebe nos depoimentos a seguir:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>No momento atual, a EJA não é o foco – os gestores não conhecem a EJA,
                            não participaram de fóruns, não conhecem a realidade da EJA. Eles estão
                            querendo mesmo que a EJA acabe – a falta de reconhecimento vem de cima,
                            da Secretaria. Aí o trabalho fica mais difícil. O Secretário Municipal
                            não poderia ser incluído nesta pesquisa em algum momento? Porque ele
                            desconhece e não tem nenhum interesse, então parece que é uma luta
                            pessoal nossa (Coordenador – Ribeirão das Neves, 2016).</p>
                        <p>Será que em nome dos Fóruns, da Universidade, não é possível enviar uma
                            carta aos secretários, defendendo os direitos da EJA? Ou fazendo um
                            convite para participação nas reuniões? Para termos mais legitimidade na
                            luta pelo direito à EJA (Coordenador – Contagem, 2016).</p>
                        <p>É a primeira vez que participamos, somos quatro coordenadoras de EJA.
                            Assumimos nesse ano e ainda estamos em processo de conhecer como é esse
                            primo que ninguém quer enxergar (Coordenador – Santa Luzia, 2016).</p>
                        <p>Havia curso com gestores de EJA, mas, nesse semestre, não houve recursos
                            para continuar, então não foi ofertado (Coordenador – Betim, 2016).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Há evidente solidão na gestão: “a coordenação da EJA está sozinha”
                        (Coordenador – Contagem). A equipe unitária assemelha-se ao fato de que, nas
                        reuniões realizadas com os gestores, ficou evidente o discurso de que a EJA
                        pode acabar. Essa afirmativa não é nova. Ela reflete um panorama nacional e,
                        no momento de desconstrução de políticas e de retiradas de direitos, é
                        perigosa. Alguns coordenadores disseram que o argumento usado nas
                        prefeituras é de que as matrículas de EJA diminuem, enquanto as da Educação
                        Infantil estão crescendo em consequência da obrigatoriedade do cumprimento
                        da lei que prevê atendimento a crianças a partir de 4 anos de idade. São
                        raras as secretarias municipais que realizam a chamada pública para a EJA,
                        fator decisivo para a efetivação do direito à escolarização de jovens,
                        adultos e idosos. Quando se cruzam matrículas, abertura de turmas e
                        manutenção da oferta, percebem-se os meandros da oferta municipal.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>c) Como se caracteriza a oferta municipal?</title>
                    <p>A configuração da oferta municipal pode ser compreendida por algumas
                        características: uma trata do horário de atendimento e a outra envolve os
                        outros vários aspectos da proposta municipal. A atenção será dada aqui ao
                        horário de atendimento. Nos casos estudados, pode-se afirmar que, em relação
                        ao horário, as municipalidades adotam a oferta monotemporal. Significa dizer
                        que reservam somente o horário noturno aos estudantes da EJA, o que, por si
                        só, opera como uma restrição severa ao direito à escolarização. É frequente
                        a associação da EJA como uma modalidade destinada ao noturno<xref
                            ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>. No entanto, há grupos sociais que
                        seriam beneficiados com a oferta da EJA diurna, como os idosos, seja pela
                        segurança, seja pela presença de um familiar para auxiliar no deslocamento,
                        seja porque a noite é um tempo dedicado ao recolhimento e descanso. Pode-se
                        dizer o mesmo para as pessoas com deficiência. Outro público a ser atendido
                        é o de responsáveis por crianças e adolescentes, pois, ao levá-los para a
                        escola, poderiam usufruir o tempo e o direito para retomar os estudos. A EJA
                        tem que funcionar só de noite ou seria esse um ‘tabu’ que se instalou na
                        EJA? Há que se fazer a tentativa de diversificar o horário de atendimento a
                        jovens e adultos. Sobre isso, a Coordenação de Ibirité diz que:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>Até o ano passado, havia quatro escolas municipais com EJA. Fecharam duas
                            no fim do ano passado por causa da evasão – tiveram uma experiência de
                            funcionamento da EJA no período da tarde que foi um caos total! Duzentos
                            alunos matriculados, mas sete frequentes. Não sabemos explicar o porquê
                            disso, então fechamos e temos duas escolas com 320 alunos, ao todo, em 4
                            turmas. A escola ficava reservada só para a EJA no diurno (Coordenador –
                            Ibirité, 2016).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Além disso, é corrente, em algumas administrações públicas, o entendimento de
                        que o direito dos estudantes da EJA equivale ao direito dos demais
                        estudantes e, por isso, precisam da mesma carga horária. Em alguns dos
                        locais pesquisados, as aulas começavam às 18h e terminavam às 22h30. Esse
                        ponto necessita ser problematizado visto que os estudantes da EJA apresentam
                        perfis e condições diferenciadas dos demais estudantes, sobretudo pela
                        possibilidade de estarem engajados no trabalho.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>d) Quais os desafios encontrados ao coordenar a EJA?</title>
                    <sec>
                        <title>Desafio 1: Formação docente</title>
                        <p>A literatura do campo reconhece que, para ser educador de jovens e
                            adultos, é preciso ter uma formação específica (<xref ref-type="bibr"
                                rid="B35">Ribeiro, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4"
                                >Arroyo, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Soares,
                                2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B43">Vóvio, 2010</xref>,
                                <xref ref-type="bibr" rid="B29">Laffin, 2018</xref>) e que se formar
                            educador de jovens e adultos é, ao mesmo tempo, desenvolver atividades
                            pedagógicas e dedicar tempo a estudos e reflexões permanentes sobre a
                            prática (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Tardif, 2002</xref>). Desse
                            modo, a teoria (reflexão) e a prática (ação) se alimentam mutuamente:
                            “caso contrário corremos o risco do ativismo, cuja prática esvazia-se e
                            não avança, ou do teoricismo, cuja reflexão perde sentido em divagações
                            abstratas” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Giovanetti, 2006, p.
                                243</xref>).</p>
                        <p>A falta de formação específica reforça distorções e contradições à
                            conquista do direito à escolarização, resultando em educadores alheios
                            às características da modalidade. Sobre isso, <xref ref-type="bibr"
                                rid="B29">Laffin (2018)</xref> diz que:</p>
                        <disp-quote>
                            <p>Tal noção de direito é conferido, nesse caso, em duas dimensões: o
                                direito à educação por parte de jovens, adultos e idosos, com a
                                garantia de haver profissionais habilitados e condições adequadas,
                                tanto na estrutura física, como de materiais didáticos que atendam
                                às suas particularidades; e, como também o é aos
                                acadêmicos/professores formados em Cursos de Pedagogia e nas demais
                                licenciaturas, de terem também a formação para a docência na
                                Educação de Jovens e Adultos, atuação assegurada pelo título
                                outorgado na conclusão de seu curso: professores dos Anos Iniciais
                                do Ensino Fundamental e Licenciados nas diferentes áreas de ensino
                                    (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Laffin, 2018, p.
                                58</xref>).</p>
                        </disp-quote>
                        <p>A ausência de critérios na seleção de educadores/as em muitos municípios
                            foi outra constatação da pesquisa. Identificamos educadores que veem na
                            EJA uma oportunidade de ‘complementação salarial’ ou, até mesmo, pelo
                            preenchimento da carga horária de trabalho, como sinaliza um dos
                            gestores: “o professor que atua na EJA é aquele que sobrou, que está
                            completando carga horária” (Reunião, 18 jun. 2015). Em alguns
                            municípios, há atenção aos critérios de ingresso, cuja seleção procura
                            tomar, como base, a preparação inicial do educador ou o tempo de
                            experiência na área. Em <xref ref-type="bibr" rid="B4">Arroyo (2006, p.
                                17)</xref>, encontra-se que:</p>
                        <disp-quote>
                            <p>Uma das características da EJA foi, durante muito tempo, construir-se
                                um pouco às margens, ou ‘à outra margem do rio’. Consequentemente,
                                não vínhamos tendo políticas oficiais públicas de educação de jovens
                                e adultos. Não vínhamos tendo centros de educação, de formação do
                                educador da EJA. Costumo dizer que a formação do educador e da
                                educadora de jovens e adultos sempre foi um pouco pelas bordas, nas
                                fronteiras onde estava acontecendo a EJA. Recentemente passa a ser
                                reconhecida como uma habilitação ou como uma modalidade, como
                                acontece em algumas faculdades de Educação (<xref ref-type="bibr"
                                    rid="B4">Arroyo, 2006, p. 17</xref>).</p>
                        </disp-quote>
                        <p>Verificou-se também, evidentemente, que não somente o campo acadêmico da
                            EJA reconhece a necessidade de uma preparação específica para atuar com
                            jovens e adultos, como também professores, coordenadores, gestores e
                            alunos destacam que esse é um ponto importante para o desenvolvimento de
                            um trabalho pertinente com o público da EJA. A questão então é: por que
                            motivo as políticas públicas não têm escutado essas vozes? Em relação à
                            necessidade de formação inicial/acadêmica<xref ref-type="fn" rid="fn11"
                                >11</xref> foram encontrados os seguintes indicadores: a) Cada vez
                            mais, gestores e educadores reconhecem a diversidade dos sujeitos da
                            EJA. Com isso, os sujeitos como princípio pedagógico se tornam elemento
                            chave da formação; b) Se os sujeitos são diversos, faz sentido pensar o
                            material didático próprio. A questão tem sido debatida nos municípios e,
                            mesmo com a adequação das atividades, reconhece-se a importância de
                            formar o educador para que ele possa elaborar recursos próprios,
                            estruturar atividades, ou seja, ter retorno ao pensar materiais
                            didáticos. Acerca do despreparo ao lidar com a EJA por parte dos
                            professores, tem-se:</p>
                        <disp-quote>
                            <p>A formação de professor não é suficiente. Como trabalhar com o
                                público da EJA? (Coordenador – Ibirité, 2016).</p>
                            <p>Recebemos profissionais que estão totalmente despreparados para
                                trabalhar com a EJA, lá tem um coordenador para cada área e a EJA
                                não tem; são professores que pegam a EJA por pegar e é um despreparo
                                total (Coordenador – Juatuba, 2016).</p>
                        </disp-quote>
                        <p>“O professor que atua na EJA é aquele que sobrou, que está completando
                            carga horária”, comentou o coordenador de Betim. A afirmativa ecoou
                            entre os coordenadores que se viram diante de um impasse quanto ao
                            concurso para a EJA. Em Itabirito, “há concurso no município, mas quem
                            escolhe a EJA é o candidato, e a sua formação não é critério para
                            escolha. É quem quer pegar” (Coordenador – Itabirito, 2015).</p>
                        <p>Os outros aspectos dizem respeito à infraestrutura da escola, ao
                            currículo, aos materiais didáticos e à formação dos educadores.
                            Geralmente, a infraestrutura é pouco condizente com o público. Raras são
                            as escolas que adaptam seu mobiliário aos adultos e idosos. Para quem
                            trabalha o dia todo, sentar-se em cadeiras próprias para crianças ou
                            adolescentes é, no mínimo, desconfortável. A sala de aula é um
                            equipamento dedicado à aprendizagem e, como tal, precisa estar
                            apropriada.</p>
                        <p>Espaços extraclasse como bibliotecas, laboratórios, quadra poliesportiva
                            também foram elencados pelos coordenadores como pontos importantes da
                            infraestrutura, já que, em muitas escolas, os jovens e adultos tinham
                            dificuldades em acessá-los, seja por ausência de profissional para a
                            manutenção do espaço aberto, seja pela falta de iluminação adequada ou,
                            até mesmo, pela falta de atividade direcionada a tais dependências.
                                <xref ref-type="bibr" rid="B22">Freire (2004, p. 45)</xref>, ao
                            referenciar o espaço escolar, afirma que “há uma pedagogicidade
                            indiscutível na materialidade do espaço”. O espaço, além de ser
                            pedagógico, é sociocultural (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Dayrell,
                                2001</xref>) e, como tal, merece ser utilizado.</p>
                        <p>O currículo praticado na escola também é um fator de caracterização da
                            oferta. À exceção dos municípios de Belo Horizonte e Contagem, os demais
                            desenvolvem um currículo alinhado com as diretrizes estaduais. A
                            utilização de materiais didáticos pouco expressivos aos jovens e adultos
                            concorre para que as aulas se aproximem do modelo de ensino comum,
                            conteudista, na lógica do ensino da recuperação do tempo perdido. Ao
                            analisar a questão, <xref ref-type="bibr" rid="B2">Arroyo (2015)</xref>
                            enuncia que os sujeitos da EJA têm o trabalho como central em suas
                            trajetórias e esses conhecimentos nem sempre são considerados nos
                            currículos da EJA.</p>
                        <p>A pesquisa localizou um município que desenvolveu material próprio à
                            modalidade para toda a rede educacional. Em outros, foi verificada a
                            existência da preparação de atividades e materiais desenvolvidos por
                            professores. Por terem dificuldades em trabalhar com materiais
                            fornecidos pelo Estado, a maioria dos coordenadores afirma que os livros
                            ficam encalhados nas escolas. Além disso, as apostilas
                            interdisciplinares de um dos municípios pesquisados são consideradas
                            fracas, e muitos professores adaptam e organizam seu próprio material. A
                            coordenadora de uma cidade da região metropolitana afirma que “é preciso
                            fazer material, porque o livro não dá conta” (Coordenadora - Betim,
                            2016). De acordo com o coordenador de Contagem, há alguns desafios na
                            didática,</p>
                        <disp-quote>
                            <p>“porque eu acho, eu desconfio de quem fala que trabalha com
                                metodologias mais de vanguarda, mais progressivas, mais críticas
                                assim, e tem uma crítica muito dura à linha tradicional, mas eu
                                desafio aquela pessoa conseguir trabalhar 3 turnos, ser professor da
                                educação pública” (Coordenador – Contagem, 2018).</p>
                        </disp-quote>
                    </sec>
                    <sec>
                        <title>Desafio 2: O público da EJA</title>
                        <p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2">Arroyo (2015)</xref>, o nome
                            genérico “educação de jovens e adultos” oculta essas identidades
                            coletivas específicas. É importante ressaltar, nesse sentido, que esses
                            educandos não são somente “adolescentes, jovens e adultos em várias
                            idades” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Arroyo, 2015, p. 31</xref>). As
                            salas recebem desde adolescentes até idosos e, com isso, deu-se um novo
                            espaço para um sujeito do entrelugar, o adolescente ‘indisciplinado’,
                            vindo do diurno que vai para a EJA a partir dos 15 anos. Esse sujeito
                            está no entrelugar, porque não se reconhece como pertencente à EJA e
                            vice-versa. O jovem adolescente da EJA é encarado como ‘o problema da
                            EJA’. Se ele não estivesse lá, não haveria nenhum outro problema. Esse
                            tratamento evidencia a falta de políticas públicas voltadas para a
                            juventude no Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Dayrell,
                                2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Brunel, 2004</xref>;
                                <xref ref-type="bibr" rid="B14">Carrano, 2007</xref>). A
                            juvenilização passa de desafio a problema enfrentado, segundo a
                            coordenação:</p>
                        <disp-quote>
                            <p>(...) porque essa chegada desses jovens de 15 a 18 anos, né, 17 anos.
                                Porque são estudantes que vêm do ensino fundamental, que era aqueles
                                estudantes que são expulsos, né, porque eles ficam fora da faixa
                                etária, e aí o ensino fundamental não desenvolve que... o ensino
                                fundamental está mais atrasado que a EJA tá (Coordenador – Contagem,
                                2018).</p>
                        </disp-quote>
                        <p>O coordenador expressou a realidade das juventudes na escola, de forma
                            contundente: “Os jovens que estão com defasagem de idade e/ou série
                            estão órfãos, porque a EJA tem dificuldade de atendê-los” (Coordenador –
                            São José da Lapa, 2015). Para finalizar, o coordenador continuou “os
                            professores do ensino regular sempre acham que os professores da EJA têm
                            uma vida mais tranquila, ficam à toa, mas eles não sabem dos problemas
                            enfrentados, por exemplo, a diversidade dos sujeitos da EJA ... é muito
                            difícil”. Para uma Secretária de Educação presente em uma das reuniões,
                            “existem muitos jovens entre os alunos, mas atende, atualmente, de 15 a
                            80 anos” (Itabirito, 2015). Para ela, a EJA é resultado de exclusão
                            (passado, pelos idosos) e fracasso (presente, pelos jovens) e nos mostra
                            a necessidade de pensar a história e o presente.</p>
                        <p>O tempo presente não tem sido muito animador:</p>
                        <disp-quote>
                            <p>Se, de um lado, temos um cenário desolador, por outro vivemos o ano
                                em que se celebra o centenário de nascimento de Paulo Freire. Após
                                ter sido alvo de críticas, assistimos à retomada de sua vida e obra
                                trazendo a importância do seu pensamento para a educação,
                                subsidiando nossas ações para vivermos esses tempos de crise e de
                                incerteza (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Soares, 2022, p.
                                    237</xref>).</p>
                        </disp-quote>
                        <p>Os resultados desta pesquisa se relacionam com estudos publicados pelo
                            Movimento Pela Base, em que três instituições da sociedade civil, que
                            envidaram esforços em apresentar saídas para a EJA ante os diagnósticos
                            mais realistas do campo, assinalam que “é preciso reverter tal
                            trajetória, resgatando a educação de pessoas jovens e adultas como
                            direito humano, bem comum e responsabilidade pública” (<xref
                                ref-type="bibr" rid="B30">Mansutti, 2022, p. 51</xref>).
                            Acrescentam, ainda, que o Ministério da Educação “precisa ter um papel
                            ativo na indução de políticas de EJA, sendo propositivo em diálogo com a
                            sociedade civil e secretarias estaduais e municipais” (<xref
                                ref-type="bibr" rid="B30">Mansutti, 2022, p. 51</xref>).</p>
                        <p>A distorção de idade presente nas turmas se dá, basicamente, ao número de
                            jovens que saíram do ensino regular para a EJA e aos adultos que foram
                            levados a se qualificarem para melhor colocação no trabalho. A
                            juvenilização da EJA é um dos conflitos mais presentes e discutidos em
                            sala de aula. O público adulto e idoso, presentes nas escolas, não
                            conseguem lidar com comportamento e inquietação dos adolescentes que
                            estão dentro das turmas e tornam difícil a convivência. Como um aluno
                            relatou “eu até não tenho problema em lidar com o jovem, mas com aquele
                            que não quer estudar, sim”. Enquanto, de uma forma geral, nos municípios
                            os adultos se sentem excluídos e evadem. Em São José da Lapa, o conflito
                            entre jovens e adultos é distinto. Os adultos se impõem aos jovens e não
                            permitem que sejam indisciplinados.</p>
                    </sec>
                </sec>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>A pesquisa buscou compreender de que forma tem se dado o atendimento da Educação de
                Jovens e Adultos em escolas públicas municipais de duas microrregiões mineiras. Uma
                das constatações é de que a oferta da EJA tem singularidades e convergências nos
                municípios pesquisados. As singularidades dizem respeito, por exemplo, à tentativa
                de diversificar o horário de atendimento e na elaboração de materiais didáticos
                próprios. Já as convergências são mais constantes: enfrentam desafios com a formação
                docente, com o encontro intergeracional da EJA, seguem currículos menos flexíveis e
                que, dada a constatação da demanda represada, da redução das matrículas e das
                turmas, estão longe de atender ao número de demandantes enquanto escolas são
                fechadas ou nucleadas. Tal redução fere o direito de escolarização e desestimula
                jovens e adultos a iniciar ou retomar os estudos, ainda mais quando associada a
                outros fatores como horário de aula e as condições curriculares da oferta.</p>
            <p>Há que considerar o peso do histórico do atendimento ininterrupto que vem
                contribuindo para consolidar a oferta associada à vontade política do governante,
                mesmo em momentos de mudança do executivo quando a EJA perde espaço na agenda
                municipal, conforme constatado pelos coordenadores.</p>
            <p>Ressalta-se a importância de pesquisas que prossigam com o acompanhamento da política
                pública, voltada para a EJA, pois, afinal, monitorar é um direito da educação.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Pesquisa realizada com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento
                    Científico e Tecnológico (CNPq) no período 2014-2018 pela Universidade Federal
                    de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>Dados disponíveis na base QEdu (<ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="http://www.qedu.org.br">http://www.qedu.org.br</ext-link>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>As reuniões aconteceram na UFMG em maio/jun. (2015); abr./jun. (2016) e jul.
                    (2017) com representantes dos seguintes municípios: Acaiaca, Belo Horizonte,
                    Betim, Brumadinho, Caeté, Confins, Contagem, Diogo de Vasconcelos, Esmeraldas,
                    Ibirité, Igarapé, Itabirito, Juatuba, Lagoa Santa, Mariana, Mário Campos, Mateus
                    Leme, Nova Lima, Ouro Preto, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio
                    Acima, Sabará, Santa Luzia, São Joaquim de Bicas, São José da Lapa, Sarzedo,
                    Vespasiano.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>O Prof. Juarez Dayrell (FaE/UFMG) foi convidado para conversar com os gestores
                    sobre as juventudes.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn5">
                <label>5</label>
                <p>Dados disponíveis na base QEdu (<ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="http://www.qedu.org.br">http://www.qedu.org.br</ext-link>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn6">
                <label>6</label>
                <p>Art. 21. Os sistemas de ensino poderão organizar EJA Multietapas nos casos em que
                    o número de estudantes não corresponde ao estabelecido pelo sistema de ensino
                    e/ou quando a estrutura física ou a especificidade de atendimento não comporta a
                    composição de turmas por etapa (Resolução SEE/MG nº 01/2021, de 25 de maio
                    2021).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn7">
                <label>7</label>
                <p>Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B24">Gonçalves (2010)</xref>, Arroyo (2007), por
                    exemplo, para o tema nucleação. Sobre a nucleação nas microrregiões estudadas,
                    ver <xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva; Soares (2021)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn8">
                <label>8</label>
                <p>O acervo é composto por gravações das cinco reuniões e cada uma tem quatro horas
                    de duração.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn9">
                <label>9</label>
                <p>Cf: <xref ref-type="bibr" rid="B1">Araújo (2012)</xref>; <xref ref-type="bibr"
                        rid="B34">Pinto (2007)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Para saber mais sobre a constituição do horário noturno para jovens e adultos,
                    ver <xref ref-type="bibr" rid="B36">Silva (2013)</xref>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Para maiores esclarecimentos sobre as terminologias, ver Diniz-Pereira (2006);
                    Silva <italic>et al.</italic> (2011).</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B1">
                <mixed-citation>ARAÚJO, R. L. S. <bold>Desvendando o perfil dos gastos educacionais
                        dos municípios brasileiros.</bold>
                    <italic>Educação &amp; Sociedade,</italic> v. 33, p. 1215-1233,
                    2012.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="journal">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>ARAÚJO</surname>
                            <given-names>R. L. S.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <article-title>Desvendando o perfil dos gastos educacionais dos municípios
                        brasileiros</article-title>
                    <source>Educação &amp; Sociedade</source>
                    <volume>33</volume>
                    <fpage>1215</fpage>
                    <lpage>1233</lpage>
                    <year>2012</year>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B2">
                <mixed-citation>ARROYO, M. <italic>Educação de jovens e adultos</italic>: um campo
                    de direitos e de responsabilidade pública. In: SOARES, L. <italic>et
                        al.</italic> (org.). <italic>Diálogos na educação de jovens e
                        adultos.</italic> Belo Horizonte: Autêntica, 4a ed., 2015, p.
                    19-50.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>ARROYO</surname>
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                        </name>
                    </person-group>
                    <chapter-title><italic>Educação de jovens e adultos</italic>: um campo de
                        direitos e de responsabilidade pública</chapter-title>
                    <person-group person-group-type="compiler">
                        <name>
                            <surname>SOARES</surname>
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