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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">2175-795X</issn>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e94693</article-id>
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                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
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            <title-group>
                <article-title>Corpos em vigilância na Educação Infantil: entre a regulação e a
                    violação de direitos</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>Bodies under surveillance in early childhood education: between
                        regulation and violation of rights</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="fr">
                    <trans-title>Órganos en vigilancia en la educación infantil: entre la regulación
                        y la vulneración de derechos</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Felipe</surname>
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                        <surname>Leguiça</surname>
                        <given-names>Michele Lopes</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Rosa</surname>
                        <given-names>Cristiano Eduardo da</given-names>
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                    UFRGS, Brasil, E-mail: janefelipe.souza@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0003-4802-2113</institution>
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                    UFRGS, Brasil, E-mail: micheleleguica@hotmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0001-8737-1653</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
                    UFRGS, Brasil, E-mail: cristiano1105@hotmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0003-0036-7892</institution>
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            <volume>42</volume>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Neste artigo, analisamos e discutimos como a Educação Infantil, sob a perspectiva
                    da vigilância dos corpos infantis, tem reproduzido um modelo dicotômico de
                    oposição binária, especialmente no contexto das temáticas de gênero e
                    sexualidade. Partimos de uma abordagem pós-estruturalista e recorremos aos
                    Estudos de Gênero como base teórica para investigar e questionar tanto os
                    mecanismos de regulação quanto as práticas de violação dos corpos das crianças.
                    Entendemos que essas práticas, muitas vezes implícitas ou naturalizadas, operam
                    na primeira etapa da Educação Básica, moldando os corpos e comportamentos
                    infantis dentro de um quadro normativo. Nesse sentido, identificamos que há uma
                    produção de saberes fomentados por meio de uma pedagogia de controle, que busca
                    disciplinar os corpos infantis conforme valores hegemônicos de gênero. Contudo,
                    destacamos que esse processo não é linear ou unilateral: as crianças também
                    desenvolvem estratégias criativas para resistir a essas normatizações e
                    subverter os controles impostos sobre seus corpos. Essa tensão entre regulação e
                    resistência revela um campo dinâmico e complexo, no qual as crianças não são
                    apenas receptoras passivas, mas agentes ativos na construção de suas
                    subjetividades. O estudo busca, assim, contribuir para um debate crítico sobre
                    como práticas pedagógicas podem perpetuar desigualdades e apontar caminhos para
                    uma educação com mais equidade e inclusiva.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>In this article, we analyze and discuss how Early Childhood Education, from the
                    perspective of the surveillance of children’s bodies, has reproduced a
                    dichotomous model of binary opposition, especially in terms of gender and
                    sexuality. We start from a post-structuralist approach and use Gender Studies as
                    a theoretical foundation to research and question the mechanisms of regulation
                    and the practices that violate children’s bodies. We understand that these
                    practices, often implicit or naturalized, operate at the first stage of Basic
                    Education, molding children’s bodies and behaviors within a normative framework.
                    In this regard, we note that knowledge production is guided by a pedagogy of
                    control which seeks to discipline children’s bodies according to hegemonic
                    gender values. Nonetheless, we stress that this process is neither linear nor
                    unilateral: children also develop creative strategies to resist such
                    standardization and subvert the controls imposed on their bodies. This tension
                    between regulation and resistance reveals a dynamic and complex field in which
                    children are not just passive recipients, but active agents in the construction
                    of their subjectivities. Hence, our study contributes to a critical debate on
                    how pedagogical practices may perpetuate inequalities and points to pathways
                    towards a more equitable and inclusive education.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="es">
                <title>Resumen</title>
                <p>En este artículo analizamos y discutimos cómo la Educación Infantil, desde la
                    perspectiva de la vigilancia del cuerpo de los niños, ha reproducido un modelo
                    dicotómico de oposición binaria, especialmente en el contexto de las temáticas
                    de género y sexualidad. Partimos de un enfoque postestructuralista y utilizamos
                    los Estudios de Género como base teórica para investigar y cuestionar tanto los
                    mecanismos regulatorios como las prácticas de vulneración de los cuerpos de los
                    niños. Entendemos que estas prácticas, muchas veces implícitas o naturalizadas,
                    operan en la primera etapa de la Educación Básica, moldeando los cuerpos y
                    comportamientos de los niños dentro de un marco normativo. En este sentido,
                    identificamos que existe una producción de conocimiento fomentada a través de
                    una pedagogía del control, que busca disciplinar los cuerpos de los niños según
                    valores hegemónicos de género. Sin embargo, destacamos que este proceso no es
                    lineal ni unilateral: los niños también desarrollan estrategias creativas para
                    resistir estas normas y subvertir los controles impuestos a sus cuerpos. Esta
                    tensión entre regulación y resistencia revela un campo dinámico y complejo, en
                    el que los niños no son sólo receptores pasivos, sino agentes activos en la
                    construcción de sus subjetividades. De este modo, el estudio busca contribuir a
                    un debate crítico sobre cómo las prácticas pedagógicas pueden perpetuar las
                    desigualdades y señalar caminos hacia una educación más equitativa e
                    inclusiva.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Infâncias</kwd>
                <kwd>Gênero</kwd>
                <kwd>Sexualidade</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Childhoods</kwd>
                <kwd>Gender</kwd>
                <kwd>Sexuality</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="fr">
                <title>Mots-clés:</title>
                <kwd>Infancias</kwd>
                <kwd>Género</kwd>
                <kwd>Sexualidad</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <disp-quote>
            <p><italic>Um corpo não é apenas um corpo. É também o seu entorno. Mais do que um
                    conjunto de músculos, ossos, vísceras, reflexos e sensações, o corpo é também a
                    roupa e os acessórios que o adornam, as intervenções que nele se operam, a
                    imagem que dele se produz, as máquinas que nele se acoplam, os sentidos que nele
                    se incorporam, os silêncios que por ele falam, os vestígios que nele se exibem,
                    a educação de seus gestos... enfim, é um sem limite de possibilidades sempre
                    reinventadas, sempre à descoberta e a serem descobertas. Não são, portanto, as
                    semelhanças biológicas que o definem, mas fundamentalmente os significados
                    culturais e sociais que a ele se atribuem</italic> (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B18">Goellner 2008, p. 28</xref>)</p>
        </disp-quote>
        <sec>
            <title>Sobre o governo dos corpos infantis: questões iniciais</title>
            <p>Os corpos infantis sempre estiveram à mercê das concepções e expectativas dos
                adultos, a começar pelos <italic>scripts</italic> de gênero, traçados mesmo antes do
                nascimento, graças aos avanços tecnológicos que permitem saber, por meio de
                sofisticados exames, o sexo do bebê (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Felipe,
                    2019</xref>). Embora, nos últimos anos, tenhamos avançado nos debates em torno
                da construção das masculinidades e feminilidades, lançando o olhar para os processos
                históricos, culturais e sociais sobre o tema das identidades, superando assim
                concepções estritamente biológicas, que tinham a pretensão de explicar os
                comportamentos de meninos e meninas, homens e mulheres, por outro lado temos nos
                deparado com um movimento de retorno a essa visão dicotômica, calcada numa oposição
                binária (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Preciado, 2020</xref>).</p>
            <p>O presente artigo busca refletir sobre esse modelo dicotômico, especialmente em
                relação à vigilância dos corpos infantis, quando se trata de gênero e sexualidade.
                Importante também ressaltar as estratégias utilizadas pelas crianças a fim de
                escapar de tais controles, evidenciando o quanto a construção das identidades pode
                se dar de forma complexa e dinâmica.</p>
            <p>Cabe referir que algumas das análises aqui apresentadas, na perspectiva dos Estudos
                de Gênero (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Louro, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B24">2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Felipe, 2019</xref>),
                parte delas oriundas de pesquisa realizada com crianças de cinco e seis anos, em uma
                escola pública localizada na periferia do município de Uruguaiana, na fronteira do
                Rio Grande do Sul, mostram de que maneira a Educação Infantil está implicada nesse
                processo de reprodução de uma constante vigilância dos corpos infantis (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B21">Leguiça, 2019</xref>). A partir de diversos discursos
                e procedimentos dentro e fora do ambiente escolar, a começar pelas famílias, tais
                patrulhamentos são reiterados também pelos/as professores/as.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B10">Costa, Kuhn e Ilha (2019, p. 3)</xref>, ao discutirem
                sobre o governo dos corpos infantis, mencionam os saberes das psicologias e das
                pedagogias, “que se estendem em regras, preceitos e recomendações forjadas a partir
                de prescrições modernas das noções históricas e psicológicas da infância”.</p>
            <p>De acordo com as autoras</p>
            <disp-quote>
                <p>A privação da liberdade da criança é manipulada sem sutilezas: em nome da não
                    degeneração da espécie imputa-se aos corpos-sujeitos-crianças as mais impiedosas
                    práticas de contenção e castração, sobretudo dos movimentos corporais livres. Os
                    primeiros tratados de puericultura, que datam de 1565, prescrevem desde como
                    alimentar e governar as crianças a datar do nascimento, até a exaltação dos
                    exercícios físicos contínuos considerados mais edificadores do que aqueles
                    realizados espontaneamente. A literatura pedagógica tem um berço científico
                    bastante duro de contrapor, pois foi preceituada quase unanimemente por médicos,
                    cientistas supostamente autorizados para tal (<xref ref-type="bibr" rid="B10"
                        >Costa; Kuhn; Ilha, 2019, p. 4</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B29">Rosa e Felipe (2023)</xref> observam que há uma
                desvalorização das crianças como sujeitos de direitos, uma vez que, desde a mais
                tenra infância, ocorre um grande controle sobre esses corpos, como se estes não
                pertencessem a sujeitos que possuem as suas próprias vontades e direitos. Tais
                disciplinamentos são capturados pelas crianças que, depois de um tempo, passam a
                exercer um autogoverno sobre os seus corpos e também sobre seus pares.</p>
            <p>No que se refere ao papel da escola, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Augusto salienta
                    que (2015, p. 11)</xref>:</p>
            <disp-quote>
                <p>Depois da família, com seus castigos e zelos, a escola é o lugar privilegiado do
                    governo das crianças. A cultura do castigo, que se exerce desde a mais tenra
                    idade de uma criança, tem seu complemento e reforço decisivo na experiência
                    escolar voltada para transformar crianças arteiras em adultos ordeiros.</p>
            </disp-quote>
            <p>É interessante ainda observar que, não raras vezes, deparamo-nos com falas das
                crianças em que elas repreendem os colegas que estejam realizando tarefas ou
                brincadeiras consideradas fora dos <italic>scripts</italic> de gênero, aqui
                entendidos como</p>
            <disp-quote>
                <p>Roteiros, definições, normas, apontamentos, às vezes negociáveis, em outras
                    circunstâncias nem tanto, que prescreveriam as condutas dos sujeitos. Quando os
                        <italic>scripts</italic> são ignorados, rompidos ou modificados, seus
                    autores, neste caso, a sociedade que se pretende hegemônica e que insiste em
                    traçar determinados padrões de comportamento, trabalha no sentido de impor
                    sanções e promover discriminações a todos os sujeitos ou grupos que ousam
                    romper, modificar ou mesmo (re)escrever seus próprios <italic>scripts</italic>
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Felipe, 2019, p. 242</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Alguns exemplos sobre o governo dos corpos infantis e as expectativas de gênero podem
                ser observados na pesquisa desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Leguiça
                    (2019)</xref>, em que ela relata diversas situações em torno da vigilância
                exercida pelas docentes e pelas próprias crianças de uma escola de educação
                infantil, para que os padrões hegemônicos de gênero sejam, de alguma maneira,
                garantidos. Segundo a referida pesquisadora, a partir da perspectiva foucaultiana,
                pensar em corpo na Educação Infantil envolve diferentes tecnologias de submissão, na
                tentativa de construir um sujeito produtivo desde a mais tenra idade, em um
                intricado processo de redes de poder e subjetividade.</p>
            <p>Como refere Haroldo de <xref ref-type="bibr" rid="B26">Resende (2015, p. 8)</xref>,
                precisamos entender quais são as</p>
            <disp-quote>
                <p>Ferramentas que permitem interrogar os modos de construção da infância, a
                    invenção do sujeito infantil, de toda a parafernália disciplinar e dos
                    mecanismos que põem em funcionamento a máquina que governa a infância em nossa
                    sociedade. Essa máquina que regula, dirige, controla, ensina, normaliza,
                    disciplina, pune, castiga, cura, educa. Essa máquina que faz viver e que deixa
                    morrer.</p>
            </disp-quote>
            <p>Neste sentido, cabe considerar que o corpo é o meio pelo qual nos tornamos visíveis,
                além de suscetíveis às tecnologias de governamento, que desempenham um papel
                importante, na medida em que procuram investir de modo significativo na produção de
                nossas subjetividades (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Foucault 1987</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B15">1992</xref>).</p>
            <p>Com o passar do tempo, vamos nos tornando capazes de exercitar uma vigilância sobre
                nós mesmos, uma vez que tais aprendizagens ocorrem desde cedo. Ainda crianças,
                aprendemos a estabelecer um autogoverno sobre nossos corpos, a partir de todos os
                regimes de sanção estabelecidos pelo ambiente escolar, por meio dos discursos de
                docentes e demais profissionais que atuam no referido espaço, que se somam às
                admoestações que se estabelecem no ambiente familiar, especialmente quando se trata
                das identidades de gênero.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>“Maquiagem? É para homem e mulher?”: sobre os corpos infantis e suas
                regulações</title>
            <p>Em uma das atividades propostas pela professora de Educação Infantil em uma escola
                pública na região da fronteira do Rio Grande do Sul, um dos meninos do grupo se
                mostrou um tanto preocupado quando a docente anunciou que iria pintar os rostos das
                crianças: “Vou fazer maquiagem!”. Ele então perguntou se a maquiagem era para homem
                ou mulher e a professora tentou tranquilizá-lo dizendo que para as meninas ela
                pintaria uma flor ou uma borboleta e para os meninos, uma teia com ou sem a aranha
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Leguiça, 2019</xref>).</p>
            <p>Um exemplo dessa preocupação em torno da maquiagem, vista como algo exclusivo do
                feminino, aconteceu na mesma turma, quando outro menino tentou se justificar pelo
                fato de ter mostrado algum interesse pelos batons e sombras disponíveis na sala.
                Disse ele: “meninos não se maquiam, mas se pintam para a guerra”, evidenciando assim
                uma aprendizagem que os coloca muito afeitos a um constante estado de beligerância,
                além das inúmeras tentativas de se distanciar de tudo aquilo que possa parecer “de
                mulheres”, caracterizando assim a introjeção de um comportamento misógino, de
                desprezo a tudo aquilo que possa ser considerado do feminino.</p>
            <p>Outro aspecto que demarca a educação dos corpos em função das expectativas de gênero
                diz respeito à expressão de nossos sentimentos e emoções. Alguns comportamentos que
                são inerentes a todos os seres humanos, como o medo e a insegurança, são vistos como
                inapropriados para o gênero masculino, como nos mostra a situação a seguir, relatada
                no diário de campo da pesquisadora (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Leguiça, 2019,
                    p. 81</xref>):</p>
            <disp-quote>
                <p><italic>Na visita das turmas ao parque de diversões percebi que as professoras
                        Fátima e Deise estão próximas observando as crianças brincarem. Na primeira
                        queda das cadeirinhas, Fátima já nos chama a atenção para a expressão de
                        medo no rosto de Igor, seu aluno da 6ª etapa. A cada queda, as cadeiras
                        fazem um pequeno giro para a próxima subida. Fátima insiste para que
                        observemos o rosto de Igor. O motivo do interesse das professoras é a
                        surpresa que tiveram pelo fato do menino demonstrar medo, pois ele é tido na
                        escola como corajoso, valentão. Os demais meninos também expressam medo,
                        pois nenhum deles sabia como era o funcionamento, mas a atenção das
                        professoras permanece sobre Igor. Na próxima subida o menino já</italic></p>
                <p><italic>demonstra estar bastante incomodado com a situação, mas não pede para
                        deixar o brinquedo. Essa subida e descida acontece umas 6 ou 7 vezes. Na
                        terceira volta, Fátima questiona se o menino vai pedir para parar. Acontecem
                        mais umas 4 voltas, e Igor demonstra estar arrasado, baixa a cabeça e mal se
                        move, segurando-se firmemente à cadeirinha. Quando o tempo termina e o
                        brinquedo para, os demais meninos saem rapidamente, nitidamente aliviados,
                        comentando naturalmente entre eles o medo que sentiram. Matheus comenta com
                        Paulo:</italic></p>
                <p>- <italic>Bah, que brinquedo massa!</italic></p>
                <p><italic>Paulo comenta:</italic></p>
                <p>- <italic>Poh, me deu até um frio na barriga!</italic></p>
                <p><italic>Igor, porém, desce por último, cabisbaixo, sem participar dos comentários
                        dos colegas que participaram da mesma brincadeira.</italic></p>
                <p><italic>Fatima então comenta:</italic></p>
                <p>- <italic>Pelo menos ele não pediu para sair...</italic></p>
                <p><italic>Durante o funcionamento do brinquedo, por mais que Igor não pudesse ouvir
                        os comentários das professoras, ele sabia que estava sendo observado. Deduzo
                        então que por esse motivo ele toma a atitude de baixar a cabeça para evitar
                        que vejam a sua expressão. (Diário de Campo, 19/10/2018)</italic></p>
            </disp-quote>
            <p>Assim, desde a mais tenra idade, os corpos são educados por meio de processos e
                pedagogias distintas no âmbito familiar, escolar, comunitário, midiático, dentre
                outros. Tal educação não se restringe apenas a determinadas falas, mas envolve
                também os gestos, os olhares de aprovação ou de desprezo, as sanções explícitas ou
                sorrateiras, o acesso e a inserção a determinados grupos sociais, que têm o poder de
                acolher ou rejeitar os sujeitos que julgarem dignos (ou não) de compartilharem
                privilégios a partir de tal pertencimento.</p>
            <disp-quote>
                <p>Na nossa cultura muitos adultos veem com extrema reserva o fato de alguns meninos
                    demonstrarem comportamentos considerados não apropriados com a sua
                    masculinidade. Dessa forma, brincar de boneca ou estar sistematicamente
                    brincando de casinha com as meninas, ou querer fantasiar-se de personagens
                    femininos, ainda é visto com muita preocupação por parte de profissionais que
                    atuam em creches e pré-escolas (Felipe 1999, p. 58).</p>
            </disp-quote>
            <p>Dessa maneira, o menino sofre, ainda que de maneira sutil, uma regulação impingida
                pelas/os professoras/es, e em especial por parte de seus colegas, gerando assim uma
                necessidade por parte de Igor, de exercitar uma autovigilância sobre seus desejos.
                    <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bello (2006)</xref> chama atenção para o fato de
                que os brinquedos e as brincadeiras são instrumentos de poder acionados
                constantemente para produzir/definir normas de gênero.</p>
            <p>Os exemplos aqui citados nos fazem pensar o quanto os corpos masculinos infantis
                sofrem diversas maneiras de violência, por meio de reiteradas regulações, muitas
                vezes de modo violento, chegando até mesmo aos espancamentos e a situações
                constantes de maus-tratos emocionais. Como refere <xref ref-type="bibr" rid="B12"
                    >Felipe (2019)</xref>, os <italic>scripts</italic> de gênero direcionados aos
                meninos e homens se pautam, em geral, pelo incentivo à violência, por meio da
                misoginia e homofobia, fomentando assim as bases para o exercício de uma
                masculinidade tóxica. Desse modo, em muitos segmentos sociais, o choro e o medo
                ainda são considerados comportamentos inaceitáveis para o masculino e por isso devem
                ser desprezados, por serem considerados sinônimos de fraqueza e até mesmo motivo de
                vergonha (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Leguiça 2019</xref>).</p>
            <p>Tal cultura é bastante nociva, tanto para o sujeito masculino, que lida
                constantemente com a supressão de sentimentos e é encorajado à violência, quanto
                para os demais sujeitos, especialmente aqueles que ousam se desviar de tais
                    <italic>scripts.</italic> Neste sentido, homens que expressam seus sentimentos
                são vistos como mais sensíveis, muitas vezes de modo pejorativo. Talvez seja
                possível afirmar que a masculinidade tóxica potencializa a cultura do estupro, a
                LGBTfobia, a misoginia, o machismo e o racismo.</p>
            <p>A partir das considerações até aqui elencadas, consideramos ser relevante e
                necessário prestarmos bastante atenção para as diversas maneiras de controle,
                regulação e produção dos corpos infantis, educando as crianças de modo mais
                humanizado e respeitoso, fazendo com que elas entendam que quaisquer diferenças não
                podem servir de motivo para a produção de desigualdades e preconceitos.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Violação dos corpos infantis: um debate urgente e necessário</title>
            <p>Se os corpos estão em constante vigilância para que se comportem de acordo com os
                padrões vigentes em relação aos <italic>scripts</italic> de gênero, por outro lado a
                violência/abuso sexual contra as crianças parece não despertar o necessário empenho
                das escolas, já que grande parte delas não possui um programa continuado de educação
                para a sexualidade, principalmente quando se trata da Educação Infantil.</p>
            <p>Tal dificuldade se deve, em parte, a uma reiterada censura por parte de grupos
                conservadores, que entendem ser direito apenas das famílias ministrar quaisquer
                temas vinculados à sexualidade e ao gênero com as crianças. O pânico moral que se
                estabeleceu na sociedade brasileira nos últimos anos, insuflada em especial por
                grupos religiosos, acarretou na retirada de qualquer menção a estes temas no
                    <italic>Plano Nacional de Educação</italic> e demais planos estaduais e
                municipais, criando inclusive situações de perseguição às escolas e professores/as
                que quisessem trabalhar com tais discussões (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Felipe,
                    2024</xref>). No entanto, as estatísticas alarmantes sobre a violência/abuso
                sexual contra crianças e adolescentes não se coadunam com a visão idealizada de
                família e infâncias que esses grupos julgam defender. Isto significa dizer que tanto
                as famílias quanto as escolas não têm sido capazes de informar para proteger, uma
                vez que acobertar as violências ou ignorá-las como se não existissem, só faz
                aumentar o problema (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Rosa; Felipe, 2023</xref>;
                    <xref ref-type="bibr" rid="B31">Serpa, 2016</xref>).</p>
            <p>O <italic>Boletim Epidemiológico v. 54 de 18 de maio de 2023,</italic> divulgado pela
                Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, intitulado
                    <italic>Notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes no
                    Brasil, 2015 a 2021,</italic> destaca que, “por ser um fenômeno complexo e
                polissêmico, a violência se manifesta de diversas maneiras e assume formas próprias
                de relações pessoais, sociais, políticas ou culturais, na maioria das vezes
                motivadas por relações de poder” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2023, p.
                    1</xref>). O mesmo documento aponta que no período compreendido entre 2015 a
                2021, 202.948 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes foram
                notificados no Brasil, sendo 41,2% em crianças e 58,8% em adolescentes. O
                levantamento ainda destaca um aumento no número de notificações desses crimes entre
                2015 e 2019, contudo em 2020 esse número diminuiu; já em 2021, tal estatística foi a
                maior registrada no decorrer do período analisado, potencializada pela pandemia de
                Covid-19, especialmente entre 2020 a 2021 (<xref ref-type="bibr" rid="B22"
                    >Levandowiski <italic>et al.,</italic> 2021</xref>).</p>
            <p>Tendo em vista a existência de um controle maior sobre os corpos infantis masculinos,
                observado em alguns estudos já citados aqui, voltamos nosso olhar para essas
                vítimas. Documentos como <italic>Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar</italic>
                (IBGE, 2021), <italic>Panorama da violência letal e sexual contra crianças e
                    adolescentes no Brasil</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B32">UNICEF</xref>;
                FBSP, 2021), <italic>Cartilha Maio Laranja</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
                    >Brasil, 2022</xref>), <italic>Anuário Brasileiro de Segurança Pública</italic>
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B14">FBSP, 2022</xref>) e <italic>Atlas da
                    Violência</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B20">IPEA, 2023</xref>) apontam
                que meninos também são vítimas de violência/abuso sexual, sendo tocados,
                manipulados, beijados ou passando por situações de exposição de partes do seu corpo
                contra a vontade ou sendo obrigados a terem relação sexual contra a sua vontade.</p>
            <p>Pesquisa desenvolvida por <xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa e Felipe (2020)</xref>
                mostra que é preciso nos debruçarmos sobre casos de violência/abuso sexual contra os
                meninos, tendo em vista a grande ocorrência desses casos e a pouca visibilidade que
                se coloca sobre eles. Os principais resultados do estudo dos pesquisadores foram:
                44% dos 170 homens entrevistados foram vítimas desse crime em sua infância; para 53%
                a violência/abuso sexual ocorreu pela primeira vez quando tinham entre 5 e 8 anos de
                idade; 80% dos agressores eram homens e 43% destes tinham entre 14 e 18 anos. Para
                50% das vítimas a violência ocorreu em sua casa, sendo praticada na maior parte dos
                casos por primos, vizinhos, amigos da família ou tios.</p>
            <p>O estudo ainda aponta que para a maioria das vítimas as consequências dessa violência
                se deram a curto e longo prazo, impactando tanto na infância quanto na vida adulta,
                com muitos sentimentos que variam desde medo, insegurança a vergonha e culpa.
                Interessante ainda salientar que desses homens participantes e que se declararam
                vítimas, 45% afirmaram que não contaram sobre o ocorrido para ninguém, e para 76% a
                violência/abuso sexual teve episódios de repetição. E sobre terem tido algum tipo de
                orientação sexual na infância promovida pela família, somente 13% disse que sim, e
                no âmbito da escola, 19% afirmaram terem recebido alguma orientação sobre corpo,
                gênero e sexualidade. Isto significa dizer que a falta de uma educação para a
                sexualidade no âmbito da família, assim como na escola, resulta tanto na
                vulnerabilização dos meninos para serem vítimas, quanto na potencialização de perfis
                abusadores adolescentes (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Rosa; Felipe,
                2020</xref>).</p>
            <p>Nesse contexto, é interessante notar o quanto a criança já consegue perceber que está
                em desvantagem nessa relação, a ponto de não contar para a família as agressões e
                abusos sofridos com medo de não ser acreditada. Além disso, ela pode pensar que ao
                delatar seu agressor, poderá causar mal-estar no grupo familiar, pois muitas vezes
                ela pode nutrir algum afeto por ele (avô, tio, irmão mais velho, etc.). Por outro
                lado, quando a família toma conhecimento do fato, mas silencia e se recusa a
                denunciar, ou ainda não acredita na palavra da criança, acaba se tornando conivente
                com o agressor.</p>
            <p>É fundamental que as famílias assumam sua função protetiva, de acolhimento aos
                meninos (e às meninas) vítimas de violência/abuso sexual. A negligência, bem como as
                situações de violência/abuso sexual e, em muitos casos, a exploração sexual de
                crianças e adolescentes, nos mostram que o fato das pessoas terem a capacidade
                biológica de procriar não significa que automaticamente tenham responsabilidade,
                competência técnica (que implica no conhecimento dos processos do desenvolvimento
                infantil, em seus aspectos motores, cognitivos e psicológicos) e disponibilidade
                emocional para educar uma criança.</p>
            <p>É interessante notar o quanto expressões e ditos populares, tais como “mãe é mãe”,
                “mãe só tem uma”, “pai é pai”, somados a preceitos religiosos como “honrar pai e
                mãe” remetem à ideia de que a natureza, isto é, a biologia deve se sobrepor
                inclusive aos maus-tratos e às inúmeras violências cometidas no exercício da
                maternidade/paternidade, abrindo um precedente perigoso para a concepção de um amor
                incondicional que tudo releva, minimiza e supera. No entanto, é preciso
                responsabilizar os adultos em relação ao papel que lhes cabe na educação e bem-estar
                das crianças, compreendendo como elas se desenvolvem, ajudando-as a construir uma
                autoestima saudável, estabelecendo uma relação de confiança e segurança (Felipe,
                    2020)<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>. Além disso, é preciso que a família
                seja capaz de exercer uma competência afetiva – prover afeto, proteção e
                disponibilidade – assim como a capacidade de ouvir e acolher a criança em suas
                angústias e necessidades.</p>
            <p>Se olharmos com atenção algumas notícias veiculadas em jornais, TVs e redes sociais,
                veremos que inúmeras violações são cometidas pela própria família. Em várias
                reportagens temos relatos das violências exercidas pelos próprios pais contra os
                meninos, grande parte delas ocorre por motivação misógina e/ou homofóbica. Em alguns
                desses casos, os meninos foram espancados brutalmente, como mostram os noticiários:
                “Pai espanca filho de 3 anos que usou batom: “Não quero viado em casa”” (2019)<xref
                    ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>; “Pai arranca couro cabeludo do filho com faca
                por achar o corte “homossexual” (2021)<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>. Tais
                situações ocorreram porque os meninos demonstraram comportamentos considerados não
                condizentes com os <italic>scripts</italic> de gênero previstos, uma vez que desde a
                mais tenra idade eles são educados para exibir uma masculinidade cisheteronormativa,
                que reafirma e supervaloriza a heterossexualidade (<xref ref-type="bibr" rid="B2"
                    >Bello, 2006</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B21">Leguiça 2019</xref>).</p>
            <p>Tais expectativas vão sendo construídas ao longo das nossas vidas por variados
                discursos (jurídico, médico, midiático, psicológico e religioso, entre outros) e
                diversas instituições (família, escola, igreja, etc.), ditando como devemos ser e
                nos comportar com base no fato de termos nascido com determinada genitália. Nessa
                lógica, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bento (2011, p. 552)</xref> ressalta que “as
                reiterações que produzem os gêneros e a heterossexualidade são marcadas por um
                terrorismo contínuo. Há um heteroterrorismo a cada enunciado que incentiva ou inibe
                comportamentos, a cada insulto ou piada homofóbica”.</p>
            <p>É notório o quanto a escola acaba sendo um local de (re)produção dos
                    <italic>scripts</italic> de gênero, pois como refere <xref ref-type="bibr"
                    rid="B24">Louro (2004, p. 61)</xref></p>
            <disp-quote>
                <p>Gestos, movimentos, sentidos são produzidos no espaço escolar e incorporados por
                    meninos e meninas, tornando-se parte de seus corpos. Ali se aprende a olhar e a
                    se olhar, se aprende a ouvir, a falar e a calar; se aprende a preferir. Todos os
                    sentidos são treinados, fazendo com que cada um e cada uma conheça os sons, os
                    cheiros e os sabores ‘bons’ e decentes e rejeite os indecentes; aprenda o que, a
                    quem e como tocar (ou, na maior parte das vezes, não tocar); fazendo com que
                    tenha algumas habilidades e não outras.</p>
            </disp-quote>
            <p>As contribuições da autora nos fazem refletir acerca da escola como uma instância de
                inúmeras aprendizagens sociais e culturais, muito além dos conteúdos das disciplinas
                de português, matemática, ciências, etc. Também é preciso entender que nesses
                espaços educativos aprendemos por meio não só dos discursos que ali circulam, mas da
                arquitetura, dos códigos, dos saberes, estabelecendo assim o lugar que cada
                indivíduo deve ou não ocupar. Dessa maneira, as escolas constroem e reforçam as
                (im)possibilidades para cada sujeito. Tudo isso se desdobra em muitos significados,
                delineando assim os <italic>scripts</italic> de gênero, as identidades sexuais, a
                classe social, a raça/etnia, a geração, dentre outras. Sendo assim, por meio de
                múltiplos, sutis e refinados mecanismos e estratégias, as marcas da escolarização
                são inscritas nos corpos dos sujeitos infantis, possibilitando que meninos e meninas
                aprendam a se reconhecer como tal, e aprendam seus distintos “lugares” sociais –
                como sujeitos masculinos e femininos.</p>
            <p>Esses pensamentos generificados orientam condutas e práticas que se expressam nas
                escolas e nos seus respectivos currículos de vários modos, produzindo e promovendo
                formas diferenciadas de tratar aqueles/as que se colocam fora das expectativas
                desenhadas para as masculinidades e as feminilidades consideradas hegemônicas,
                acarretando inúmeras cobranças a meninos e meninas desde a mais tenra idade.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>O corpo nos documentos normativos da Educação Infantil</title>
            <p>Ainda que muitos/as de nós tenhamos presenciado e participado ativamente das
                discussões político-pedagógicas para que as crianças conquistassem um
                    <italic>status</italic> de “sujeitos de direitos”, nas últimas décadas, por meio
                de políticas públicas como o ECA - <italic>Estatuto da Criança e do
                    Adolescente</italic> (1990) e a <italic>Política Nacional de Educação
                    Infantil</italic> (2006), é preciso reconhecer o quanto precisamos avançar na
                proteção da infância, uma vez que as estatísticas sobre as violências cometidas
                contra esse segmento da população são estarrecedoras, como já elencamos aqui. Desse
                modo, ainda que as leis e as políticas de estado em torno dos direitos das crianças
                e adolescentes tenham vindo na esteira de conquistas importantes no campo da
                “governabilidade democrática” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gallo 2021</xref>),
                pautadas na promoção da cidadania e no governo dos cidadãos, em especial
                pós-ditadura militar, ainda é preciso caminhar muito para que efetivamente possamos
                pensar em ações que combatam o problema da violência, em suas mais diversas
                manifestações.</p>
            <p>Lançando um olhar a partir do campo da Educação, <xref ref-type="bibr" rid="B23"
                    >Louro (2000, p. 60)</xref> atenta para o fato de que</p>
            <disp-quote>
                <p>A preocupação com o corpo sempre foi central no engendramento dos processos, das
                    estratégias e das práticas pedagógicas. O disciplinamento dos corpos acompanhou,
                    historicamente, o disciplinamento das mentes. Todos os processos de
                    escolarização sempre estiveram – e ainda estão – preocupados em vigiar,
                    controlar, modelar, corrigir, construir os corpos de meninos e meninas, de
                    jovens homens e mulheres.</p>
            </disp-quote>
            <p>Nesse sentido, sendo a Educação Infantil a primeira etapa da Educação Básica, uma
                série de documentos e diretrizes foram estabelecidos nos últimos anos, a fim de
                orientar sua organização, como a BNCC - <italic>Base Nacional Comum
                    Curricular</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2018</xref>) e as
                DCNEI - <italic>Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil</italic>
                (Brasil, 2010). Dessa maneira, consideramos relevante buscar como esses materiais
                pensam o corpo infantil, tendo em vista o investimento que ocorre sobre as crianças
                no ambiente escolar.</p>
            <p>Observamos que o conceito de corpo está muito presente na BNCC da Educação Infantil,
                tendo em vista a sua menção em um dos campos de experiências chamado <italic>Corpo,
                    gestos e movimentos</italic></p>
            <disp-quote>
                <p>Com o corpo (por meio dos sentidos, gestos, movimentos impulsivos ou
                    intencionais, coordenados ou espontâneos), as crianças, desde cedo, exploram o
                    mundo, o espaço e os objetos do seu entorno, estabelecem relações, expressam-se,
                    brincam e produzem conhecimentos sobre si, sobre o outro, sobre o universo
                    social e cultural, tornando-se, progressivamente, conscientes dessa
                    corporeidade. Por meio das diferentes linguagens, como a música, a dança, o
                    teatro, as brincadeiras de faz de conta, elas se comunicam e se expressam no
                    entrelaçamento entre corpo, emoção e linguagem (<xref ref-type="bibr" rid="B5"
                        >Brasil, 2018, p. 40-41</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Nesse contexto educacional, consideramos importante destacar o entendimento do
                conceito de corporeidade como sendo a totalidade de um corpo partindo de um “ponto
                de vista cujas formas, movimentos, gestos, posturas, ritmos, expressões, linguagens
                são reconhecidos como uma construção social que acontece na relação entre as
                crianças e/ou os adultos com a sociedade ou a cultura” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B30">Sayão, 2008, p. 94</xref>).</p>
            <p>Já nos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, o corpo está presente não somente
                nesse campo de experiência, mas também em outros dois, <italic>O eu, o outro e o
                    nós</italic> e <italic>Traços, sons, cores e formas,</italic> sempre no sentido
                de desenvolver as habilidades de perceber, reconhecer, demonstrar, movimentar,
                experimentar, participar, criar, explorar e deslocar.</p>
            <p>O segundo documento citado, o DCNEI (Brasil, 2010, p. 25), ao tecer considerações
                sobre as práticas pedagógicas que devem compor a proposta curricular da Educação
                Infantil, destaca os eixos norteadores para as interações e as brincadeiras,
                reiterando assim a importância de garantirmos experiências significativas e que
                “promovam o conhecimento de si e do mundo por meio da ampliação de experiências
                sensoriais, expressivas, corporais que possibilitem movimentação ampla, expressão da
                individualidade e respeito pelos ritmos e desejos da criança”.</p>
            <p>E embora a regulação de corpos infantis se relacione diretamente com a violação de
                seus direitos, como temos problematizado ao longo de nosso artigo, faz-se também
                necessário refletir que</p>
            <disp-quote>
                <p>A regulação dos corpos de meninos e meninas também se faz importante em alguma
                    medida, tendo em vista a própria proteção das infâncias diante de alguma
                    situação de perigo (atravessar a rua sozinha, colocar o dedo na tomada, subir em
                    uma janela, etc.). Muitas pessoas tendem a “demonizar” essa regulação,
                    defendendo corpos infantis livres, como se toda e qualquer regulação fosse
                    nociva. No entanto, é preciso entender que há situações em que a regulação é
                    necessária, pois tem um papel de proteção, alertando as crianças sobre
                    determinados perigos (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rosa, 2019, p.
                    116</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Dessa maneira, seria preciso analisar as práticas que impossibilitam as crianças de
                terem contato ou mesmo de vivenciarem outras manifestações de gênero ou sexualidade.
                Assim como desvincular suas experiências corporais por meio de brincadeiras, seja
                sozinha ou com seus pares, como demonstrações ou intenções sobre possíveis
                identidades de gênero ou sexuais, como se na infância já se definissem esses
                aspectos na vida adulta.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais: por uma educação com mais equidade e inclusiva</title>
            <p>Consideramos que pensar as corporeidades e as infâncias é um exercício que desafia e
                ao mesmo tempo pode nortear a atuação de profissionais da Educação Infantil, uma vez
                que as crianças nessa faixa etária estão em plena descoberta do mundo, das relações
                que estabelecem com os adultos e com seus pares e do desenvolvimento corporal. Dessa
                maneira, as regulações que ocorrem nesse ambiente não podem se tornar uma violação
                de seus direitos como sujeitos, ou seja, devem fomentar a criação de um repertório
                de experiências infantis que colabore com suas identidades em formação.</p>
            <p>Para que isso aconteça, é fundamental que a formação docente, tanto inicial quanto
                continuada, se dê de maneira competente, com aprofundamento dos temas envolvidos, a
                saber: o corpo tem uma história, que não se reduz às questões biológicas, mas está
                imerso em compreensões produzidas na cultura, em determinado tempo, lugar e contexto
                social; as identidades de gênero, assim como as identidades sexuais, precisam ser
                melhor estudadas e entendidas em toda a sua complexidade, pois muitas vezes tais
                conceitos são utilizados como sinônimos, acarretando assim muitos equívocos na
                condução do processo de educar as crianças. Não raras vezes, quando meninos e
                meninas ousam romper com as barreiras que lhes são impostas, acabam sofrendo algum
                tipo de represália por parte dos/as docentes ou até mesmo por parte dos/as colegas,
                que estabelecem uma constante vigilância sobre as ações uns dos outros (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B13">Felipe; Guizzo, 2022</xref>).</p>
            <p>No entanto, por mais que a regulação dos corpos infantis seja ainda uma realidade no
                cenário da Educação Infantil, cabe salientar que muitas crianças têm questionado e
                rompido com diversas expectativas sobre elas, principalmente com relação aos
                    <italic>scripts</italic> de gênero, que tendem a ditar comportamentos e
                preferências desde cedo com base no sexo designado desde antes do nascimento. Sendo
                assim, pontuamos a importância da compreensão dos corpos infantis dentro de uma
                interseccionalidade que dê conta de pensar em gênero, sexualidade, raça, religião e
                classe social, entre outros, e a criação de espaços seguros de escuta e acolhimento
                para que a expressão de crianças possa ser garantida, a fim de promover ambientes
                democráticos e que tanto incentivem quanto valorizem as identidades e subjetividades
                infantis.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Aula veiculada no Canal Anita Pereira - UFPB, Aula 11 - Diálogos sobre gênero e
                    sexualidade, de 9 de novembro de 2020. Disponível em: <ext-link
                        ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.youtube.com/watch?v=MXGil8_t_SQ"
                        >http://www.youtube.com/watch?v=MXGil8_t_SQ</ext-link>. Acesso em: 26 maio
                    2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
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