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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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            <journal-title-group>
                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e94918</article-id>
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                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
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            <title-group>
                <article-title>Novo ensino médio: os itinerários formativos na rede de ensino do
                    Espírito Santo</article-title>
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                    <trans-title>New high school: the formative itineraries in the education system
                        of Espírito Santo</trans-title>
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                    <trans-title>Nueva escuela secundaria: los itinerarios de formación en la red
                        educativa de Espírito Santo</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-00002-4100-9875</contrib-id>
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                        <surname>Ferreira</surname>
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                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9782-9496</contrib-id>
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                        <surname>Santos</surname>
                        <given-names>Kefren Calegari dos</given-names>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Espírito Santo,
                    UFES</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
                <email>eliza.ferreira@ufes.br</email>
                <institution content-type="original">Universidade Federal do Espírito Santo, UFES,
                    Brasil, E-mail: eliza.ferreira@ufes.br</institution>
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                <institution content-type="orgname">Instituto Federal do Espírito do Santo,
                    IFES</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
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                <institution content-type="original">Instituto Federal do Espírito do Santo, IFES,
                    Brasil, E-mail: kefren@terra.com.br</institution>
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            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                <season>Apr-Jun</season>
                <year>2024</year>
            </pub-date>
            <volume>42</volume>
            <issue>2</issue>
            <fpage>01</fpage>
            <lpage>22</lpage>
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                <license license-type="open-access"
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este artigo é um recorte de uma pesquisa mais abrangente desenvolvida na rede
                    estadual de ensino médio do Espírito Santo que acompanhou a implantação da
                    reforma do ensino médio. Especificamente, este texto apresenta um retrato da
                    organização dos itinerários formativos feita pela Secretaria de Estado da
                    Educação do Espírito Santo a partir do mapeamento e da análise dos documentos
                    produzidos em nível estadual como contribuição para os estudos sobre a aplicação
                    de uma política educacional na prática. Os dados coletados informam um quadro
                    geral da oferta dos itinerários formativos, que é de grande diversidade e
                    desigualdade. No total de 78 municípios no estado, 22 possuem apenas uma escola,
                    sendo que em cinco delas a oferta atende o mínimo legal de dois itinerários
                    formativos. Ademais, 18 escolas estaduais ofertam somente um itinerário, o que
                    contraria a legislação. A oferta do quinto itinerário formativo é predominante
                    no estado, no qual a perspectiva da educação profissional está dissociada da
                    formação geral, o que é um retrocesso em relação aos debates e políticas
                    formuladas no passado recente do Brasil. Nossos estudos apontam que a reforma do
                    ensino médio atualiza a Teoria do Capital Humano no século XXI, remetendo a uma
                    maior dimensão interna/psique que busca a fabricação de subjetividades para o
                    mercado; um ensino médio focado na formação de um individualismo baseado em
                    valores e imagens ilusórias de um futuro promissor para estudantes situados nas
                    franjas da sociedade.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This article is a part of a large research project developed in the state high
                    school system of Espírito Santo that followed the implementation of the high
                    school reform. Specifically, this text presents a portrait of the organization
                    of the formative itineraries made by the State Secretary of Education of
                    Espírito Santo from the mapping and analysis of the documents produced at the
                    state level as a contribution to the studies on the application of an
                    educational policy in practice. The data collected inform a general picture of
                    the offer of formative itineraries that is of great diversity and inequality. In
                    the total of 78 municipalities in the state, 22 have only one school, and in
                    five of them the offer meets the legal minimum of two formative itineraries. In
                    addition, 18 state schools offer only one itinerary, which goes against the
                    legislation. The offer of the fifth training itinerary is predominant in the
                    state, in which the perspective of professional education is dissociated from
                    general education, which is a step backwards in relation to the debates and
                    policies formulated in the recent past in Brazil. Our studies point out that the
                    high school reform updates the Theory of Human Capital in the 21st century,
                    referring to a greater internal/psyche dimension that seeks to manufacture
                    subjectivity for the market; a high school focused on the formation of an
                    individualism based on illusory values and images of a promising future for
                    students situated on the bangs of society.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="es">
                <title>Resumen</title>
                <p>Este artículo es una parte de una investigación más amplia desarrollada en la red
                    estatal de enseñanza secundaria del Espírito Santo que siguió a la
                    implementación de la reforma de la Enseñanza Secundaria. Específicamente, este
                    texto presenta un cuadro de la organización de los itinerarios formativos
                    realizados por la Secretaría Estadual de Educación del Espírito Santo a partir
                    del mapeo y análisis de los documentos producidos a nivel estadual como
                    contribución a los estudios sobre la aplicación de una política educativa en la
                    práctica. Los datos recogidos informan de un cuadro general de la oferta de
                    itinerarios formativos que es de gran diversidad y desigualdad. En un total de
                    78 municipios del estado, 22 tienen un solo colegio, y en cinco de ellos la
                    oferta cumple el mínimo legal de dos itinerarios formativos. 18 colegios
                    públicos ofrecen sólo un itinerario, lo que va en contra de la legislación.
                    Predomina en el estado la oferta del quinto itinerario formativo, en el que se
                    disocia la perspectiva de la educación profesional de la educación general, lo
                    que supone un retroceso en relación a los debates y políticas formuladas en el
                    pasado reciente en Brasil. Nuestros estudios señalan que la reforma del
                    secundario actualiza la Teoría del Capital Humano en el siglo XXI, refiriéndose
                    a una mayor dimensión interna/psíquica que busca la fabricación de
                    subjetividades para el mercado; un secundario centrado en la formación de un
                    individualismo basado en valores ilusorios e imágenes de un futuro promisorio
                    para alumnos situados al margen de la sociedad.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Ensino Médio</kwd>
                <kwd>Reforma do Currículo</kwd>
                <kwd>Política Educacional</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>High School</kwd>
                <kwd>Curriculum Reform</kwd>
                <kwd>Educational Policy</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="es">
                <title>Palabras clave:</title>
                <kwd>Escuela Secundaria</kwd>
                <kwd>Reforma Curricular</kwd>
                <kwd>Política Educativa</kwd>
            </kwd-group>
            <funding-group>
                <award-group>
                    <funding-source>CNPq</funding-source>
                    <award-id>nº 423626/2018-3</award-id>
                </award-group>
                <funding-statement>Pesquisa financiada pelo CNPq Processo nº
                    423626/2018-3</funding-statement>
            </funding-group>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Este artigo é um recorte de pesquisa<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref> mais
                abrangente desenvolvida na rede estadual de ensino médio do Espírito Santo que
                acompanhou a implantação da reforma do ensino médio, por meio de análise documental,
                entrevistas com diretores e questionário com professores. Especificamente, este
                texto apresenta um retrato da organização dos itinerários formativos feita pela
                Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo (Sedu) a partir do mapeamento dos
                documentos produzidos em nível estadual como contribuição de verificação e análise
                da aplicação de uma política educacional na prática. Ou seja, como sublinham <xref
                    ref-type="bibr" rid="B22">Lessard e Carpentier (2016)</xref>, a dificuldade,
                tantas vezes observada, de aplicar uma política, fielmente, na prática, nos obriga a
                olhar de perto o processo por completo, e não somente a elaboração e a decisão
                política.</p>
            <p>Cientes da necessidade de investigar o processo por completo, este texto tem o limite
                de reproduzir uma parte do processo, que é justamente aquela em que uma política
                nacional é aplicada (e traduzida) por um sistema estadual de educação. Isso quer
                dizer que, neste momento da pesquisa, realizada por meio da análise dos documentos
                produzidos pela Sedu, que estabeleceu a “arquitetura” dos itinerários formativos do
                Novo Ensino Médio (NEM), nosso objetivo é descrever e analisar a prática de um
                sistema estadual que aplica uma política nacional em seu contexto específico,
                deixando para um outro momento a análise da política praticada no interior das
                escolas.</p>
            <p>A proposta de itinerário formativo não é nova na história do currículo nacional. Essa
                noção esteve presente na Resolução CNE/CEB nº 6/2012, que definiu as Diretrizes
                Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2012a</xref>), e nas Diretrizes Curriculares
                Nacionais para o Ensino Médio – Resolução CNE/CBE nº 2/2012 (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B4">Brasil, 2012b</xref>). Ambos os instrumentos normativos apontavam
                critérios para sua efetivação, tais como indica o Art. 14 da Resolução CNE/CBE nº
                2/2012.</p>
            <disp-quote>
                <p>XII - formas diversificadas de itinerários podem ser organizadas, desde que
                    garantida a simultaneidade entre as dimensões do trabalho, da ciência, da
                    tecnologia e da cultura, e definidas pelo projeto político-pedagógico,
                    atendendo necessidades, anseios e aspirações dos sujeitos e a realidade da
                    escola e do seu meio (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Brasil, 2012b, p.
                    6</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Portanto, a presença dessa noção estava envolta em uma proposta pedagógica
                democraticamente discutida no interior dos sistemas educativos e das escolas e não
                era um formato obrigatório, mas uma opção entre outros modelos. Agora, há uma
                obrigatoriedade na formatação da oferta do ensino médio em itinerários formativos
                que, a rigor, estabelece um engessamento na organização do currículo escolar, ao
                mesmo tempo em que acentua sua flexibilização e fragmentação. Isto é, a reforma
                unifica institucionalmente o ensino médio em um movimento de diversificação e
                flexibilização no qual cada indivíduo se torna responsável por seu próprio destino
                escolar, ou, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B1">Beck (2002)</xref>, cada
                ator é coagido a descobrir, segundo sua trajetória escolar, seu destino de classe. A
                reforma, nesses moldes, marca uma regressão no longo percurso de realização do
                direito à educação no Brasil ao lançar um projeto político-pedagógico de
                individualização dos percursos escolares guiada por uma formação individualizada (e
                padronizada) medida pela <italic>performance</italic> meritocrática.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B25">Martucelli (2011)</xref> sublinha que, nessa
                perspectiva político-pedagógica de individualização do percurso escolar, o indivíduo
                não é mais imaginado herdeiro de uma posição social; ele é tornado responsável pelas
                próprias aquisições. “É nesse contexto que, aliás, a exigência dos projetos se
                impõe e o ator se transforma em estrategista de seu percurso, em função de seus
                recursos” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Martucelli, 2011, p. 292</xref>). <xref
                    ref-type="bibr" rid="B7">Cássio e Goulart (2022)</xref> em texto que analisa o
                papel do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) na definição da Lei
                nº 13.415/2017, que instituiu a reforma do ensino médio, destacam que o projeto de
                vida foi ganhando força e apareceu como articulador da arquitetura curricular e como
                argumento para a importância dos itinerários como escolha estudantil baseada,
                justamente, em projetos individuais.</p>
            <p>A ênfase e o detalhamento dos itinerários formativos no âmbito da reforma assumem
                denominações diversas em cada estado, tais como aprofundamentos (caso do Espírito
                Santo), trilhas (por exemplo, no Rio de Janeiro) etc. e, uma quantidade de
                itinerários também diversa e numerosa, animadas por um projeto educativo de
                segregação que acentua a individualização dos percursos escolares. Paradoxalmente,
                os reformadores, quando defendem o NEM, citam exemplos de um suposto sucesso vivido
                pelos países desenvolvidos, mas ignoram as evidências apontadas em pesquisas sobre
                essa política de acentuação da individualização dos percursos. O estudo de <xref
                    ref-type="bibr" rid="B26">Mons (2007)</xref>, por exemplo, sobre as escolhas
                feitas por países desenvolvidos na oferta de uma formação para os jovens de uma
                escola dividida em troncos, aponta que uma das características dos sistemas
                educativos que mais contribui para as desigualdades escolares é a precocidade na
                seleção de um itinerário formativo pelos alunos.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B26">Mons (2007)</xref> fez uma análise comparativa de
                muitos sistemas escolares europeus e concluiu que os sistemas nos quais a seleção é
                precoce são aqueles em que o peso das desigualdades sociais sobre as desigualdades
                escolares é mais marcado. Ela mostra que existe uma ligação entre as fortes
                desigualdades escolares e o reino da livre escolha de escolas, ou, ainda, quando o
                país tem um setor privado forte. O tronco comum longo é mais favorável à igualdade
                escolar, pois toda uma classe é submetida, por um longo período, a uma mesma
                formação.</p>
            <p>Estudiosos do campo (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Ferreira, 2017</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B27">Moura; Lima Filho, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr"
                    rid="B29">Silva, 2020</xref>) apontam que a reforma do ensino médio tem uma
                tendência de aprofundar as desigualdades educacionais e sociais. É grande a
                preocupação em relação ao abandono do ensino médio, parte da educação básica
                preconizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB/1996) e conquista da
                educação brasileira, que resguarda uma formação sólida e ampla para as juventudes no
                ensino médio. Ademais, a reforma é inviabilizada na sua própria concepção, pois
                aponta, erroneamente, para mudanças curriculares como o centro dos problemas do
                ensino médio. Certamente, o currículo deve ser considerado como central na educação,
                mas junto com ele precisam ser consideradas as estruturas objetivas em que se
                encontram a maioria das escolas no país, as quais sentem pela falta de laboratórios,
                equipamentos, bibliotecas e, até mesmo, pela debilidade predial e de saneamento
                básico.</p>
            <p>A reforma do ensino médio, concretizada pela mudança da LDB/1996 feita pela Lei nº
                13.415/2017, provoca significativas alterações na oferta do ensino médio no país,
                sendo objeto central dos debates de uma parcela importante da sociedade em torno do
                Ministério da Educação (MEC) do governo Lula da Silva (2023), reivindicando sua
                revogação. Os estudos vêm apontando que as mudanças provocaram um caos nas escolas
                públicas brasileiras, com graves sinais de aprofundamento das desigualdades
                educacionais, de piora das condições do trabalho docente e de baixo nivelamento dos
                conhecimentos curriculares (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Körbes; Ferreira; Silva;
                    Barbosa, 2022</xref>).</p>
            <p>Este texto apresenta a organização dos itinerários formativos na rede estadual do
                Espírito Santo e está organizado em três seções, além da introdução e das
                considerações finais. A primeira seção descreve a arquitetura curricular do NEM no
                Espírito Santo e, a segunda e a terceira seções tratam dos critérios adotados pela
                Sedu para ofertar os itinerários formativos nos anos de 2022 e 2023, e a sua
                distribuição entre as escolas. Esperamos que a nossa pesquisa contribua para a
                compreensão crítica da tradução feita por um sistema estadual de ensino quando
                coloca em prática uma legislação nacional e, para a verificação do funcionamento do
                NEM em um estado reconhecido nacionalmente como um caso de sucesso.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>1. Arquitetura do Novo Ensino Médio (NEM)</title>
            <p>Segundo o <italic>site</italic> da Sedu, o processo de reconstrução do novo currículo
                se embasou nas concepções de formação integral do estudante e no conhecimento
                preconizado pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). As versões preliminares e
                finais dos currículos foram elaboradas por uma equipe específica, definida após as
                contribuições da sociedade civil e de especialistas.</p>
            <p>Desse modo, em 2021, a versão final do documento foi realizada pela seguinte equipe:
                01 coordenador estadual ProBNCC; 01 coordenador de etapa – Ensino Médio; 04
                coordenadores de área - Ensino Médio; 01 articulador entre áreas; 01 articulador
                para Itinerários Formativos Propedêuticos; 01 articulador para Itinerários
                Formativos de Formação Técnica e Profissional; 18 redatores formadores por
                componente curricular - áreas do conhecimento; 02 (colaboradores) redatores
                formadores por componente curricular - Formação Técnica e Profissional.</p>
            <p>A Sedu informou que foram realizadas consultas públicas com o objetivo de garantir o
                maior número de participantes interessados no processo de elaboração do currículo. A
                parte referente à Formação Geral Básica esteve aberta para contribuições no curto
                período de 21 de outubro a 11 de novembro de 2020. Participaram das consultas 8.715
                pessoas e foi registrado um total de 4.675 contribuições. Já a consulta pública
                feita como contribuição para a elaboração da versão preliminar dos Itinerários
                Formativos foi realizada no também curto período de 23 de novembro a 10 de dezembro
                de 2020 e contou com 781 participações. Não obstante as contribuições, o
                    <italic>site</italic> destaca que “[...] a leitura crítica [da parte dos
                itinerários formativos], por sua vez, foi realizada em parceria com o Instituto
                Reúna, que obteve olhares de especialistas sobre o documento, aprimorando ainda mais
                a escrita” (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Espírito Santo, 2021a</xref>). Isso
                significa que a sistematização dos documentos ficou na responsabilidade de
                instâncias privadas que comercializam pacotes educacionais. O que não é novidade, já
                que a reforma do ensino médio é um projeto formulado por organizações empresariais
                (fundações e institutos sociais) que avançaram no campo da educação do país há pelo
                menos duas décadas em busca de um nicho de mercado.</p>
            <p>O processo de construção do NEM foi conduzido sob uma aparência democrática de escuta
                da comunidade escolar, mas os dados de uma pesquisa feita pela própria Sedu com seus
                professores e gestores sobre o NEM apontam o desconhecimento da maioria dos
                respondentes sobre a reforma. O questionário foi respondido por 3.861 docentes no
                período de 07/06 a 18/06/2021. Perguntados sobre o conhecimento que têm sobre a
                reforma do ensino médio, 45% dos professores responderam que conhecem
                superficialmente; 34% assistiram alguns <italic>webinários</italic> sobre o assunto
                e somente 19,4% afirmaram ter conhecimento suficiente. Sobre a BNCC, 54% dos
                professores afirmaram ter pouco conhecimento e 45% afirmaram conhecer. Sobre os
                itinerários formativos, 85,8% dos docentes informaram não ter ou ter pouco ou
                mediano conhecimento, enquanto somente 14,2% afirmaram conhecer. Em relação aos
                gestores (863 respondentes), somente 31,1% afirmaram conhecer o NEM. Sobre os
                itinerários formativos, 18,9% afirmaram conhecê-los. É neste contexto de
                desconhecimento do NEM e da BNCC que a Sedu implantou, a todo vapor, uma mudança do
                ensino médio ainda no período da pandemia.</p>
            <p>O documento introdutório do novo currículo do Espírito Santo para o ensino médio
                destaca que a centralidade desse modelo é o jovem estudante e seu Projeto de Vida. A
                Sedu espera que o estudante consiga responder aos desafios do século XXI, de tal
                modo que ele atue com iniciativa, liberdade e compromisso. O Projeto de Vida é uma
                das dez competências preconizadas pela BNCC e visa</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] desenvolver no estudante a capacidade de gerir a própria vida, o estímulo à
                    reflexão sobre seus desejos e objetivos, aprendendo a se organizar, estabelecer
                    metas, planejar e perseguir com determinação, esforço, autoconfiança e
                    persistência seus projetos presentes e futuros (<xref ref-type="bibr" rid="B17"
                        >Espírito Santo, 2022, p. 4</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Na prática, o Projeto de Vida se tornou um componente curricular que ocupa parte
                significativa da carga horária do ensino médio, ofertado no quadro dos itinerários
                formativos. Muitos problemas de caráter pedagógico envolvem esse componente
                curricular, mas citamos dois que revelam a improvisação e a destituição do
                conhecimento científico, características marcantes da reforma, quais sejam: a
                formação geral e básica é reduzida quantitativamente e qualitativamente com a
                diminuição das disciplinas ligadas aos campos científicos, artísticos e culturais e,
                os docentes são obrigados a exercer seu trabalho em disciplinas estranhas à sua
                formação inicial. Essa nova dinâmica escolar tem uma forte tendência a provocar a
                desprofissionalização do magistério e a aprisionar o aluno nos limites de
                competências estreitas e, também, a fomentar o atomismo social. Mas, do ponto de
                vista da Sedu, o currículo é pautado no princípio de uma educação integral que
                promove o desenvolvimento pleno dos estudantes, contemplando todas as suas dimensões
                (intelectual, física, emocional, social e cultural - formação interdimensional).</p>
            <p>A flexibilidade é outro princípio importante da nova organização curricular, de modo
                que possibilita a construção de currículos e propostas pedagógicas mais alinhados
                com as especificidades locais e demandas dos jovens alunos, “[...] estimulando o
                exercício do protagonismo juvenil e fortalecendo o desenvolvimento de seus projetos
                de vida” (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Espírito Santo, 2022, p. 27</xref>). A
                pesquisa como prática pedagógica; a compreensão da diversidade e das realidades dos
                sujeitos; a diversificação da oferta de forma a possibilitar múltiplas trajetórias
                por parte dos estudantes; e a dissociabilidade entre educação e prática no processo
                de ensino-aprendizagem são dimensões fundamentais no contexto de formação do NEM.
                Contudo, tais princípios ficam no limite da retórica, porque não têm sustentação
                pedagógica e, muito menos, estrutura para sua prática nas realidades escolares.</p>
            <p>Uma das mudanças curriculares propostas para o NEM, por meio da Lei nº 13.415/2017
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Brasil, 2017</xref>)<xref ref-type="fn"
                    rid="fn2">2</xref>, diz respeito aos itinerários formativos. O artigo 4º desta
                lei sinaliza que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/1996) passa a
                vigorar acrescida do artigo 35-A, o qual assegura que</p>
            <disp-quote>
                <p>O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular e
                    por itinerários formativos, que deverão ser organizados por meio da oferta de
                    diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para o contexto local e
                    a possibilidade dos sistemas de ensino, a saber: I-Linguagens e suas
                    tecnologias; II-Matemática e suas tecnologias; III- Ciências da natureza e suas
                    tecnologias; IV- Ciências humanas e sociais aplicadas; V-Formação técnica e
                    profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Brasil, 2017</xref>, n. p).</p>
            </disp-quote>
            <p>Além disso, o inciso 1º do artigo 4º enuncia que “[...] a organização das áreas de
                que trata o <italic>caput</italic> e das respectivas competências e habilidades será
                feita de acordo com critérios estabelecidos em cada sistema de ensino” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B2">Brasil, 2017</xref>, n. p). Nessa direção, o inciso 3º
                aponta que “[...] a critério dos sistemas de ensino, poderá ser composto itinerário
                formativo integrado, que se traduz na composição de componentes curriculares da BNCC
                e dos itinerários formativos, considerando os incisos I a V do
                    <italic>caput</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Brasil, 2017</xref>, n.
                p).</p>
            <p>Com efeito, o currículo do NEM é composto por uma formação geral básica comum a todos
                os alunos e uma formação específica diversificada, contemplada por meio dos
                itinerários formativos. A formação geral, de duração máxima de 1.800 horas, é
                composta pelas competências e habilidades da BNCC. Os itinerários formativos, que
                possuem duração mínima de 1.200 horas, estão relacionados às áreas do conhecimento,
                nas quais os estudantes poderão se aprofundar, dentro das cinco possibilidades, que
                são: linguagens, códigos e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências
                da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas; formação
                técnica e profissional. A legislação permite que, de acordo com a disponibilidade de
                vagas na rede, os estudantes concluintes do ensino médio possam cursar mais de um
                itinerário formativo.</p>
            <p>De acordo com as informações enunciadas no <italic>site</italic> da Sedu, os
                itinerários formativos configuram a principal mudança no ensino médio capixaba,
                visto que permitem uma maior flexibilidade e diversificação do currículo. Os
                itinerários visam aprofundar e consolidar a formação integral dos jovens para que
                eles possam realizar seus Projetos de Vida, de tal modo que consigam incorporar
                valores universais e habilidades que permitam uma perspectiva macro de mundo “[...]
                tornando-os capazes de tomar decisões dentro e fora da escola, além de atender as
                necessidades e as expectativas dos jovens, fortalecendo o protagonismo na medida que
                escolhem o que desejam aprofundar” (Espírito Santo, 2021a). Dessa maneira:</p>
            <disp-quote>
                <p>O Itinerário Formativo tem como proposta um conjunto de situações, atividades
                    educativas que os estudantes podem escolher conforme seu interesse, aptidões e
                    objetivos os conhecimentos em uma ou mais Áreas de Conhecimento ou na Formação
                    Técnica e Profissional, a partir dos saberes adquiridos na Formação Geral
                    Básica, considerando as especificidades locais e a multiplicidade de interesses
                    dos estudantes (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Espírito Santo,
                    2021b</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Em âmbito estadual, tem-se dois principais instrumentos normativos elaborados pelo
                Conselho Estadual de Educação (CEE) que orientam, em consonância com a legislação
                nacional, a implementação do NEM no estado do ES. Esses documentos são: a Resolução
                CEE-ES nº 5.666/2020, que estabelece as normas para implantação do NEM no âmbito do
                Sistema de Ensino do Estado do Espírito Santo, e a Resolução CEE-ES nº 5.777/2020,
                que aprova o Currículo do Ensino Médio, proposto pela Sedu para a sua rede de ensino
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Espírito Santo, 2020a</xref>, <xref
                    ref-type="bibr" rid="B9">2020b</xref>).</p>
            <p>Os itinerários formativos foram elaborados tendo como base o documento “Referenciais
                Curriculares para a elaboração dos itinerários formativos”, assegurado por meio da
                Portaria nº 1.432 de 28 de dezembro de 2018, em consonância com as Diretrizes
                Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCnem).</p>
            <p>O artigo 6º das DCnem definem os itinerários formativos como sendo um conjunto de
                unidades curriculares ofertadas pelas instituições e redes de ensino que
                possibilitam ao estudante aprofundar seus conhecimentos e se preparar para o
                prosseguimento de estudos ou para o mundo do trabalho de forma a contribuir para a
                construção de soluções de problemas específicos da sociedade (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B6">Brasil, 2018b</xref>).</p>
            <p>Os itinerários formativos se constituem a partir de quatro eixos estruturantes:
                Investigação Científica, Processos Criativos, Mediação e Intervenção Sociocultural e
                Empreendedorismo. De acordo com a Portaria nº 1.432/2018, esses eixos objetivam</p>
            <disp-quote>
                <p>Integrar e integralizar os diferentes arranjos de Itinerários Formativos, bem
                    como criar oportunidades para que os estudantes vivenciem experiências
                    educativas profundamente associadas à realidade contemporânea, que promovam a
                    sua formação pessoal, profissional e cidadã. Para tanto, buscam envolvê-los em
                    situações de aprendizagem que os permitam produzir conhecimentos, criar,
                    intervir na realidade e empreender projetos presentes e futuros (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B3">Brasil, 2018a</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Em conformidade com a legislação que orienta a construção do NEM, a Sedu instituiu
                que os itinerários formativos fossem estabelecidos por meio dos Componentes
                Integradores e de Aprofundamento. Os Componentes Integradores são: o Projeto de
                Vida; as Eletivas e o Estudo Orientado. Esses componentes integram todos os
                itinerários formativos, assim como os Aprofundamentos e os respectivos Eixos
                Estruturantes, conforme descrito no <italic>site</italic> da Sedu. Os eixos
                estruturantes podem ser visualizados na <xref ref-type="table" rid="T1">tabela
                    1</xref>. Os itinerários formativos devem passar por, no mínimo, um eixo
                estruturante ou, preferencialmente, por todos eles.</p>
            <table-wrap id="T1">
                <label>Tabela 1</label>
                <caption>
                    <title>Eixos Estruturantes dos itinerários formativos</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle" colspan="3"><bold>Investigação
                                    Científica: investigação da realidade por meio da realização de
                                    práticas e produções científicas</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Conhecimentos</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Habilidades</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Capacidade</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="top">Conceitos fundantes das ciências</td>
                            <td align="left" valign="top">Pensar e fazer científico</td>
                            <td align="left" valign="top">Compreender e resolver situações
                                cotidianas para promover desenvolvimento local e melhoria da
                                qualidade de vida da comunidade</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle" colspan="3"><bold>Processos
                                    Criativos: Idealização e execução de projetos
                                criativos</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Conhecimentos</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Habilidades</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Capacidade</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="top">Arte, Cultura, Mídia, Ciências e suas
                                aplicações</td>
                            <td align="left" valign="top">Pensar e fazer criativo</td>
                            <td align="left" valign="top">Expressar-se criativamente e/ou construir
                                soluções inovadoras para problemas da sociedade e no mundo do
                                trabalho</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle" colspan="3"><bold>Mediação e
                                    Intervenção Sociocultural: Envolvimento na vida pública via
                                    projetos de mobilização e intervenção sociocultural</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Conhecimentos</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Habilidades</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Capacidade</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="top">Questões que afetam a vida dos seres
                                humanos e do planeta</td>
                            <td align="left" valign="top">Convivência e atuação sociocultural e
                                ambiental</td>
                            <td align="left" valign="top">Mediar conflitos e propor soluções para
                                problemas da comunidade</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle" colspan="3"><bold>Empreendedorismo:
                                    criação de empreendimentos pessoais ou produtivos articulados ao
                                    projeto de vida</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Conhecimentos</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Habilidades</bold></td>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>Capacidade</bold></td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="left" valign="top">Contexto, mundo do trabalho, gestão de
                                iniciativas empreendedoras</td>
                            <td align="left" valign="top">Autoconhecimento, empreendedorismo e
                                projeto de vida</td>
                            <td align="left" valign="top">Estruturar iniciativas empreendedoras que
                                fortaleçam atuação como protagonistas da sua trajetória</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN1">
                        <p>Fonte: Tabela elaborada pelos autores a partir de <xref ref-type="bibr"
                                rid="B11">Espírito Santo (2021b)</xref>.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <sec>
                <title>1.1 Itinerários Formativos de Aprofundamento</title>
                <p>O Aprofundamento é parte integrante do Itinerário Formativo e se organiza em
                    diversas configurações, reunidas em uma ou mais áreas do conhecimento e
                    articuladas a partir dos eixos estruturantes. Essas áreas de aprofundamento irão
                    integrar o currículo a partir da 2º série do ensino médio. No caso das unidades
                    escolares que irão ofertar formação técnica e profissional, o início ocorre a
                    partir da 1º série (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Espírito Santo,
                    2021b</xref>).</p>
                <p><fig id="F1">
                        <label>Figura 1</label>
                        <caption>
                            <title>Organização dos aprofundamentos</title>
                            <p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B11">Espírito Santo
                                (2021b)</xref></p>
                        </caption>
                        <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-02-e94918-gf01.tif"/>
                    </fig></p>
                <p>De acordo com o Catálogo dos Itinerários Formativos de Aprofundamento<xref
                        ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>, a configuração dos itinerários de
                    aprofundamento ofertados pela rede estadual de ensino é a seguinte: área de
                    Linguagens, Códigos e suas Tecnologias - tema: mídias digitais: linguagens em
                    ação; área de Matemática e suas Tecnologias - tema: educação financeira e
                    fiscal; área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias - tema: Terra, vida e
                    cosmo; área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas - tema: Modernização,
                    Transformação social e meio ambiente e; Formação Técnica e Profissional.</p>
                <p>No que concerne à Formação Técnica e Profissional, os itinerários focam em
                    habilidades associadas aos quatro eixos estruturantes em unidades curriculares
                    específicas que compõem o Módulo de Formação para o Mundo do Trabalho, além das
                    habilidades específicas requeridas pelas distintas ocupações, conforme previsto
                    no Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT) na Classificação Brasileira de
                    Ocupações (CBO).</p>
                <p>Além do aprofundamento por área, são ofertados os aprofundamentos entre as áreas
                    do conhecimento, que são: 1) Humanidades e relações socioambientais (área de
                    Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e área de Ciências da Natureza e Suas
                    Tecnologias); 2) Narrativas Socioliterárias: Literatura, Artes e Ciências
                    Humanas descrevem o mundo (área de Linguagens e suas Tecnologias e área de
                    Ciências Humanas e Sociais Aplicadas); O Esporte, a Ciência e suas Linguagens
                    (área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e área de Linguagens e suas
                    Tecnologias); Energias Renováveis e Eficiência Energética (todas as áreas de
                    conhecimento); Aspirações Docentes (todas as áreas do conhecimento).</p>
                <p>Dessa forma, a Sedu tem divulgado a oferta dos 10 itinerários formativos acima
                    apresentados, sendo 09 propedêuticos e 01 de formação técnica e profissional.
                    Cabe apontar, porém, que a supracitada Resolução CEE-ES nº 5.777/2020, que
                    aprovou o currículo do ensino médio proposto pela Sedu, faz menção apenas a 9
                    itinerários: 8 propedêuticos e um de formação técnica e profissional. Embora a
                    resolução não indique os nomes dos itinerários, a consulta às suas ementas
                    indica que a ausência se refere ao itinerário “Aspirações Docentes”. De fato,
                    apenas entre os dias 30/03/2021 e 23/04/2021 ocorreu uma consulta pública
                        isolada<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref> referente a esse itinerário,
                    mas o documento legal de sua aprovação pelo CEE-ES ainda não está publicado.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec>
            <title>2. Critérios para a distribuição dos itinerários formativos nas escolas da rede
                estadual</title>
            <p>De acordo com o cronograma disponível na página do NEM, a implementação efetiva do
                novo currículo nas 1ª séries do ensino médio teve início no ano de 2022, com avanço
                progressivo para as 2ª e 3ª séries nos dois anos seguintes. Considerando a
                arquitetura curricular do NEM, a parte específica dos itinerários formativos em cada
                escola – os chamados “aprofundamentos” -, seria incorporada somente na 2ª série,
                portanto, em 2023, prosseguindo na série seguinte (<xref ref-type="bibr" rid="B12"
                    >Espírito Santo, 2021c</xref>). Porém, para a oferta do itinerário “formação
                técnica e profissional”, a arquitetura curricular indica que já em 2022 teria início
                a oferta dos “aprofundamentos”, nesse caso, com as próprias disciplinas
                profissionalizantes, juntamente com um conjunto de componentes curriculares comuns a
                todos os cursos profissionalizantes, chamado “preparação para o mundo do trabalho”,
                além daqueles componentes integradores para todos os estudantes (projeto de vida,
                eletivas e estudo orientado) (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Espírito Santo,
                    2021d</xref>).</p>
            <p>Sobre a distribuição dos 10 itinerários formativos entre as 290 escolas de ensino
                médio da rede estadual do Espírito Santo, a Sedu orientou que “[...] as escolhas
                devem ser feitas com critério e de acordo com o cenário da comunidade escolar,
                aliadas com as preferências dos estudantes” (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
                    >Espírito Santo, 2021e</xref>). Uma vez estabelecido na lei que cada escola
                deveria ofertar, no mínimo, dois itinerários formativos, coube à Sedu definir os
                critérios, as estratégias e as possibilidades de sua distribuição pelas escolas.
                Para tanto, foi elaborada uma “tabela de referência para cálculo da quantidade de
                itinerários formativos de aprofundamento por escola” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B14">Espírito Santo, 2021e</xref>), que se baseia em dois critérios
                básicos: número de escolas vizinhas e a quantidade de turmas da escola, conforme
                segue abaixo:</p>
            <table-wrap id="T2">
                <label>Tabela 2</label>
                <caption>
                    <title>Tabela de referência para cálculo da quantidade de itinerários formativos
                        de aprofundamento por escola</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <thead>
                        <tr>
                            <th align="center" valign="middle" rowspan="2" colspan="2"/>
                            <th align="center" valign="middle" colspan="4">Quantidades de
                                turmas</th>
                        </tr>
                        <tr>
                            <th align="center" valign="middle">Até 4 turmas</th>
                            <th align="center" valign="middle">De 5 a 7 turmas</th>
                            <th align="center" valign="middle">De 7 a 10 turmas</th>
                            <th align="center" valign="middle">Mais de 10 turmas</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle" rowspan="4">Escolas Vizirhas</td>
                            <td align="center" valign="middle">Nenhuma escola vizinha</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">3</td>
                            <td align="center" valign="middle">3</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">De 1 a 5 escolas vizinhas</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">3</td>
                            <td align="center" valign="middle">4</td>
                            <td align="center" valign="middle">4</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">De 6 a 10 escolas vizinhas</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">3</td>
                            <td align="center" valign="middle">3</td>
                            <td align="center" valign="middle">4</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle">Mais de 10 escolas vizinhas</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                            <td align="center" valign="middle">2</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN2">
                        <p>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B14">Espírito Santo (2021e)</xref>.</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>O número de escolas vizinhas para cada escola foi definido considerando a quantidade
                de escolas “[...] localizadas no mesmo município, dentro de um raio de 10 km por
                vias rodoviárias de acesso”, enquanto a quantidade de turmas teve como parâmetro
                “[...] o número de turmas de 1ª e 2ª séries” (conforme dados do Sistema Estadual de
                Gestão Escolar - Seges, em março/2021) que, “[...] hipoteticamente, estariam
                cursando as 2ª e 3ª séries no formato do NEM em 2022” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B14">Espírito Santo, 2021e</xref>, grifo no original). Nesse cálculo,
                considera-se o número de turmas dos turnos matutino e vespertino, limitado à
                quantidade de salas de aula da escola.</p>
            <p>Embora de modo não linear, observamos nessa tabela que um maior número de turmas
                implica, geralmente, uma maior oferta de itinerários formativos, ocorrendo o inverso
                com relação ao número de escolas vizinhas. Ou seja, com o aumento do número de
                escolas vizinhas, tal oferta tende a diminuir, obrigando os estudantes a se
                locomoverem, no mínimo, 10 km, se quiserem ter direito a uma escolha.</p>
            <p>A Sedu ressalta que “[...] ao fazer sugestão e oferta de itinerários”, deve-se
                considerar que “[...] um deles preferencialmente será entre áreas do conhecimento”,
                bem como que “[...] as escolas que ofertam o Itinerário Formação Técnica e
                Profissional deverão ofertar também um itinerário propedêutico, preferencialmente um
                dos entre Áreas do conhecimento” (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Espírito Santo,
                    2021e</xref>, grifos no original). A indicação e o destaque do termo
                “preferencialmente” parecem apontar para a existência de outros elementos que
                poderão interferir na definição da oferta dos itinerários formativos de cada
                escola.</p>
            <p>Além das indicações anteriores de “escolas vizinhas”, “quantidade de turmas” e
                “preferências dos estudantes”, anteriormente apontadas, há um elemento importante e
                não referenciado nos documentos: o número de professores efetivos na escola por
                disciplina. Fato é que a reforma tem um objetivo não explicitado de responder às
                questões de ausência/falta de professores por meio da redução da oferta de
                disciplinas e/ou conteúdos e, ademais, por meio da diluição ou da liquidez de
                conhecimentos organizados na forma de eletivas, sob a retórica da
                interdisciplinaridade. Contudo o que estamos vendo é o desmonte das disciplinas.</p>
            <p>Ao provocar a mudança do lugar de origem do professor, a reforma busca reduzir sua
                importância, isolando-o ainda mais sob laços da concorrência. Ademais, como destaca
                    <xref ref-type="bibr" rid="B23">Lopes (2019)</xref>, quando a BNCC pretende
                “quebrar a centralidade das disciplinas” revela um desconhecimento brutal do
                significado das disciplinas na organização do currículo, pois elas “[...] orientam
                a produção de diplomas, o cumprimento de exigências sociais, os critérios para
                formação de professores, a divisão do trabalho docente, mecanismos que são
                sustentados e ao mesmo tempo sustentam as comunidades disciplinares” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B23">Lopes, 2019, p. 63</xref>). A reforma submete as
                disciplinas à organização por áreas (lembrando as Diretrizes Curriculares/1998) e
                itinerários formativos.</p>
            <disp-quote>
                <p>As disciplinas escolares, nesse sentido, não são “boas” ou “ruins”, “certas” ou
                    “erradas” em si. São instituições educativas com as quais é negociada a
                    significação da política curricular. Propor uma mudança de organização
                    curricular na qual as disciplinas escolares são mencionadas como se fossem
                    apenas divisões de conhecimento que precisam ser reagrupadas desconsidera que,
                    como instituições, tais disciplinas organizam comunidades que constituem
                    identificações sociais. Portanto, alterar a organização curricular implica
                    modificar identificações docentes (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Lopes, 2019,
                        p. 63</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Quanto à formação continuada de professores sobre os “aprofundamentos” dos
                itinerários formativos, em 2021, a Sedu promoveu um curso sobre a formação geral
                básica e os componentes integradores, que teve como palestrante principal a
                coordenadora de políticas educacionais do Instituto Unibanco (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B15">Espírito Santo, 2021f</xref>). A expectativa da Sedu é a ampliação de
                ações de instituições externas, pois elas estão previstas em diferentes “ciclos da
                implementação” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Espírito Santo, 2021g</xref>), a fim
                de “[...] articular o estabelecimento de parcerias para atender a ampliação do
                número de escolas com o NEM e Itinerários Formativos” (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Espírito Santo, 2021g, p. 34 e 36</xref>).</p>
            <p>Cabe destacar que para a divulgação do NEM foi criada uma página específica chamada
                “#Novo Ensino Médio Capixaba”<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>, com vários
                materiais informativos, inclusive sobre cada itinerário formativo, com imagens,
                fluxogramas e <italic>links</italic> complementares, parte deles direcionados a
                instituições e movimentos não-governamentais envolvidos com o NEM, como a Porvir, o
                Movimento pela Base etc. No canal da Sedu na plataforma Youtube também há uma
                sequência de oito pequenos vídeos de um a dois minutos, localizados numa
                    <italic>playlist</italic> chamada “Novo Ensino Médio Capixaba”, nos quais
                estudantes/atores apresentam alguns dos itinerários formativos<xref ref-type="fn"
                    rid="fn6">6</xref>. A imprensa local também tem produzido matérias e materiais
                de divulgação do NEM (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Nunes, 2021</xref>).</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>3. Implementação dos itinerários formativos do currículo do ensino médio da rede
                estadual do ES (2021-2023)</title>
            <p>Realizamos a nossa coleta de dados acerca da oferta específica dos itinerários
                formativos durante as chamadas públicas da rede estadual do Espírito Santo para as
                matrículas e rematrículas escolares para os anos de 2022<xref ref-type="fn"
                    rid="fn7">7</xref> e 2023<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>, ocorridas ao
                final do ano anterior de cada uma das chamadas (2021 e 2022, respectivamente). Ela
                envolveu a consulta à lista de todas as escolas de ensino médio e às suas
                respectivas ofertas de itinerários formativos, bem como aos documentos disponíveis
                no sítio eletrônico da Sedu sobre as próprias chamadas públicas (atos normativos,
                manuais, reportagens etc.) desses dois anos.</p>
            <p>Como o sítio eletrônico da Sedu não permite a extração da base de dados com as
                informações de oferta, disponíveis apenas para visualização e consulta dos usuários,
                utilizamos uma planilha eletrônica (Microsoft Excel) como recurso para copiar,
                reunir e organizar em matrizes todas as informações de cada ano, com a vantagem de
                nos possibilitar, ainda, o cruzamento de informações e a produção de diversas
                sistematizações.</p>
            <p>Obtemos, assim, três matrizes sobre a oferta detalhada dos itinerários formativos em
                cada uma das escolas de ensino médio distribuídas pelos 78 municípios do estado do
                Espírito Santo, inclusive com os cursos técnicos específicos quando na escola havia
                a oferta do chamado quinto itinerário, denominado “formação técnica e
                profissional”.</p>
            <p>A primeira matriz nos possibilitou operar com informações de oferta dos itinerários
                formativos para a 1ª série do ensino médio no ano de 2022 de cada unidade escolar,
                disponíveis aos estudantes ingressantes ou reprovados na 1ª série para indicação de
                sua preferência por ocasião da solicitação de rematrícula, transferência interna e
                pré-matrícula. Na segunda matriz, de modo semelhante, reunimos as mesmas informações
                de oferta para a 1ª série do ensino médio, desta vez para o ano seguinte (2023),
                permitindo-nos comparar as alterações de oferta de um ano para o outro em cada
                escola, em particular, e na rede estadual, no geral. A terceira matriz, por sua vez,
                possibilitou reunir as vagas remanescentes da oferta de itinerários para a 2ª série
                do ensino médio no ano de 2023.</p>
            <p>De acordo com o cronograma estabelecido pela Sedu, a implementação efetiva do novo
                currículo nas 1ª séries do ensino médio estava prevista para ocorrer no ano de 2022,
                com avanço progressivo para as 2ª e 3ª séries nos dois anos seguintes. Porém,
                considerando a arquitetura curricular para o ensino regular, a parte específica dos
                itinerários formativos em cada escola – os chamados “aprofundamentos” -, seria
                    <italic>incorporada somente na 2ª série, portanto, em 2023</italic>, com uma
                diferença para a oferta do itinerário “formação técnica e profissional”, cuja
                arquitetura curricular indicava que, já em 2022, haveria o início dos
                “aprofundamentos”.</p>
            <p>Ademais, sabíamos que, conforme o Art. 10, § 1º, da Portaria n.º 241-R, de 7 de
                outubro de 2022, que estabeleceu as normas e procedimentos para a chamada pública
                escolar da rede escolar pública estadual do Espírito Santo para o ano letivo de
                2023, “[...] a indicação do itinerário formativo de preferência do estudante
                ingressante na 1ª série não garante a efetivação de sua indicação” (a ser iniciada
                efetivamente somente na 2ª série, conforme já apontamos), embora se tenha ressaltado
                que ele “[...] deve ser norteador quanto à organização da escola, sendo objeto de
                avaliação quanto à enturmação”. Além disso, uma preconização semelhante estava
                prevista também para a 2ª série de que, de igual modo, não seria garantida a
                efetivação da matrícula no itinerário escolhido para essa série – exceção feita ao
                “[...] itinerário de formação técnica e profissional, em que é garantida a
                terminalidade das turmas já iniciadas na 1ª série” (Art. 11, § 1º).</p>
            <p>Com essas três matrizes realizamos, então, o acompanhamento das ofertas dos
                itinerários formativos no período supracitado, as quais são apresentadas a
                seguir.</p>
            <sec>
                <title>3.1 Oferta dos itinerários formativos do currículo do ensino médio da rede
                    estadual do Espírito Santo para 2022</title>
                <p>Embora a regulamentação do Conselho Estadual de Educação do Espírito Santo
                    (CEE-ES) tenha previsto a oferta de dois a quatro itinerários formativos em cada
                    escola, é possível identificar na <xref ref-type="table" rid="T3">tabela
                        3</xref> a seguir, casos em desacordo com a norma: 16 escolas ofertaram
                    apenas um itinerário, portanto, abaixo do mínimo regulamentado, enquanto somente
                    uma extrapolou o máximo previsto, com a oferta de cinco itinerários. A maior
                    quantidade de oferta de itinerários formativos se refere, justamente, ao mínimo
                    exigido de (apenas) dois itinerários por escola, que representa a realidade de
                    mais da metade das escolas da rede estadual (aproximadamente 54%).</p>
                <table-wrap id="T3">
                    <label>Tabela 3</label>
                    <caption>
                        <title>Quantidade de itinerários formativos (IF) ofertados pelas escolas de
                            ensino médio da rede estadual do ES para a 1ª série em 2022</title>
                    </caption>
                    <table frame="box" rules="all">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle">Qte. de IF ofertados</th>
                                <th align="center" valign="middle">Qte. de escolas (n)</th>
                                <th align="center" valign="middle">Qte. de escolas (%)</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">16</td>
                                <td align="center" valign="middle">5,5</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">156</td>
                                <td align="center" valign="middle">53,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">3</td>
                                <td align="center" valign="middle">69</td>
                                <td align="center" valign="middle">23,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">4</td>
                                <td align="center" valign="middle">48</td>
                                <td align="center" valign="middle">16,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">5</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,3</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle"><bold>Total</bold></td>
                                <td align="center" valign="middle"><bold>290</bold></td>
                                <td align="center" valign="middle"><bold>100,0</bold></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Um dado importante diz respeito aos itinerários formativos específicos que são
                    ofertados. A maior oferta se refere ao quinto itinerário, chamado
                        <italic>Formação Técnica e Profissional</italic>, presente em 129 escolas
                    (cerca de 45% do total), conforme apontamos a seguir (<xref ref-type="table"
                        rid="T4">Tabela 4</xref>). Seguindo com os próximos três itinerários também
                    com maior frequência nas escolas, observamos que se tratam de três dos cinco
                    “itinerários formativos integrados”, assim denominados por envolverem mais de
                    uma área de conhecimento, a saber: <italic>Energias Renováveis e Eficiência
                        Energética</italic>, que, em princípio, abarca todas as quatro áreas de
                    conhecimento, e está presente em 121 escolas; <italic>O Esporte, a Ciência e
                        suas Linguagens</italic> (área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e
                    Área de Linguagens e suas Tecnologias), identificado em 104 escolas; e
                        <italic>Humanidades e Relações Socioambientais</italic> (Área de Ciências
                    Humanas e Sociais Aplicadas e Área de Ciências da Natureza e Suas Tecnologias),
                    presente em 87 escolas.</p>
                <table-wrap id="T4">
                    <label>Tabela 4</label>
                    <caption>
                        <title>Frequência absoluta (n) e relativa (%) dos 10 itinerários formativos
                            ofertados pelas escolas de ensino médio da rede estadual do Espírito
                            Santo para a 1ª série em 2022</title>
                    </caption>
                    <table frame="box" rules="all">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle">Itinerários formativos</th>
                                <th align="center" valign="middle">Escolas (n)</th>
                                <th align="center" valign="middle">Escolas (%)<xref
                                        ref-type="table-fn" rid="TFN3">*</xref></th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Formação Técnica e
                                    Profissional</td>
                                <td align="right" valign="middle">129</td>
                                <td align="right" valign="middle">44,5</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Energias Renováveis e Eficiência
                                    Energética</td>
                                <td align="right" valign="middle">121</td>
                                <td align="right" valign="middle">41,7</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">O Esporte, a Ciência e suas
                                    Linguagens</td>
                                <td align="right" valign="middle">104</td>
                                <td align="right" valign="middle">35,9</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Humanidades e Relações
                                    Socioambientais</td>
                                <td align="right" valign="middle">87</td>
                                <td align="right" valign="middle">30,0</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Mídias Digitais: Linguagens em
                                    Ação</td>
                                <td align="right" valign="middle">79</td>
                                <td align="right" valign="middle">27,2</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Narrativas Socioliterárias:
                                    Literatura, Arte e Ciências Humanas Descrevem o Mundo</td>
                                <td align="right" valign="middle">65</td>
                                <td align="right" valign="middle">22,4</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Terra, Vida e Cosmo</td>
                                <td align="right" valign="middle">43</td>
                                <td align="right" valign="middle">14,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Educação Financeira e Fiscal</td>
                                <td align="right" valign="middle">42</td>
                                <td align="right" valign="middle">14,5</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Modernização, Transformação Social
                                    e Meio Ambiente</td>
                                <td align="right" valign="middle">41</td>
                                <td align="right" valign="middle">14,1</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Aspirações Docentes</td>
                                <td align="right" valign="middle">21</td>
                                <td align="right" valign="middle">7,2</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN3">
                            <label>*</label>
                            <p><italic>percentual referente ao total de escolas (290)</italic></p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Nas escolas com o quinto itinerário, identificamos, ainda, a oferta de 1 a 6
                    cursos diferentes (a maioria, porém, com apenas 1 ou 2 cursos), totalizando uma
                    oferta de 228 cursos técnicos. Na <xref ref-type="table" rid="T5">tabela
                        5</xref>, detalhamos os 34 cursos técnicos distribuídos nessas 129
                    escolas.</p>
                <table-wrap id="T5">
                    <label>Tabela 5</label>
                    <caption>
                        <title>Frequência absoluta (n) e relativa (%) dos cursos técnicos ofertados
                            no itinerário "formação técnica e profissional" nas escolas de ensino
                            médio da rede estadual do Espírito Santo para a 1ª série em 2022</title>
                    </caption>
                    <table frame="box" rules="all">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle">Cursos técnicos</th>
                                <th align="center" valign="middle">Escolas (n)</th>
                                <th align="center" valign="middle">Escolas (%)<xref ref-type="table"
                                        rid="T4">**</xref></th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Administração</td>
                                <td align="center" valign="middle">41</td>
                                <td align="center" valign="middle">31,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Informática para internet</td>
                                <td align="center" valign="middle">30</td>
                                <td align="center" valign="middle">23,3</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Manutenção e suporte em
                                    informática</td>
                                <td align="center" valign="middle">19</td>
                                <td align="center" valign="middle">14,7</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Logística</td>
                                <td align="center" valign="middle">18</td>
                                <td align="center" valign="middle">14,0</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Agronegócio</td>
                                <td align="center" valign="middle">14</td>
                                <td align="center" valign="middle">10,9</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Redes de computadores</td>
                                <td align="center" valign="middle">12</td>
                                <td align="center" valign="middle">9,3</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Recursos humanos</td>
                                <td align="center" valign="middle">11</td>
                                <td align="center" valign="middle">8,5</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Comércio</td>
                                <td align="center" valign="middle">10</td>
                                <td align="center" valign="middle">7,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Segurança do trabalho</td>
                                <td align="center" valign="middle">10</td>
                                <td align="center" valign="middle">7,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Agropecuária</td>
                                <td align="center" valign="middle">5</td>
                                <td align="center" valign="middle">3,9</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Marketing</td>
                                <td align="center" valign="middle">5</td>
                                <td align="center" valign="middle">3,9</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Publicidade</td>
                                <td align="center" valign="middle">5</td>
                                <td align="center" valign="middle">3,9</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Análises clínicas</td>
                                <td align="center" valign="middle">4</td>
                                <td align="center" valign="middle">3,1</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Design gráfico</td>
                                <td align="center" valign="middle">4</td>
                                <td align="center" valign="middle">3,1</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Gerência em saúde</td>
                                <td align="center" valign="middle">4</td>
                                <td align="center" valign="middle">3,1</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Guia de turismo</td>
                                <td align="center" valign="middle">4</td>
                                <td align="center" valign="middle">3,1</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Produção de áudio e vídeo</td>
                                <td align="center" valign="middle">3</td>
                                <td align="center" valign="middle">2,3</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Química</td>
                                <td align="center" valign="middle">3</td>
                                <td align="center" valign="middle">2,3</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Sistemas de energia renovável</td>
                                <td align="center" valign="middle">3</td>
                                <td align="center" valign="middle">2,3</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Comércio exterior</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Controle ambiental</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Design de interiores</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Eletrotécnica</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Mecânica</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Meio Ambiente</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Secretariado</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Vendas</td>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">1,6</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Automação industrial</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Computação gráfica</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Condomínio</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Edificações</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Eletromecânica</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Multimídia</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,8</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="left" valign="middle">Transações imobiliárias</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,8</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN4">
                            <label>**</label>
                            <p><italic>percentual referente ao total de escolas que ofertam o
                                    itinerário "formação técnica e profissional" (129)</italic></p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Algo recorrente apontado pela literatura acadêmica da educação, antes mesmo do
                    início da implementação da reforma do ensino médio, era a crítica à
                    possibilidade de uma oferta restrita de itinerários formativos, tendo em vista
                    que a Lei n.º 13.415/2017 já evidenciava a prerrogativa dos sistemas de ensino
                    na definição da quantidade e de quais itinerários seriam ofertados, não havendo,
                    desse modo, a garantia de que cada escola abrangeria a oferta de todas as áreas
                    de conhecimento, inclusive nos municípios que possuem apenas uma escola com a
                    oferta do ensino médio.</p>
                <p>Em nosso levantamento identificamos que mais de um quarto (28,2%) dos municípios
                    do Espírito Santo possuem, precisamente, apenas uma escola com a oferta do
                    ensino médio, totalizando 22 escolas.</p>
                <p>Cabe lembrar também que pouco mais de um outro quarto de municípios (26,9%)
                    possui somente duas escolas que ofertam o ensino médio. Isso equivale a afirmar
                    que mais da metade dos municípios (55%) possuem apenas uma ou duas escolas e,
                    portanto, a depender da quantidade e das áreas de conhecimentos ofertados com os
                    itinerários formativos nas escolas desses municípios, temos algumas situações
                    extremas que relativizam (ainda mais) a retórica dos reformadores educacionais
                    sobre a efetiva possibilidade de <italic>escolha</italic> dos jovens sobre o seu
                    projeto de vida, nesse caso, por meio do itinerário formativo.</p>
                <p>Podemos ilustrar tais situações com a situação de municípios que possuem apenas
                    uma escola. Nesse caso mais extremo, temos o exemplo da única escola de um
                    determinado município do Sul do estado, na qual são ofertados apenas dois
                    itinerários formativos: <italic>O Esporte, a Ciência e suas Linguagens</italic>;
                    e <italic>Formação Técnica e Profissional.</italic> Embora o primeiro seja um
                    itinerário integrado, envolvendo conhecimentos das áreas de Ciências da Natureza
                    e suas Tecnologias e de Linguagens e suas Tecnologias, indagamo-nos,
                    considerando tão somente a própria retórica e a lógica da reforma do ensino
                    médio, como estudantes com interesse em uma das duas outras áreas do
                    conhecimento (Área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ou Matemática e suas
                    Tecnologias) poderiam trilhar seu projeto de vida por meio do respectivo
                    itinerário formativo de seu interesse? Escolhas precoces têm um grande risco de
                    serem abandonadas em curto espaço de tempo e, nesse caso, as situações que
                    exigem a escolha de um ou dois itinerários formativos, o exame do ensino médio
                    (Enem) e/ou a continuidade no ensino superior e/ou o trabalho podem se ver
                    enrijecidas (ao invés de flexibilizadas).</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>3.2 Alterações na oferta dos itinerários formativos do currículo do ensino
                    médio da rede do Espírito Santo para 2023</title>
                <p>Para o ano de 2023, identificamos algumas poucas alterações em relação às ofertas
                    de itinerários formativos. Em geral, houve um pequeno aumento do total da oferta
                    de itinerários, assim como do número de escolas de ensino médio (de 290 para
                    293). A comparação minuciosa das ofertas, nesses dois anos, de itinerários
                    formativos pelas escolas de ensino médio da rede estadual do Espírito Santo para
                    a 1ª série, permitiu-nos identificar três padrões de alterações. O primeiro,
                    refere-se às mudanças pontuais apenas na oferta dos tipos de cursos técnico,
                    ocorridas em três escolas localizadas no Sul do estado do Espírito Santo, sem
                    que fosse alterada a quantidade da oferta dos itinerários, nem o quantitativo
                    dos cursos do quinto itinerário que tais escolas já ofertavam. Por exemplo, uma
                    das escolas ofertou o curso de Administração em 2022 e a turma seguirá, em 2023,
                    na 2ª série; porém, esse mesmo curso não será mais ofertado para a 1ª série em
                    2023. Em seu lugar, um novo curso passou a ser ofertado: o de Análises
                    Clínicas.</p>
                <p>O segundo padrão também diz respeito somente aos cursos técnicos, porém, com
                    alterações significativas na quantidade da oferta específica de cursos técnicos
                    do quinto itinerário em 33 escolas que já ofertavam vagas para o ensino médio.
                    Em 11 delas houve um aumento desse quantitativo, em função da criação de mais um
                    ou dois cursos técnicos em seis escolas que já ofertavam o quinto itinerário e
                    em outras cinco, que passaram a ofertar cursos técnicos apenas no ano de 2023.
                    Por outro lado, em 22 escolas houve, para o ano de 2023, uma diminuição da
                    oferta de cursos técnicos no âmbito do quinto itinerário em relação ao ano
                    anterior. Isso ocorreu porque 17 escolas suspenderam a oferta de um dos seus
                    cursos técnicos, enquanto em outras 5 houve a suspensão total do quinto
                    itinerário – outrora composto de um curso técnico em duas dessas escolas e dois
                    cursos nas outras três.</p>
                <p>O terceiro padrão das alterações aconteceu em decorrência de três escolas –
                    localizadas uma no Sul, outra no Norte e a terceira, na região metropolitana do
                    estado – passarem a ofertar vagas no ensino médio no ano de 2023. Todas
                    iniciaram a oferta com dois itinerários formativos, de modo que apenas nesse
                    padrão é que observamos novas ofertas de itinerários relacionados às áreas de
                    conhecimento. No padrão anterior, as diminuições ou acréscimos se referem
                    somente ao quinto itinerário. Além disso, por mais alterações que tenham
                    ocorrido nesse quinto itinerário, conforme apresentado para o segundo padrão, o
                    “saldo” positivo final das novas ofertas foi de apenas seis itinerários,
                    referentes às ofertas do terceiro padrão.</p>
                <p>Em relação à quantidade de itinerários formativos em cada escola, a comparação da
                        <xref ref-type="table" rid="T3">tabela 3</xref> (anterior) com a <xref
                        ref-type="table" rid="T6">tabela 6</xref> (a seguir), é possível identificar
                    que se ampliaram os casos em desacordo com a regulamentação do CEE-ES,
                    particularmente quanto ao mínimo previsto de dois itinerários formativos em cada
                    escola.</p>
                <table-wrap id="T6">
                    <label>Tabela 6</label>
                    <caption>
                        <title>Quantidade de itinerários formativos ofertados pelas escolas de
                            ensino médio da rede estadual do Espírito Santo para a 1ª série em
                            2023</title>
                    </caption>
                    <table frame="box" rules="all">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle">Qte. de itinerários
                                    ofertados</th>
                                <th align="center" valign="middle">Qte. de escolas (n)</th>
                                <th align="center" valign="middle">Qte. de escolas (%)</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">18</td>
                                <td align="center" valign="middle">6,1</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">2</td>
                                <td align="center" valign="middle">155</td>
                                <td align="center" valign="middle">52,9</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">3</td>
                                <td align="center" valign="middle">71</td>
                                <td align="center" valign="middle">24,2</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">4</td>
                                <td align="center" valign="middle">48</td>
                                <td align="center" valign="middle">16,4</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">5</td>
                                <td align="center" valign="middle">1</td>
                                <td align="center" valign="middle">0,3</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle"><bold>Total</bold></td>
                                <td align="center" valign="middle"><bold>293</bold></td>
                                <td align="center" valign="middle"><bold>100,0</bold></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                </table-wrap>
                <p>Se para 2022 a previsão era de 16 escolas ofertando apenas um itinerário, esse
                    número aumentou para 18 na oferta para 2023. Além desse aumento, identificamos
                    ainda que ele ocorreu em dois municípios do Sul do estado, nos quais já havia
                    poucas escolas – duas e três escolas, já contabilizadas aquelas com ofertas de
                    apenas um itinerário. As demais alterações identificadas na comparação entre as
                        <xref ref-type="table" rid="T3">tabelas 3</xref> e <xref ref-type="table"
                        rid="T6">6</xref> não foram significativas, pois ocorreram em relação apenas
                    ao quantitativo de escolas que ofertam dois ou três itinerários. Além de estarem
                    dentro da previsão de itinerários previstos pelo CEE-ES, a diferença da
                    alteração foi pequena, quando consideramos que se trata das duas maiores
                    quantidades de ofertas. Ou seja, em 2022 havia 156 escolas que ofertavam dois
                    itinerários, enquanto, em 2023, a quantidade diminuiu somente para 155; em
                    relação à oferta de três itinerários, houve um aumento de 69 para apenas 71
                    escolas. Mas, chama atenção a ênfase da oferta do quinto itinerário formativo
                    que é recorrente em outros estados do país, o que leva a constatar o sentido da
                    reforma do ensino médio: ofertar um ensino médio precário para certificar o
                        “emprecariado<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>” (2023).</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>Em 2016, o governo federal propôs alterações substantivas na Lei de Diretrizes e
                Bases da Educação Nacional (LDBEN), criando o NEM, assim intitulado pelos
                reformadores. Sob o argumento do academicismo, da falta de atratividade da etapa e
                em defesa da liberdade de escolha, a reforma propôs a criação de itinerários
                formativos e uma formação geral com carga horária máxima de 1.800 horas para um
                total de 3 mil horas. Tais itinerários guardam simetria com as 4 áreas em que
                organiza a BNCC, com o acréscimo de um quinto itinerário, ligado à formação técnica
                e profissional. O ensino médio, dessa forma, sofreu uma redução do tempo destinado à
                formação geral em relação às 2.400 horas praticadas até então nas escolas
                brasileiras.</p>
            <p>Considerando que a Lei nº 13.415/2017 permite aos sistemas de ensino ofertarem apenas
                dois itinerários formativos em cada escola, em um país em que cerca de 50% dos
                municípios possuem apenas uma única escola, somos levados a crer que a liberdade de
                escolha é exercida no limite oferecido pelo sistema educacional. Na rede estadual do
                Espírito Santo, o quadro geral da oferta é de grande diversidade e desigualdade,
                conforme mostrado no texto. No estado do Espírito Santo, há 22 municípios que
                possuem apenas uma escola e, em cinco delas, há oferta apenas do mínimo legal de
                dois itinerários formativos. Aliás, a oferta de dois itinerários está presente em
                mais da metade (52,9%) das escolas do Espírito Santo. Ademais, dezoito escolas
                (6,1%), vêm ofertando somente um itinerário formativo, menos do que dois itinerários
                previstos pela própria Sedu como critério mínimo de oferta por escola. Na maioria
                delas (doze escolas) a oferta é do itinerário “formação técnica e profissional”. A
                maior agravante é que o quinto itinerário é o mais ofertado no estado e, nesse
                modelo de itinerário, a perspectiva da educação profissional está dissociada da
                formação geral, o que é um retrocesso em relação aos debates e às políticas
                formuladas no passado recente do Brasil.</p>
            <p>Os estudantes do ensino médio voltaram às ruas do país para reivindicar a revogação
                da reforma que, de acordo com as experiências vividas nos últimos três anos, vem
                mostrando uma precariedade do ponto de vista da formação almejada, pois provocou a
                redução dos conhecimentos científicos em favor de uma profissionalização
                empreendedora de baixa complexidade. Os alunos reclamam que nada aprendem e que
                ficarão impedidos de participar com sucesso no Enem – o Exame Nacional do Ensino
                Médio.</p>
            <p>Ademais, a evasão cresceu nos anos 2020 e 2021, conforme atestado pelos dados do
                Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que
                mostram que o percentual de abandono passou de 2,3% para 5,6%. Na região Norte do
                país, a taxa chegou a 10,1% e, no Espírito Santo, o abandono escolar, no ensino
                médio, chegou a 2,9% em 2021, sendo que em 2020 era de 1,3%. Em 2022, 18 mil alunos
                não realizaram sua rematrícula no ensino médio do Espírito Santo, o que revela que o
                NEM não vem alcançando sua promessa de atrair os estudantes.</p>
            <p>Nossos estudos apontam que a reforma do ensino médio atualiza a Teoria do Capital
                Humano no século XXI, remetendo a uma maior dimensão interna/psique que busca a
                fabricação de subjetividades para o mercado; uma conduta pessoal baseada em valores
                e imagens ilusórias de um futuro promissor para estudantes situados nas franjas da
                sociedade. A Teoria do Capital Humano (TCH) expressa uma crença de que a educação
                escolar é fundamental para o desenvolvimento social e econômico de um país, sendo
                capaz de transformar a sociedade. Essa crença foi difundida no Brasil desde sua
                elaboração por Theodore Schulz, nos EUA, na década de 1950, e alçada ao plano das
                teorias do desenvolvimento e da equalização social no contexto brasileiro do milagre
                econômico (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Frigotto, 1989</xref>).</p>
            <p>Estudioso da educação e da TCH, <xref ref-type="bibr" rid="B19">Frigotto
                    (1989)</xref> destaca que nas décadas de 1960/1970, a educação brasileira se viu
                reduzida pelo economicismo a mero fator de produção (capital humano). A educação de
                prática social, definida pelo desenvolvimento de conhecimento articulado às
                necessidades e aos interesses das diferentes classes sociais, passa a ser
                incorporada como uma técnica de preparar recursos humanos para o processo de
                produção. O autor salienta que a ideia de capital humano que passou a instruir os
                países no mundo ocidental e, de forma rápida, os países latino-americanos, é uma
                visão que toma como indicativo um determinado volume de conhecimentos, habilidades e
                atitudes adquiridas na educação que funcionam como potencializadoras da capacidade
                de trabalho e de produção. Como consequência dessa perspectiva economicista, a
                escola pública foi desmantelada e reforçada como negócio e, nesse compasso, a
                educação é caracterizada pelo dualismo da oferta diferenciada para as classes
                trabalhadora e dominante e pela proletarização do trabalho docente.</p>
            <p>Além dessa histórica negação do direito à educação, a TCH, atualizada pelo NEM, muda
                o sentido da profissionalização, remetendo-o não mais a uma especialização
                articulada a um posto de trabalho, mas a atitudes e à socialização na empresa,
                conforme observado por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Laval (2004)</xref> no
                contexto francês. Trata do princípio da adaptabilidade que requer uma personalidade
                responsável e comprometida ao lado de posturas flexíveis frente às incertezas
                sociais. A lógica do empreendedorismo perpassa essas novas arquiteturas
                curriculares, mas esbarra nas condições concretas/objetivas que vivem as classes
                populares em um país subordinado a uma globalização neoliberal.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Pesquisa financiada pelo CNPq Processo nº 423626/2018-3</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>Conversão da Medida Provisória nº 746/2016.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://novoensinomedio.sedu.es.gov.br/catalogo-dos-itinerarios-formativos-de-aprofundamento"
                        >https://novoensinomedio.sedu.es.gov.br/catalogo-dos-itinerarios-formativos-de-aprofundamento</ext-link>.
                    Acesso: 10 out. 2021.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://curriculo.sedu.es.gov.br/curriculo/consulta-itinerario-docencia"
                        >https://curriculo.sedu.es.gov.br/curriculo/consulta-itinerario-docencia</ext-link>.
                    Acesso em: 13 out. 2021.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn5">
                <label>5</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://novoensinomedio.sedu.es.gov.br/"
                        >https://novoensinomedio.sedu.es.gov.br/</ext-link>. Acesso em: 30 set.
                    2021.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn6">
                <label>6</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://www.youtube.com/watch?v=XvjFXf--Hd0&amp;list=PL1h5XXlbI6i5ApeWZZgNBodz8OHNt82UQ"
                        >https://www.youtube.com/watch?v=XvjFXf--Hd0&amp;list=PL1h5XXlbI6i5ApeWZZgNBodz8OHNt82UQ</ext-link>.
                    Acesso em: 30 set. 2021.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn7">
                <label>7</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://sedu.es.gov.br/chamada-publica-escolar-2022"
                        >https://sedu.es.gov.br/chamada-publica-escolar-2022</ext-link>. Acesso em:
                    16 dez. 2021.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn8">
                <label>8</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://sedu.es.gov.br/chamada-publica-2023-2"
                        >https://sedu.es.gov.br/chamada-publica-2023-2</ext-link>. Acesso em: 10
                    dez. 2022.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn9">
                <label>9</label>
                <p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B24">Lorusso (2023)</xref>, o neologismo
                    “emprecariado” (empreendedor + precariado) se refere à realidade de
                    trabalhadores autônomos na indústria criativa que são levados a desenvolver uma
                    mentalidade empreendedora para lidar com a precariedade crescente nas suas
                    relações de trabalho.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
            <ref id="B1">
                <mixed-citation>BECK, Ulrich. <bold>La sociedad del riesgo</bold>: hacia una nueva
                    modernidad. Barcelona: Paidós, 2002.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>BECK</surname>
                            <given-names>Ulrich.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source><bold>La sociedad del riesgo</bold>: hacia una nueva modernidad</source>
                    <publisher-loc>Barcelona</publisher-loc>
                    <publisher-name>Paidós</publisher-name>
                    <year>2002</year>
                </element-citation>
            </ref>
            <ref id="B2">
                <mixed-citation>BRASIL. Lei nº 13.415. Altera as Leis n º 9.394, de 20/12/1996, que
                    estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de 20 de junho
                    2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica
                    e de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do
                    Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e o
                    Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 11.161, de 5 de
                    agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de
                    Ensino Médio em Tempo Integral. <bold>Diário Oficial da União</bold> - Seção 1 -
                    17/2/2017, Página 1 (Publicação Original) Brasília, 2017. Disponível em:
                        <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2017/lei-13415-16-fevereiro-2017-784336-norma-pl.html."
                        >https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2017/lei-13415-16-fevereiro-2017-784336-norma-pl.html.</ext-link>
                    Acesso em: 13 fev. 2024.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="legal-doc">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <collab>BRASIL</collab>
                    </person-group>
                    <source>Lei nº 13.415. Altera as Leis n º 9.394, de 20/12/1996, que estabelece
                        as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de 20 de junho 2007,
                        que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e
                        de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do
                        Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e
                        o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 11.161, de
                        5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de
                        Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral</source>
                    <publisher-name>Diário Oficial da União</publisher-name>
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