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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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    article-type="research-article" dtd-version="1.1" specific-use="sps-1.9" xml:lang="pt">
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            <journal-id journal-id-type="publisher-id">rp</journal-id>
            <journal-title-group>
                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
            </journal-title-group>
            <issn pub-type="epub">2175-795X</issn>
            <publisher>
                <publisher-name>Universidade Federal de Santa Catarina</publisher-name>
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        <article-meta>
            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e96769</article-id>
            <article-categories>
                <subj-group subj-group-type="heading">
                    <subject>Artigo</subject>
                </subj-group>
            </article-categories>
            <title-group>
                <article-title>A concepção de justiça e a sua relação com o trabalho pedagógico de
                    docentes do curso de direito de uma instituição pública federal</article-title>
                <trans-title-group xml:lang="en">
                    <trans-title>The conception of justice and its relationship with the pedagogical
                        work of law course professors at a federal public institution</trans-title>
                </trans-title-group>
                <trans-title-group xml:lang="fr">
                    <trans-title>La concepción de justicia y su relación con el trabajo pedagógico
                        de los profesores de la carrera de derecho de una instituición pública
                        federal</trans-title>
                </trans-title-group>
            </title-group>
            <contrib-group>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-2290-9461</contrib-id>
                    <name>
                        <surname>Brenner</surname>
                        <given-names>Carmen Eloísa Berlote</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-9197-2299</contrib-id>
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                        <surname>Leite</surname>
                        <given-names>Maria Cecília Lorea</given-names>
                    </name>
                    <xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Pampa</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
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                <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Pelotas</institution>
                <country country="BR">Brasil</country>
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            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                <month>04</month>
                <year>2025</year>
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                <season>Jan-Mar</season>
                <year>2024</year>
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            <volume>42</volume>
            <issue>1</issue>
            <fpage>01</fpage>
            <lpage>15</lpage>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
                </license>
            </permissions>
            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>O objetivo desse estudo é suscitar as discussões a respeito do quanto as
                    concepções pessoais dos(as) professores(as), expressas em imagens nesta
                    pesquisa, podem impactar na produção do trabalho pedagógico e consequentemente
                    nas questões curriculares institucionais, sendo elencada a concepção de justiça
                    para a presente análise. O embasamento teórico pautou-se nos estudos de Ferreira
                    (2017), Lopes e Macedo (2011), Bernstein (1996, 2003) e Fraser (2002). Para a
                    realização dessa pesquisa foram selecionadas duas produções de um banco de
                    imagens que contou com diversos desenhos produzidos por professores(as) do curso
                    de graduação em direito de uma Instituição de Educação Superior (IES) Federal
                    situada no Estado do Rio Grande do Sul (RS) e que expressaram em desenhos o que
                    entendiam por justiça. A escolha das produções analisadas aqui se deu por
                    possuírem elementos gráficos muito distintos e características semelhantes entre
                    seus criadores. A metodologia de análise foi o Método Documentário de
                    Interpretação (Bohnsack, 2020), o qual torna possível compreender o meio social
                    através da imagem, possibilitando um aprofundamento ao invés de uma observação
                    superficial do artefato visual. Verificou-se que a concepção de justiça
                    apresentada em cada um dos desenhos remete a trabalhos pedagógicos distintos,
                    pois os enfoques dados no processo de planejamento, recontextualização e
                    avaliação serão intermediados pelas percepções do que acreditam ser importante.
                    Essa pluralidade de ideias na produção do trabalho pedagógico impacta na
                    construção do currículo de determinada turma, curso e/ou instituição, tomando
                    por base o que for interpretado como relevante.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>The aim of this paper is to raise discussions regarding how much the personal
                    conceptions of professors, expressed in images in this research, can impact the
                    production of pedagogical work and this on institutional curricular issues, with
                    the conception of justice being listed for the present analysis. The theoretical
                    framework was based on studies by Ferreira (2017), Lopes and Macedo (2011),
                    Bernstein (1996 and 2003) and Fraser (2002). To carry out this research, two
                    productions were selected from an image bank that included several drawings
                    produced by professors of the undergraduate law course at a Federal Higher
                    Education Institution located in the State of Rio Grande do Sul (RS) and who
                    expressed in drawings what they understood as justice. The productions analyzed
                    here were chosen because they have very different graphic elements and similar
                    characteristics among their creators. The analysis methodology was the
                    Documentary Method of Interpretation (Bohnsack, 2020), which makes it possible
                    to understand the social environment through the image, enabling in-depth
                    analysis rather than a superficial observation of the visual artifact. It was
                    found that the conception of justice presented in each of the drawings refers to
                    different pedagogical works, as the approaches given in the planning,
                    recontextualization and evaluation process will be mediated by the perceptions
                    of what they believe to be important. This plurality of ideas in the production
                    of pedagogical work impacts the construction of the curriculum of a given class,
                    course and/or institution, based on what is interpreted as relevant.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="fr">
                <title>Resumé</title>
                <p>El objetivo de este artículo es plantear discusiones sobre cómo las concepciones
                    personales de los docentes, expresadas en imágenes en esta investigación, pueden
                    impactar la producción del trabajo pedagógico y esto en cuestiones curriculares
                    institucionales, incorporando la concepción de justicia al presente análisis. El
                    marco teórico se basó en estudios de Ferreira (2017), Lopes y Macedo (2011),
                    Bernstein (1996 y 2003) y Fraser (2002). Para realizar esta investigación, se
                    seleccionaron dos producciones de un banco de imágenes que incluía varios
                    dibujos realizados por profesores de la carrera de derecho de una Institución
                    Federal de Educación Superior ubicada en el Estado de Rio Grande do Sul (RS) y
                    que expresaron en dibujos lo que entendían como justicia. Las producciones aquí
                    analizadas fueron elegidas porque presentan elementos gráficos muy diferentes y
                    características similares entre sus creadores. La metodología de análisis fue el
                    Método Documental de Interpretación (Bohnsack, 2020), que permite comprender el
                    entorno social a través de la imagen, permitiendo un análisis en profundidad más
                    que una observación superficial del artefacto visual. Se encontró que la
                    concepción de justicia presentada en cada uno de los dibujos remite a diferentes
                    trabajos pedagógicos, pues los enfoques que se den en el proceso de
                    planificación, recontextualización y evaluación estarán mediados por las
                    percepciones de lo que creen importante. Esta pluralidad de ideas en la
                    producción del trabajo pedagógico impacta en la construcción del currículo de
                    una determinada clase, curso y/o institución, a partir de lo que se interpreta
                    como relevante.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Imagens da justiça</kwd>
                <kwd>Trabalho pedagógico</kwd>
                <kwd>Curso de direito</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Images of justice</kwd>
                <kwd>Pedagogical work</kwd>
                <kwd>Law course</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="fr">
                <title>Mots-clés:</title>
                <kwd>Imágenes de justicia</kwd>
                <kwd>Trabajo pedagógico</kwd>
                <kwd>Curso de derecho</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Considerações introdutórias</title>
            <p>O objetivo desse artigo é suscitar as discussões a respeito do quanto as concepções
                pessoais dos(as) professores(as) podem impactar na produção do trabalho pedagógico e
                esse, por sua vez, nas questões curriculares institucionais, sendo elencada a
                concepção de justiça para a presente análise. O estudo compõe as produções do
                projeto de pesquisa intitulado “Imagens da Justiça, representações curriculares e
                pedagogia jurídica: um estudo comparativo”, que busca fomentar a justiça social na
                formação jurídica através do trabalho com imagens e possui financiamento do Conselho
                Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O projeto de pesquisa
                possui um vasto banco de imagens formado por desenhos que objetivam representar a
                justiça. As produções foram compostas por professores(as) e estudantes de alguns
                cursos de direito de três países diferentes, sendo esses Angola, Brasil e França.
                Para os(as) docentes que aceitaram colaborar com a pesquisa, após a contextualização
                do estudo e a assinatura do termo de consentimento, foi solicitado que respondessem
                por meio de um desenho qual era a sua compreensão de justiça<xref ref-type="fn"
                    rid="fn1">1</xref>. A produção de cada desenho foi feita em momentos
                individualizados entre o(a) pesquisador(a) que estava realizando a coleta de dados e
                o(a) docente participante. Foram disponibilizados materiais para esse fim, entre
                eles, uma folha de papel A4, em que, no cabeçalho, foi solicitado ao(à) docente o
                preenchimento dos seguintes dados: tempo de magistério, gênero, etnia/raça
                (preenchimento opcional) e eixo de formação da principal disciplina ministrada
                (preenchimento obrigatório). Além da produção imagética, no verso da folha, os(as)
                professores(as) responderam as seguintes questões: “Que significados este desenho ou
                esta descrição tem para você?” e “Que palavras você teria para expressar seu desenho
                ou sua descrição?” Ao final de cada produção, o(a) professor(a) depositava o seu
                desenho em um envelope e o termo de consentimento em outro. Os envelopes foram
                lacrados e sua abertura somente ocorreu após a conclusão de todas as participações,
                garantindo o sigilo dos dados.</p>
            <p>Desse banco de imagens, foram visualizadas aquelas produzidas por professores(as) do
                curso de direito de uma instituição pública federal localizada no estado do Rio
                Grande do Sul (RS), em um total de dez desenhos. Desses, para a presente discussão,
                foram escolhidos dois que possuem divergências em suas composições, mas que foram
                produzidos por docentes com o perfil profissional similar.</p>
            <p>A utilização de um aporte imagético nas pesquisas acadêmicas, em especial nas áreas
                sociais e humanas, vem ganhando um espaço cada vez maior, embora <xref
                    ref-type="bibr" rid="B4">Bohnsack (2020)</xref> alerte que as imagens foram, por
                muito tempo, marginalizadas nas metodologias qualitativas em função da forte
                influência das ciências linguísticas, especialmente a partir da década de 1970.
                Todavia, as produções imagéticas são relevantes aliadas nas investigações
                científicas das ciências sociais e humanas, por isso, para alcançar o objetivo
                proposto neste trabalho, a metodologia escolhida foi o Método Documentário de
                Interpretação, pois conforme explica Bohnsack:</p>
            <disp-quote>
                <p>Imagens orientam a ação, principalmente na forma da imaginação de cenários
                    sociais ou de tal modo que nós orientamos nossa ação pelos gestos não
                    linguísticos dos outros ou pelo <italic>habitus</italic> inscrito
                    socializatoriamente em sua corporalidade. O método documentário sistematiza
                    “métodos” de compreensão e de entendimento dos quais já dispomos do cotidiano.
                    Enquanto uma metodologia das ciências sociais, ele foi desenvolvido a partir da
                    reconstrução de competências práticas (cotidianas) intuitivas. (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B4">Bohnsack, 2020, p. 215</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Desse modo, é possível encontrar por meio de uma imagem aquilo que as palavras muitas
                vezes não evidenciam, sendo o Método Documentário de Interpretação uma possibilidade
                de compreender o meio social através da imagem, permitindo uma análise aprofundada
                ao invés de simplesmente explorar o que ela apresenta superficialmente (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B4">Bohnsack, 2020</xref>). Para atingir esse nível
                interpretativo, o método escolhido dispõe de três níveis analíticos, sendo o
                primeiro pré-iconográfico, o segundo iconográfico e o terceiro iconológico. Na
                primeira etapa de análise a averiguação recai sobre a identificação dos objetos que
                a compõem, suas características e os eventos visíveis. Na segunda fase são
                atribuídas as impressões que aquela composição suscita. Por fim, na última etapa são
                relacionadas todas as análises das fases anteriores com as questões sociais e
                temporais que envolvem a produção imagética analisada (<xref ref-type="bibr"
                    rid="B4">Bohnsack, 2020</xref>).</p>
            <p>Como já mencionado, para a realização desse estudo e com a fundamentação metodológica
                exposta acima, foram selecionadas duas produções do banco de imagens que compõem o
                projeto de pesquisa “Imagens da Justiça, representações curriculares e pedagogia
                jurídica: um estudo comparativo”. A escolha pelas duas imagens que serão
                apresentadas posteriormente se deu por possuírem elementos gráficos muito distintos
                e características semelhantes entre seus criadores. Acredita-se que essas
                características forneçam relevantes experiências analíticas.</p>
            <p>Adicionalmente, o entendimento de que o trabalho pedagógico produzido pelos(as)
                professores(as) é algo que está relacionado diretamente com diversos elementos
                sociais e individuais, entre esses, as concepções que cada docente traz consigo
                    (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Ferreira, 2017</xref>), põe em movimento a
                análise constituída nesse estudo. No caso dos desenhos elencados para essa pesquisa,
                a autoria é de professores(as) que produzem o seu trabalho pedagógico em cursos de
                direito. Esses, regulamentados pela Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a
                qual institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Direito,
                devem assegurar uma consolidada formação geral e humanística, com o desenvolvimento
                de diversas capacidades profissionais, sendo esse conjunto considerado “[...]
                indispensável ao exercício do Direito, a <bold>prestação da justiça</bold> e ao
                desenvolvimento da cidadania” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2018</xref>,
                grifo nosso).</p>
            <p>Esse conjunto de capacidades que traça o perfil profissional do(a) bacharel(a) em
                direito precisa ser organizado curricularmente para que se possa produzir um
                trabalho pedagógico coerente com o</p>
            <p>planejamento proposto. <xref ref-type="bibr" rid="B10">Lopes e Macedo (2011, p.
                    09)</xref> apresentam o currículo como “[...] um campo híbrido com contornos e
                fronteiras cada dia menos nítidos [...]”. Nesse “campo híbrido” vão se organizando
                as experiências pedagógicas e os conhecimentos que darão base ao trabalho do(a)
                professor(a) e esse, por sua vez, influenciará na organização curricular.</p>
            <p>Consequentemente, para um planejamento curricular de um curso de graduação em
                direito, que propicie a produção de um trabalho pedagógico que dê base para o(a)
                egresso(a) trabalhar balizado pelo justo, é primordial que os(as) professores(as)
                tenham definida a sua concepção de justiça. Dessa maneira, as discussões suscitadas
                nesse estudo vão apontar a relevância do processo reflexivo do(a) professor(a) na
                produção do seu trabalho, pois revisitar as suas concepções e compreender o seu
                ideal de educação e justiça vai impactar diretamente no processo educativo dos(as)
                estudantes, que por sua vez, se tornarão profissionais atuantes na sociedade.</p>
            <p>Para contemplar as discussões propostas, a seguir serão abordadas questões referentes
                ao trabalho pedagógico e ao currículo, suas características e relações.
                Posteriormente, o debate recairá sobre as concepções de justiça e a sua relação com
                o curso de direito. Após as discussões mais teóricas sobre a proposta do estudo,
                será apresentada a análise das imagens com as ligações estabelecidas entre as
                categorias: trabalho pedagógico e justiça. Por fim, as considerações finais visando
                retomar as principais ideias e fomentar a reflexão sobre a pauta estudada.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Trabalho pedagógico e currículo</title>
            <p>Trabalho pedagógico e currículo são dois importantes elementos na constituição de
                qualquer processo de ensino e aprendizagem institucionalizado, em todos os níveis
                educacionais. O trabalho pedagógico é conceituado por <xref ref-type="bibr" rid="B7"
                    >Ferreira (2017)</xref> como a intenção de produção e reprodução do
                    conhecimento<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref> e os meios planejados para
                alcançar esse objetivo, bem como a avaliação do processo. Já o currículo apresenta
                uma diversidade de significações, as quais, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B10"
                    >Lopes e Macedo (2011, p. 19)</xref>, possuem uma característica em comum: “a
                ideia de organização, prévia ou não, de experiências/situações de aprendizagem
                realizada por docentes/redes de ensino de forma a levar a cabo um processo
                educativo.” Pode-se pensar que trabalho pedagógico e currículo possuem uma relação
                dialética, na medida em que um dá suporte à efetivação do outro e ao mesmo tempo
                impacta a sua produção.</p>
            <p>O trabalho pedagógico pode ser entendido como o trabalho dos(as) professores(as), de
                todos os níveis educacionais, sendo materializado nas aulas. Corroborando com a
                ideia, Ferreira apresenta o entendimento de que</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] o trabalho dos professores é a aula, e, nela, a produção do conhecimento de
                    todos os sujeitos envolvidos, inclusive o próprio professor. A aula, então, é
                    uma prática social que não se restringe ao ambiente da sala de aula ou mesmo da
                    escola, mas acontece em todos os espaços sociais nos quais há trabalho
                    pedagógico. O trabalho dos professores é sempre pedagógico (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B7">Ferreira, 2017, p. 28-29</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>A aula pode ser caracterizada como uma prática social, pois promove a interação entre
                pessoas e conhecimento, visando um objetivo pedagógico.<xref ref-type="fn" rid="fn3"
                    >3</xref> Esse espaço temporal precisa ser encarado como um momento de troca, no
                qual o processo de ensino e de aprendizagem acontece de maneira mútua. Nessa lógica,
                a interação que ocorre entre docentes e discentes por meio do trabalho pedagógico
                evidencia um momento de pluralidade de ideias, concepções e experiências a serem
                compartilhadas, tornando o trabalho dos(as) professores(as) uma ação social.</p>
            <p>Essa ação social envolve decisões e terá relação direta com as escolhas que os(as)
                professores(as) fizerem, em concordância com os acordos vivenciados com os(as)
                estudantes (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Ferreira; Corrêa; Silveira, 2022</xref>).
                Essa rede de relações e decisões está interligada com o currículo, sendo para <xref
                    ref-type="bibr" rid="B2">Bernstein (1996)</xref> o currículo e a prática
                    pedagógica<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, somadas aos processos
                avaliativos, as categorias formadoras dos encontros fundamentais entre docentes e
                discentes no âmbito da sala de aula.</p>
            <p>A transposição do currículo em trabalho pedagógico pode ser explicada pela teoria da
                recontextualização de Basil <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernstein (1996</xref>,
                    <xref ref-type="bibr" rid="B3">2003</xref>). Essa teoria prevê, em uma
                explicação extremamente básica, que o que está estabelecido em determinada etapa,
                como, por exemplo, o currículo, precisa passar por uma espécie de movimento de
                reconstrução até chegar na próxima fase (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein,
                    2003</xref>), nesse caso hipotético o trabalho pedagógico dos(as)
                professores(as). Cabe destacar que nesse movimento recontextualizador muitos
                aspectos vão sendo incorporados, desde as concepções docentes até os discursos
                sociais estabelecidos naquele determinado período. Dessa maneira, todo esse processo
                produzirá um discurso pedagógico.</p>
            <p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernstein (1996)</xref>, a estruturação do
                discurso pedagógico é feita por diversos elementos sociais, tanto por discursos
                dominantes como pela voz dos(as) oprimidos(as), reunindo legisladores(as),
                professores(as), estudantes e a sociedade de maneira geral com a sua cultura. Esse
                discurso vai exercer o que <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bernstein (1996)</xref>
                denominou como controle simbólico, o qual pode ser caracterizado como uma força
                dominante representativa, que coage os seres humanos sem muitas vezes esses
                perceberem que as suas escolhas estão sendo resultados desse tipo de coerção. Ainda
                para o teórico, a educação é “a agência primária de controle simbólico” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B2">Bernstein, 1996, p. 219</xref>).</p>
            <p>Dessa maneira, esse discurso vai moldando identidades e consecutivamente grupos
                sociais. Tendo os(as) professores(as) como um(a) dos(as) principais agentes desse
                discurso, é possível pressupor o quanto as suas concepções pessoais impactarão na
                produção do seu trabalho pedagógico, no currículo, principalmente no caso aqui
                estudado com cursos de educação superior, e consecutivamente no processo formativo
                dos(as) estudantes. A partir dessas discussões iniciais, será aprofundado no próximo
                tópico o debate sobre as concepções de justiça para que posteriormente seja possível
                emergir nas imagens escolhidas para a presente análise.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>O senso de Justiça e o curso de Direito</title>
            <p>O termo justiça há muito vem figurando em diversos debates, estudos e discussões
                sociais. A possibilidade de compreensão sobre o seu significado, as suas aplicações
                e o seu lugar na sociedade podem oportunizar a reivindicação por uma vivência com
                melhores condições. <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fraser (2002)</xref>, analisando
                a justiça social na globalização, faz um importante alerta sobre o quanto o
                entendimento desse conceito precisa ser alargado. A estudiosa reforça o quanto o
                eixo da distribuição justa é imprescindível para a concretização da justiça social,
                entretanto, sustenta que, além disso, é necessário o reconhecimento da diversidade
                humana e cultural, possibilitando uma participação social que de fato permita que
                os(as) cidadãos(ãs) sintam-se parte da totalidade.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B8">Fraser (2002)</xref> apresenta uma concepção de
                justiça, explicando que a abordagem proposta por ela requer que</p>
            <disp-quote>
                <p>[...] se olhe para a justiça de modo bifocal, usando duas lentes diferentes
                    simultaneamente. Vista por uma das lentes, a justiça é uma questão de
                    distribuição justa; vista pela outra, é uma questão de reconhecimento recíproco.
                    Cada uma das lentes foca um aspecto importante da justiça social, mas nenhuma
                    por si só basta. A compreensão plena só se torna possível quando se sobrepõem as
                    duas lentes. Quando tal acontece, a justiça surge como um conceito que liga duas
                    dimensões do ordenamento social – a dimensão da distribuição e a dimensão do
                    reconhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Fraser, 2002, p. 11</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Do ponto de vista explicado por <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fraser (2002)</xref>,
                a falta, a insuficiência ou a irregularidade no eixo distributivo acarreta
                desigualdades sociais na ordem econômica. Já a ausência do reconhecimento ocasiona a
                subordinação de um grupo social a outro culturalmente mais valorizado. Essa última
                categoria pode ser exemplificada por minorias raciais, de gênero, crença, entre
                outros. O debate levantado evidencia o quanto essas categorias, somadas à
                possibilidade de participação, são fundamentais para fortalecer a justiça social,
                entendendo que uma não deve se sobrepor a outra, mas que precisam ser fomentadas
                paralelamente.</p>
            <p>No momento em que a população possui condições econômicas e culturais de acessar as
                decisões sociais, sendo reconhecida como cidadã, independente de seu credo,
                raça/etnia ou gênero, pode-se vislumbrar um espaço e um tempo mais justos. Cabe
                esclarecer que se entende por condições econômicas</p>
            <p>não meramente o poder aquisitivo, mas condições dignas de moradia, alimentação de
                qualidade, acesso à saneamento básico, garantia de atendimento à saúde, condições de
                trabalho, remuneração adequada, acesso à educação e ao lazer, entre outros
                itens.</p>
            <p>O conceito de enquadramento social ainda é explorado por <xref ref-type="bibr"
                    rid="B8">Fraser (2002)</xref>, apontando o quanto as instituições, baseadas em
                pré-conceitos, enquadram as pessoas e o quanto essa ação marginaliza determinados
                grupos e destaca outros. A educação aparece como uma das principais instituições
                nesse processo, entretanto, por meio dela é possível também subverter esse contexto,
                fomentando a participação social e consecutivamente a justiça.</p>
            <p>O curso de direito, contexto deste estudo, tem as suas diretrizes curriculares
                estabelecidas pela Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2018. O documento citado
                orienta como as instituições devem se organizar didaticamente e pedagogicamente para
                efetivar a oferta desta graduação (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil,
                    2018</xref>). Entre diversos elementos apontados para a organização curricular
                desses cursos, é possível observar diversos trechos em que a normativa aponta para
                uma formação integrada com concepções de justiça social, contribuindo com a
                valorização das diferenças e uma inserção prática no contexto de atuação, podendo
                ser citado o § 4º do artigo 2º, que apresenta uma gama diversificada sobre vivências
                que devem estar previstas no Projeto Pedagógico do Curso (PPC) das graduações em
                direito:</p>
            <disp-quote>
                <p>Art. 2º § 4º O PPC deve prever ainda as formas de tratamento transversal dos
                    conteúdos exigidos em diretrizes nacionais específicas, tais como as políticas
                    de educação ambiental, de educação em direitos humanos, de educação para a
                    terceira idade, de educação em políticas de gênero, de educação das relações
                    étnico-raciais e histórias e culturas afrobrasileira, africana e indígena, entre
                    outras (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2018</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>O contato transversal com vivências diversas possibilita ao(à) acadêmico(a) o
                conhecimento de muitas realidades e contextos que, muitas vezes, são diversos dos
                quais está inserido(a). Essa vivência plural será de grande relevância para a sua
                trajetória profissional, pois, por ser um trabalho relacionado diretamente a outras
                pessoas, sensibilizará o(a) futuro(a) profissional para questões diversas. Para
                isso, a resolução também prevê a possibilidade de uma formação profissional visando
                em seu artigo 4º “[...] aceitar a diversidade e o pluralismo cultural” (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2018</xref>) por parte do(a) operador(a) do
                direito, entre outras características que reforçam o senso de justiça. Como uma das
                maneiras de materializar essas ações, a resolução orienta que sejam estimuladas
                atividades curriculares de extensão que propiciem uma aproximação profissional,
                podendo ser oportunizadas ações integradas à comunidade ou com viés social (<xref
                    ref-type="bibr" rid="B5">Brasil, 2018</xref>).</p>
            <p>Todas as proposições elencadas evidenciam uma preocupação de que os(as) graduados(as)
                em direito tenham uma formação ligada à realidade social, que despertem para as
                mazelas populacionais e que possam utilizar os seus conhecimentos na busca de um
                mundo mais equânime e justo. Nesse sentido, Leite e Schmidt comentam que:</p>
            <disp-quote>
                <p>Os cursos de graduação em Direito, incluídos seus currículos e suas pedagogias,
                    nos últimos trinta anos, vêm sendo objeto de debate em nosso país, entre outros
                    motivos, pelo desafio de superar o distanciamento da realidade social, de
                    proporcionar uma formação inicial de profissionais cada vez mais qualificados,
                    críticos, reflexivos e atuantes no âmbito do sistema jurídico estatal, bem como
                    de contribuir para o incremento do acesso à justiça por parte da população
                    brasileira (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Leite; Schmidt, 2018, p.
                    149</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Ampliando um pouco mais a discussão, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Leite e Schmidt
                    (2018)</xref> argumentam que a justiça e suas realizações não são derivadas
                apenas do sistema jurídico, sendo os processos culturais e de pedagogização do
                conhecimento importantes elementos na concretização da justiça social. Dessa
                maneira, reforça-se o argumento da relevante relação que há entre o senso de justiça
                e a educação. Nesse caso, especificamente, a relação com o curso de direito,
                    <italic>lócus</italic> de formação dos(as) profissionais que de maneira mais
                próxima trabalharão promovendo e fortalecendo a justiça. A seguir, serão
                apresentadas as imagens escolhidas para a presente análise e as discussões que essas
                suscitam sobre a concepção de justiça e os impactos que essas concepções podem
                ocasionar no trabalho pedagógico dos(as) professores(as) e nos currículos
                educacionais.</p>
        </sec>
        <sec>
            <title>Relação e comparação das imagens com as categorias</title>
            <p>As imagens permeiam a vida cotidiana dos seres humanos. As visualidades estão
                presentes nas mais diversas dimensões e com uma gama alargada de utilidades,
                objetivos e funções. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bohnsack (2020)</xref> apresenta
                os múltiplos significados que as imagens possuem, dentre esses, o da comunicação,
                considerando que ao mesmo tempo em que esses recursos são utilizados para significar
                e representar a realidade social, também vão construindo e ressignificando o
                contexto.</p>
            <disp-quote>
                <p>A produção do mundo através de imagens pode, por sua vez, ser entendida em pelo
                    menos dois sentidos: A primeira compreensão afirma que apenas a interpretação do
                    mundo é realizada essencialmente por meio da iconicidade. Uma compreensão mais
                    abrangente de uma constituição de mundo através da imagem abarca também a
                    qualidade das imagens de orientar ações (<xref ref-type="bibr" rid="B4"
                        >Bohnsack, 2020, p. 198</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>A explicação que o autor explana sobre a temática sustenta que conjunturas e
                panoramas sociais são interiorizados na forma de imagens. Essas imagens internas
                ficam retidas na memória e são acionadas sempre que algo as desperta, por exemplo,
                se alguém realiza um movimento horizontal repetidamente com a mão, a interpretação,
                possivelmente e considerando a cultura local, será de que aquela pessoa está
                acenando, está realizando a ação cordial de cumprimentar alguém. Obviamente, o
                significado atribuído a essas imagens internas está estreitamente ligado à cultura
                da pessoa que o interpreta.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein (2003)</xref> atribui ao campo cultural um
                importante papel na moldagem da consciência. Para o teórico:</p>
            <disp-quote>
                <p>o controle simbólico é o meio pelo qual a consciência recebe uma forma
                    especializada e é distribuída através de formas de comunicação, as quais
                    conduzem, transportam, uma determinada distribuição de poder e categorias
                    culturais dominantes. O controle simbólico faz com que as relações de poder
                    sejam expressas em termos de discurso e o discurso em termos de relações de
                    poder. Posso acrescentar que ele pode também transformar essas mesmas relações
                    de poder (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein, 2003, p.
                    189-190</xref>).</p>
            </disp-quote>
            <p>Entende-se que as imagens são compostas por esse discurso, ao mesmo tempo que o
                compõe também. Tais discursos vão impactar as constituições humanas, sejam essas
                individuais ou coletivas. Transpondo esta análise para o campo educacional, pode-se
                entender os(as) professores(as) como agentes influenciadores(as), formuladores(as)
                do discurso pedagógico, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein
                    (2003)</xref>, visto que o conhecimento passa pela sua pedagogização até chegar
                ao(à) estudante. A pedagogização do conhecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B3"
                    >Bernstein, 2003</xref>) para a sala de aula será impactada pelas concepções
                docentes, não chegando aos(às) estudantes de maneira neutra. Dessa forma,
                acredita-se que as imagens interiores que esses(as) professores(as) possuem
                influenciarão de alguma maneira no processo formativo dos(as) estudantes.</p>
            <p>Diante desses argumentos, como já mencionado anteriormente, as duas imagens
                escolhidas para fomentar a discussão proposta neste estudo foram produzidas por um
                professor e uma professora, ambos pertencentes ao quadro docente da graduação em
                direito de uma instituição pública federal situada no estado do Rio Grande do Sul
                (RS). Tanto a professora como o professor trabalham com o eixo profissional do curso
                e possuem entre 26 e 30 anos de magistério. A imagem abaixo (<xref ref-type="fig"
                    rid="f1">imagem 1</xref>) representa o que o professor entende por justiça:</p>
            <p><fig id="f1">
                    <label>Imagem 1</label>
                    <caption>
                        <title>Imagens da Justiça na visão de um professor</title>
                        <p>Fonte - Professor participante do estudo (2018).</p>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-01-e96769-gf01.tif"/>
                </fig></p>
            <p>A imagem produzida pelo professor expressa a sua visão de justiça com um símbolo
                tradicional do direito. No verso do desenho, consta a seguinte afirmação: “A
                primeira coisa que pensei foi a espada” (Professor participante do estudo, 2018). A
                justiça para o professor é imagetizada por um único e isolado elemento que apresenta
                muitas possibilidades de utilização, chamando a atenção também pelo fato de o
                desenho não ter sido colorido, sendo utilizada apenas a cor preta para traçar a
                imagem. A espada representa o poder, podendo ser utilizada tanto para acabar com as
                injustiças quanto para edificar a justiça, sendo uma importante ferramenta tanto
                para a defesa como para a punição. Dessa maneira, a espada remete à ideia de ação,
                sendo um elemento que pode estar diretamente relacionado ao eixo em que o professor
                ministra as suas aulas (eixo profissional).</p>
            <p>Um elemento que chama a atenção é o fato de a espada não possuir uma divisão entre o
                punho e a lâmina, o que faz aparentar que a espada foi construída de material único.
                Nesse caso, pode-se imaginar que o(a) operador(a) do Direito poderá sofrer
                escoriações se o material único for a lâmina ou não ter “fio” para fazer justiça,
                caso a sua composição seja do mesmo material do punho (normalmente madeira, osso ou
                marfim). Nesse sentido, é possível interpretar sobre o quanto o(a) operador(a) da
                espada, aqui interpretada como a justiça, precisa de condições favoráveis, como por
                exemplo mais celeridade nos casos judiciais, para que não prejudique o(a) seu(sua)
                atendido(a) ou a si mesmo na promoção da justiça.</p>
            <p>O segundo desenho (<xref ref-type="fig" rid="f2">Imagem 2</xref>) foi produzido por
                uma professora que também trabalha com o eixo profissional do curso e possui um
                tempo muito próximo de magistério ao do autor da primeira imagem, porém, sua
                produção possui muito mais elementos e cores:</p>
            <p><fig id="f2">
                    <label>Imagem 2</label>
                    <caption>
                        <title>Imagens da Justiça na visão de uma professora</title>
                        <p>Fonte - Professora participante do estudo (2018).</p>
                    </caption>
                    <graphic xlink:href="2175-795X-rp-42-01-e96769-gf02.tif"/>
                </fig></p>
            <p>A descrição da imagem foi a seguinte:</p>
            <disp-quote>
                <p>Justiça como acesso, mais densificada com a noção social do justo; Justiça
                    consigo próprio, alinhada à noção individual. O azul representa a justiça,
                    envolve o indivíduo e a sociedade trabalha pelo acesso de todos a liberdade,
                    igualdade, rede, solidariedade, compromisso - consigo e com os demais
                    (Professora participante do estudo, 2018).</p>
            </disp-quote>
            <p>A autora do desenho representou imageticamente a justiça utilizando diversas cores,
                entretanto, não foi identificada a cor vermelha, símbolo do Direito. Na produção há
                uma espécie de moldura na cor azul que, segundo o texto descritivo da professora,
                representa a justiça envolvendo tanto os indivíduos como a sociedade. Dentro da
                moldura azul há um desenho que foi interpretado como sendo um portal. Nesse portal
                há duas imagens humanas e fora desse limiar há representação de mais quatro figuras
                humanas, duas delas envoltas de justiça, aqui representada pela cor azul. Nas quatro
                pessoas ao lado de fora existem flechas, todas na cor azul, indicando o acesso ao
                portal. Na descrição do desenho, destacam-se as seguintes palavras: “liberdade,
                igualdade, rede, solidariedade e compromisso” direcionando a outras duas palavras:
                “consigo” e “com os demais”.</p>
            <p>Por meio da escolha pela cor azul, ao invés de vermelha para representar a justiça, é
                possível interpretar um desapego por parte da professora pelas tradições
                estabelecidas, passando uma ideia de abertura ao novo e ao diferente. O desenho do
                portal pode ser interpretado como uma instituição jurídica ou o acesso a algum
                direito social. As duas pessoas desenhadas em seu interior podem representar os(as)
                trabalhadores(as) daquele local ou ainda pessoas que possuem o acesso a ele. As
                pessoas que estão do lado de fora conseguem acesso a esse portal por meio da
                justiça, representada por flechas azuis e há pessoas representadas com um contorno
                na cor azul, interpretadas como profissionais a serviço da justiça. Essa
                configuração do desenho pode suscitar o quanto a justiça permite o acesso a direitos
                sociais, os quais muitas vezes são negados à população. Sabe-se o quanto um
                percentual considerável de seres humanos se encontra em situação de pobreza e
                extrema pobreza. Conforme a Agência IBGE (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Belandi,
                    2022</xref>), em 2021, a pobreza atingiu 62,5 milhões de pessoas no Brasil,
                número recorde desde 2012. Essa situação acarreta a vulnerabilidade de um
                quantitativo considerável de brasileiros(as) que acaba não tendo condições básicas
                de vida, já que não possui os meios necessários para adquirir bens e serviços e o
                Estado nem sempre garante essas condições (moradia, saúde, saneamento básico, acesso
                e permanência em ambiente educacional, entre outras) ou, muitas vezes, o(a)
                cidadão(ã) não possui nem o conhecimento de que tem o direito a determinados
                benefícios. Dessa maneira, a justiça pode representar um meio pelo qual essas
                pessoas conseguem garantir que terão as suas necessidades atendidas.</p>
            <p>Outro aspecto que chama a atenção no desenho da professora é que todas as figuras
                humanas possuem um traço representando o chão em seus pés, o que pode denotar uma
                valorização por parte da autora em decisões mais racionais e analisadas de maneira
                cautelosa. Outro ponto importante é que os seres humanos desenhados não possuem
                características particulares, todos são representados apenas por linhas formando o
                corpo e um círculo representando a cabeça (“pessoas de palitinho”). Não há nenhum
                tipo de expressão ou elementos faciais, não há roupas desenhadas ou características
                que possam ser utilizadas para identificar um pouco mais quem é cada uma das pessoas
                representadas imageticamente. Esse elemento, ou a falta dele, suscita duas situações
                para a reflexão: a falta de caracterização das pessoas pode passar uma ideia de
                igualdade, transmitindo a ideia de que “todos(as) são iguais perante a lei”, porém,
                essa mesma falta de caracterização também pode ser interpretada como um fechar de
                olhos para a diferença, não sendo adotado um tratamento de justiça que olhe as
                necessidades dos diferentes grupos sociais e seres humanos.</p>
            <p>Embora a autora e o autor dos dois desenhos escolhidos tenham muitas características
                em comum, como trabalharem na mesma instituição, no mesmo curso, com o mesmo eixo
                disciplinar e possuírem quase o mesmo tempo de trabalho, suas produções revelam
                inúmeras diferenças e isso também é resultado das suas imagens interiores.
                Percebe-se que o primeiro desenho é composto pela representação de um único objeto,
                utilizando apenas uma cor e fazendo uso de um símbolo clássico do Direito para
                representar a justiça. Contrariamente, o segundo desenho não utiliza nenhum símbolo
                clássico para representar a justiça, além disso, a autora utiliza diversos elementos
                e cores para compor a sua produção. Em uma análise mais aprofundada é possível
                verificar que o primeiro desenho retrata a justiça como um poder e o segundo como um
                direito.</p>
            <p>Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B6">Ferreira et al. (2022)</xref>, a produção de
                sentidos pelos seres humanos se dá por meio da base social e histórica em que estão
                inseridos(as), ou seja, a formação dessas imagens interiores estará condicionada aos
                diversos elementos e experiências sociais a que cada pessoa estiver submetida, não
                só profissionalmente. Essa análise pode explicar o motivo pelo qual as duas imagens
                são tão diferentes, embora a autora e o autor possuam várias semelhanças
                profissionais.</p>
            <p><xref ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein (2003)</xref> vai caracterizar os(as)
                professores(as) como um(a) dos(as) agentes da pedagogização do conhecimento, ou
                seja, um(a) dos(as) responsáveis por transformar o conteúdo científico em um
                conteúdo pedagógico que seja capaz de ser assimilado por pessoas que não estão
                imbuídas no grupo técnico e científico que produziu esse conhecimento. Esse processo
                de pedagogizar o conhecimento está atrelado ao trabalho pedagógico produzido
                pelos(as) professores(as), sendo que esse estará infundido das imagens interiores e
                concepções dos(as) docentes. Um dos resultados desse processo é o que <xref
                    ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein (2003)</xref> vai denominar discurso
                pedagógico, o qual operará no campo simbólico podendo perpetuar as concepções que
                os(as) professores(as) possuem.</p>
            <p>As universidades, centros de pesquisa, agências da educação superior, conselhos de
                pesquisa e fundações privadas são caracterizadas por <xref ref-type="bibr" rid="B3"
                    >Bernstein (2003)</xref> como agências reguladoras no campo do controle
                simbólico e os(as) professores(as) seus(suas) agentes. Para o teórico, essas
                agências “operam códigos discursivos dominantes, os quais regulam as relações
                sociais, a consciência e as disposições” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein,
                    2003, p. 197</xref>). Obviamente, há possibilidade de subversão ao que está
                estabelecido no campo de controle simbólico, já que esse é permeado por relações
                humanas e sociais e essas são dinâmicas.</p>
            <p>Ainda sobre esse tópico, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bernstein (2003, p.
                    222)</xref> vai alertar que “o controle simbólico continuará a ser construído e
                conduzido por agentes humanos atuando com discursos especializados, tornados
                disponíveis através dos campos recontextualizadores da educação, o qual dará àquele
                controle de suas modalidades ideológicas”. Sem estabelecer juízo de valores,
                entende-se que as concepções que os(as) professores(as) carregam consigo permearão o
                seu trabalho pedagógico, resultarão em um discurso e esse operará no campo do
                controle simbólico. Esse discurso ecoará no processo educacional, resultando em
                novas imagens interiores em cada indivíduo que compõe tal processo. Dessa maneira,
                retornando aos desenhos escolhidos para esse estudo, é possível supor quais
                concepções de justiça estão sendo perpetuadas aos(às) estudantes que convivem com
                os(as) professores(as) participantes. Na medida em que os(as) professores(as) e
                os(as) estudantes vão compondo as suas concepções por meio de um discurso, o
                trabalho pedagógico vai sendo produzido e tal ação vai construindo o currículo de
                determinado curso, escola e/ou instituição.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>O trabalho pedagógico, entendido como o trabalho dos(as) professores(as) nesse
                estudo, vai se constituindo de diversos elementos que compõem a vivência docente,
                sejam ações profissionais ou pessoais. A historicidade dos sujeitos professores(as),
                a sua cultura, o seu espaço social e o seu pertencimento coletivo, entre outras
                questões, vão impactando o trabalho pedagógico. O currículo, por sua vez, também
                influenciará o trabalho pedagógico docente e será impactado por esse. A relação que
                existe entre esses dois elementos educacionais pode ser interpretada como
                complementar, na medida em que o trabalho pedagógico precisa do currículo para
                efetivar a sua organização e o currículo precisa do trabalho pedagógico para
                efetivamente estar em ação.</p>
            <p>O trabalho pedagógico e o currículo nesse estudo dizem respeito especificamente ao
                curso de direito, tendo como objetivo fomentar o debate sobre os impactos das
                concepções pessoais dos(as) professores(as) na produção de seu trabalho, sendo a
                justiça elencada como a concepção a ser averiguada. Justiça e direito são conceitos
                que estão estreitamente ligados, pois supõe-se que o curso de direito seja a
                instrumentalização para a promoção da justiça, por isso, é um dos conceitos que deve
                guiar o trabalho pedagógico dos(as) professores(as) da área. Partindo dessa
                concepção, foi solicitado que os(as) docentes de um curso de direito de uma
                instituição pública federal localizada no estado do Rio Grande do Sul desenhassem o
                seu entendimento de justiça.</p>
            <p>Os desenhos são importantes manifestações das concepções, ideais e imagens interiores
                dos seres humanos e têm sido cada vez mais utilizados nas pesquisas das áreas
                sociais e humanas. As duas imagens escolhidas para compor este artigo apresentam uma
                gama de diferenças, embora tenham sido desenhadas por duas pessoas que trabalham na
                mesma instituição, com o mesmo curso, no mesmo eixo disciplinar e com um tempo muito
                próximo de trabalho. Os(As) professores(as) foram caracterizados(as) como
                semelhantes em função do questionário respondido, mas, obviamente, acredita-se que
                as suas vivências tenham sido bastante distintas e a prova está nas assimetrias
                imagéticas sobre justiça.</p>
            <p>A concepção de justiça apresentada em cada um dos desenhos vai remeter a trabalhos
                pedagógicos distintos, pois os enfoques dados no processo de planejamento,
                recontextualização e avaliação serão intermediados pelas percepções do que acreditam
                ser importante que o grupo de estudantes tenha consciência. Essa pluralidade de
                ideias na produção do trabalho pedagógico vai construindo o currículo de determinada
                turma, curso e/ou instituição, tomando por base o que for interpretado como
                relevante. O presente artigo configura-se como um estudo inicial nessa linha,
                entendendo que essa breve análise deverá abrir trajetórias de pesquisas que busquem
                analisar a temática a partir de um leque maior de desenhos, inclusive de estudantes,
                levando em considerações suas semelhanças e distinções, compreendendo que o trabalho
                dos(as) professores(as) é fundamental para a construção de uma sociedade mais
                equânime e justa.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Foi aberta a possibilidade de descrever o que é justiça para quem não se sentisse
                    confortável em produzir um desenho.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>“Não se entende por produção do conhecimento a invenção, a descoberta do
                    conhecimento, mas simplesmente aprender o que, antes, não se sabia” (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B6">Ferreira; Corrêa; Silveira, 2022, p.
                    17</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>A presente caracterização foi pensada a partir do lócus de trabalho dos(as)
                    professores(as) participantes da investigação, que focaliza cursos de graduação
                    em direito na modalidade presencial. Entende-se que as aulas na modalidade a
                    distância possuem características próprias, não sendo objeto desta pesquisa.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>A opção pelo termo “prática pedagógica” se deu em função da utilização pelo autor
                    citado, Bernstein, porém, entende-se esse diferente do termo “trabalho
                    pedagógico”. Prática Pedagógica é entendida pelo autor (1996) como um mecanismo
                    de condução de cultura, permitindo tanto a reprodução quanto a criação cultural.
                    Já o Trabalho Pedagógico engloba diversas etapas de ação e reflexão, normalmente
                    materializado por professores(as), com o objetivo de produzir conhecimento
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Ferreira, 2017</xref>). Entende-se, dessa
                    maneira, o termo trabalho pedagógico de maneira mais ampla que o conceito de
                    prática pedagógica</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
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