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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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            <publisher>
                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e94630</article-id>
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                    <subject>Artigo</subject>
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                <article-title>Autopoiese e pensamento complexo: reflexões para (re)pensar a
                    Educação na contemporaneidade</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Autopoiesis and complex thinking: reflections to (re)think
                        Education in contemporary times</trans-title>
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                    <trans-title>Autopoiesis y pensamiento complejo: reflexiones para (re)pensar la
                        Educación contemporánea</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Martini</surname>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Lunkes</surname>
                        <given-names>Maiara Elis</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Strieder</surname>
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                <institution content-type="orgname">Instituto Federal Catarinense, IFC</institution>
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                <country country="BR">Brasil</country>
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                <institution content-type="original">Instituto Federal Catarinense, IFC, SC, Brasil,
                    E-mail: daniele.martini@ifc.edu.br</institution>
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                <institution content-type="orgname">Secretaria de Educação do Estado de Santa
                    Catarina, SESC</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
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                <institution content-type="original">Secretaria de Educação do Estado de Santa
                    Catarina, SESC, Brasil, E-mail: maiaralunkes.matematica@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0002-1818-590X</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade do Oeste de Santa Catarina,
                    UNOESC</institution>
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                <email>striederroque@gmail.com</email>
                <institution content-type="original">Universidade do Oeste de Santa Catarina,
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                <season>Jan-Mar</season>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>O ensino tradicional, via formação fragmentada e especializada, não mais atende
                    às demandas formativas na contemporaneidade, o que exige dos educadores
                    (re)pensar a Educação e seus pressupostos formativos, (re)pensar as formas de
                    compreender e agir no processo educativo, para, então, desvelar outras
                    possibilidades didático/pedagógicas e formativas. Diante disso, o presente
                    estudo objetiva refletir sobre princípios epistemológicos da autopoiese,
                    propostos por Maturana e Varela (1997), e sobre as bases do pensamento complexo,
                    cunhado por Morin (2005). A partir do diálogo com esses autores, o estudo
                    reconhece tais bases como fundamentos e possibilidades para (re)pensar a
                    Educação. A problemática emerge do questionamento: quais pressupostos
                    epistemológicos e formativos podem sustentar uma proposição formativa em
                    domínios contemporâneos? Metodologicamente, o estudo é de abordagem qualitativa,
                    do tipo bibliográfico, de natureza interpretativa e reflexiva. As reflexões
                    apontam para uma formação em que há espaço para si e para o outro, com
                    identidades singulares, em ambientes para conversar e colaborar, respeitando a
                    diversidade das formas vivenciais e dos saberes. Conclui-se ser urgente resgatar
                    fundamentos de respeito e responsabilidade para com o ser, o fazer-se e o
                    sentir-se humano; compreender que o amar e a afetividade propulsionam ações
                    colaborativas e solidárias, assim como a diversidade de experiências formativas
                    levam a superação da lógica fragmentária, das desigualdades e da indiferença; e
                    que (re)pensar a Educação no viés da autopoiese e da complexidade demanda um
                    currículo menos fragmentado e mais integrador, aberto para experiências
                    pedagógicas de reflexões, curiosidade e criatividade priorizando uma formação
                    para viver em convívio.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>The traditional teaching, through fragmented and specialized training, no longer
                    meets the formative demands in the contemporary times, which requires educators
                    to (re)think Education and its formative assumptions, to (re)think the ways of
                    understanding and acting in the educational process, in order to unveil other
                    formative and didactic/pedagogical possibilities. Given the facts, the present
                    study aims to reflect on the epistemological principles of autopoiesis, proposed
                    by Maturana and Varela (1997), and on the foundations of the complex thinking,
                    coined by Morin (2005). Through a dialogue with these authors’ ideas, the study
                    recognizes such bases as foundations and possibilities to (re)think Education.
                    The problem arises from the question: what epistemological and formative
                    assumptions can support a formative proposition in contemporary domains?
                    Methodologically, the study has a qualitative approach, a bibliographical kind,
                    and an interpretative and reflexive nature. The reflections point towards a
                    formation in which there is space for oneself and for the others, with unique
                    identities, in environments for dialogue and collaboration, respecting the
                    diversity of experiential forms and knowledge. It is concluded that it is urgent
                    to rescue the foundations of respect and responsibility towards the being,
                    becoming, and feeling human; to understand that love and affectivity propel
                    collaborative and supportive actions, just as the diversity of formative
                    experiences leads to overcoming fragmented logic, inequalities, and
                    indifference; and that (re)thinking Education from the perspective of
                    autopoiesis and complexity demands a less fragmented and more integrative
                    curriculum, open to pedagogical experiences of reflections, curiosity and
                    creativity prioritizing formation for living in harmony.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="fr">
                <title>Resumé</title>
                <p>La enseñanza tradicional, a través de una formación fragmentada y especializada,
                    ya no responde a las demandas formativas contemporáneas, lo que obliga a los
                    educadores a (re)pensar la Educación y sus presupuestos formativos, (re)pensar
                    las formas de comprender y actuar en el proceso educativo, para luego, revelar
                    otras posibilidades didácticas/pedagógicas y formativas. Ante esto, el presente
                    estudio pretiende reflexionar sobre los principios epistemológicos de la
                    autopoiesis, propuestos por Maturana y Varela (1997) y sobre las bases del
                    pensamiento complejo, acuñado por Morin (2005). A partir del diálogo con estos
                    autores, el estudio reconoce estas bases como fundamentos y posibilidades para
                    (re)pensar la Educación. El problema surge de la pregunta: ¿qué supuestos
                    epistemológicos y formativos pueden mantener una proposición formativa en los
                    ámbitos contemporáneos? Metodológicamente, el estudio tiene un enfoque
                    cualitativo, de carácter bibliográfico, interpretativo y reflexivo. Las
                    reflexiones apuntan a una formación en la que haya espacio para uno mismo y para
                    los demás, con identidades únicas, en ambientes para hablar y colaborar,
                    respetando la diversidad de formas experienciales y conocimientos. Se concluye
                    que es urgente recuperar fundamentos de respeto y responsabilidad hacia el ser,
                    hacer y sentir humanos; comprender que el amor y el afecto impulsan acciones
                    colaborativas y solidarias, así como la diversidad de experiencias formativas
                    conduce a la superación de lógicas fragmentarias, desigualdades e indiferencias;
                    y que (re)pensar la Educación desde la perspectiva de la autopoiesis y la
                    complejidad exige un currículo menos fragmentado y más integrador, abierto a
                    experiencias pedagógicas de reflexión, curiosidad y creatividad, priorizando la
                    formación para la convivencia.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Educação</kwd>
                <kwd>Currículo</kwd>
                <kwd>Formação humana</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Education</kwd>
                <kwd>Curriculum</kwd>
                <kwd>Human formation</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="fr">
                <title>Mots-clés:</title>
                <kwd>Educación</kwd>
                <kwd>Currículo</kwd>
                <kwd>Formación humana</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Encontramo-nos no limiar do século XXI, um momento histórico no qual os humanos e as
                organizações humanas são marcados por vertiginosas e significativas mudanças e
                transformações, tanto no âmbito humano, social e cultural, quanto no âmbito das
                políticas e das formas de desenvolvimento laboral e econômico. Uma era de
                comunicações e interatividades que, permeada pelo desenvolvimento científico e
                tecnológico, entre outras contribuições e malefícios, pode também sinalizar
                melhorias na qualidade da vida e dos viveres (<xref ref-type="bibr" rid="B28"
                    >Severino, 2019</xref>). Enquanto seres vivos e humanos que somos, nossa
                existência é permeada por ações e interações que envolvem o meio em que vivemos, e
                nesse, também, o outro com quem convivemos. É essa dinâmica da existência humana que
                determina nossos viveres.</p>
            <p>Nesse sentido, se, por um lado, as dinâmicas expansivas nos domínios tecnológicos vêm
                para facilitar nossas vidas e viveres, por outro, elas também possibilitam a
                    <italic>escravidão contemporânea</italic><xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>.
                Além disso, acontecem colapsos climáticos como enxurradas, queimadas e secas,
                furacões e terremotos de elevada magnitude. Nesse cenário, os índices de
                temperaturas elevadas e abaixo de zero grau Celsius denunciam uma natureza em fúria,
                descontrolada e em desequilíbrio, evidenciando níveis de instabilidade muitas vezes
                considerada como vingança contra o ser humano (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Gray,
                    2009</xref>). A humanidade, no contexto contemporâneo, agregando cenários de
                transformações e de descompassos, começa a perceber a existência de equívocos em
                fazeres centrados na exploração ambiciosa de dominar e submeter os recursos naturais
                ao seu dispor. Fazê-lo significa compreender a importância da construção de
                alternativas e elas exigem reflexões profundas para mudanças radicais na visão e
                concepção de vida, de ser humano e de natureza. E é essa diferente forma de pensar
                que reverbera, em meio a concepções de objetividade, de homogeneidade, de
                mensurabilidade e de ordem cósmica, fazendo emergir as noções que qualificam a
                diversidade, a singularidade, o caos, a dissidência e a resistência, visando a uma
                reexistência. Formam-se, assim, seres humanos diversos, de países e culturas
                diversas, de crenças e valores diversos, fazendo das novas e diferentes ideias
                imensas rodovias, ressignificando o sentido do viver, o sentido de recurso material,
                o sentido do fazer-se humano conciliando o equilíbrio<xref ref-type="fn" rid="fn2"
                    >2</xref>, o reconhecimento mútuo<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, a
                    interdependência<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> e a
                    complementaridade<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>, entre outros. É um
                cenário de crises de negação e de criatividade, que fazem da prudência o prenúncio
                de uma ciência e de viveres humanos a se <italic>metamorfosearem</italic>.</p>
            <p>Sabemos que por vários séculos prevaleceu o paradigma cartesiano, que originou a
                ciência moderna no século XVI segundo o modelo racionalista de Descartes e Newton.
                Um modelo ancorado numa metodologia que ousava explicar não só a matéria da
                natureza, mas também os fenômenos da natureza por meio de leis objetivas e da
                mensurabilidade matemática, concebendo uma total separação entre natureza e ser
                humano. A ciência separou-se inteiramente do mundo da vida e o mundo no qual vivemos
                foi substituído pelo mundo de quantidades e de geometrias regulares que se
                encaixavam em fórmulas matemáticas, nas quais “[...] há lugar para tudo menos para o
                homem” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Prigogine; Stengers, 1997, p.
                24</xref>).</p>
            <p>O desvelamento das teorias científicas – tais como a teoria da relatividade e a
                teoria quântica, propostas no século XX – evidenciou as limitações do modelo
                cartesiano, modificando a concepção de mundo e de ser humano. O mundo já não é mais
                considerado um <italic>kósmos</italic> (cósmico = ordenado), mas um espaço-tempo
                aleatório, variável e sujeito à entropia<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>. O
                ser humano já não é considerado puramente racional, mas, como ser vivo, é
                determinado estruturalmente. Ou seja, tudo o que ocorre nele, na forma de mudança
                estrutural, é determinado em sua estrutura, seja como resultado de sua própria
                dinâmica estrutural interna ou como mudança estrutural desencadeada pelas interações
                com o meio, porém, não determinadas pelo meio (<xref ref-type="bibr" rid="B10"
                    >Maturana, 1998</xref>).</p>
            <p>Assim, nem o mundo nem o ser humano podem ser considerados máquinas predeterminadas e
                objetivamente existentes, uma vez que envoltos em complementaridades,
                interdependências e interações de mutualidade. Por conta disso, “A ciência hoje não
                pode mais dar-se o direito de negar a pertinência e o interesse de outros pontos de
                vista e, em particular, de recusar compreender os das ciências humanas, da filosofia
                e da arte” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Prigogine; Stengers, 1997, p.
                41</xref>).</p>
            <p>Diante desse cenário de transições, a educação escolar, moldada no viés
                tradicionalista, disciplinar e hierárquico, amparada em supostos fragmentários,
                compartimentalizados, não mais atende às demandas formativas para viveres e
                conviveres em contextos de contemporaneidade. Então, questionamos: <italic>quais
                    pressupostos epistemológicos e formativos podem sustentar uma proposição
                    formativa em domínios contemporâneos?</italic> No desafio de propor ações
                pedagógicas alternativas, o presente estudo tem por objetivo refletir sobre
                princípios epistemológicos da autopoiese e do pensamento complexo como capazes de
                fundamentar a importância das reflexões aptas a induzir a diferentes fazeres como
                processos pedagógicos e formativos em domínios da contemporaneidade.
                Metodologicamente, o estudo apresenta-se como de abordagem qualitativa, do tipo
                bibliográfico e de natureza interpretativa e reflexiva.</p>
            <p>Compreende-se que a relevância deste estudo consiste em lançar outros olhares sobre a
                formação escolar, vislumbrando uma formação mais humana, uma formação para viver
                convivendo. Assim, no que concerne à teoria, ancoramo-nos nos pressupostos
                epistemológicos da <italic>autopoiese</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
                    >Maturana; Varela, 1997</xref>) e na teoria e nos pressupostos da
                    <italic>complexidade</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Morin,
                    2005</xref>), os quais se apresentam como possibilidades formativas que buscam
                contemplar, simultaneamente, a diversidade, a complexidade e a singularidade na
                Educação contemporânea.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A fragmentação do conhecimento e as implicações para a Educação</title>
            <p>Por muitos anos a Educação esteve – e em grande parte ainda está – enraizada em um
                modelo tradicionalista de ensino, também chamado de modelo cartesiano-newtoniano.
                Embora vinculado aos dois termos, é mais conhecido por cartesiano, pois René
                Descartes (1596-1650) defendia o fato de que o conhecimento era adquirido por meio
                da indução<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref> e da dedução,<xref ref-type="fn"
                    rid="fn8">8</xref> e, nesse sentido, o universo era matematizável, ou seja,
                poderia ser explicado pelas leis matemáticas, a partir do estudo das partes, para o
                entendimento do todo.</p>
            <p>Também conhecido como Revolução Científica, o modelo cartesiano-newtoniano foi um
                marco decisivo na construção das concepções, das relações inter-humanas e
                ecoambientais, bem como das organizações humanas – seja em âmbito cultural, laboral,
                industrial e de serviços – no período moderno. Visou, acima de tudo, destruir a
                visão de mundo medieval e descartar a lógica dos propósitos divinos. A ciência
                moderna passa a valorizar o conhecimento derivado da observação, da experimentação e
                do raciocínio matemático. A natureza física passa a ser examinada por meio de
                relações matemáticas e composições químicas. Já não era suficiente mencionar uma
                autoridade antiga para atestar uma determinada ideia, pois o novo modelo de
                conhecimento prezava pela experiência com o mundo, como especifica <xref
                    ref-type="bibr" rid="B3">Chalmers (1993, p. 23)</xref>: “Se quisermos
                compreender a natureza, devemos consultar a natureza e não os escritos de
                Aristóteles”. O método experimental e a possibilidade de explicação mecânica e
                matemática do universo originam e sedimentam todas as ciências modernas.</p>
            <p>Para Descartes, em sua visão dualista, mente e corpo são duas substâncias distintas,
                independentes entre si e que podem existir separadamente e serem compreendidas a
                partir de princípios independentes. A matéria não estabelece relação com a mente e,
                devido à dualidade, ocorre a separação entre pensamento e extensão.</p>
            <p>O inglês Isaac Newton (1642-1727) completou o pensamento de Descartes oferecendo uma
                visão de mundo-máquina para a realidade, ou seja, desenvolveu uma aperfeiçoada
                formulação matemática da concepção mecanicista da natureza (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B25">Prigogine; Stengers, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4"
                    >Chiappin, 2013</xref>). Newton considerava relevante a dinâmica direta entre as
                    <italic>construções mentais</italic> – modelos matemáticos – e os sistemas
                físicos. Entendia que importava fazer uma adaptação sucessiva das
                    <italic>construções mentais,</italic> comparando-as com os sistemas físicos da
                natureza, o que significa dizer que primeiro cabe o modelo matemático, e, depois, a
                série de experimentos convalidáveis.</p>
            <p>Dessa forma, o conhecimento científico moderno é conhecimento provado, como afirma
                    <xref ref-type="bibr" rid="B3">Chalmers (1993, p. 23)</xref>:</p>
            <disp-quote>
                <p>As teorias científicas são derivadas de maneira rigorosa da obtenção dos dados da
                    experiência adquiridos por observação e experimento. A ciência é baseada no que
                    podemos ver, ouvir, tocar, etc. Opiniões ou preferências pessoais e suposições
                    especulativas não têm lugar na ciência. A ciência é objetiva. O conhecimento
                    científico é conhecimento confiável porque é conhecimento provado
                    objetivamente.</p>
            </disp-quote>
            <p>As contribuições do modelo cartesiano-newtoniano são obviamente inegáveis, uma vez
                que a visão cartesiana do mundo possibilitou boa parte do desenvolvimento
                científico-tecnológico atual. Da mesma forma, foi o que tornou possível o avanço
                significativo em âmbito cultural na história das civilizações, pois “O pensamento
                dotado de clareza, de organização e de objetividade propiciou a validação científica
                e pública do conhecimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Behrens; Oliari, 2007, p.
                    60</xref>).</p>
            <p>A dimensão educativa, sob a lógica cartesiana, apresenta um modelo formativo do tipo
                transmissor-receptor, que concebe o professor como um transmissor de conhecimento, e
                o aluno, como receptor. Nesse universo, ao professor, cabe repassar o conteúdo
                científico na forma de verdade objetiva e absoluta, em forma disciplinar e
                inquestionável. Ao aluno, impede-se qualquer comunicação participante e apenas
                permite-se – e também se exige – decorar, repetir e não questionar. Todas as
                atividades desenvolvidas resumem-se às explicações e à preservação das doutrinas
                tradicionais de uma ciência e de uma realidade objetivas. Essa lógica educativa
                prioriza a reprodução em detrimento à reflexão e à criatividade (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B9">Libâneo, 1986</xref>).</p>
            <p>Nesse cenário, as atividades pedagógicas desenvolvidas têm, na racionalidade
                científica e tecnológica, seu eixo condutor, sendo professores e estudantes alijados
                da centralidade do pensar. Trata-se de uma centralidade que poderia romper com a
                lógica fria da obediência, cessar a lógica reducionista da verdade única e a lógica
                utilitarista e instrumental. A expressividade desse rompimento se dá em razão de que
                todas essas lógicas caracterizam-se pela negação à autonomia do pensamento e pelo
                poder de resistência, e revelam-se como impeditivas de uma formação humana voltada
                para a responsabilidade e para a ética (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Goergen,
                    2014</xref>).</p>
            <p>Em relação à formação de professores, o modelo <italic>aplicacionista</italic> do
                conhecimento pressupõe uma formação em que conhecer e fazer se dissociam e que o
                fazer depende do conhecer, pois “[...] para fazer bem feito, eles devem conhecer bem
                e em seguida aplicar seu conhecimento ao fazer” (<xref ref-type="bibr" rid="B5"
                    >Fiorentini, 2013, p. 67</xref>).</p>
            <p>A fragmentação do conhecimento conduz a uma visão de mundo simplista e reducionista
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Strieder; Lago; Eidt, 2017</xref>). Importa
                reconhecer que o apelo pedagógico ao reducionismo disciplinar não é simplesmente uma
                janela que se abre para consolidar a competição, o utilitarismo e o individualismo,
                mas também uma via que reforça e, em alguns casos, institucionaliza esses valores na
                lógica capitalista neoliberalizada. Por isso, o paradigma cartesiano provocou uma
                perda no processo de humanização, ao considerar alunos e professores como máquinas
                ou como partes de uma engrenagem (visão mecanicista). Em decorrência disso, “[...]
                perdeu-se em termos de sensibilidade, estética, sentimentos e valores,
                especialmente, em função da supervalorização dada pela mensuração, quantificação e
                comprovação dos fenômenos” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Behrens; Oliari, 2007, p.
                    60</xref>). As consequências para a sociedade, para a natureza e para o próprio
                ser humano foram desconsideradas, prevalecendo a competição, o individualismo e o
                materialismo desenfreado. As atividades pedagógicas e formativas, aprisionadas no
                discurso objetivo, científico e tecnológico, tornam-se reféns da lógica instrumental
                e utilitarista em detrimento do exercício da reflexão, do exercício da autonomia e
                da capacidade de sentir-se como uma unidade capaz de individualidade. Junto com a
                perda da experiência do pensar, tanto estudantes quanto professores/as perdem a
                capacidade de realizar a experiência do viver em convívios, como reflete <xref
                    ref-type="bibr" rid="B6">Goergen (2014, p. 574)</xref>:</p>
            <disp-quote>
                <p>O pensamento puramente operacional concentra-se nos experimentos e abole a
                    experiência. Experiência significa ter a percepção dos problemas e fazer o
                    trabalho do pensamento, desvelando as formas históricas da razão, seus fluxos,
                    remansos e refluxos. Fazer a experiência do pensar é, pois, suspeitar das
                    locuções do real, da lógica do pensamento puramente instrumental que hoje nos
                    enquadra e condiciona. É arriscar-se a admitir que a objetividade das provas não
                    deve ser o limite do humano, nem seu descanso final. É o trabalho do espírito
                    que ultrapassa a velocidade da reprodução técnica.</p>
            </disp-quote>
            <p>Dessa forma, a fragmentação disciplinar, que permeia os currículos escolares e de
                formação de professores/as – bem como seus fazeres pedagógicos – e condiciona para
                uma formação específica, encontra-se defasada perante os anseios dos seres humanos
                em tempos contemporâneos, uma vez que estes desejam referenciais humanizadores em
                domínios de convivência social.</p>
            <p>Reconhecer a si próprio como estando em crise implica desafiar a si mesmo a rever,
                crítica e reflexivamente, o que acredita que sabe sobre a formação na
                contemporaneidade, sobre viver e conviver na contemporaneidade, sobre as
                necessidades e os desejos, para muito além das promessas salvacionistas do
                capitalismo amparado em pressupostos de economia neoliberal, a qual não só requer,
                mas também depende da negação da individualidade e da singularidade para se firmar.
                A importância da crise é o reconhecimento dos erros históricos e das insuficiências
                que acompanham os fazeres pedagógicos, e, por isso mesmo, bloqueiam nossa
                compreensão de mundo, de ser humano, de vida e de viveres. A prudência convida
                professores/as a libertarem-se, do contrário, não serão capazes de libertar ninguém.
                Confirma-se que “[...] toda e qualquer descrição e explicação analítica, com base em
                modelos simplificadores, que analisam cada parte sem descrever o todo e pretendem
                compreender o todo desconsiderando as partes, são insuficientes e passíveis de
                falhas” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Strieder; Lago; Eidt, 2017, p.
                1246</xref>).</p>
            <p>As problemáticas criadas e que envolvem toda a humanidade são cada vez mais
                abrangentes, multidimensionais, complexas, singulares e diversas. Elas demandam
                reflexões profundas e densas capazes de visões de interdependência, de
                complementaridade e mutualidade, também em domínios formativos contemporâneos.</p>
            <p>Em face do exposto, a concepção de autopoiese e do pensamento complexo oferece
                subsídios epistemológicos para pensar a Educação e os fazeres educativos envoltos em
                multiplicidades, diversidades e complexidades, sem negligenciar as singularidades
                que as caracterizam.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Autopoiese: princípios epistemológicos</title>
            <p>A teoria da autopoiese foi desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana
                    e Varela (1997)</xref>, a partir de alguns questionamentos, como: “Que aconteceu
                quando se originou a vida? [...] O que se origina, e que se mantém até agora, quando
                se originaram os seres vivos na terra? [...] Que classe de sistema é um ser vivo?”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997, p. 10-11</xref>). Ao
                mergulharem reflexivamente nesses questionamentos, os autores dedicaram-se ao estudo
                da organização do ser vivo e de sua relação com seu caráter unitário. Maturana e
                Varela consideravam insuficientes as concepções biológicas predominantes na década
                de 1960, que se contentavam em referir e enumerar propriedades características dos
                seres vivos ou então em considerá-los <italic>totalidades</italic>, segundo um
                critério sistemático, cujo fundamento base afirmava que para compreender os seres
                vivos bastava “[...] abordá-los como sistemas abertos, processadores de energia”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997, p. 11</xref>).
                Diferentemente, “[...] o principal para explicar e compreender os seres vivos era
                levar em conta sua condição de entes separados, autônomos, que existem como unidades
                independentes” (Maturana;</p>
            <p>Varela, 1997, p. 11). Essa diferente compreensão leva a inúmeras e profundas
                mudanças, não somente no campo da biologia e da ecologia, mas também na ordem dos
                fenômenos das convivências com outros, permitindo que os seres vivos sejam e
                tornem-se entidades autônomas.</p>
            <p>É nesse contexto de concepções que Maturana e Varela criam a expressão
                    <italic>autopoiese</italic>, na qual <italic>autós</italic> significa por si
                próprio e <italic>poiesis</italic> é entendida como criação, construção, em
                contextos de organização circular. Segundo os autores, um ser vivo é um sistema
                autopoiético molecular, pois é constituído por uma dinâmica molecular, num interjogo
                de interações e relações entre as diferentes classes de moléculas. Os seres vivos
                são máquinas autopoiéticas, ou seja, máquinas que continuamente especificam e
                produzem sua própria organização por meio da produção de seus próprios componentes,
                em condições de contínua perturbação e compensação dessas perturbações (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997</xref>). Conceber um sistema
                como autopoiético significa reconhecer “[...] que não é o fluxo de matéria ou fluxo
                de energia como fluxo de matéria ou energia, nem nenhum componente particular como
                componente com propriedades especiais, o que de fato faz e define o ser vivo como
                tal” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997, p. 15</xref>). Para
                    <xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana e Varela (1997, p. 15)</xref>, todo ser
                vivo acontece numa dinâmica de realização de uma rede de transformações e de
                produções moleculares que,</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] no operar dessa rede fazem parte da rede, de maneira que com suas
                    interações: a) geram a rede de produções e transformações que as produziu ou
                    transformou; b) dão origem aos limites e extensão da rede [...] de maneira que
                    esta fica dinamicamente fechada sobre si mesma [...] e c) configuram um fluxo de
                    moléculas [...].</p>
            </disp-quote>
            <p>Esse fluxo de moléculas, ao incorporar-se na dinâmica da rede, passa a fazer parte
                dele, e, quando estas deixam de participar da dinâmica da rede, voltam a fazer parte
                do entorno ambiente.</p>
            <p>Como máquinas autopoiéticas, os seres vivos em geral e os seres humanos em
                particular, são possuidores das seguintes características: a) são seres autônomos;
                b) são seres possuidores de individualidade; c) são seres definidos como unidades;
                d) são seres não dotados de entradas e saídas, embora possam “[...] ser perturbados
                por fatos externos, e experimentar mudanças internas que compensam essas
                perturbações […]. No entanto, qualquer série de trocas internas que se produzem está
                sempre subordinada à conservação da organização da máquina” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B14">Maturana; Varela, 1997, p. 73</xref>), condição que define as máquinas
                autopoiéticas.</p>
            <p>Não havendo entradas nem saídas, o processo de autoprodução realiza-se internamente,
                dentro do próprio sistema, como uma estrutura fechada. É nessa dinâmica, num
                processo circular de autoprodução, único de cada unidade, que nos constituímos como
                seres vivos únicos e autônomos. Dessa forma, somos seres determinados
                estruturalmente e “[...] tudo o que nos acontece surge em nós como uma mudança
                estrutural determinada também a cada instante, segundo nossa estrutura do momento”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997, p. 25</xref>).</p>
            <p>Nesse universo de diferentes pressupostos para a compreensão dos seres vivos,
                inclusive o ser humano, também mudam as especificidades fundamentais para a
                compreensão da organização do indivíduo – uma organização autopoiética. Isso implica
                reconhecer que cada ser humano, seja criança, jovem, adulto ou idoso, constitui-se e
                é constituído em sua autonomia, como individualidade e como unidade, sendo
                prescindíveis superfícies de entrada e de saída. Significa reconhecer, ainda, que,
                sendo sistemas autopoiéticos – os pais –, geram um novo domínio fenomenológico, uma
                nova unidade – filha/o –, e esta/e possui propriedades diferentes das propriedades
                dos progenitores (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997</xref>).
                Prosseguem <xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana e Varela (1997, p. 113)</xref>
                refletindo que</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] estes novos domínios fenomenológicos estão subordinados à fenomenologia das
                    unidades autopoiéticas, porque dependem delas para sua realização efetiva, porém
                    não são determinadas por elas; são determinadas pelas propriedades das unidades
                    que efetivamente lhes dão origem.</p>
            </disp-quote>
            <p>Essa compreensão não somente põe em questão a lógica do <italic>tal pai, tal
                    filho</italic> como também contradiz as ideias darwinianas que dão ênfase à
                supremacia da espécie em detrimento do indivíduo, ênfase à seleção natural e à
                aptidão. Para as entidades formativas, como escolas e universidades, isso implica
                revisar os impactos nas concepções formativas e reconhecer o quão falaciosas são as
                transposições dessas concepções para o âmbito dos viveres sociais. Significa,
                também, romper as presilhas que tendem a explicar a fenomenologia social como
                centralmente competitiva, bem como a justificativa científica da subordinação do
                destino dos indivíduos a valores transcendentais. Igualmente, simboliza coragem para
                rever os pressupostos genéticos e raciais, entre outros que justificam a
                discriminação social, a lógica da escravidão, tanto ao longo da história quanto no
                cenário contemporâneo, a qual subjuga outros e os submete à subserviência
                repugnante. Da mesma forma, significa ter coragem para elucidar o quão enganosas,
                falhas e violentas são todas as exigências baseadas na subordinação econômica,
                política, individual ou coletiva, bem como na subordinação aos caprichos daqueles
                que se supõem imprescindíveis tutores salvacionistas dos considerados inferiores ou
                tidos como exceção, redundantes, mas cuja derrota e discriminação alimenta uma
                injustiça aparentemente sem apelação, o que os estigmatiza como sem redenção no
                contexto contemporâneo em que vivemos.</p>
            <p>Renovamos, aqui, o questionamento de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana e
                    Varela (1997, p. 114)</xref>: “[...] que importância tem o que aconteça a um
                indivíduo, ou a vários indivíduos, se seu sacrifício é um bem da humanidade?”. Como
                ainda atestar que em nome da salvação de uma turma de alunos, ou de uma escola, é
                conveniente excluir um ou alguns? A autopoiese, ao afirmar nossa autonomia,
                individualidade e unidade, faz-nos compreender a enorme des-humanização presente em
                processos pedagógicos de massificação, instrumentalização, universalização e negação
                das singularidades. No contexto da autopoiese, é importante reconhecer a
                fenomenologia de cada aluno em sua autonomia, individualidade e singularidade.
                Trata-se de um âmbito de diversidades, de múltiplas formas vivenciais, todas
                válidas, pois constituídas <italic>em</italic> e <italic>por</italic> unidades.</p>
            <p>A autopoiese implica a construção de mundos de forma autônoma, ou seja, não existe um
                único mundo externo, objetivo, independente das ações dos seres humanos que vivem e
                conhecem ao mesmo tempo. Os mundos vivenciais, como domínios existenciais, surgem
                junto com as ações/aprendências dos seres humanos, que vivem e sobrevivem porque
                constroem conhecimentos em acoplamento com as realidades (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B24">Pellanda, 2009</xref>). As mudanças que ocorrem nos seres humanos são
                determinadas a partir da estrutura interna de cada indivíduo quando este interage
                com o meio, seu domínio existencial.</p>
            <p>A autopoiese pressupõe a autonomia dos seres vivos e considera que eles são capazes
                de aprendizagem desde sua origem. Juntamente com a Biologia do Conhecer, a
                autopoiese possibilita uma diferente visão da vida, do viver, do conhecimento e do
                ato de conhecer. É nesse sentido que <xref ref-type="bibr" rid="B11">Maturana (2001,
                    p. 27)</xref> se questiona: “Qual é o meu objetivo? Meu objetivo é explicar o
                fenômeno do conhecer. Mas para explicar o fenômeno do conhecer, o que tenho que
                fazer é explicar o ser humano; explicar esse conhecedor, que sou eu ou qualquer um
                de nós”. Dessa forma, para Maturana, a Autopoiese e a Biologia do Conhecer
                possibilitam explicar o fenômeno do conhecer como uma dinâmica sucessiva e circular
                de interações recorrentes. Ou seja, se a autopoiese possibilita compreender os
                organismos viventes como resultantes de sua estrutura autopoiética, a Biologia do
                Conhecer possibilita explicar a mente humana dentro de um processo sucessivo em
                clausura operacional<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>, presente no sistema
                nervoso fechado.</p>
            <p>A Biologia do Conhecer, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maturana e Varela
                    (1995)</xref>, parte do pressuposto de que somos seres emocionais e não
                racionais, como considerados no âmbito da lógica cartesiana. Ter como pressuposto o
                fato de que somos seres emocionais requer compreensões também diferentes sobre o que
                significa aprender, sobre o como se aprende, sobre o que é conhecer, sobre o que é
                conhecimento. No contexto da concepção da Biologia do Conhecer, <xref
                    ref-type="bibr" rid="B13">Maturana e Varela (1995, p. 71)</xref> afirmam que
                “Conhecer é a efetividade operacional do ser vivo em seu domínio de existência,
                permitindo-lhe continuar vivo e, na vivência, melhorar seu mundo”. Essa efetividade
                operacional implica continuidade existencial em domínios vitais que se encontram em
                constante construção e reconstrução. Os autores (1995, p. 68) ainda compreendem e
                afirmam que “[...] todo ato de conhecer produz um mundo” e que “[...] todo fazer é
                conhecer e todo conhecer é fazer”. Portanto, o ato de aprender, muitas vezes
                erroneamente simplificado como envolvendo apenas processos mentais, é francamente
                equivocado. Aprender envolve um universo de ações e experiências efetivas no domínio
                existencial e cotidiano. As concepções de viver, aprender e conhecer constituem uma
                unicidade contínua, ou ainda, uma interdependência, uma complementaridade. Por isso,
                não cabe conceber ou falar em aprendizagem descontextualizada dos mundos vividos,
                das experiências do viver, de o que é e como acontece a vida e o viver, de o que é e
                como acontece a individualidade de um ser vivo, de o que é e como acontece a
                constituição do ser e do fazer-se humano.</p>
            <p>Então, pedagogicamente, explicar <italic>como</italic> conhecemos envolve compreender
                o que acontece no momento em que nós, como observadores, observamos tanto o objeto
                ou fenômeno em observação quanto o nosso próprio observar, nossa tentativa de
                descrever e explicar o que fazemos. É a partir de nossa percepção, e na qualidade de
                observadores, que explicamos um fenômeno. Assim, o conhecimento sobre nós mesmos e
                sobre o mundo em que vivemos se dá de forma singular, por meio de nossas estruturas
                cognitivas (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Maturana, 2001</xref>).</p>
            <p>Reforçamos que os processos envolvidos em nossos fazeres, em nossa constituição, em
                nossa atuação como seres vivos são os elementos que formam o âmbito do conhecer. Por
                isso, “Não há descontinuidade entre o social e o humano e suas raízes biológicas. O
                fenômeno do conhecer é um todo integrado, e todos os seus aspectos estão fundados
                sobre a mesma base” (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Maturana; Varela, 1995, p.
                    69</xref>). Ainda segundo os autores (1995, p. 69), “[...] o fenômeno do
                conhecer não pode ser equiparado à existência de fato ou objetos lá fora, que
                podemos captar e armazenar na cabeça. A experiência de qualquer coisa lá fora é
                validada de modo especial pela estrutura humana, que torna possível a coisa que
                surge na descrição”.</p>
            <p>Somos construtores dos mundos nos quais vivemos em nosso viver<xref ref-type="fn"
                    rid="fn10">10</xref> . Dessa forma, o respeito por nós mesmos e pelos outros, a
                consciência de que nossas ideias e ações causam impactos no meio – seja nas relações
                com o outro, seja nas relações com a natureza – e o reconhecimento de que somos
                corresponsáveis pelas consequências advindas dessas ideias e ações são elementos que
                nos constituem eticamente. “É no domínio da relação com o outro na linguagem que
                sucede o viver humano, e é, portanto, no âmbito ou domínio da relação com o outro
                que tem lugar a responsabilidade e a liberdade como forma de conviver” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997, p. 33</xref>).</p>
            <p>É na relação com o outro que realizamos nosso ser emocional em condutas relacionais
                de aceitação ou negação do outro. Daí decorre a importância da infância acolhedora e
                repleta de ternura, a importância da Educação Infantil e das atividades realizadas
                ora pela contação de histórias, ora pelas canções de ninar, pelas brincadeiras entre
                mãe e filho/a, entre criança e educador/a ou mesmo de crianças entre si. Todas elas,
                quando realizadas com cuidado e zelo e quando provocam sensações de benquerença, com
                carinho e sem propósito ou finalidade, “[...] despertam a consciência para o nosso
                ser no presente, num espaço experiencial comparável ao que as mães (e as educadoras)
                viveram em sua infância e que seus filhos vivem agora ou viveram ao nascer” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B15">Maturana; Verden-Zöller, 2004, p. 152</xref>). Por
                isso, no multiverso infantil, cada criança cria seu espaço psíquico com seu espaço
                relacional ao viver na intimidade e no contato corporal com sua mãe e/ou educadora
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Maturana; Verden-Zöller, 2004</xref>). Essas
                experiências de intensas e suaves convivências, realizadas em total aceitação e
                confiança mútuas em meio a contatos ubíquos, dispensam ações propositais e
                pré-determinadas. Nesse processo,</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] a criança aprende o emocionar e a dinâmica relacional fundamental,
                    constitui o espaço relacional que ela gerará em sua vida. Isto é: o que fará,
                    ouvirá, cheirará, tocará, verá, pensará, temerá, desejará ou rechaçará, como
                    aspectos óbvios de sua vida individual e social, na qualidade de membro de uma
                    família e uma cultura. (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Maturana; Verden-Zöller,
                        2004, p. 12</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Eis o brincar que acontece, eis atividades rítmicas e sonoras refletindo a unidade de
                cada criança, num completo enredo de espontaneidades, um livre brincar que brinda
                com a alegria. Nesse momento e nessa dinâmica, podemos falar em amar. Já não existe
                segredo ou exigência especial para identificar o amar, nem exigência transcendente
                para justificar quando efetivamente amamos. Para <xref ref-type="bibr" rid="B16"
                    >Maturana e Yáñez (2009)</xref>, que desenvolveram o tema da Biologia do
                    Amar<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>, o amar ocorre no fluir do viver
                num presente e na legitimidade de tudo, sem negações, sem preconceitos, sem ambições
                e sem fazer distinções entre bom e mau, entre belo e feio. <xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Maturana e Yáñez (2009, p. 84)</xref> afirmam que</p>
            <disp-quote>
                <p>O amar ocorre no fluir do viver em que alguém vive no domínio das condutas
                    relacionadas a partir das quais esse mesmo alguém – a outra, o outro e tudo o
                    mais – surge sem intenção ou propósito como legítimo outro na convivência com
                    alguém. O amar é visionário, pois ocorre na ampliação do ver (do ouvir, do
                    sentir, do cheirar e do tocar) próprio do espaço das condutas relacionais que
                    ocorrem sem preconceitos, sem expectativas, sem generosidade, sem ambição.</p>
            </disp-quote>
            <p>Para os autores, o amar como um acontecer biológico acontece espontaneamente,
                unidirecionalmente, sem esforço e sem exigências recíprocas. No amar, outra pessoa
                tem presença, e vive-se o ser presente e reconhecido. Por essa razão, “No amar nos
                achamos no bem-estar psíquico e corporal, o que nos causa alegria e harmonia no
                viver e conviver” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Maturana; Yáñez, 2009, p.
                    226</xref>) e ao “[...] negá-lo na tentativa de dar um fundamento racional a
                todas nossas relações e ações nos desumanizamos, tornando-nos cegos a nós mesmos e
                aos outros” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Maturana; Varela, 1997, p.
                33</xref>).</p>
            <p>Assim, tendo como referência a autopoiese, a Biologia do Conhecer e a Biologia do
                Amar, a educação escolar pode dinamizar tanto a formação humana quanto a da
                capacitação. A formação humana está relacionada com o desenvolvimento do ser humano,
                de maneira que este seja capaz de cocriar com outros espaços humanos de convivência
                social. Envolve a criação de condições para o desenvolvimento pleno como ser humano,
                com respeito a si mesmo e ao outro. A individualidade, identidade e confiança do
                outro também são fundamentadas no respeito por si mesmo, num processo mútuo e
                colaborativo. A capacitação está relacionada ao desenvolvimento de habilidades e
                capacidade de ação no mundo no qual se vive, uma dinâmica para realizar o que e como
                se deseja viver (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Maturana; Rezepka,
                2008</xref>).</p>
            <p>Nesse universo, conhecer e compreender os pressupostos da autopoiese, da Biologia do
                Conhecer e da Biologia do Amar proporciona-nos uma perspectiva alternativa em
                relação à limitada lógica da transmissão de conhecimentos úteis e instrumentais.
                Além disso, possibilita-nos ir além da mera operacionalidade – que se concentra na
                mecânica instrumental do poder, do descrever, do medir e do calcular – e permite-nos
                adentrar na experiência do pensamento atento às dimensões íntimas tanto do ser vivo
                quanto do fazer-se humano. Além disso, propicia que reconheçamos nossa capacidade de
                autonomia, de individualidade e unidade. Como reforço e apoio a esse desafio
                pedagógico e formativo, faremos uma rápida incursão no pensamento complexo, cujos
                pressupostos negam a simplicidade e a superficialidade da experiência imediata,
                reconhecendo os limites e as insuficiências da racionalidade técnica.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>A complexidade como emergência criativa</title>
            <p>Considerar a complexidade e os princípios para uma formação mais humana implica
                transcender o reducionismo como espaço operacional. Significa ir além das aparências
                e transpor o ciclo pétreo que insiste em manter uma harmonia violenta entre
                autonomia, individualidade e unidade, perpetuando a opressão desumanizadora. Podemos
                considerar a complexidade também como um poderoso convite para reverter a lógica
                pedagógica e formativa que visa a modelar e a submeter pessoas à obediência, como
                denunciava <xref ref-type="bibr" rid="B1">Adorno (1995, p. 141)</xref>: a “[...]
                modelagem das pessoas, porque não temos o direito de modelar as pessoas a partir do
                seu exterior; mas também não a mera transmissão de conhecimentos, cuja
                característica de coisa morta já foi por demais destacada, mas a produção de uma
                consciência verdadeira”.</p>
            <p>Incapaz de reconhecer a complexidade da realidade, a lógica simplificadora e
                reducionista do paradigma cartesiano confirma suas próprias limitações. A ciência
                requer a compreensão da natureza e da maneira pela qual a sociedade humana nela se
                insere. Se a ciência moderna se constituiu em oposição à natureza, negando sua
                complexidade ao considerá-la cognoscível por meio de um pequeno número de leis
                simples e imutáveis, <xref ref-type="bibr" rid="B25">Prigogine e Stengers
                    (1997)</xref> apontam para uma nova aliança entre o ser humano e a natureza, na
                qual um novo diálogo é possível: “[...] diálogo com uma natureza que não pode ser
                dominada mediante um golpe de vista teórico, mas somente explorada, com um mundo
                aberto ao qual pertencemos e em cuja construção colaboramos” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B25">Prigogine; Stengers, 1997, p. 209</xref>). Não se trata de rompimento,
                nem de substituição, mas sim de uma relação de complementaridade na qual
                reconhecemos que tanto a subjetividade quanto a objetividade, tanto a qualidade
                quanto a quantidade, são importantes e até mesmo indispensáveis na dinâmica da
                construção de conhecimentos. Em outras palavras, ambas, trabalhando em parceria,
                fazem ciência.</p>
            <p>A proposição da teoria da complexidade inscreve-se nas transformações filosóficas
                ocorridas no século XX, influenciada por várias correntes como psicanálise,
                fenomenologia, pragmatismo, estruturalismo, pós-estruturalismo, entre outras. Essas
                correntes argumentaram que a <italic>verdade</italic> não é uma questão de
                objetividade científica, mas sim de intersubjetividade (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B7">Gonçalves, 2010</xref>).</p>
            <p>Edgar Morin é um dos principais pensadores da teoria da complexidade, a qual se
                contrapõe ao modelo conservador e disciplinar que ainda prevalece na Educação.
                Conforme o autor, é preciso substituir um pensamento que isola, que separa, por um
                pensamento que seja capaz de distinguir e de unir. É preciso substituir um
                pensamento disjuntivo e simplificador por um pensamento complexo (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Morin, 2003</xref>).</p>
            <p>A organização do conhecimento em forma disciplinar foi instituída no século XIX, com
                a implementação das universidades modernas. Essa sistematização foi amplamente
                desenvolvida a partir do século XX, com o impulso dado à pesquisa científica. Por um
                lado, o conhecimento disciplinar realiza a circunscrição de uma área de competência,
                sem a qual o conhecimento tornar-se-ia intangível. Por outro lado, há o perigo da
                hiperespecialização, por fragmentar o conhecimento em parcelas ao se considerar
                apenas um aspecto ou uma parte (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Morin, 1999</xref>).
                Perigosamente, o conhecimento disciplinar conduz ao obscurantismo e às
                generalizações, e Morin adverte que “[...] o próprio especialista torna-se ignorante
                de tudo aquilo que não concerne a sua disciplina e o não-especialista renuncia
                prematuramente a toda possibilidade de refletir sobre o mundo, a vida e a sociedade”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Morin, 2008, p. 17</xref>). Então, <xref
                    ref-type="bibr" rid="B17">Morin (2003, p. 15)</xref> fala em conhecimento
                pertinente como sendo aquele que é capaz de situar qualquer informação em seu
                contexto, uma vez que “[...] o conhecimento progride não tanto por sofisticação,
                formalização e abstração, mas, principalmente, pela capacidade de contextualizar e
                englobar” as emergências e as exceções.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B21">Morin (2005)</xref> adverte que a complexidade não
                deve ser pensada como uma receita, mas sim como um desafio e uma motivação para o
                pensamento. Além disso, não deve ser confundida com completude, uma vez que o
                problema da complexidade reside justamente na incompletude do conhecimento. Nesse
                sentido, enquanto o pensamento simplificador separa ou unifica por uma redução
                mutilante, a complexidade busca a articulação entre disciplinas, categorias
                cognitivas e diferentes formas de conhecimento. Em vez de isolar e separar os
                fenômenos, a complexidade possibilita intercomunicações, aspirando a um conhecimento
                multidimensional.</p>
            <p>Dessa forma, o desafio da complexidade desdobra-se em dois: o desafio da religação,
                no sentido de religar o que é percebido como separado, e o desafio da incerteza, no
                sentido de possibilitar que as certezas interajam com a incerteza. Isso significa
                reconhecer que as descobertas e criações teóricas ou tecnológicas da ciência não
                trazem somente benefícios para as pessoas ou para o entorno ambiente, nem se limitam
                à sensação de segurança. Elas também podem alimentar o exercício do poder, o
                exercício da vigilância e do controle, bem como permitir a construção de armas de
                destruição em massa e possibilitar a manipulação genética. Essas situações desumanas
                constituem-se, portanto, como frutos de uma inteligência pré-configurada para
                priorizar a separação e a fragmentação e que, ao fracionar as complexas
                problemáticas, insiste em unidimensionalizar o multidimensional, atrofiando as
                possibilidades de reflexão e de compreensão (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Morin,
                    1999</xref>).</p>
            <p>No cenário da educação, o retalhamento das disciplinas no ensino formal torna
                impossível uma tessitura conjunta, isso é, impede que se reconheça a complexidade
                como algo que é tecido junto (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Morin, 2005</xref>).
                    <xref ref-type="bibr" rid="B23">Morin, juntamente com Sloterdijk (2021, p.
                    64)</xref>, reconhece que “Vivemos sob o domínio dos conhecimentos separados,
                compartimentalizados, dispersos, que permitem apenas saberes parcelares e separados
                que nos impedem de conceber e até mesmo de identificar os problemas globais e
                fundamentais”. A capacidade de articulação entre os saberes, “[...] a aptidão para
                contextualizar e integrar é fundamental da mente humana, que precisa ser
                desenvolvida, e não atrofiada” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Morin, 2003, p.
                    16</xref>).</p>
            <p>A ciência moderna, bem como os fazeres pedagógicos que dela emergem, tem sim suas
                virtudes e benefícios nos mais diversos domínios do conhecimento. Entretanto, também
                engloba superstições como uma coletânea de equívocos e de erros, considerando-se o
                contexto contemporâneo. Talvez o sonho da reversão da lógica simplista e
                homogeneizante, que alimenta a ignorância e a cegueira excludentes, não esteja
                exatamente nas virtudes das singularidades e das diversidades, as quais deveriam se
                reencontrar não por questões de necessidade, mas, acima de tudo, por opções de
                escolha, de responsabilidade e de desejos.</p>
            <p>Os conhecimentos envolvem multiplicidades e diversidades e, dessa forma, não podem
                ser reduzidos a uma única dimensão, seja de teoria, de ideias ou de informações. Em
                suas múltiplas dimensões, os conhecimentos reiteram atitudes de respeito e diálogo
                com outras formas de saber (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Morin, 2008</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B27">Santos, 2009</xref>). Reconhecer que há no mundo
                todo muitas formas de saber, particularmente aquelas que foram suprimidas por
                séculos em povos e nações colonizadas, significa entender que o mundo é
                epistemologicamente diverso e complexo. Isso implica reflexões igualmente profundas
                e complexas, considerando diferentes interpretações e intervenções nas organizações
                humanas, nas formas relacionais, nas jornadas dos viveres e nos significados dos
                cotidianos vividos baseados em diferentes conhecimentos e culturas. Esse tipo de
                reconhecimento e respeito leva à compreensão da complexidade, capaz de descortinar
                comunicações inéditas que, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B25">Prigogine e
                    Stengers (1997, p. 225)</xref>, nos habilitam aos diferentes fazeres “[...] face
                às exigências sem precedentes da nossa época”.</p>
            <p>Sabemos que o isolamento disciplinar não se sintoniza somente com o individualismo,
                mas também com o “[...] senso de responsabilidade – cada um tende a ser responsável
                apenas por sua tarefa especializada –, bem como ao enfraquecimento da solidariedade”
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Morin, 2000, p. 18</xref>), deixando a dinâmica
                dos encontros e do conversar com outros cada vez mais fragilizada. Priorizamos os
                conhecimentos técnicos, conhecimentos de ordem estrutural e funcional das coisas,
                porque dimensionáveis e, basicamente, esquecemos os conhecimentos de ordem
                processual e relacional no âmbito das condutas, interações e interdependências
                humanas. Somos sofisticados em conhecimentos técnicos, registramos enormes avanços
                no que se refere ao produtivismo material, genético, agrícola e administrativo, mas
                permanecemos na infância quando se trata de desenvolvimento humano, social e de
                equilíbrio para com a natureza. Porém, imersos em lógicas simplistas e já capazes de
                detectar o envilecimento de nosso entorno ambiente, bem como as desigualdades
                sociais, econômicas e culturais, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Morin e Sloterdijk
                    (2021, p. 49)</xref> advertem:</p>
            <disp-quote>
                <p>As degradações exteriores dos ambientes natural e urbano são visíveis, enquanto
                    as determinações civilizacionais de nossas degradações interiores não são
                    visíveis. Elas são vivenciadas no plano individual, como enfermidades,
                    angústias, solidões, insônias, depressões, na ignorância de suas condições
                    históricas e civilizacionais.</p>
            </disp-quote>
            <p>De forma similar e igualmente questionadora, Rolf Behncke, ao prefaciar o livro
                    <italic>A árvore do conhecimento</italic> (1995, p. 14), de Maturana e Varela,
                questiona:</p>
            <disp-quote>
                <p>Será possível que nossa grande eficácia para viver nos mais diversos ambientes se
                    veja eclipsada e por fim anulada diante de nossa incapacidade para conviver com
                    os outros? Será possível que a humanidade, tendo conquistado todos os ambientes
                    da Terra (inclusive o espaço extraterrestre), possa estar chegando ao fim,
                    enquanto nossa civilização se vê diante do risco de extinção, só porque o ser
                    humano ainda não conseguiu conquistar a si mesmo, compreender sua natureza e
                    agir a partir desse entendimento?</p>
            </disp-quote>
            <p>A ignorância da humanidade em relação a si mesma, a profunda incompreensão em relação
                ao mal-estar da alma e ao mal-estar espiritual fazem parte dos questionamentos
                feitos por Behncke, os quais potencializam o desafio da concepção da autopoiese e do
                pensamento complexo. Maturana, quando convidado a palestrar sobre educação e
                aprendizagem, esclareceu que, antes de falar dessas temáticas, era imprescindível
                conhecer a organização de um ser vivo, no caso, um ser humano. Nesse cenário, o/a
                professor/a deve ser desafiado/a a conhecer a si mesmo/a e a conhecer cada um de
                seus alunos como pessoas, <italic>personas,</italic> não somente em termos de
                estrutura funcional ou propriedades características de seus componentes orgânicos.
                Deve reconhecer seus estudantes como seres autônomos, com individualidade e unidade.
                Nenhuma sistemática linear, simplista e fragmentária contempla, fundamenta e
                sustenta esse multiverso de reflexões. Trata-se de um vagar de reflexões que
                possibilita o reconhecimento da complexidade do ser humano, da condição humana, a
                complexidade da singularidade e da diversidade, a complexidade e a
                multidimensionalidade de suas condutas individuais e sociais, a imensurável
                elasticidade de sua rede neuronial e as inexprimíveis possibilidade de aprendizagens
                dela decorrentes. São múltiplos e complexos saberes, já que, como defende <xref
                    ref-type="bibr" rid="B21">Morin (2005, p. 55</xref>, grifo nosso), a humanidade
                é uma “<italic>Unitas multiplex</italic>: unidade e diversidade humana”. Enfático,
                    <xref ref-type="bibr" rid="B21">Morin (2005)</xref> defende a tese de uma
                educação em prol da unidade humana, mas não a unidade homogeneizante que anula as
                diversidades, e sim a unidade do humano em sua diversidade e sua diversidade na
                unidade.</p>
            <p>Compreender o humano constitui uma via capaz de aproximar professores/as e estudantes
                na realização da experiência do pensar e do conviver. Essa dinâmica reflexiva
                possibilita o afastamento da incompreensão e da negação, não somente no contexto da
                sala de aula, mas também no contexto social e como seres humanos. Tal incompreensão
                se estende para muito além da relação profissional entre professor/a e aluno,
                porque, acima de tudo, destrói a vida interior, a confiança e a aceitação mútua, tão
                fundamentais num ambiente escolar e formativo. Sem confiança mútua, sem aceitação do
                outro como legítimo outro, abrem-se as vias do individualismo, do solipsismo,
                levando tanto professores/as quanto alunos/as a se renderem à modelagem empresarial,
                tornando-se empreendedores de si mesmos e considerando a luta, a competição e a
                autorização como centro de seus viveres, para, assim, explorar o outro, concebendo-o
                tão somente como um instrumento útil, perpetuando a escravidão contemporânea.</p>
            <p>Enquanto estivermos focados na urgência da lógica competitiva, que equivale à negação
                do/a outro/a, validamos a indiferença para com os desafortunados, para com os mais
                vulneráveis, decretando a morte da solidariedade. E mais, se isso ocorrer, formar-se
                e formar os outros para a não indiferença seguirá sendo um projeto postergável e
                prescindível. Para <xref ref-type="bibr" rid="B23">Morin e Sloterdijk (2021, p.
                    58-59)</xref>, “[...] a competição generalizada envenena o sentimento de viver
                gerando um mal-estar para o qual seria vão criar qualquer tipo de esperança, nem
                mesmo como resposta consoladora”.</p>
            <p>As múltiplas questões e desafios com que se depara a Educação evidenciam a
                importância de diferentes paradigmas e diferentes pressupostos investigativos
                capazes de ultrapassar os limites disciplinares, desafios que requerem intensas e
                extensas reflexões conjugando linguagens, conceitos e discursos, numa relação de
                complementaridade, ultrapassando a disjunção entre ciências e humanidades.
                Compreendemos que não se trata de escolher entre um método ou outro, uma ciência ou
                outra, uma abordagem ou outra, mas em conjugar as diferentes abordagens disponíveis
                para uma melhor compreensão das questões e problemas que a Educação apresenta na
                contemporaneidade.</p>
            <p>Podemos transformar os fazeres pedagógicos em bastiões da resistência ao
                reconhecermos que o raso conhecimento técnico ou científico não poderá jamais
                substituir a reflexão intelectual e humana, Assim, há que se fazer da aprendência
                uma bonita e efetiva oportunidade para compartilhar, uma vez que “[...] o papel
                central da inteligência humana deixou de ser a capacidade para resolver problemas
                para ser a capacidade de entrar num mundo compartilhado” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B30">Varela; Thompson; Rosch, 2003, p. 210</xref>).</p>
            <p>Pela concepção de autopoiese, é possível compreender que a evolução humana aconteceu
                de forma congruente com o compartilhamento de alimentos, por meio de interações
                recorrentes e prazerosas de convivência, assim como por encontros sensuais, o que
                ressalta a importância da partilha, do cuidado e do reconhecimento da legitimidade
                do outro, características inerentes à nossa natureza humana. Conforme escreve Rolf
                Behncke, ao prefaciar o livro de <italic>A árvore do conhecimento</italic> (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B13">Maturana; Varela, 1995, p. 24</xref>):</p>
            <disp-quote>
                <p>O que precisamos então não é criar impulsos biológicos novos, nem tentar melhorar
                    a inteligência humana por meio da engenharia genética, nem esperar uma ajuda
                    sobrenatural ou extraterrestre que não chegará. A única coisa que podemos e
                    devemos fazer é libertar em toda a sua extensão esses impulsos biológicos
                    naturais que já possuímos, prestando-lhes toda a ajuda que pudermos, removendo,
                    com nossa reflexão consciente, todos os ramos, muros e toneladas de rancores
                    acumulados como escombros que os sufocam e esmagam, já que, estando como estão,
                    acham-se orientados contra outros homens, o que impede de libertá-los na plena
                    manifestação de sua maravilhosa dimensão natural, que é nossa realização
                    existencial de seres sociais e sociáveis.</p>
            </disp-quote>
            <p>(Re)pensar a Educação na contemporaneidade no viés da autopoiese e da complexidade
                implica compreender que é urgente resgatar a formação humana, acolhendo e
                valorizando o estudante em sua individualidade, reconhecendo-o como ser complexo e
                aceitando-o como unidade legítima, interdependente e, ao mesmo tempo,
                complementar.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>Ousamos iniciar este tópico derradeiro, que entendemos demarcado pela incompletude,
                com um desafio proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B23">Morin e Sloterdijk
                    (2021, p. 73)</xref>: “Tudo começa por um desvio; se ele se enraíza e se
                transforma, torna-se uma tendência que, por sua vez, se converte numa força
                histórica. Os inícios são de uma modéstia surpreendente. Estamos intimados a
                começar”. E, como anteriormente afirmado, estamos envoltos em cenários de crises de
                negação e de criatividade, cenários que clamam por prudência como pressuposto e
                prenúncio de uma ciência e de viveres humanos continuamente em metamorfose.</p>
            <p>Sabemos ser desafio alargado desejar sensibilizar outros para um novo começo,
                fundamentamo-nos em pressupostos epistemológicos e formativos, concepções oriundas
                da teoria da autopoiese e do pensamento complexo. Desenvolvemos alguns tópicos, sem
                esgotá-los, mas apontamos diferenças profundas entre o <italic>como</italic> emergem
                e <italic>no que</italic> implicam as concepções autopoiéticas e complexas, se
                consideradas como sustentos de proposições formativas em domínios contemporâneos.
                Nossa problemática expressa desafiava: quais pressupostos epistemológicos e
                formativos podem sustentar uma proposição formativa em domínios contemporâneos?</p>
            <p>Reafirmamos que a sociedade contemporânea, frente às constantes transformações, exige
                de nós, educadores, (re)pensar a Educação e seus pressupostos formativos, (re)pensar
                as formas de compreender e de agir no processo educativo, para, então, desvelar
                outras possibilidades didático/pedagógicas e formativas.</p>
            <p>Nesse sentido, há uma importante e crescente tendência de que os pressupostos
                epistemológicos que embasam as práticas educativas sejam revisitados, ampliados e
                reorganizados (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Strieder; Lago; Eidt, 2017</xref>).
                Por conseguinte, cabe pensar e fazer uma educação que, em vez de fragmentar o
                conhecimento, possa favorecer dinâmicas de coesão entre os saberes e sensibilizar
                para condutas investigativas e reflexivas, pois “[...] precisamos de uma cultura que
                permita abrir-se aos diferentes tipos de conhecimento” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B20">Morin, 2007, p. 27</xref>).</p>
            <p>Reconhecemos que conhecer, refletir e compreender as concepções da autopoiese e da
                complexidade, em nosso sofrido contexto vivencial e educacional, pode alavancar
                desvios, dissidências, fissuras e aberturas para novas esperanças de humanidade. Na
                contemporaneidade, globalizamos a indiferença, o empresariamento de si mesmo, o
                individualismo solipsista, a paralisia massificadora e a obediência cega e
                irresponsável. Esquecemo-nos do ser humano que coabita em nossa persona e
                tornamo-nos ignorantes de identidade, de singularidade e de unidade, tanto quanto da
                complementaridade e da complexidade da vida, das existências, do viver e do
                conviver, pois ignorantes da interdependência. Fracassamos no conhecimento do
                fazer-nos humanos, do sentir-nos humanos, do conviver <italic>com</italic> e
                    <italic>como</italic> humanos. Não somente esquecemos, mas também abandonamos os
                princípios colaborativos de nosso longo e complexo processo evolutivo, e
                encontramo-nos enfermos na dor e no sofrimento porque substituímos o fazer-se humano
                pela obtenção de lucros e de bens materiais, enquanto, simultaneamente, colecionamos
                doenças, estresses, ansiedades e depressões.</p>
            <p>Eis nossa crise existencial, a crise de ser e fazer-se gente. Crise que, assim como a
                complexidade, aspira a emoldurar emergências e criatividades. Nessa reflexão, nós as
                buscamos nas sendas da autopoiese e do pensamento complexo. Ambas emergem como
                alternativas e com pressupostos diferentes para fazeres pedagógicos e formativos
                também diferentes. Juntamente com elas, surgem diferentes e múltiplas formas de
                relacionamento científico com os recursos de nosso domínio existencial, nas quais
                podemos priorizar uma formação humanizadora substancial, que reconheça e compreenda
                a existência do outro e respeite a diversidade de saberes como imprescindíveis à
                dinâmica da legitimação dos conhecimentos. Isso é tão fundamental quanto a
                existência de todo e qualquer ser humano.</p>
            <p>Os debates em torno da teoria da complexidade, tal como a concepção da autopoiese, em
                termos epistemológicos, têm evidenciado a importância de diferentes pressupostos
                para a compreensão dos mundos, tanto físico quanto vivenciais, dos fenômenos
                formativos, do ser humano e do fazer-se humano. Importam, pois, movimentos
                pedagógicos e formativos com abordagens dos fenômenos biológicos, dos fenômenos
                formativos, humanos e sociais em dimensões globais e multidimensionais, sem negar as
                singularidades que lhe são peculiares. Importa compreender a importância da
                Educação, no presente e no amanhã, para que haja um desenvolvimento da compreensão
                humana, uma vez que ela exige a reforma planetária das mentalidades, como indicado
                por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Morin (2005)</xref>. Sem essa reforma,
                seguiremos percorrendo as estradas esburacadas pelas cegueiras, pela obediência e
                pela servidão voluntária, pois, como refletem <xref ref-type="bibr" rid="B23">Morin
                    e Sloterdijk (2021, p. 20-21)</xref>, com “Subjetividades amputadas, indivíduos
                assujeitados não são capazes de promover qualquer tipo de transformação. Muito menos
                em uma sociedade individualista e competitiva como a nossa”.</p>
            <p>Maturana, Varela e Morin são unânimes em reconhecer que o conhecimento puramente
                racional, científico e técnico é insuficiente para dirimir a incompreensão humana e
                a ferocidade das divergências que alimentam o ódio, a indiferença e os privilégios,
                transformados em controles agressivos e submissões desumanas. O convite presente na
                concepção da autopoiese e da complexidade envolve a imersão reflexiva, reflexões
                formativas voltadas à compreensão do ser e do fazer-se humano, do fazermos sistemas
                sociais e do criarmos nossas condutas, nossas aprendizagens, nossos viveres e
                conviveres. Ambas as concepções nos convidam a romper com a inércia intelectual e a
                aprofundarmo-nos em temáticas que buscam a compreensão humana da qual nos
                distanciamos por séculos. Isso inclui a compreensão de si mesmo e a compreensão de
                como fazemos acontecer as relações sociais, a sensibilidade do ser corresponsável e
                a consciência das consequências de nossas ações. A ênfase na livre reflexão – que
                leva ao nosso reconhecimento como seres autônomos, singulares e formados por uma
                unidade e ao reconhecimento de nossa complexidade e da complexidade das realidades
                criadas – permite-nos escapar das armadilhas e da atrofia disciplinar e
                individualista, abrindo caminhos para a corresponsabilidade e para uma ética da
                compreensão.</p>
            <p>Em forma sugestiva, sem ensejar receituário, indicamos algumas dinâmicas para fazeres
                didático-pedagógicos a serem conduzidos por educadoras/es: formar grupos de estudos
                e reflexões – constituir um laboratório de reflexões – para aprofundar e ampliar o
                entendimento e a compreensão das concepções de autopoiese, complexidade e outras;
                vivenciar a experiência do diálogo, da confiança, do respeito e da colaboração como
                dinâmicas dos processos de aprendizagem, como sustenta <xref ref-type="bibr"
                    rid="B10">Maturana (1998, p. 29)</xref> ao afirmar que “O educar ocorre todo o
                tempo e de maneira recíproca”, decorrente de “[...] uma transformação estrutural
                contingente com uma história no conviver, e o resultado disso é que as pessoas
                aprendem a viver de uma maneira que se configura de acordo com o conviver da
                comunidade em que vivem” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Maturana, 1998, p.
                    29</xref>); considerar prescindível a lógica da competição, uma vez que ela visa
                valorar os fazeres em referência a um outro, induzindo a autonegação e a negação do
                outro, gerando dor e sofrimento.</p>
            <p>Se o que move a humanidade são as perguntas e não as respostas, cabe sinalizar para
                os mistérios, para o incompreensível, a partir de situações na natureza, situações
                no coexistir e no entorno, surpreendendo o estudante com o desconhecido, levando-o a
                questionar as problemáticas em meio às complexidades existenciais. E, ainda, faz-se
                necessário que a escola deixe de ser uma fábrica de respostas pré-fabricadas.
                Portanto, desafia-se as/os educadoras/es a desenvolverem uma consciência orientada
                para a reflexão e a promoverem ações éticas visando ao gradativo abandono da
                alienação na onipotência e ao ressurgir da corresponsabilidade no convívio em
                colaboração e respeito mútuo.</p>
            <p>Pelo viés da autopoiese e da complexidade, é possível superar gradualmente a
                mentalidade fragmentária, incentivando a visualização das interconexões e das
                contextualizações dos conhecimentos e do viver, tudo isso pautado no objetivo de
                desencadear vivências inclusivas. Eis uma possibilidade para superar princípios
                educacionais fractais, abrindo espaço para princípios sistêmicos, autopoiéticos e
                complexos.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="supported-by">
                <p>Este estudo foi financiado pelo Programa de Bolsas Universitárias de Santa
                    Catarina e Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior
                    – UNIEDU/FUMDES.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Tema a ser desenvolvido em livro – em construção – pelo sociólogo José de Souza
                    Martins, professor titular aposentado da USP. Também uma referência aos casos
                    tipificados como escravização contemporânea, como a da empresa M5 Indústria e
                    Comércio; o caso dos cerca de 200 trabalhadores resgatados em Bento
                    Gonçalves/RS; entre outros.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>Entendemos, aqui, por equilíbrio, nos termos concebidos por <xref ref-type="bibr"
                        rid="B10">Maturana (1998)</xref>, o fato de que, por serem sistemas
                    determinados estruturalmente, os seres vivos produzem continuamente a si
                    mesmos.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>Segundo o filósofo Paul <xref ref-type="bibr" rid="B26">Ricoeur, em
                            <italic>Percurso do Reconhecimento</italic> (2006)</xref>, o
                    reconhecimento mútuo implica o ato mútuo de reconhecer o outro por meio da
                    gestualidade do dom, sem imprimir violência ou conflito.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>Diferentemente da lógica fragmentária, o pensamento complexo convida para o
                    reconhecimento da interdependência também nos processos de ensino e
                    aprendizagem, pois, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B22">Morin (2000,
                        p. 41)</xref>, “[...] há um tecido interdependente, interativo e
                    inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes e o
                    todo, o todo e as partes, as partes entre si”.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn5">
                <label>5</label>
                <p>O princípio da complementaridade foi elaborado em 1927 por Niels Bohr. Esse
                    princípio afirma que as duas imagens, corpuscular e ondulatória, são duas
                    descrições complementares de uma mesma realidade. Além disso, possibilita
                    articular os opostos e convida para olhar os tradicionais antagonismos e visões
                    binárias como formas integradas de realidades. Assim, nos possibilita
                    compreender que os seres humanos são, simultaneamente, <italic>sapiens</italic>
                    e <italic>demens</italic>, biológicos e culturais, e que o bem e o mal
                    convivem.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn6">
                <label>6</label>
                <p>A entropia tende a medir o grau de desordem de um sistema. O conceito foi
                    desenvolvido inicialmente por Nicolas Sadi Carnot, ao concluir sobre a
                    impossibilidade de construir uma máquina térmica 100% eficiente. Essa concepção
                    possibilitou a formulação da Segunda Lei da Termodinâmica, que diz que um
                    sistema termicamente isolado, com o passar do tempo, tende a aumentar sua
                    entropia, até atingir seu valor máximo.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn7">
                <label>7</label>
                <p>Idealizada por Francis Bacon, a abordagem indutiva tem seus princípios gerais
                    extraídos a partir da análise de dados obtidos através da observação e da
                    experimentação. O método indutivo observa e supõe, por meio de dados, para
                    chegar a uma conclusão.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn8">
                <label>8</label>
                <p>Na abordagem dedutiva, empregada inicialmente na matemática e na física teórica,
                    as verdades são derivadas de princípios elementares. O método dedutivo parte de
                    verdades gerais e conclusões já conhecidas e existentes, para fazer explicações
                    e também previsões.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn9">
                <label>9</label>
                <p>A clausura operacional, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B13">Maturana e Varela
                        (1995)</xref>, pode ser melhor compreendida como fechamento operacional, ou
                    seja, o sistema nervoso, diante das contínuas perturbações, opera como uma rede
                    fechada, mantendo invariáveis as relações entre seus componentes.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Temos como referência <xref ref-type="bibr" rid="B16">Maturana e Yáñez
                        (2009)</xref>, que defendem que os princípios de um ser humano se encontram
                    na reflexão de si próprio, de modo que a sabedoria está presente o tempo todo no
                    viver e no conviver nas redes de coordenações recursivas, na cultura, na
                    linguagem e no próprio ser. Por isso mesmo, faz surgir “[...] <italic>um
                        habitar</italic> em que o amar (como emoção constitutiva de reflexionar) é a
                    emoção que guia seu viver e conviver como o âmbito em que surgirão tanto suas
                    distinções cotidianas do viver como sua própria consciência e suas ações
                    efetivas nos diferentes âmbitos do viver que vive, tendo como resultado um
                    âmbito de coerências operacionais com as circunstâncias que se vivem que, ao ser
                    componente e participante das coerências estruturais da biosfera, da cultura ou
                    do cosmos a que se pertence, gera um habitar numa antroposfera que faz possível
                    a sabedoria como um modo de conviver em harmonia com o presente sistêmico a que
                    se pertence” (p. 122, grifos dos autores).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Nas reflexões de <xref ref-type="bibr" rid="B16">Maturana e Yáñez (2009)</xref>,
                    a Biologia do Amar é o fundamento biológico do mover-se de um ser vivo, no
                    prazer de estar presente onde está, com confiança de ser acolhido, seja pelas
                    circunstâncias, seja por outros seres vivos. Os autores destacam que: “A
                    Biologia do Amar constitui o fundamento do bem-estar no viver e conviver como
                    dinâmica relacional no fato de que o amar consiste nas condutas relacionais a
                    partir das quais o outro, a outra, o próprio ou o outro surge como legítimo
                    outro na convivência com a gente, é o fundamento do mútuo respeito. Assim o amar
                    é a única emoção que amplia o olhar e expande o ver, o ouvir, o tocar, o sentir
                    e faz isto porque é o único olhar que não antepõe um preconceito, uma
                    expectativa, uma exigência ou um desejo como guia do ouvir e do olhar na conduta
                    reacional que se vive” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Maturana; Yáñez, 2009,
                        p. 171</xref>).</p>
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