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                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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            <issn pub-type="epub">2175-795X</issn>
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                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e96540</article-id>
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                <article-title>Percepções de mestrandos em educação sobre a formação do
                    professor-pesquisador</article-title>
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                    <trans-title>The Development of the Teacher-Researcher in Teacher Education:
                        Perspectives of Education Master's Students</trans-title>
                </trans-title-group>
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                    <trans-title>El desarrollo del Profesor-Investigador en la Formación Docente:
                        perspectivas de los estudiantes de Maestría en Educación</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Santos</surname>
                        <given-names>Aline Coêlho dos</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Baruffi</surname>
                        <given-names>Mônica Maria</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Oliveira</surname>
                        <given-names>Lucilene Simone Felippe</given-names>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Rausch</surname>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Regional de Blumenau,
                    FURB</institution>
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                <email>alinecoelho@furb.br</email>
                <institution content-type="original">Universidade Regional de Blumenau, FURB,
                    Brasil, E-mail: alinecoelho@furb.br,
                    https://orcid.org/0000-0002-0931-2372</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Regional de Blumenau,
                    FURB</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
                <email>monicambar@terra.com.br</email>
                <institution content-type="original">Universidade Regional de Blumenau, FURB,
                    Brasil, E-mail: monicambar@terra.com.br,
                    https://orcid.org/0000-0003-3774-7901</institution>
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                <institution content-type="orgname">Universidade da Região de Joinville,
                    UNIVILLE</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade da Região de Joinville, UNIVILLE,
                    Brasil, E-mail: lucilene.felippe@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0001-8531-732X</institution>
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                    UNIVILLE</institution>
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                <institution content-type="original">Universidade da Região de Joinville, UNIVILLE,
                    Brasil, E-mail: ritabuzzirausch@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0002-9413-4848</institution>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este estudo foi desenvolvido no campo da formação continuada de professores, com
                    foco no desenvolvimento do professor-pesquisador, visando compreender as
                    percepções dos mestrandos após a imersão no conceito de professor-pesquisador e
                    sua relevância na formação docente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa
                    aplicada, na qual os acadêmicos participaram de uma imersão teórica sobre a
                    formação do professor-pesquisador na disciplina “Trabalho e Formação Docente” no
                    curso de Mestrado em Educação. Para a geração de dados, utilizamos o diário de
                    aprendizagem e a construção coletiva de duas nuvens de palavras no software
                    Edupulses. Os dados foram tratados utilizando a técnica de análise de conteúdo e
                    organizados em cinco categorias: (a) conceito prévio de professor-pesquisador;
                    (b) ampliação do conceito de professor-pesquisador; (c) impacto na prática
                    docente; (d) desafios para tornar-se professor-pesquisador; (e) interação entre
                    escola e universidade. As percepções dos mestrandos indicam a necessidade de
                    maior compreensão sobre os requisitos necessários para realizar uma pesquisa,
                    pois apresentam concepções prévias muito superficiais com relação ao conceito de
                    professor-pesquisador. No entanto, ao longo do encontro formativo, observamos
                    que o conceito de professor-pesquisador foi se distanciando do campo empírico e
                    tornando-se mais significativo, a ponto de os mestrandos reconhecerem a pesquisa
                    como valiosa na prática docente, auxiliando na compreensão de problemas
                    educacionais e práticas pedagógicas.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This study was conducted in the field of teacher professional development,
                    focusing on the development of the teacher-researcher, with the aim of
                    comprehending the perceptions of master's students after immersion in the
                    concept of the teacher-researcher and its relevance in teacher education. It is
                    an applied qualitative research in which students participated in a theoretical
                    immersion on the formation of the teacher-researcher in the “Work and Teacher
                    Education” course within the Master's program in Education. To generate data, we
                    used learning diaries and collaboratively constructed two word clouds in the
                    Edupulses software. The data were treated using content analysis techniques and
                    organized into five categories: (a) prior concept of the teacher-researcher, (b)
                    expansion of the concept of the teacher-researcher, (c) impact on teaching
                    practice, (d) challenges in becoming a teacher-researcher, and (e) interaction
                    between school and university. The master's students' perceptions indicate the
                    need for a better understanding of the necessary requirements for conducting
                    research, as they initially held superficial prior conceptions regarding the
                    concept of the teacher-researcher. However, throughout the formative meeting, we
                    observed that the concept of the teacher-researcher gradually distanced itself
                    from empirical field and became more significant, to the point where the
                    master's students recognized research as valuable in teaching practice, aiding
                    in the understanding of educational issues and pedagogical practices.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="es">
                <title>Resumen</title>
                <p>Este estudio fue desarrollado en el campo de la formación continua de profesores,
                    con un enfoque en el desarrollo del profesor-investigador, con el objetivo de
                    comprender las percepciones de los estudiantes de posgrado después de sumergirse
                    en el concepto de profesor-investigador y su relevancia en la formación docente.
                    Se trata de una investigación cualitativa aplicada en la que los estudiantes
                    participaron en una inmersión teórica sobre la formación del
                    profesor-investigador en el curso “Trabajo y Formación Docente” dentro del
                    programa de Maestría en Educación. Para generar datos, utilizamos diarios de
                    aprendizaje y la construcción colaborativa de dos nubes de palabras en el
                    software Edupulses. Los datos fueron procesados mediante la técnica de análisis
                    de contenido y se organizaron en cinco categorías: (a) concepto previo del
                    profesor-investigador, (b) ampliación del concepto de profesor-investigador, (c)
                    impacto en la práctica docente, (d) desafíos para convertirse en
                    profesor-investigador y (e) interacción entre la escuela y la universidad. Las
                    percepciones de los estudiantes de posgrado indican la necesidad de una
                    comprensión más profunda de los requisitos necesarios para llevar a cabo una
                    investigación, ya que inicialmente tenían concepciones previas superficiales
                    sobre el concepto de profesor-investigador. Sin embargo, a lo largo de la
                    reunión formativa, observamos que el concepto de profesor-investigador se
                    distanció gradualmente del campo empírico y se volvió más significativo, hasta
                    el punto en que los estudiantes de posgrado reconocieron la investigación como
                    valiosa en la práctica docente, ayudando a comprender cuestiones educativas y
                    prácticas pedagógicas.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Desenvolvimento profissional docente</kwd>
                <kwd>Professor-pesquisador</kwd>
                <kwd>Pesquisa</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Teacher professional development</kwd>
                <kwd>Teacher continuing Education</kwd>
                <kwd>Teacher-researcher</kwd>
                <kwd>Research</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="fr">
                <title>Mots-clés:</title>
                <kwd>Desarrollo profesional docente</kwd>
                <kwd>Profesor-investigador</kwd>
                <kwd>Investigación</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Este estudo<xref ref-type="fn" rid="fn1">i</xref> insere-se no contexto das pesquisas
                que investigam a formação de professores, com foco na constituição do
                professor-pesquisador. O ponto de partida foi a premissa apontada por estudiosos
                como Marli <xref ref-type="bibr" rid="B1">André (2016)</xref>, Menga <xref
                    ref-type="bibr" rid="B13">Lüdke (2009)</xref> e Kenneth M. <xref ref-type="bibr"
                    rid="B21">Zeichner (2005)</xref>, que consideram a formação na perspectiva do
                professor-pesquisador como uma possibilidade de combinar a prática docente e a
                pesquisa, com vistas ao desenvolvimento profissional docente.</p>
            <p>Embora não seja um tema recente, o conceito de professor-pesquisador vem alcançado
                destaque como uma oportunidade de integração entre teoria e prática, estabelecendo
                uma ponte entre a escola e a universidade e diminuindo a distância entre as
                pesquisas acadêmicas e a realidade vivenciada nas escolas (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B7">Silva, 2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">Costa; Arruda;
                    Passos, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">André, 2016</xref>). Além
                disso, pesquisas têm apontado que essa abordagem proporciona, aos professores –
                independentemente da etapa de ensino em que atuam –, uma motivação ao
                desenvolvimento intelectual, refletindo na elevação da qualidade do ensino ofertado
                aos estudantes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Silva, 2022</xref>; <xref
                    ref-type="bibr" rid="B8">Araújo; Ramírez; Perrilla Jiménez, 2020</xref>). Ao se
                engajarem nessa perspectiva, os professores encontram um espaço propício para
                refletir a respeito de suas práticas, buscar embasamento teórico e, potencialmente,
                criar soluções pedagógicas estratégicas.</p>
            <p>No cenário apresentado, esta pesquisa busca compreender as percepções dos mestrandos
                após a imersão no conceito de professor-pesquisador e sua relevância para a formação
                docente. Para atender ao objetivo vigente, este estudo foi desenvolvido em um
                período de estágio de docência realizado em um curso de Mestrado em Educação de uma
                Instituição de Ensino Superior privada, na disciplina intitulada “Trabalho e
                Formação Docente”, ofertada no primeiro semestre de 2022. O estudo contou com a
                participação voluntária de nove mestrandos<xref ref-type="fn" rid="fn3"
                >1</xref>.</p>
            <p>O estágio de docência, é importante destacar, desempenha um papel fundamental na
                preparação profissional do professor, fornecendo-lhe as habilidades necessárias para
                atuar de forma abrangente. Essa etapa da formação oportuniza um confronto entre
                práticas e produções teóricas, em um ciclo contínuo de reflexão, investigação e
                transformação, em consonância com a perspectiva do professor-pesquisador, como
                proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B14">Lüdke (2016)</xref>. Para esse
                autor,</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] na prática docente, existem condições para que a pesquisa se torne não
                    apenas possível e viável, mas também passível de ser um verdadeiro instrumento
                    de reflexão e crítica. São basicamente essas condições que estamos buscando
                    identificar com algum cuidado antes de um engajamento mais radical em favor do
                    professor pesquisador, reflexivo e crítico, que carrega sempre o grande risco de
                    não corresponder à especificidade da pesquisa (<xref ref-type="bibr" rid="B14"
                        >Lüdke, 2016, p. 42</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>A experiência do estágio de docência, conforme destacado por Pimenta e Lima (2018),
                representa um momento de transformação no trabalho do professor, quando ele amplia
                sua consciência em relação à própria prática. Nesse sentido, este manuscrito se
                desenvolve como uma construção coletiva, explorando o conceito de
                professor-pesquisador em colaboração com os acadêmicos envolvidos, que estão se
                constituindo como pesquisadores na área educacional e refletem, aqui, sobre suas
                concepções.</p>
            <p>Para apresentar a pesquisa, organizamos este estudo nas seguintes seções:
                Fundamentação Teórica, na qual efetuamos um breve ensaio sobre a pesquisa como
                princípio na formação docente, com ênfase na formação do professor-pesquisador. Nos
                Procedimentos Metodológicos, descrevemos o caminho que adotamos para nossa pesquisa.
                Os Resultados trazem a imersão pedagógica que vivenciamos e as percepções (pré e
                pós-imersão) manifestadas pelos mestrandos em relação ao conceito de
                professor-pesquisador. Nas Considerações Finais, tecemos as conclusões decorrentes
                do estudo.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Fundamentação Teórica</title>
            <p>Entendemos o professor-pesquisador como aquele que procura soluções para os desafios
                enfrentados na prática educativa. Conforme expresso por <xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Rausch (2012, p. 708)</xref>, o professor-pesquisador é definido como
                alguém que investiga as questões do dia a dia na sala de aula com o objetivo de
                aprimorar as estratégias pedagógicas e de otimizar o aprendizado dos estudantes.
                    <xref ref-type="bibr" rid="B16">Rausch (2012)</xref> afirma que a maioria dos
                professores no Brasil tem sua primeira experiência completa com pesquisa durante
                programas de pós-graduação, especialmente em níveis mais avançados, como o mestrado,
                embora tenha sido observado aumento significativo de docentes buscando essa
                qualificação, conforme evidenciado pelo Censo da Educação Superior de 2020, tanto na
                rede pública quanto na rede privada de ensino (<xref ref-type="bibr" rid="B12">INEP,
                    2022</xref>).</p>
            <p>A saber, especificamente no âmbito do doutorado, houve aumento significativo de 61,5%
                para 64,3% de docentes envolvidos nesse estágio de formação entre 2019 e 2020.
                Enquanto isso, há estabilidade no número de professores com mestrado na rede
                pública, que contrasta com um crescimento de 4,6% na rede privada ao longo da última
                década, passando de 43,1% em 2010 para 47,7% em 2020 (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B12">INEP, 2022</xref>).</p>
            <p>Nesse contexto, destacamos alguns desafios, como a restrição do contato efetivo com a
                pesquisa até a pós-graduação <italic>stricto-sensu</italic>. Isso é preocupante,
                especialmente ao considerarmos, conforme apontado por <xref ref-type="bibr"
                    rid="B16">Rausch (2012)</xref>, que somente quando os professores alcançam
                estágios avançados de formação, como mestrado e doutorado, e se deparam com a
                necessidade de realizar pesquisas originais em seu campo de atuação, é iniciam sua
                transição para o papel de pesquisadores, o que impulsiona seu desenvolvimento
                profissional.</p>
            <p>Um outro desafio na constituição do professor-pesquisador, sobretudo na esfera da
                Educação Básica, são as diversas interpretações e status atribuídos ao conceito e à
                prática da pesquisa. Por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B1">André (2016)</xref>
                conduziu uma pesquisa de tese focada na formação do professor pesquisador em um
                curso de Pedagogia na universidade onde trabalhava. O curso tinha como objetivo
                primordial a formação do professor pesquisador. Entretanto, ficou evidente que os
                professores do curso tinham entendimentos divergentes acerca do conceito de
                pesquisa.</p>
            <p>Enquanto alguns o associavam a estágios comuns, outros limitavam a pesquisa a busca
                de informações na <italic>Web</italic>. Essa diversidade de interpretações realça a
                falta de clareza em torno do real significado de pesquisa e dá margem para que tipos
                diferentes de pesquisa ocorram nos variados grupos de professores. Também se torna
                um fator de segregação, pois separa os professores universitários, que realizam
                pesquisa com rigor acadêmico, de professores da Educação Básica, que atuam na busca
                por informações.</p>
            <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B18">Santos, Costa e Rausch (2023)</xref>, essa
                separação também ocorre principalmente devido aos papéis históricos designados a
                cada uma dessas instituições ao longo do tempo. A lógica é sempre a mesma: nas
                universidades, a responsabilidade está na geração de conhecimento científico, que
                posteriormente é utilizado como embasamento teórico pelas escolas. Desse modo, cabe
                às escolas a aplicação prática dessas teorias, muitas vezes deixando de lado os
                conhecimentos que foram desenvolvidos pelos professores no contexto das próprias
                práticas educativas.</p>
            <p>Nesse sentido, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B9">Diniz-Pereira e Zeichner
                    (2017)</xref>, é crucial desfazer a concepção arraigada no meio educacional,
                especialmente entre os professores, que limita a pesquisa, considerando-a como
                atividade reservada apenas aos acadêmicos externos ao ambiente escolar. Uma
                perspectiva, portanto, que ignora as capacidades dos professores que atuam em salas
                de aula da Educação Básica.</p>
            <p>Destacamos, nesse cenário, que o processo formativo do professor-pesquisador busca o
                desenvolvimento de habilidades de investigação, de reflexão crítica e de produção de
                conhecimento no contexto educacional (<xref ref-type="bibr" rid="B1">André,
                    2016</xref>). Ao adotarem essa perspectiva, os professores têm a oportunidade de
                se envolver ativamente com o próprio desenvolvimento profissional. Isso pode
                contribuir para uma compreensão mais aprofundada dos desafios e das demandas da
                prática pedagógica e, também, para o aprimoramento das estratégias de ensino e
                aprendizagem.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B1">André (2016)</xref> argumenta que o conceito de
                professor-pesquisador se apoia em princípios fundamentais, que devem ser preservados
                para não perderem sua essência. Dentre esses princípios, a autora enfatiza a
                autonomia como um elemento crucial, permitindo que os profissionais se desenvolvam
                de maneira independente, cultivando ideias reflexivas e próprias (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B1">André, 2016</xref>). Isso implica a capacidade de fazer
                escolhas, de determinar os caminhos a seguir e de defender, argumentar e implementar
                ações pertinentes ao se tornarem professores-pesquisadores.</p>
            <p>Segundo reflexões de <xref ref-type="bibr" rid="B10">Gatti (2021)</xref>, o processo
                de investigação científica conecta-se diretamente à formação de professores, por
                esse motivo, precisa ser uma prática tanto do professor formador como daquele que se
                encontra em formação. A autora compreende, assim, que a pesquisa na docência é um
                entendimento que transcende a simples observação de eventos ou relatos, indo mais
                fundo para desvendar os processos subjacentes, oferecendo interpretações coerentes
                ou explicações robustas sobre um problema específico, com base em um referencial
                claro estabelecido ou desenvolvido através de análises detalhadas (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B10">Gatti, 2021</xref>). Desse modo, tornar-se um
                professor-pesquisador implica desenvolver-se de forma integral na profissão.</p>
            <p>Ainda sobre esse conceito, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Lüdke <italic>et
                        al.</italic> (2009)</xref> consideram que o professor, no seu espaço de
                trabalho – sala de aula –, consegue desenvolver pesquisa que seja útil no
                desenvolvimento de suas atividades e nos possíveis problemas existentes no seu fazer
                pedagógico. Para que se desfaça essa imagem, que distancia o acadêmico do professor
                como pesquisador, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Zeichner (2005)</xref>, <xref
                    ref-type="bibr" rid="B1">André (2016)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B13"
                    >Lüdke <italic>et al.</italic> (2009)</xref> compreendem que há possibilidades
                de unir pesquisa e ensino. Logo, a indagação deve marcar presença nas ações
                educativas para que novos caminhos sejam trilhados, sempre com o objetivo de levar
                aos estudantes um conhecimento consistente e significativo.</p>
            <p>Enfatizamos que a <italic>práxis</italic> educativa deve permear o trabalho docente
                nas escolas, pois, ao relacionar a teoria e a prática, os professores têm mais
                possibilidades de resolver as questões problemáticas que se apresentam,
                especialmente aquelas relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem. Nesse
                sentido, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Rausch (2012, p. 707)</xref> afirma que
                “[...] a pesquisa sobre a prática docente necessita da pesquisa como ciência”, isso
                porque, tanto na academia como na escola, pesquisar é fazer ciência. A autora
                adverte, no entanto, que a ressignificação da prática docente não acontece “[...]
                somente observando, pensando e registrando-se sobre ela, sem um processo estruturado
                que permite conhecer com profundidade a partir de um método que possibilite uma
                compreensão do objeto investigado”.</p>
            <p>Conforme se observa, para que o cenário apresentado se desenvolva, são necessárias
                condições para o trabalho de pesquisa, que envolve tempo, estudo, busca de fontes
                bibliográficas, e apoio de profissionais da escola e da universidade, a fim de
                incentivar esses professores a se tornarem investigativos, criativos, curiosos. Unir
                a pesquisa e o ensino, a escola e a universidade, o professor e o acadêmico – ambos
                tornando-se pesquisadores –, abre campo a possíveis respostas, a novos conhecimentos
                e a novas perguntas.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>3 Procedimentos Metodológicos</title>
            <p>Este estudo é de natureza qualitativa e emprega procedimentos de pesquisa aplicada
                para a geração de dados, ou seja, busca-se produzir novos conhecimentos por meio de
                uma aplicação prática. Trata-se, especificamente, de uma imersão teórico-reflexiva
                integrada a um processo formativo desenvolvido em uma disciplina de curso Mestrado
                em Educação. Conforme entendem <xref ref-type="bibr" rid="B20">Ximenes, Pedro e
                    Corrêa (2022)</xref>, uma das possibilidades para esse tipo de pesquisa é a
                utilização de abordagens colaborativas, em que o pesquisador trabalha em conjunto
                com os participantes.</p>
            <p>Com base nesse tipo de pesquisa, foi planejado uma imersão teórico-reflexiva sobre o
                tema “Professor-Pesquisador” em um encontro presencial com os mestrandos em
                educação. Esse encontro proporcionou a geração de dados ao longo do processo
                formativo, seguindo as etapas detalhadas no <xref ref-type="table" rid="T1">Quadro
                    1</xref>.</p>
            <table-wrap id="T1">
                <label>Quadro 1</label>
                <caption>
                    <title>Organização metodológica da imersão teórico reflexiva aplicada</title>
                </caption>
                <table frame="box" rules="all">
                    <thead>
                        <tr>
                            <th colspan="2" align="center" valign="middle">Ação</th>
                            <th align="left" valign="middle">Objetivo Específico</th>
                            <th align="left" valign="middle">Instrumento de Geração de Dados</th>
                        </tr>
                    </thead>
                    <tbody>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>01</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Pré-leitura</td>
                            <td align="left" valign="middle">Preparar previamente os participantes
                                para a discussão coletiva.</td>
                            <td align="center" valign="middle">-----</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>02</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Reflexão Inicial</td>
                            <td align="left" valign="middle">Explorar os conhecimentos prévios dos
                                participantes em relação aos requisitos da pesquisa.</td>
                            <td align="left" valign="middle">Nuvem de Palavras</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>03</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Momento Estético</td>
                            <td align="left" valign="middle">Sensibilizar para uma reflexão sobre o
                                conceito de pesquisa e suas abordagens metodológicas entre os
                                acadêmicos.</td>
                            <td align="center" valign="middle">-----</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>04</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Discussão sobre problema de
                                pesquisa</td>
                            <td align="left" valign="middle">Investigar novas construções teóricas
                                relacionadas aos procedimentos de pesquisa, observando a evolução
                                conceitual.</td>
                            <td align="left" valign="middle">Observação Participante</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>05</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Abordagem Teórica</td>
                            <td align="left" valign="middle">Explorar as contribuições de <xref
                                    ref-type="bibr" rid="B13">Lüdke (2009)</xref>, <xref
                                    ref-type="bibr" rid="B1">André (2016)</xref> e <xref
                                    ref-type="bibr" rid="B21">Zeichner (2005)</xref> sobre o
                                conceito de professor-pesquisador.</td>
                            <td align="center" valign="middle">-----</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>06</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Discussão sobre o texto</td>
                            <td align="left" valign="middle">Fomentar a construção de novos
                                conhecimentos teóricos em relação aos requisitos da pesquisa.</td>
                            <td align="left" valign="middle">Observação Participante</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>07</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Reflexão Final</td>
                            <td align="left" valign="middle">Identificar as proposições que surgiram
                                nos acadêmicos após a imersão teórica reflexiva.</td>
                            <td align="left" valign="middle">Nuvem de Palavras</td>
                        </tr>
                        <tr>
                            <td align="center" valign="middle"><bold>08</bold></td>
                            <td align="left" valign="middle">Construção do Diário de
                                Aprendizagem</td>
                            <td align="left" valign="middle">Preparar previamente os participantes
                                para a discussão coletiva.</td>
                            <td align="left" valign="middle">Diário de Aprendizagem</td>
                        </tr>
                    </tbody>
                </table>
                <table-wrap-foot>
                    <fn id="TFN1">
                        <p>Fonte: elaborado pelos autores (2023).</p>
                    </fn>
                </table-wrap-foot>
            </table-wrap>
            <p>No decorrer da pesquisa, como apontado no <xref ref-type="table" rid="T1">Quadro
                    1</xref>, utilizamos como instrumentos de geração de dados: (a) o diário de
                aprendizagem produzido pelos mestrandos durante as aulas da disciplina em questão e
                (b) a construção coletiva de duas nuvens de palavras no <italic>software
                    Edupulses</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2">ii</xref>. Destacamos que a
                nuvem de palavras é uma representação visual que apresenta conceitos em diferentes
                tamanhos, portanto proporcionais a sua repetição, em determinado contexto. Essa
                ferramenta é bastante usada para destacar com que frequência um termo ou uma
                categoria específica aparece em uma fonte de dados (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
                    >Vilela; Ribeiro; Batista, 2020</xref>).</p>
            <p>Além disso, destacamos que o diário de aprendizagem é um instrumento eficaz na
                reflexão e na investigação sobre a prática docente. Esse tipo de registro remete o
                escrevente à reflexão e à tomada de consciência, oportunizando a reorganização e o
                aperfeiçoamento das práticas de ensino. Trata-se, portanto, de uma ferramenta
                complementar no processo de formação continuada (<xref ref-type="bibr" rid="B5"
                    >Borges; Silva, 2020</xref>).</p>
            <p>Para o tratamento de dados desta pesquisa, utilizamos a Análise de Conteúdo proposta
                por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bardin (2021)</xref>. Esse método é visto como um
                grupo de procedimentos de análise de comunicações que emprega abordagens
                sistemáticas e objetivas para descrever o conteúdo das mensagens.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B3">Bardin (2021)</xref> ressalta que, no contexto da
                Análise de Conteúdo, o interesse concentra-se tanto no emissor e em seu contexto,
                como também no receptor e nas implicações que a análise venha a produzir. A autora
                assinala, também, que o objetivo da análise de conteúdo é deduzir informações sobre
                as circunstâncias de produção (ou, em alguns casos, de recepção), utilizando
                indicadores (sejam quantitativos ou não) para essas inferências (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B3">Bardin, 2021</xref>).</p>
            <p>A Análise de Conteúdo é efetuada em três etapas essenciais, a saber: pré-análise,
                extrapolação do material e tratamento dos resultados. Seguindo as três etapas desse
                tipo de análise, no primeiro momento buscou-se o reconhecimento da turma,
                posteriormente, a observação participante em uma perspectiva dialógica e crítica,
                levando os acadêmicos a uma reflexão a respeito do papel do professor-pesquisador
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bardin, 2021</xref>).</p>
            <p>Após efetuarmos a pré-análise e a extrapolação do material, elencamos os principais
                temas e categorias que surgiram nessas etapas: (a) Conceituação inicial do
                professor-pesquisador; (b) Evolução conceitual do professor-pesquisador; (c)
                Melhoria da prática docente e (d) Desafios identificados. Em seguida, buscamos o
                tratamento dos resultados que nos evidenciaram os avanços e as fragilidades quanto à
                percepção a respeito da constituição do professor-pesquisador.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="results">
            <title>4 Resultados</title>
            <p>Apresentamos, nesta sessão, os resultados e as discussões oriundas da investigação
                proposta, subdivididos em quatro subseções: Descrição da turma; Compreensões
                iniciais dos mestrandos sobre pesquisa (pré-imersão); Compreensões finais dos
                mestrandos sobre pesquisa (pós-imersão) e Conceito de 'professor-pesquisador'.</p>
            <sec>
                <title>4.1 Descrição da Turma</title>
                <p>A turma era composta por nove mestrandos matriculados em um programa de
                    pós-graduação em Educação. Para garantir a confidencialidade, os participantes
                    do estudo são identificados como ‘M’, seguido de um número. Durante a
                    apresentação inicial desses acadêmicos, ficou evidente a diversidade existente
                    no grupo, tanto em relação à formação acadêmica quanto às áreas de atuação
                    profissional. Cinco participantes formaram-se em curso de licenciatura e atuavam
                    na área da pedagogia ou em disciplinas específicas, enquanto os demais eram
                    formados em áreas como psicologia, enfermagem e direito. Essa variedade reflete
                    diferentes profissões e interesses de pesquisa. A fim de compreender as
                    motivações pessoais para cursarem a disciplina “Trabalho e formação docente”, os
                    mestrandos foram questionados sobre o que os levou a se matricularem nessa
                    disciplina. Suas manifestações são apresentadas no <xref ref-type="table"
                        rid="T2">Quadro 2</xref>.</p>
                <table-wrap id="T2">
                    <label>Quadro 2</label>
                    <caption>
                        <title>Respostas sobre a motivação para matricular-se na disciplina</title>
                    </caption>
                    <table frame="box" rules="all">
                        <thead>
                            <tr>
                                <th align="center" valign="middle">Mestrando</th>
                                <th align="center" valign="middle">Respostas</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M1</td>
                                <td align="left" valign="middle">Por se tratar da representação do
                                    que pode representar o meu trabalho como professora e <bold>por
                                        estar alinhado aos meus interesses de desenvolvimento
                                        profissional</bold>, partindo da formação de
                                    professores.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M2</td>
                                <td align="left" valign="middle">Em um primeiro momento por nenhum
                                    motivo especial. A escolha se deu por ser uma <bold>disciplina
                                        obrigatória</bold> do curso de mestrado.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M3</td>
                                <td align="left" valign="middle">Além de ser uma matéria obrigatória
                                    para a linha de pesquisa escolhida, escolhi a disciplina com a
                                    intenção de <bold>contribuir para minha formação enquanto
                                        docente do ensino superior</bold>.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M4</td>
                                <td align="left" valign="middle">Era uma das <bold>disciplinas
                                        obrigatória</bold>s da linha de pesquisa ao qual
                                    escolhi.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M5</td>
                                <td align="left" valign="middle">Me matriculei nesta disciplina
                                    devido à <bold>relação com meu projeto de pesquisa</bold>.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M6</td>
                                <td align="left" valign="middle">Ela acaba sendo a <bold>matéria
                                        obrigatória</bold> da minha linha de pesquisa, mas se
                                    mostrou uma das melhores matérias que eu poderia ter tido, tendo
                                    em vista que venho de uma outra formação, consegui ter um
                                    vislumbre de uma área nova e cheia de desafios.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M7</td>
                                <td align="left" valign="middle">Como não venho da área de educação,
                                    pois sou formada em direito, no entanto atuo no ensino técnico e
                                    graduação como professora, me matriculei nessa disciplina no
                                    intuito de <bold>buscar conhecimentos que pudessem me
                                        desenvolver profissionalmente</bold>, como docente.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M8</td>
                                <td align="left" valign="middle">Essa disciplina é essencial para
                                    quem deseja lecionar no ensino superior, pois trata de
                                        <bold>questões indispensáveis para a atuação docente</bold>,
                                    como os saberes docentes, a importância da pesquisa e da
                                    reflexividade, como se desenvolver como um profissional da
                                    educação, entre tantos outros pontos importantes.</td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td align="center" valign="middle">M9</td>
                                <td align="left" valign="middle"><bold>Ampliar o repertório da
                                        oratória; conhecimento acadêmico</bold>, convivência com
                                    mestrandos, interações sociais significativas, verificar a
                                    dinâmica do mestrado, adquirir conhecimento do passo a passo das
                                    produções intelectuais e olhar a educação por outro viés.</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <fn id="TFN2">
                            <p>Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).</p>
                        </fn>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Como podemos identificar nos excertos em destaque, cinco dos mestrandos
                    demonstraram interesse pelas contribuições que a disciplina poderia oferecer
                    para o seu desenvolvimento profissional docente. Dois mencionaram que a
                    matrícula na disciplina era obrigatória, enquanto outro destacou que a
                    disciplina estava diretamente relacionada à sua pesquisa de mestrado. Essas
                    respostas revelam diferentes razões para a escolha da disciplina, incluindo o
                    desejo de crescimento profissional, a obrigatoriedade do curso e a relevância
                    temática em relação aos projetos de pesquisa individuais.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>4.2 Compreensões iniciais dos mestrandos sobre pesquisa (pré-imersão)</title>
                <p>A imersão proposta, detalhada e apresentada previamente no <xref ref-type="table"
                        rid="T1">Quadro 1</xref> da seção metodológica, fundamentou-se em uma
                    abordagem dialógica e crítica, com participação ativa dos acadêmicos. Durante
                    todo o processo, os acadêmicos foram constantemente questionados e estimulados a
                    refletir e a discutir a respeito da temática desta pesquisa. Conforme planejado
                    pelas professoras responsáveis, ao final do encontro, foi solicitado aos
                    acadêmicos que elaborassem um diário de aprendizagem, no qual pudessem registrar
                    observações individuais sobre a aula, destacando suas aspirações pessoais e
                    reflexões.</p>
                <p>Sendo assim, a imersão teórico-reflexiva teve início com uma reflexão inicial,
                    cujo objetivo era explorar os conhecimentos prévios dos participantes em relação
                    aos requisitos da pesquisa. A lógica didática adotada para esse momento pode ser
                    visualizada na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>.</p>
                <p><fig id="f1">
                        <label>Figura 1</label>
                        <caption>
                            <title>Lógica didática utilizada na reflexão inicial</title>
                        </caption>
                        <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-03-e96540-gf01.tif"/>
                        <attrib>Fonte: Elaborada pelas autoras (2023).</attrib>
                    </fig></p>
                <p>O momento foi marcado por uma apresentação estética, utilizando-se a literatura
                    “Gente, Bicho e Planta: O mundo me encanta”, de Ana Maria Machado. Em seguida,
                    deu-se início à construção de uma nuvem de palavras por meio da plataforma
                        <italic>Edupulses</italic>, motivada pelo seguinte questionamento: “Na sua
                    opinião, o que o fazer pesquisa exige? Cite pelo menos cinco elementos que você
                    considera prioritário no processo de pesquisa”. O resultado dessa dinâmica pode
                    ser apreciado na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>.</p>
                <p><fig id="f2">
                        <label>Figura 2</label>
                        <caption>
                            <title>Percepções prévias apresentadas pelos mestrandos em relação à
                                provocação: cite três elementos-chave que completem a frase: “A
                                pesquisa exige...”</title>
                        </caption>
                        <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-03-e96540-gf02.tif"/>
                        <attrib>Fonte: <italic>Edupulses</italic> (2022).</attrib>
                    </fig></p>
                <p>A análise das respostas que surgiram na nuvem de palavras revela algumas
                    percepções prévias dos mestrandos em relação à pesquisa. Embora as palavras mais
                    frequentes indiquem a importância do embasamento teórico, da leitura, da
                    vontade, da disponibilidade, da responsabilidade e de métodos adequados, é
                    importante observar que essas palavras não abordam diretamente os elementos
                    centrais da pesquisa, conforme apontado por <xref ref-type="bibr" rid="B1">André
                        (2016)</xref>. A pesquisa, segundo a autora, exige a produção de
                    conhecimento, a identificação de uma situação-problema a ser investigada, a
                    reflexão crítica, a investigação analítica e a aplicação de procedimentos
                    metodológicos rigorosos e sistemáticos.</p>
                <p>No entanto, é interessante perceber que, em segundo plano, surgem as palavras
                    “problema” e “análise”, que indicam maior proximidade com o que a pesquisa
                    realmente exige. Além disso, as palavras de terceiro plano, como “reflexão”,
                    “criticidade”, “observação”, “hipóteses” e “objetivo”, entre outras, sugerem que
                    alguns mestrandos já possuíam uma compreensão teórica mais aprofundada sobre os
                    elementos essenciais da pesquisa.</p>
                <p>Essas percepções iniciais indicam uma base para o desenvolvimento teórico e
                    reflexivo ao longo do processo formativo.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>4.3 Compreensões finais dos mestrandos sobre pesquisa (pós-imersão)</title>
                <p>Diferente do cenário apresentado na seção anterior, a partir da imersão
                    teórica-reflexiva, foi possível observar, como nos mostra a <xref ref-type="fig"
                        rid="f3">Figura 3</xref>, uma evolução conceitual nas percepções dos
                    mestrandos sobre pesquisa.</p>
                <p><fig id="f3">
                        <label>Figura 3</label>
                        <caption>
                            <title>Percepções apresentadas pelos mestrandos, após imersão
                                teórica-reflexiva, em relação à provocação: cite três
                                elementos-chave que completem a frase: “A pesquisa exige...”</title>
                        </caption>
                        <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-03-e96540-gf03.tif"/>
                        <attrib>Fonte: <italic>Edupulses</italic> (2022).</attrib>
                    </fig></p>
                <p>Ao analisarmos os dados, verificamos que os elementos constitutivos do fazer
                    pesquisa, como problema de pesquisa, método, investigação, criticidade, rigor e
                    reflexão, apareceram destacados em primeiro plano. Essas palavras evidenciam a
                    compreensão de que, para se tornar um pesquisador, o professor precisa buscar
                    respostas para questões que precisam ser conhecidas e respondidas.</p>
                <p>Além disso, é necessário possuir conhecimentos e habilidades que permitam
                    delimitar o problema, selecionar fontes de consulta, elaborar instrumentos e
                    socializar o conhecimento produzido (<xref ref-type="bibr" rid="B1">André,
                        2016</xref>). Essa mudança nas percepções dos mestrandos indica uma maior
                    compreensão sobre os requisitos necessários para realizar uma pesquisa que
                    conduza à produção de conhecimentos.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>4.4 Percepções sobre ‘professor-pesquisador’</title>
                <p>Nesta seção, apresentamos as percepções dos mestrandos sobre os conceitos de
                    'professor-pesquisador' evidenciados em seus diários de aprendizagem, fornecendo
                    uma visão abrangente sobre o assunto. Identificamos cinco categorias que
                    contribuem para uma compreensão mais profunda desse campo. A primeira categoria
                    aborda a conceituação inicial do professor-pesquisador, destacando, na reflexão
                    escrita dos mestrandos, indícios que apontaram para a existência de
                    conhecimentos empíricos sobre o tema. A segunda categoria abrange a evolução
                    conceitual do professor-pesquisador ao longo do encontro formativo, revelando
                    mudanças de perspectiva. A terceira categoria, melhoria da prática docente,
                    apresenta as afirmativas em que os participantes estabeleceram relação entre
                    constituir-se professor-pesquisador e gerar transformações para melhoria da
                    prática docente. A quarta categoria, desafios identificados, mostra inquietações
                    dos mestrandos com relação às condições de trabalho docente para tornar-se
                    professor-pesquisador. Por fim, a quinta categoria trata de indícios da escrita
                    reflexiva sobre a relação escola e universidade nesse contexto.</p>
                <p>Perante o exposto, passamos a discutir cada uma das categorias com seus excertos,
                    fundamentandoas e, assim, ampliando a compreensão sobre o tema.</p>
                <p><bold>Conceituação inicial do professor-pesquisador:</bold> esta categoria surgiu
                    a partir do conhecimento prévio que os acadêmicos possuíam sobre o conceito de
                    professor-pesquisador. A reflexão de M1, que “[...] acreditava que o professor
                    pesquisador é aquele professor incentivado a realizar mestrado e se tornar um
                    pesquisador”, nos instiga a desenvolver um olhar mais apurado, pois muitos
                    profissionais ainda possuem a visão de que ser pesquisador perpassa
                    exclusivamente no âmbito universitário para posterior alcance dos espaços
                    educacionais, os quais, muitas vezes, não existem. Logo, necessitamos dirimir
                    esse pensamento, pois o professor “[...] pode pesquisar e ensinar ao mesmo
                    tempo. Posso extrair de minha ação docente algumas questões intrigantes, às
                    quais são necessários esclarecimentos, então, me disponho a pesquisar” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B1">André, 2016, p. 21</xref>).</p>
                <p>Observamos que o espaço escolar é um “espaço grávido”, repleto de possibilidades
                    a serem vivenciadas e pesquisadas pelos professores, pois, como afirma M3:
                    “[...] diferente da pesquisa acadêmica, a pesquisa dos professores de educação
                    básica ocorre intuitivamente”. Embora essa fala ressoe positivamente, inerente a
                    ela há uma preocupação que condiz com a distinção que se faz entre pesquisas
                    realizadas por professores nas escolas e pesquisas desenvolvidas no âmbito
                    acadêmico (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Zeichner, 2005</xref>).</p>
                <p>Nesse contexto, <xref ref-type="bibr" rid="B1">André (2016)</xref> afirma que as
                    pesquisas feitas pelos professores precisam ser analíticas, considerando os
                    procedimentos rigorosos e sistemáticos para a produção de conhecimento, visando
                    compreender o desconhecido na prática social. Desse modo, para alguém ser
                    professor-pesquisador, faz-se necessário ter a capacidade de formular questões
                    que sejam válidas sobre a própria prática e que seus objetivos possam vir a
                    responder tais questões, não permanecendo somente no âmbito instintivo (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B1">André, 2016</xref>).</p>
                <p><bold>Evolução conceitual do professor-pesquisador:</bold> no decorrer do
                    encontro formativo, observamos que o conceito de professor pesquisador se
                    distanciou do campo empírico e se tornou algo mais significativo, conforme o
                    olhar de alguns dos participantes:</p>
                <disp-quote>
                    <p>M1: “[...] compreendi que se trata do próprio professor usar a sua prática
                        para investigação, com isso a pesquisa ocorre quando este professor está em
                        sala de aula, ou seja, é o trabalho do professor como objeto de estudo”.</p>
                    <p>M4: “As reflexões denotaram a relevância de que professores se tornem
                        pesquisadores do seu fazer, pesquisando dentro de sua atuação. O que
                        possibilita a problematização do trabalho e uma intervenção sistematizada
                        sobre ele”.</p>
                    <p>M3: “O professor pesquisador reflete sua prática, investiga, questiona a si
                        mesmo como objeto de pesquisa”.</p>
                </disp-quote>
                <p>Os excertos dos mestrandos participantes denotam o que <xref ref-type="bibr"
                        rid="B17">Rausch (2008, p. 47)</xref> afirma quanto ao que é ser
                    professor-pesquisador. Esse professor</p>
                <disp-quote>
                    <p>[...] busca caracterizar o professor engajado na prática de forma crítica e
                        reflexiva. [...] com uma preocupação mais imediata com seus problemas
                        cotidianos, e o que o impulsiona à investigação é o desenvolvimento de uma
                        atuação pedagógica que promova o sucesso na aprendizagem dos alunos.</p>
                </disp-quote>
                <p>Coaduna com o pensamento de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Rausch (2008)</xref>
                    a ideia de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Imbernón (2011)</xref>, de que, para
                    ser professor-pesquisador, faz-se necessário ter capacidade de, a partir de
                    prática pessoal, construir ou formular questões que sejam válidas e cujos
                    objetivos respondam às questões existentes.</p>
                <p>Tem-se, ainda, o olhar de M8, ao afirmar: “O que muitos professores não sabem é
                    que utilizar a sua prática para refletir sobre, é um passo para fazer pesquisa”.
                    Esse pensamento de M8 é de extrema relevância, pois, para ser professor
                    pesquisador, é necessário formar “[...] pessoas que tenham ideias próprias,
                    pensem por si mesmas, sejam capazes de escolher [...]” (<xref ref-type="bibr"
                        rid="B1">André, 2016, p. 20</xref>). Isso deve reverberar no exercício da
                    autonomia, a fim de que o professor se sinta livre para construir e exercer sua
                    docência, buscando refletir sobre ela, melhorando, consequentemente, sua prática
                    e constituindo-se como professor-pesquisador.</p>
                <p><bold>Melhoria da prática docente:</bold> percebemos, nesse processo, que o
                    engajamento e a reflexividade dos participantes foram expressivos. Estes, a
                    partir da compreensão do conceito de professor pesquisador, captaram que, ao
                    pesquisar, o professor busca uma evolução em seu fazer pedagógico. Vejamos o que
                    afirma M1: “[...] essa pesquisa qualifica o trabalho na prática, tendo em vista
                    que, ao observar sua prática e estudá-la, o professor evolui”. Com o pensamento
                    de M1, o pensamento de M2 busca um entrelaçamento, afirmando que: “No contexto
                    da formação docente, a atividade da pesquisa tem sido considerada importante,
                    por exemplo, para que o futuro professor tenha uma postura crítica e atuante na
                    realidade escolar”. Essas colocações nos levam a entender a importância da
                    formação docente e da compreensão quanto ao fato de que o tornar-se
                    professor-pesquisador implica uma perspectiva de construção de um sujeito social
                    que evolui, não cai no modismo, não fica estagnado, nem se torna um mero
                        “<italic>slogan</italic>”, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B1">André
                        (2016)</xref>.</p>
                <p>Os participantes M5 e M8 também demonstram sua reflexividade quanto à pesquisa na
                    prática pedagógica. Vejamos:</p>
                <disp-quote>
                    <p>M5: “[...] a descoberta para a pesquisa faz refletir sobre a minha prática
                        para melhorar, conhecer a partir da investigação”.</p>
                    <p>M8: “Mas a partir do momento que o professor pesquisador buscar o
                        desenvolvimento profissional por meio da pesquisa para a práxis, ela se
                        tornará mais fácil e acessível”.</p>
                </disp-quote>
                <p>As colocações de M5 e M8 nos remetem a <xref ref-type="bibr" rid="B4">Baruffi
                        (2023, p. 315)</xref>, ao afirmar que, “[...] ao pesquisar, o professor está
                    em constante (des) construção”. Uma desconstrução que leva o professor a ser
                    coautor da ação, vendo e revendo seu fazer pedagógico.</p>
                <p>O participante M6 também deixa sua compreensão quanto à pesquisa:</p>
                <disp-quote>
                    <p>M6: “[...] a pesquisa deve conceder a esses docentes novamente o protagonismo
                        de suas práticas, uma nova luz àquilo que dá certo, e se questionar daquilo
                        que parece truncado, a construção de um espaço que dialogue com a escola e
                        as demandas”.</p>
                </disp-quote>
                <p>O pensamento de M6 serve como exemplo de que os participantes sentem a
                    necessidade da reflexão, do protagonismo e do diálogo. Essa percepção vai ao
                    encontro do que <xref ref-type="bibr" rid="B1">André (2016, p. 22)</xref> afirma
                    a respeito da pesquisa, ou seja, “Intencionamos que o professor aprenda a
                    perguntar, a indagar-se, a colocar-se diante da realidade. Se não houver essa
                    possibilidade [...], não vamos conseguir que haja sujeitos autônomos,
                    pesquisadores”. Logo, dar espaço aos professores para dialogarem, para que
                    exponham suas dificuldades, sejam participativos e reduzam suas dúvidas são
                    movimentos que produzem abertura para a criação de ambientes nos quais os
                    profissionais sejam mais críticos, questionadores e criativos.</p>
                <p><bold>Desafios identificados:</bold> no decorrer dos encontros, observamos que os
                    mestrandos deixaram transparecer em suas falas muitas inquietações relacionadas
                    às condições de trabalho docente para tornar-se professor-pesquisador.</p>
                <disp-quote>
                    <p>M3: “Essa semana trouxe a temática que casou com as minhas reflexões e
                        angústias, frente à minha pesquisa. Como está sendo difícil conciliar tudo,
                        onde muitas vezes o planejamento que eu faço não é o necessário para
                        conseguir alcançar meus objetivos de estudos diários. Ser esse professor é
                        um desafio, pois é necessário desenvolver também um olhar
                        investigativo”.</p>
                    <p>M5: “[...] Porém, o perfil da graduação, da escola, nos condiciona a
                        fragmentar os conteúdos, a termos um perfil imposto pelo modelo tradicional
                        e isto pode limitar ou fortalecer diante do nosso projeto de escola que
                        preza pela igualdade, pela qualidade e pela inclusão”.</p>
                    <p>M6: “[...] O texto e as discussões me fizeram perceber um certo isolamento,
                        como se os pesquisadores ficassem relegados aos corredores da universidade e
                        os professores ficassem na escola, como se houvesse de fato um muro (linha
                        citada por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Zeichner (2005)</xref> em seu
                        texto”.</p>
                    <p>M7: “[...] Ao longo de nossa formação, independentemente do nível acadêmico
                        em que estamos, não fomos estimulados ou incentivados a pesquisar e
                        desenvolver habilidades de pensamento crítico. Isso talvez explique a baixa
                        participação no universo da pesquisa, que acaba sendo restrita a um grupo
                        seleto”.</p>
                    <p>M8: “Como a pesquisa exige do professor muito estudo e dedicação para se
                        chegar à reflexividade, muitos professores desistem de pesquisar, pois já há
                        uma sobrecarga de trabalho muito grande e assumir mais uma tarefa nem sempre
                        é bem-vinda”.</p>
                </disp-quote>
                <p>As inquietações dos mestrandos participantes vêm ao encontro do pensamento de
                        <xref ref-type="bibr" rid="B1">André (2016, p. 21-22)</xref>, ao afirmar
                    que, para ser professor-pesquisador, é preciso:</p>
                <disp-quote>
                    <p>[...] condições mínimas necessárias ao trabalho de pesquisa: dispor de tempo,
                        espaço, fontes bibliográficas, apoio técnico; preciso ter certos
                        conhecimentos e habilidades que me permitam delimitar o problema, selecionar
                        fontes de consulta, elaborar instrumentos, definir procedimentos de coleta
                        de dados, analisar e socializar o conhecimento produzido.</p>
                </disp-quote>
                <p>Nessa perspectiva, o fato de existirem as inquietações dos mestrandos nos remete
                    a repensarmos a formação desses profissionais, os espaços-tempo, bem como a
                    própria formação no contexto do profissional. De acordo com <xref
                        ref-type="bibr" rid="B11">Imbernón (2011)</xref>, para que se possa ter bons
                    frutos no âmbito da formação do professor crítico, reflexivo e pesquisador, são
                    necessárias condições organizacionais. Condições estas que possam levar os
                    professores a serem protagonistas, autônomos, a partir da colegialidade,
                    vinculados “[...] a um projeto comum [...] que transcenda o âmbito meramente
                    técnico para atingir os âmbitos pessoal, profissional e social” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B11">Imbernón, 2011, p. 116</xref>).</p>
                <p>Compreendemos, assim, que, para superar os muros construídos devido ao sistema
                    que tende a burocratizar o fazer pedagógico e distancia o professor do campo da
                    pesquisa, é premente a interação universidade e escola.</p>
                <p><bold>Interação entre universidade e escola:</bold> tendo observado, ao longo das
                    discussões realizadas nos encontros, uma crescente ressignificação do conceito
                    de professor-pesquisador, o direcionamento apontado pelos mestrandos é para a
                    interação recíproca entre universidade e escola. Essa ideia pode ser constatada
                    nas seguintes colocações “[...] parece-me uma abordagem para reduzir o espaço
                    existente entre as instituições” (M6) e “Os professores não têm uma compreensão
                    clara sobre o que é a pesquisa. No entanto, é fundamental estreitar os vínculos
                    entre a escola e o ambiente acadêmico” (M7).</p>
                <p>Com base nas ideias dos mestrandos, fica claro que a busca por essa interação
                    entre universidade e escola tem o potencial de eliminar as lacunas existentes
                    quanto a ser professor-pesquisador. Isso está alinhado com o argumento de <xref
                        ref-type="bibr" rid="B15">Nóvoa (2019, p. 203)</xref>, quando este ressalta
                    a possibilidade de se criar um ambiente propício para promover “[...] uma
                    política integrada de formação de professores, ligando a universidade e a
                    ‘cidade’, ligando a universidade em rede com um conjunto de escolas de educação
                    básica que se assumam como ‘escolas formadoras’”.</p>
                <p>Nessa perspectiva, poderíamos estabelecer novas conexões, permitindo que
                    professores e universidades se envolvam nas experiências pedagógicas e nas suas
                    práticas cotidianas. A esse respeito, buscamos respaldado na afirmação de <xref
                        ref-type="bibr" rid="B4">Baruffi (2023, p. 285)</xref>, para quem a “[...]
                    escola é espaço grávido de conhecimento prático e cultural, que necessita ser
                    entrelaçado com o conhecimento científico e cultural presente nas universidades,
                    a fim de dar identidade para a profissionalidade docente e o fazer pedagógico”.
                    Isso permitirá ao campo acadêmico e escolar a conquista de outros espaços para
                    além da universidade e da instituição de educação básica a fim de se construir
                    novas relações. Isso pode dinamizar e ressignificar o papel do professor como
                    pesquisador, reverberando no fazer pedagógico desses profissionais.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>5 Considerações Finais</title>
            <p>Os achados deste estudo refletem o reconhecimento, por parte dos mestrandos, da
                relevância intrínseca da pesquisa na moldagem de sua formação e atuação docente.
                Emerge claramente a percepção de que a pesquisa propicia uma compreensão mais
                aprofundada das questões educacionais e exerce influência direta no aprimoramento
                das práticas pedagógicas.</p>
            <p>No entanto, é crucial ressaltar que também se delinearam desafios significativos,
                conforme destacado pelos próprios mestrandos. Entre as adversidades relacionadas,
                desponta a dificuldade em equilibrar a pesquisa com as demandas do cotidiano
                docente, ao lado da carência de formação, de tempo adequado e de recursos
                suficientes para a realização de pesquisas de elevada qualidade. Ademais,
                ressaltaram a importância de uma formação inicial e continuada que priorize a
                pesquisa e fomente o desenvolvimento de habilidades investigativas.</p>
            <p>Os resultados deste estudo indicam, de maneira inequívoca, que a profunda imersão
                teórico-reflexiva dos mestrandos na esfera da constituição do professor-pesquisador
                foi um veículo catalisador para uma compreensão mais aprofundada do papel crucial da
                pesquisa no contexto da formação docente. Também sinalizam a urgente necessidade de
                uma perseverante dedicação para sobrepujar os desafios detectados, a fim de cultivar
                uma cultura de pesquisa na esfera educacional. Tal cultura, por sua vez, é
                fundamental para enaltecer o professor-pesquisador como um agente de mudança e de
                aprimoramento no campo do ensino, promovendo, assim, uma transformação efetiva e
                duradoura.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <title>Notas</title>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>i</label>
                <p>Nosso agradecimento à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa
                    Catarina (FAPESC) e à Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
                    Nível Superior (CAPES) por incentivar este estudo, um dos produtos resultantes
                    do processo de doutoramento e mestrado dos autores.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>ii</label>
                <p>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                        xlink:href="https://app.edupulses.io">https://app.edupulses.io</ext-link>.
                    Acesso em: 17 ago. 2023.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>1</label>
                <p>Em nota, o estágio de docência em questão teve a duração de 45 horas-aula e foi
                    vivenciado por uma doutoranda que está investigando a formação continuada na
                    perspectiva do professor-pesquisador em sua tese. Ressaltamos que esse estágio
                    contou com a supervisão e a avaliação de duas professoras doutoras da
                    universidade onde as atividades de docência foram realizadas. Tanto a doutoranda
                    quanto uma das professoras supervisoras fazem parte dos autores deste
                    manuscrito. Além disso, esta pesquisa não contou com envio prévio ao comitê de
                    ética, por isso o anonimato da instituição e mestrandos são garantidos no
                    decorrer de todo o texto. Esta nota visa o esclarecimento sobre a relação que há
                    entre pesquisador, sujeito e objeto.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>REFERÊNCIAS</title>
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                    Campinas, SP: Papirus, 2016. p. 17-34.</mixed-citation>
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                        profissional docente</chapter-title>
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                    Acesso em: 02 set. 2023.</mixed-citation>
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                        didática</article-title>
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                    <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri"
                            xlink:href="https://revistas.cesgranrio.org.br/index.php/metaavaliacao/article/view/66"
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                            fundamental</bold>: referentes de contribuição à educação estética a
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                    <comment>Tese (Doutorado em Educação) 2023.</comment>
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