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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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                <journal-title>PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE CIÊNCIAS DA
                    EDUCAÇÃO</journal-title>
                <abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">PERSPECTIVA: REVISTA DO CENTRO DE
                    CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO</abbrev-journal-title>
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            <article-id pub-id-type="doi">10.5007/2175-795X.2024.e98772</article-id>
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                <article-title>Reconversão docente, formação neotecnicista, expropriação cultural e
                    didática empreendedora</article-title>
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                    <trans-title>Teacher retraining, neo-technical training, cultural expropriation
                        and entrepreneurial didactics</trans-title>
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                    <trans-title>Reconversión docente, formación neotecnicista, expropiación
                        cultural y didáctica emprendedora</trans-title>
                </trans-title-group>
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                <contrib contrib-type="author">
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                        <surname>Silva</surname>
                        <given-names>Patric Anderson Gomes da</given-names>
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                <institution content-type="original">Universidade Regional do Cariri, URCA, Ceará,
                    Brasil, E-mail: katia.lima@urca.br,
                    https://orcid.org/0000-0002-9132-9551</institution>
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                    E-mail: patricanderson16@icloud.com,
                    https://orcid.org/0000-0002-6285-1439</institution>
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                    Brasil, E-mail: emmanoel.lima@urca.br,
                    https://orcid.org/0000-0002-7375-8926</institution>
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                    E-mail: portuguesmauricio50@gmail.com,
                    https://orcid.org/0000-0001-7174-9164</institution>
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a
                        licença Creative Commons Attribution Non-Commercial que permite uso,
                        distribuição e reprodução não-comercial irrestrito em qualquer meio, desde
                        que o trabalho original seja devidamente citado.</license-p>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>A atual política educacional brasileira expressa as orientações da intelligentsia
                    burguesa, que define diretrizes de formação, concepção de docência e didática.
                    Este estudo aborda o novo projeto de formação de professores. Com o aporte do
                    materialismo histórico-dialético, analisamos as diretrizes do neoliberalismo à
                    educação no contexto de metamorfose no universo laboral e seus rebatimentos na
                    formação e trabalho docente. A pesquisa é bibliográfica e documental, realizada
                    a partir da BNC-Formação (Resolução CNE/CP n.º 2/2019), BNC-Formação Continuada
                    (Resolução CNE/CP n.º 1/2020), entre outros documentos-chave. O novo modelo
                    produtivo requer um novo profissional e uma “formação” baseada em aprendizagens
                    flexíveis. A Nova Gestão Pública aprofunda a precarização laboral e a
                    mercantilização da educação, como recomenda o neoliberalismo. O capitalismo
                    contemporâneo exige a reconversão docente, que submete o professor a uma
                    racionalidade instrumental, transformando-o em mero executor de tarefas, e
                    subordinado a metas preestabelecidas. E, paralelo a isso, desenvolve-se um
                    processo de expropriação cultural dos discentes, que aniquila o desenvolvimento
                    pleno das suas potencialidades e a promoção de sua liberdade, além de servir a
                    uma política de lesa-pátria. O empreendedorismo dita uma nova pedagogia e
                    didática, reduzindo esta a uma dimensão gerencial e técnica da sala de aula,
                    focada em resultados de avaliações externas, sob a lógica da política de
                    accountability e do controle ideológico do Estado.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>Current Brazilian educational policy expresses the orientations of the bourgeois
                    intelligentsia, which defines training guidelines, the concept of teaching and
                    didactics. This study looks at the new teacher training project. With the
                    support of historical-dialectical materialism (HDM), we analyze the guidelines
                    of neoliberalism for education in the context of metamorphosis in the world of
                    work and its repercussions on teacher training and work. The research is
                    bibliographical and documental, based on the BNC - Training (CNE/CP Resolution
                    No. 2/2019), BNC - Continuing Training (CNE/CP Resolution No. 1/2020), among
                    other key documents. The new production model requires new professionals and
                    "training" based on flexible learning. The New Public Management (NPM) deepens
                    job insecurity and the commodification of education, as recommended by
                    neoliberalism. Contemporary capitalism requires the retraining of teachers,
                    which subjects them to an instrumental rationality, transforming them into mere
                    executors of tasks and subordinate to pre-established targets. At the same time,
                    there is a process of cultural expropriation of students, which annihilates the
                    full development of their potential and the promotion of their freedom, as well
                    as serving a policy of lese majeste. Entrepreneurship dictates a new pedagogy
                    and didactics, reducing the latter to a managerial and technical dimension of
                    the classroom, focused on the results of external evaluations, under the logic
                    of accountability policy and the ideological State control.</p>
            </trans-abstract>
            <trans-abstract xml:lang="fr">
                <title>Resumé</title>
                <p>La actual política educacional brasileña expresa las orientaciones de la
                    intelligentsia burguesa, que define directrices de formación, concepción de
                    docencia y didáctica. Este estudio trata sobre el nuevo proyecto de formación de
                    profesores. Mediante el materialismo histórico-dialéctico (MHD), analizamos las
                    directrices del neoliberalismo a la educación en el contexto de metamorfosis en
                    el universo laboral y sus rebatimientos en la formación y trabajo docente. La
                    investigación es bibliográfica y documental, realizada a partir de la
                    BNC-Formación (Resolución n° 2/2019), BNC-Formación Continuada (Resolución
                    CNE/CP n° 1/2020), entre otros documentos-clave. El nuevo modelo productivo
                    requiere un nuevo profesional y una “formación” basada en aprendizajes
                    flexibles. La Nueva Gestión Pública (NGP) profundiza la precarización laboral y
                    la mercantilización de la educación, como recomienda el neoliberalismo. El
                    capitalismo contemporáneo exige la reconversión docente, que somete el profesor
                    a una racionalidad instrumental, transformándolo en mero ejecutor de tareas y
                    subordinado a metas preestablecidas. En paralelo, se desarrolla un proceso de
                    expropiación cultural de los discentes, que destruye el desarrollo pleno de sus
                    potencialidades y la promoción de su libertad, además de servir a una política
                    de lesa patria. El emprendimiento dicta una nueva pedagogía y didáctica,
                    reduciendo esta última a una dimensión gerencial y técnica en el aula, enfocada
                    en resultados de evaluaciones externas, bajo la lógica de la política de
                    accountability y del control ideológico del Estado.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave:</title>
                <kwd>Gerencialismo</kwd>
                <kwd>Performatividade</kwd>
                <kwd>Desprofissionalização</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords:</title>
                <kwd>Gerencialismo</kwd>
                <kwd>Performatividad</kwd>
                <kwd>Desprofesionalización</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="fr">
                <title>Mots-clés:</title>
                <kwd>Gerencialismo</kwd>
                <kwd>Performatividad</kwd>
                <kwd>Desprofesionalización</kwd>
            </kwd-group>
        </article-meta>
    </front>
    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>A formação é imprescindível para o exercício da docência. Essa afirmação parece
                óbvia, mas não é. A história da educação brasileira nos mostra que há concepções
                diferentes de formação, de didática e do papel do professor nos processos de ensinar
                e aprender. A atual política educacional brasileira expressa as orientações dos
                intelectuais coletivos do capital – Banco Mundial, Organização das Nações Unidas
                para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e entidades representativas do
                empresariado, dentre outros – e define diretrizes de formação, de concepção de
                docência e didática.</p>
            <p>Neste artigo abordamos elementos do redesenho educacional no capitalismo
                contemporâneo, com destaque para o processo de expropriação cultural, reconversão do
                professor e da didática. Para consecução deste objetivo utilizamos o método
                materialismo histórico-dialético (MHD), com o qual analisamos as recomendações
                neoliberais direcionadas à educação no contexto de metamorfoses no universo laboral
                e seus rebatimentos na formação e trabalho docente. A pesquisa de natureza
                bibliográfica e documental foi realizada a partir da BNC-Formação (Resolução CNE/CP
                nº 2/2019), BNC-Formação continuada (Resolução CNE/CP nº 1/2020), entre outros
                documentos-chave.</p>
            <p>Na primeira seção, são apresentadas as orientações neoliberais para a educação. O
                segundo tópico aborda o fenômeno da reconversão docente, o projeto de
                “desprofissionalização” da profissão docente e a expropriação cultural em curso. A
                terceira parte versa sobre o processo de reconversão da didática em uma didática
                empreendedora.</p>
            <sec>
                <title>As orientações neoliberais para a educação no contexto das mudanças do mundo
                    do trabalho</title>
                <p>A organização da produção capitalista, até os anos 1970<xref ref-type="fn"
                        rid="fn1">1</xref>, denominada de taylorismo-fordismo, tinha como
                    ideia-força a apropriação por parte da gerência dos conhecimentos e saberes dos
                    trabalhadores. Essa expropriação dos trabalhadores de seus saberes contribuía
                    para o rebaixamento salarial, visando segurar a tendência da queda da taxa de
                    lucro e o aumento da exploração (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Pinto,
                        2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">Antunes; Pinto, 2017</xref>). A
                    divisão do trabalho entre aqueles que pensam e os que executam era a mola mestra
                    desse arranjo laboral, que requer a especialização funcional e um
                    treinamento/adestramento, mas não uma formação intelectual. A bonificação ou
                    premiação, recurso mais do que atual em nossas escolas, era uma tática de
                    cooptação e engajamento do trabalhador nas atividades produtivas das
                    empresas.</p>
                <p>A reestruturação produtiva foi uma saída para a crise capitalista dos anos 1970.
                    O novo regime de acumulação do capital – acumulação flexível<xref ref-type="fn"
                        rid="fn2">2</xref> – foi incorporado mundialmente e com efeitos mais
                    nefastos nas economias periféricas. No plano político-ideológico, corresponde à
                    assunção das ideias neoliberais para legitimar as contrarreformas, isto é, a
                    retirada de direitos conquistados, que foram implementadas com o protagonismo do
                    Estado e de governos neoliberais: o ajuste fiscal, as privatizações, a
                    precarização do trabalho em diversas esferas da sociedade (economia, educação,
                    saúde, etc.), a retirada dos direitos dos trabalhadores, aumentando
                    exponencialmente as desigualdades e a miséria no mundo, e a configuração de
                    múltiplas formas de trabalho (autônomo, terceirização e intermitência, por
                    exemplo).</p>
                <p>Nesse contexto, ocorre uma precarização estrutural do trabalho com trabalhos
                    atípicos, precarizados e “voluntários”; surgimento de falsas cooperativas; “o
                    empreendedorismo”; e a degradação ainda maior do trabalho imigrante (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B2">Antunes, 2013</xref>). No capitalismo neoliberal, o
                    processo de subordinação da economia de países dependentes, como o Brasil, é
                    introduzido numa nova fase, cujos traços e contornos são a desnacionalização da
                    economia e a desindustrialização precoce e concentrada nos segmentos de maior
                    densidade tecnológica (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Boito, 2020</xref>). <xref
                        ref-type="bibr" rid="B15">Druck, Dutra e Silva (2019)</xref> salientam que
                    os processos de desindustrialização e desnacionalização, de um país dependente e
                    subordinado ao capital estrangeiro se fortalecem e ameaçam a soberania nacional,
                    o que torna possível a promoção de retrocessos em seu desenvolvimento
                    socioeconômico e político.</p>
                <p>No contexto atual, o projeto político global-hegemônico com aspiração neoliberal,
                    de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B14">Druck (2022)</xref>, estabeleceu o
                    rearranjo das relações de dependências entre países centrais e periféricos.
                    Processo esse que se completou, acima de tudo, com a elaboração do Consenso de
                    Washington (1989), universalmente difundido com o protagonismo da comunidade
                    financeira internacional (Fundo Monetário Internacional-FMI, o Banco
                    Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento-BIRD, o Banco Mundial-BM, e a
                    Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico-OCDE) para ajustar
                    as economias dos países periféricos às exigências dos países centrais do
                    capitalismo.</p>
                <p>O processo de reestruturação produtiva, denominado acumulação flexível,
                    apoiando-se na nova configuração do Estado, difundido de modo global como Nova
                    Gestão Pública (NGP), metamorfoseou tanto as práticas produtivas como o modelo
                    de gestão laboral. Essa mudança passou, então, a determinar o comportamento, os
                    valores e os princípios de áreas sociais como a educação, com as características
                    oriundas do setor privado. A educação é pensada sob a lógica flexível do novo
                    modelo de acumulação capitalista. A mercantilização dos serviços públicos
                    sinaliza “o avanço do capital sobre áreas de domínio estatal ou público na busca
                    de soluções para as crises ou para novos patamares de acumulação”, conforme
                    salienta <xref ref-type="bibr" rid="B14">Druck (2022, p. 71)</xref>.</p>
                <p>No campo pedagógico, emerge uma "nova" pedagogia – pedagogia da hegemonia – e em
                    seu discurso está subjacente a ideia da flexibilização dos processos educativos
                    alicerçados, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B23">Kuenzer (2016)</xref>, na
                    defesa da reorganização curricular generalista como solução para as mazelas que
                    rondam o sistema educacional. No que concerne à formação de professores, <xref
                        ref-type="bibr" rid="B21">Evangelista e Triches (2012)</xref> apontam que a
                    construção de uma agenda educacional globalizada, entre países e organizações
                    multilaterais (OM), engendrou o fenômeno da universalização e da homogeneização
                    de políticas educacionais, sobretudo em países dependentes, como é o caso do
                    Brasil.</p>
                <p>O projeto de formação de professores em curso, na América Latina e Caribe,
                    expressa a nova pedagogia da hegemonia e suas concepções, com suporte na “Teoria
                    do Capital Humano, da Pedagogia do Aprender a Aprender<xref ref-type="fn"
                        rid="fn3">3</xref>, da responsabilização do professor, da reconversão
                    docente e do gerencialismo” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Triches, 2017, p.
                        237</xref>). Essas concepções, na prática, buscam alargar o conceito de
                    docente, que passa a assumir a concepção de “<italic>superprofessor</italic>”,
                    sobretudo a partir da aprovação da Resolução CNE/CP nº 1/2006 (<xref
                        ref-type="bibr" rid="B21">Evangelista; Triches, 2012</xref>).</p>
                <p>O <italic>“superdocente”</italic> (reformulação do conceito de
                        <italic>superprofessor</italic>) segundo <xref ref-type="bibr" rid="B32"
                        >Triches (2017)</xref> é caracterizado como o docente cuja formação
                    profissional é ocupada por atribuições de atividades de ensino, gestão e
                    pesquisa, as quais são alicerçadas por um conjunto de competências, atribuições,
                    responsabilização e escassa formação teórica. O professor-instrumento das
                    reformas educacionais deve ter um olhar investigativo, realizar pesquisas
                    direcionadas à gestão dos problemas relacionados ao baixo desempenho dos
                    estudantes, e utilizá-las como mecanismo de autoajuda, para suplantar lacunas na
                    sua formação inicial.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>Reconversão docente, formação neotecnicista e expropriação cultural</title>
                <sec>
                    <title>O fenômeno da reconversão</title>
                    <p>Para compreender o que Olinda Evangelista denomina em seus estudos como
                            <italic>reconversão docente</italic> é necessário analisar, segundo
                            <xref ref-type="bibr" rid="B31">Shiroma et al., (2017)</xref>, este
                        fenômeno como parte de um amplo processo de reconversão laboral.</p>
                    <p>O termo “reconversão”, na óptica econômica, busca ajustar (adaptar técnica e
                        profissionalmente) a classe trabalhadora às condições estabelecidas pelas
                        inovações tecnológicas do novo processo de produção do sistema capitalista.
                        Esse fenômeno tem rebatimentos no campo da educação, que é considerada,
                        pelos ideólogos burgueses, vetor estratégico para viabilizar a nova forma de
                        exploração do capital sobre os trabalhadores. Por isso, aquela passa a ter
                        como espinha dorsal as pedagogias ativas, o construtivismo, o neotecnicismo
                        e a pedagogia das competências.</p>
                    <p>O ceticismo epistemológico pós-moderno e o pragmatismo neoliberal são
                        considerados como parte do mesmo universo ideológico. O novo projeto
                        hegemônico educacional visa adaptar os indivíduos à nova ordem social,
                        econômica e ao novo paradigma de gestão pública. Essa nova ordem considera
                        os alunos e os professores como objetos e instrumentos das reformas. O
                        professor e o aluno, no contexto de aprendizagem flexível, assumem novas
                        funções. E quais são essas funções? Kuenzer explica que:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>[...] a forma de participação do <bold>aluno</bold> nessa proposta muda
                            bastante: de espectador, <bold>passa a ser sujeito de sua própria
                                aprendizagem</bold>, o que exigirá dele iniciativa, autonomia,
                            disciplina e comprometimento. [...] <bold>o professor passa a ser
                                organizador de conteúdos e produtor de propostas de curso</bold>, de
                            abordagens inovadoras de aprendizagem, em parceria com especialistas em
                            tecnologia; a <bold>relação presencial passa ser substituída pela
                                tutoria</bold>, que acompanha a aprendizagem dos alunos (<xref
                                ref-type="bibr" rid="B23">Kuenzer, 2016, p. 2</xref>) (Grifos
                            nossos).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Essas são estratégias para introduzir mudanças na formação e no trabalho
                        docente, que vão ao encontro do modelo de governança instituído pelo novo
                        paradigma de gestão pública. Neste encadeamento, a reconversão docente é
                        compreendida como parte do processo de readequação profissional, que busca
                        transformar o professor em extensão endoplasmática do processo de
                        valorização do capital.</p>
                    <p>Sob essa égide, a BNC-Formação (inicial e continuada), normatizada pelas
                        Resoluções CNE/CP nº 02/2019 e CNE/CP nº 01/2020, consoante <xref
                            ref-type="bibr" rid="B30">Simionato e Hobold (2022)</xref>, são
                        orientadas por documentos elaborados por organizações multilaterais e
                        utilizadas para legalizar a nova pedagogia da hegemonia, que busca legitimar
                        a adequação da educação às novas exigências promovidas pelas transformações
                        no sistema capitalista, para responder às exigências do mercado com a
                        proposta de aprendizagem flexível. Trata-se, conforme <xref ref-type="bibr"
                            rid="B23">Kuenzer (2016)</xref>, de uma nova forma de pedagogia –
                        mercantilizada – que requer a formação de subjetividades flexíveis –
                        pragmática, presentista e desarticulada.</p>
                    <p>Espera-se, a partir do alinhamento das políticas educacionais neoliberais aos
                        interesses dos organismos internacionais, reformar a docência, para
                        conformar e despolitizar os professores. Nesse sentido, <xref
                            ref-type="bibr" rid="B16">Duarte (2010a)</xref> aponta a existência de
                        uma linha de continuidade entre as pedagogias ativas, o construtivismo e a
                        pedagogia das competências, cujos fundamentos teóricos defendem, sobretudo,
                        que os professores sejam reconvertidos em formadores. Logo, o conhecimento
                        tácito (conhecimento pessoal, não verbalizado e circunstancial) passa a ser
                        supervalorizado no ambiente escolar (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Duarte,
                            2010b</xref>), em detrimento do saber propedêutico.</p>
                    <p>As políticas neoliberais têm contribuído para que o campo de trabalho do
                        professor se torne indefinido e gelatinoso (<xref ref-type="bibr" rid="B31"
                            >Shiroma et al., 2017</xref>). Com base nessa reflexão, são
                        apresentadas, no <xref ref-type="table" rid="T1">Quadro 1</xref>, algumas
                        distinções entre a concepção de professor e formador-tutor para a
                        compreensão de como opera-se o processo de reconversão docente, que, por
                        meio do gerenciamento e da ideia de performatividade, desmembra de modo
                        factual a atividade de conceber e de executar.</p>
                    <table-wrap id="T1">
                        <label>Quadro 1</label>
                        <caption>
                            <title>Diferenças entre a concepção de professor <italic>versus</italic>
                                formador-tutor</title>
                        </caption>
                        <table frame="box" rules="all">
                            <thead style="background-color:#CDCDCD">
                                <tr>
                                    <th align="center" valign="middle">PROFESSOR</th>
                                    <th align="center" valign="middle">FORMADOR-TUTOR</th>
                                </tr>
                            </thead>
                            <tbody>
                                <tr>
                                    <td align="center" valign="middle"><bold>Prioriza os
                                            conhecimentos científicos, artísticos e filosóficos em
                                            sua forma.</bold></td>
                                    <td align="center" valign="middle">Prioriza as habilidades e
                                        competências.</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="center" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD"><bold>Concebe a
                                            aprendizagem como assimilação de
                                        conhecimento.</bold></td>
                                    <td align="center" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD">Concebe a aprendizagem como
                                        transformação da pessoa.</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="center" valign="middle"><bold>Adota postura de sábio
                                            que compartilha seu saber.</bold></td>
                                    <td align="center" valign="middle">Adota postura de treinador
                                        (coach/líder) que orienta com firmeza uma autoformação.</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="center" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD"><bold>Parte de um programa
                                            e projeto político pedagógico.</bold></td>
                                    <td align="center" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD">Parte das necessidades
                                        práticas e problemas encontrados (pragmatismo).</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="center" valign="middle"><bold>Autonomia no trabalho
                                            educativo.</bold></td>
                                    <td align="center" valign="middle">Precária ou pseudoautonomia
                                        no trabalho educativo.</td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="center" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD"><bold>Formação amparada na
                                            didática, na política e no desenvolvimento dos
                                            conhecimentos específicos da área de formação e centrada
                                            na ligação orgânica entre a prática e a
                                        teoria.</bold></td>
                                    <td align="center" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD">Formação fragmentada e
                                        centrada na multifuncionalidade com conhecimentos
                                        desvinculados de sua formação.</td>
                                </tr>
                            </tbody>
                        </table>
                        <table-wrap-foot>
                            <fn id="TFN1">
                                <p>Fonte – Elaborado pelos autores (2023).</p>
                            </fn>
                        </table-wrap-foot>
                    </table-wrap>
                    <p>Esse processo de reconversão docente está em sintonia com fenômenos como a
                        intensificação e precarização do trabalho docente; o alargamento das funções
                        docentes durante a jornada de trabalho; vínculos de emprego precários
                        (terceirização, temporário, eventual, por exemplo) que se alinham ao
                        desprestígio social e ao aviltamento salarial da profissão, além da
                        submissão do professor a funções não vinculadas ao magistério, a horários
                        que excedem sua carga horária e a campos de conhecimento que podem ou não
                        estar em consonância com sua área de formação inicial ou continuada.</p>
                    <p>Isso posto, é possível afirmar que o alvo das reformas educacionais é o
                        professor, pois este irá protagonizar a preparação dos jovens proletários
                        (futuros trabalhadores) para o novo processo produtivo e para os novos
                        modelos de produção, através de um currículo minimalista, pragmático,
                        liofilizado, esvaziado de conhecimentos científicos, filosóficos e
                        artísticos, ao qual terá que se submeter.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Projeto de “desprofissionalização” da profissão docente</title>
                    <p>O processo de regulação da política de formação de professores no Brasil é
                        tensionado por disputas políticas e interesses econômicos. Na atualidade,
                        essa política está definida pela Resolução CNE/CP nº 2/2019 (BNC-Formação) e
                        a Resolução CNE/CP nº 1/2020 (BNC-Formação continuada), ambas alicerçadas na
                        pedagogia das competências. E o que vem a ser competência? A definição de
                        competência está apresentada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), em
                        seu Art. 3º:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>Art. 3º No âmbito da BNCC, competência é definida como a mobilização de
                            conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas
                            cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores, para resolver
                            demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e
                            do mundo do trabalho (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Brasil, 2017, p.
                                4</xref>).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>A concepção de competências definida e defendida pela BNCC aponta que é
                        necessário empenhar-se na formação pautada em “aprendizagens essenciais”, de
                        modo que se promova, a partir dos segmentos da educação básica, o
                        desenvolvimento de habilidades e competências no (futuro) professor e,
                        consequentemente, nos alunos. Nesse contexto, a nova DCN institucionalizada
                        pelas Resoluções CNE/CP nº 2/2019 e CNE/CP nº 1/2020, que detêm-se em
                        definir a nova política de formação de professores, encontra-se alinhada com
                        essa definição de competência e a concepção de formação é nucleada por ela,
                        conforme expressam os Art. 3º e 4º da Resolução nº 02/2019.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>Art. 3º Com base nos mesmos princípios das <bold>competências
                                gerais</bold> estabelecidas pela BNCC, é requerido do licenciando o
                            desenvolvimento das correspondentes <bold>competências gerais
                                docentes.</bold> Parágrafo único. <bold>As competências gerais
                                docentes, bem como as competências específicas e as
                                habilidades</bold> correspondentes a elas, indicadas no Anexo que
                            integra esta Resolução, compõem a BNC-Formação (<xref ref-type="bibr"
                                rid="B9">Brasil, 2019, p. 2</xref>) (Grifos nossos). Art. 4º
                                <bold>As competências específicas se referem a três dimensões
                                fundamentais,</bold> as quais, de modo interdependente e sem
                            hierarquia, se integram e se complementam na ação docente. São elas:
                                <bold>I - conhecimento profissional; II - prática profissional; e
                                III -engajamento profissional</bold> (<xref ref-type="bibr" rid="B9"
                                >Brasil, 2019, p. 2</xref>, grifos nossos).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Acrescenta-se, ainda, o Art. 4º da Resolução nº 01/2020, no qual se afirma
                        que:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>Art. 4º A Formação Continuada de Professores da Educação Básica é
                            entendida como componente essencial da sua profissionalização, na
                            condição de agentes formativos de conhecimentos e culturas, bem como
                            orientadores de seus educandos nas trilhas da aprendizagem, para a
                                <bold>constituição de competências, visando o complexo desempenho da
                                sua prática social e da qualificação para o trabalho</bold> (<xref
                                ref-type="bibr" rid="B10">Brasil, 2020, p. 2</xref>, grifos
                            nossos).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>É fundamental destacar que as ações educativas empreendidas no interior da
                        escola, quando pautadas pelo cotidiano da sociedade capitalista, contribuem
                        para o desenvolvimento de uma educação escolar alienada (<xref
                            ref-type="bibr" rid="B16">Duarte, 2021a</xref>). Nesse sentido, o
                        universo delineado e contornado pelo neoliberalismo, a pragmática das metas
                        e a pragmática das competências formam um conjunto de práticas, tanto
                        discursivas quanto comportamentais, que modificam a vida cotidiana laboral e
                        não laboral, dando estrutura e funcionalidade (objetiva e subjetiva) ao
                        modelo ideal de trabalho e de trabalhador “compatível” às emergências e
                        exigências da sociabilidade moderna (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Antunes;
                            Praun, 2019</xref>).</p>
                    <p>O resultado dessas articulações, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B5"
                            >Antunes e Praun (2019)</xref>, configura-se em precarização ampliada e
                        multiforme, cuja principal vítima é a classe trabalhadora, que fica
                        subordinada a trabalhos de baixa remuneração e alta rotatividade. Sob essa
                        égide, a ideia de competência profissional subjacente à BNC-Formação está
                        eivada de tecnicismo e controle do professor, desconsiderando conceitos como
                        autonomia e criticidade. E a noção de conhecimento é ressemantizada,
                        passando a significar informação (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Simionato;
                            Hobold, 2021</xref>).</p>
                    <p>No bojo da BNC-Formação, três dimensões estruturam o novo paradigma
                        educacional, instaurado pela pragmática das metas e das competências,
                        conforme é expresso no Art. 4º da Resolução nº 02/2019. São elas as
                        competências do conhecimento profissional, competências da prática
                        profissional e competências do engajamento profissional.</p>
                    <p>No <xref ref-type="table" rid="T2">Quadro 2</xref>, são ressaltadas as
                        competências que o docente precisa desenvolver para realizar suas atividades
                        profissionais no contexto da Educação 4.0, isto é, de uma nova forma de
                        organização do trabalho no interior da escola e da necessidade de
                        incorporação de novos saberes, tais como empreendedorismo e fluência
                        digital, em consonância com um “mundo produtivo (em sentido amplo),
                        estruturado a partir das novas tecnologias da informação e comunicação
                        (TIC), que se desenvolvem de modo célere” (<xref ref-type="bibr" rid="B3"
                            >Antunes, 2020, p. 13</xref>).</p>
                    <table-wrap id="T2">
                        <label>Quadro 2</label>
                        <caption>
                            <title>Competências de um docente de acordo com a BNC-Formação</title>
                        </caption>
                        <table frame="box" rules="all">
                            <tbody>
                                <tr>
                                    <td align="left" valign="middle"><bold>Competências do
                                            conhecimento profissional</bold></td>
                                    <td align="left" valign="middle">
                                        <p>• <bold>Dominar os objetos de conhecimento e saber como
                                                ensiná-los;</bold></p>
                                        <p>• <bold>Demonstrar conhecimento sobre os estudantes e
                                                como eles aprendem;</bold></p>
                                        <p>• <bold>Reconhecer os contextos de vida dos
                                                estudantes;</bold></p>
                                        <p>• <bold>Conhecer a estrutura e a governança dos sistemas
                                                educacionais</bold></p>
                                    </td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="left" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD"><bold>Competências da
                                            prática profissional</bold></td>
                                    <td align="left" valign="middle"
                                        style="background-color:#CDCDCD">
                                        <p>• Planejar as ações de ensino que resultem em efetivas
                                            aprendizagens;</p>
                                        <p>• Criar e saber gerir os ambientes de aprendizagem;</p>
                                        <p>• Avaliar o desenvolvimento do educando, a aprendizagem e
                                            o ensino;</p>
                                        <p>• Conduzir as práticas pedagógicas dos objetos do
                                            conhecimento, as competências e as habilidades.</p>
                                    </td>
                                </tr>
                                <tr>
                                    <td align="left" valign="middle"><bold>Competências do
                                            engajamento profissional</bold></td>
                                    <td align="left" valign="middle">
                                        <p>• Comprometer-se com o próprio desenvolvimento
                                            profissional;</p>
                                        <p>• Comprometer-se com a aprendizagem dos estudantes e
                                            colocar em prática o princípio de que todos são capazes
                                            de aprender;</p>
                                        <p>• Participar do Projeto Pedagógico da escola e da
                                            construção de valores democráticos;</p>
                                        <p>• Engajar-se, profissionalmente, com as famílias e com a
                                            comunidade, visando melhorar o ambiente escolar.</p>
                                    </td>
                                </tr>
                            </tbody>
                        </table>
                        <table-wrap-foot>
                            <fn id="TFN2">
                                <p><bold>Fonte:</bold>
                                    <xref ref-type="bibr" rid="B9">Brasil (2019)</xref>. Elaborado
                                    pelos autores.</p>
                            </fn>
                        </table-wrap-foot>
                    </table-wrap>
                    <p><xref ref-type="bibr" rid="B32">Triches (2017)</xref> aponta que a ideia de
                        reconversão (profissional e docente) e competência, articuladas ao universo
                        laboral em função da reestruturação produtiva, estabelecem uma relação
                        simbiótica que implica consequências no campo educacional. A dificuldade do
                        professor para usar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s), por
                        exemplo, é utilizada como elemento para desqualificação do professor (<xref
                            ref-type="bibr" rid="B31">Shiroma et al., 2017</xref>).</p>
                    <p>Espera-se que, a partir do conjunto de competências, o professor desenvolva
                        boa comunicação, criatividade, “pensamento crítico”, capacidade de lidar e
                        manusear as tecnologias da informação e comunicação (TICs), empatia,
                        liderança (coach), curadoria de conteúdo, capacidade de inovação,
                        colaboração e capacitação constante. Nesse cenário, forja-se tanto o
                        aprofundamento da submissão e controle quanto a conformação dos professores
                        às novas exigências e demandas, sustentada, substancialmente, em uma
                        racionalidade de viés pragmático neoliberal. Para compreender como essa
                        prática rebate de modo direto na práxis docente, <xref ref-type="bibr"
                            rid="B17">Duarte (2010b)</xref> destaca que:</p>
                    <disp-quote>
                        <p>[...] o trabalho do professor deixa de ser o de transmitir os
                            conhecimentos mais desenvolvidos e ricos que a humanidade venha
                            construindo ao longo de sua história. O professor deixa de ser um
                            mediador entre o aluno e o patrimônio intelectual mais elevado da
                            humanidade, para ser um organizador de atividades que promovam o que
                            alguns chamam de negociação de significados construídos no cotidiano dos
                            alunos (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Duarte, 2010b, p.
                            38</xref>).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>O tipo de formação subjacente (e expressa no <xref ref-type="table" rid="T2"
                            >Quadro 2</xref>) à BNC-Formação traz em seu bojo o esvaziamento
                        teórico-político, o que contribui para a formação de um docente com
                        identidade fragmentada e <italic>“dócil, despolitizado e produtivo”</italic>
                        ao ponto de gerenciar funções e tarefas diversificadas de forma flexível e
                        adaptável aos preceitos tanto do Estado como do mercado. Essa fragmentação
                        também pode ser identificada por meio da desarticulação entre formação
                        inicial (Resolução CNE/CP nº 02/2019) e formação continuada (Resolução
                        CNE/CP nº 01/2020).</p>
                    <p>Resta claro que a política de formação de professores está eivada de
                        neotecnicismo, que redefine o papel do Estado, da escola e do professor.
                        Preconiza a flexibilidade do processo de formação docente e desloca o seu
                        controle para os resultados mediante a avaliação, em busca da eficiência e
                        produtividade (Saviani, 2007). Para a consecução desse objetivo, faz-se
                        necessário realizar a ‘captura’ da subjetividade dos docentes.</p>
                    <p>Essa formação nucleada por um saber técnico-instrumental, numa perspectiva
                            neotecnicista<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>, institucionaliza a
                        mercadorização da educação e culmina no processo de reconversão docente. É
                        esse o projeto de formação em curso na América Latina e Caribe. Portanto, é
                        possível afirmar, em decorrência dessa compreensão, que a BNC-Formação se
                        contrapõe à concepção materialista-histórica, que considera que o processo
                        de formação de professores tem que conter em si o desenvolvimento de
                        capacidade técnica e didático-pedagógica e os saberes específicos vinculados
                        à formação docente, sobretudo articulados à composição da capacidade crítica
                        e criativa e, ainda, à formação política.</p>
                </sec>
                <sec>
                    <title>Expropriação curricular e cultural</title>
                    <p>Outra consequência nefasta do projeto neoliberal para a educação é o
                        esvaziamento curricular e a expropriação de direitos dos estudantes no
                        tocante à sua formação cultural e ao desenvolvimento intelectual pleno.</p>
                    <p>O esvaziamento curricular impede os estudantes de enriquecer sua formação com
                        o currículo clássico, com a ciência, a filosofia e as artes. No entendimento
                        de Saviani e <xref ref-type="bibr" rid="B18">Duarte (2021)</xref> clássico
                        é:</p>
                    <disp-quote>
                        <p><bold>[...] aquilo que resistiu ao tempo,</bold> tendo uma <bold>validade
                                que extrapola o momento em que foi formulado.</bold> Define-se,
                            pois, pelas <bold>noções de permanência e referência.</bold> Uma vez
                            que, mesmo nascendo em determinadas conjunturas históricas, capta
                            questões nucleares que dizem respeito à própria identidade do homem como
                            um ser que se desenvolve historicamente, o clássico permanece como
                            referência para as gerações seguintes que se empenham em apropriar-se
                            das objetivações humanas produzidas ao longo do tempo (<xref
                                ref-type="bibr" rid="B18">Saviani; Duarte, 2021, p. 33</xref>,
                            grifos nossos).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Na mesma perspectiva, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Duarte (2021a)</xref>
                        enfatiza a relevância da arte, da ciência e da filosofia na formação
                        humana:</p>
                    <disp-quote>
                        <p><bold>A arte, a ciência e a filosofia</bold> sintetizam a experiência
                            histórico-cultural constituindo-se em mediações que aumentam as
                            possibilidades de domínio, pelos seres humanos, das circunstâncias
                            externas e internas a partir das quais eles fazem sua história (<xref
                                ref-type="bibr" rid="B18">Duarte, 2021a, p. 44</xref>, grifos
                            nossos).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>A expropriação cultural está consubstanciada na negação do acesso à cultura
                        letrada (função social da escola democrática), fundamental no processo de
                        libertação e emancipação humana, consoante destaca Saviani (2016, p.
                        58).</p>
                    <disp-quote>
                        <p>O <bold>papel da escola democrática será, pois, o de viabilizar a toda a
                                população o acesso à cultura letrada</bold> consoante o princípio
                            que enunciei em outro trabalho (SAVIANI, 2012a) segundo o qual,
                                <bold>para se libertar da dominação, os dominados necessitam dominar
                                aquilo que os dominantes dominam.</bold> Portanto, <bold>de nada
                                adiantaria democratizar a escola, isto é, expandi-la de modo a
                                torná-la acessível a toda a população se, ao mesmo tempo, isso fosse
                                feito esvaziando-se a escola de seu conteúdo específico, isto é, a
                                cultura letrada, o saber sistematizado.</bold> Isto significaria,
                            segundo o dito popular, <bold>“dar com uma mão e tirar com a
                                outra”.</bold> Com efeito, como já foi lembrado, para ter acesso ao
                            saber espontâneo, à cultura popular, o povo não precisa da escola. Esta
                            é importante para ele na medida em que lhe permite o domínio do saber
                            elaborado (Saviani, 2016, p. 58, grifos nossos).</p>
                    </disp-quote>
                    <p><xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte (2021b)</xref> enfatiza que o
                        desenvolvimento pleno das potencialidades dos discentes, bem como o
                        enriquecimento de suas necessidades culturais, é central na discussão sobre
                        a construção de currículos escolares democráticos.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>A questão das possibilidades, no que se refere ao desenvolvimento dos
                            indivíduos, apresenta-se numa relação dialética entre o indivíduo e as
                            circunstâncias socioculturais, isto é, numa ininterrupta dinâmica entre
                            subjetividade e objetividade. O trabalho educativo precisa conhecer as
                            possibilidades tanto do indivíduo aluno quanto da cultura humana que vem
                            produzida e reproduzida ao longo da história, mas, como alerta Gramsci
                            (1995), não basta conhecer essas possibilidades, é preciso saber
                            utilizá-las e querer utilizá-las. O currículo escolar, nessa
                            perspectiva, deve ser pensado como um processo de apropriação do
                            conhecimento que explore as melhores potencialidades de desenvolvimento
                            dos indivíduos e, simultaneamente, as melhores potencialidades
                            humanizadoras da cultura. Isso remete à questão do enriquecimento das
                            necessidades dos alunos. (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte, 2021b,
                                p. 93</xref>).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Currículos que buscam atender às práticas instrumentais, vinculadas à
                        cotidianidade capitalista, ao pragmatismo, campo fértil para a disseminação
                        do consumismo, do fetichismo e manipulação de consciências, empobrecem e
                        inviabilizam o desenvolvimento pleno das potencialidades dos alunos, pois
                        ficam ausentes as riquezas culturais (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
                            >Duarte, 2021b</xref>).</p>
                    <p>Outra questão imprescindível nessa análise diz respeito à relação entre
                        currículo e promoção da liberdade. Numa perspectiva liberal, esta só existe
                        na sociedade de mercado, livre das interferências do Estado. No campo
                        educacional, é realizada a naturalização da sociedade capitalista, e o
                        currículo por competências é centrado em competências mercadejáveis e em
                            <italic>projetos de vida</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B19"
                            >Duarte, 2021b</xref>). A liberdade, tão decantada pelos neoliberais, é
                        de fato restritiva e escamoteia que a sociedade é uma construção social
                        resultante de escolhas. Uma concepção crítica de sociedade, educação, escola
                        e currículo aponta no sentido oposto.</p>
                    <disp-quote>
                        <p>Portanto, permanecer no capitalismo ou construir outro tipo de sociedade
                            deve ser entendido como uma escolha que, como todas as demais, traz
                            consequências. Precisamos ensinar às novas gerações que os seres humanos
                            são responsáveis, individual e coletivamente, pelas escolhas que fazem.
                            O futuro da humanidade e da vida neste planeta não é uma fatura de
                            cartão de crédito que vai acumulando dívidas que não sabemos se
                            poderemos pagar (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte, 2021b, p.
                                98</xref>).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Assim, é lícito afirmar que “a experiência humana acumulada e sintetizada nas
                        ciências, nas artes e na filosofia” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte,
                            2021b, p. 99</xref>) é imprescindível para o exercício real da liberdade
                        de escolha.</p>
                </sec>
            </sec>
            <sec>
                <title>Didática empreendedora: do sonho ao pesadelo</title>
                <p>No capitalismo contemporâneo, a especialização funcional do taylorismo-fordismo é
                    “substituída” por uma “formação” geral nucleada pelos conhecimentos tácitos e
                    aspectos comportamentais (adaptabilidade, proatividade, capacidade de assumir
                    riscos, atuação em equipe, resiliência etc.). Vale destacar que essa “formação”
                    geral e os aspectos comportamentais valorizados devem estar em sintonia com os
                    valores e interesses das empresas. É uma formação na perspectiva economicista
                    que reduz a formação aos aspectos do imediatismo, do consumo.</p>
                <p>No âmbito político-ideológico e pedagógico, são apresentados no Relatório de
                    Jacques Delors, <italic>Educação</italic>: <italic>um tesouro a
                        descobrir</italic> (1998), os quatro pilares da <bold>nova</bold> educação:
                    aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. O
                    quinto pilar da educação na perspectiva neoliberal e dos organismos
                    internacionais, a exemplo do Banco Mundial (BM) e UNESCO, é o <bold>aprender a
                        empreender.</bold> O empreendedorismo, há tempos, faz parte da agenda do
                    Banco Mundial, porém de forma tímida. Contudo, a partir dos anos 2000, torna-se
                    um elemento central nas orientações econômicas da instituição e também nas
                    educacionais. Aprender a empreender requer o desenvolvimento da capacidade de
                    sonhar e de engajamento para realização desse sonho.</p>
                <p>A educação, na perspectiva empreendedora, é concebida a partir de uma relação
                    direta entre educação e produtividade, entre educação e desenvolvimento, com
                    suporte na Teoria do Capital Humano (TCH) defendida por Theodore Schultz, porém
                    com alterações substantivas. A TCH é elaborada nos anos gloriosos do
                    capitalismo, num contexto de pleno emprego, iniciativa do Estado e demandas
                    coletivas. Enquanto que, a partir dos anos 1990, o foco é no capital humano
                    individual para a empregabilidade, capacidade de fazer escolhas e competir pelos
                    empregos disponíveis numa sociedade caracterizada pelo desemprego estrutural
                    (Saviani, 2007).</p>
                <p>Por isso, a educação com fulcro no engajamento dos jovens para elevação da
                    produtividade e desenvolvimento. Daí a importância do desenvolvimento de
                    competências socioemocionais (<italic>soft skills</italic>) e domínio das
                    tecnologias digitais destacada no documento do grupo BM, <italic>Competências e
                        Empregos: uma Agenda para a Juventude (Síntese de constatações, conclusoes e
                        recomendações de políticas).</italic></p>
                <disp-quote>
                    <p>A mudança tecnológica e a crescente adoção de tecnologia no local de trabalho
                        estão alterando o conjunto de competências que os empregadores procuram e o
                        conteúdo das tarefas das ocupações brasileiras. No Brasil, assim como em
                        outros países da América Latina e do Caribe, o nível de adoção de tecnologia
                        digital nas empresas ainda é relativamente baixo (Dutz, Almeida e Packard,
                        2018). No entanto, este padrão está mudando – embora ainda lentamente – e
                        acarretando modificações no que é necessário para ser viável e competitivo
                        no mercado de trabalho. Evidências recentes do Brasil mostram que as
                        empresas com mais altos níveis de adoção de tecnologia digital, e as
                        primeiras expostas à internet, baseiam-se em menor medida em atividades de
                        rotina e habilidades manuais (Almeida, Corseuil e Poole, 2017). Um número
                        crescente de firmas procura colaboradores com competências cognitivas e
                        analíticas de mais alto nível, tais como raciocínio matemático claro,
                        capacidade de realizar com eficácia atividades não rotineiras, como
                        interagir com computadores. As empresas brasileiras também estão fazendo
                        relativamente mais uso de competências socioemocionais, que são competências
                        mais interativas, baseadas na comunicação, tais como expressão oral e
                        clareza ao falar (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Banco Mundial, 2018, p.
                            8-9</xref>).</p>
                </disp-quote>
                <p>As competências cognitivas, técnicas e socioemocionais<xref ref-type="fn"
                        rid="fn5">5</xref> permutam o papel da escola, de socialização do
                    conhecimento produzido historicamente pela humanidade para o desenvolvimento de
                    competências que serão cobradas no mercado de trabalho.</p>
                <disp-quote>
                    <p>O Brasil avançou significativamente na universalização do ensino fundamental
                        e na promoção do acesso ao ensino médio, mas ainda persistem muitas
                        preocupações com a qualidade da educação e a relevância das competências que
                        os estudantes estão adquirindo. Dado que o jovem de hoje será amanhã, o
                        trabalhador na faixa etária mais produtiva, a atenção deve voltar-se não
                        apenas para as competências fundamentais desenvolvidas mais cedo na vida,
                        mas também para a aprendizagem que ocorre “no emprego” e em programas de
                        capacitação. O <xref ref-type="table" rid="T1">Quadro 1.1</xref> ilustra a
                        importância dos três tipos diferentes de competências – cognitivas, técnicas
                        e socioemocionais – como ressalta o Relatório sobre o Desenvolvimento
                        Mundial 2018 (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Banco Mundial 2018b</xref>).
                        Esses três tipos de competências podem ser adquiridos durante toda a vida,
                        mas a primeira infância é o período ideal para aprender a maioria das
                        competências, que podem ser rapidamente acumuladas e dar ao jovem um bom
                        começo (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Banco Mundial, 2018, p.
                        9</xref>).</p>
                </disp-quote>
                <p>O problema do desemprego estrutural é subsumido na discussão sobre competências e
                    empregos no documento do BM (2018), que aponta que “a chave para elevar o
                    potencial de produtividade do Brasil é aumentar seu capital humano e combiná-lo
                    mais eficazmente com outros fatores produtivos” (<xref ref-type="bibr" rid="B6"
                        >Banco Mundial, 2018, p. 12</xref>). Os desempregados, dentre eles os
                    jovens, são eufemisticamente denominados de desengajados economicamente.</p>
                <disp-quote>
                    <disp-quote>
                        <p>O Capítulo 3 do relatório mostra que, segundo os mais recentes dados de
                            pesquisa disponíveis, aproximadamente 23 por cento dos jovens (no
                            Brasil, na faixa de 15-29 anos) não estão na escola, em treinamento ou
                            trabalhando, e, assim, enfrentam a forma mais extrema <bold>de
                                desengajamento</bold> (habitualmente chamados de nem-nems). No
                            entanto, a aplicação do novo marco conceitual, traçado no Capítulo 2 do
                            presente relatório, mostra que a proporção de jovens cujo engajamento é
                            menos do que pleno pode chegar a 50 por cento. Este não precisa ser um
                            fato alarmante ou paralisante. Neste caso, o relatório propõe que essa
                            medida do desengajamento seja usada como motivação para que se tomem
                            providências em matéria de política com muito cuidado, mais cedo e com
                            mais contundência no intuito de manter <bold>os jovens engajados</bold>.
                                (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Banco Mundial, 2018, p. 14</xref>,
                            grifos nossos).</p>
                    </disp-quote>
                    <p>Não havendo políticas de geração de empregos, resta aos indivíduos a
                        capacidade de sonhar, o que deve ser estimulado e desenvolvido no interior
                        das escolas. Assim, os “projetos de sociedade estão interditados, mas os
                        indivíduos são livres para sonhar com uma vida de fartura e para lutar com
                        unhas e dentes para vir a fazer parte do seleto grupo dos bem-sucedidos”
                            (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte, 2021b, p. 98</xref>). Para
                        tanto, emerge a pedagogia empreendedora.</p>
                    <p>Em um primeiro momento, o aluno desenvolve um sonho, um futuro onde deseja
                        chegar, estar ou ser. Em um segundo momento, ele busca realizar o sonho e,
                        para isso, se vê motivado a aprender o necessário a esse objetivo. O objeto
                        da Pedagogia Empreendedora é estimular e preparar o aluno para sonhar e
                        buscar a realização do sonho (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Dolabela,
                            2017</xref>, posição 846).</p>
                </disp-quote>
                <p>O empreendedorismo é concebido em sentido <italic>lato.</italic> São
                    empreendedores os pesquisadores que transformam conhecimento em riqueza; os
                    microempreendedores que enfrentam tudo e todos; os profissionais do ensino,
                    protagonistas da revolução educacional, que formam e se formam empreendedores
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Dolabela, 2017</xref>, posição 482). Para
                    compreender a real dimensão da desigualdade que impera no mercado e destrói o
                    sonho de tantos empreendedores, vale a pena ver a série veiculada pela Netflix,
                    cujo título é <italic>“Batalha Bilionária: O Caso Google Earth”</italic>.</p>
                <p>A Pedagogia Empreendedora está em consonância com os quatro pilares da educação,
                    retromencionados. A perspectiva dela tem matriz individualizante, pois é baseada
                    na liberdade de escolha do indivíduo e em sua responsabilização.</p>
                <disp-quote>
                    <p>A Pedagogia Empreendedora é uma estratégia destinada a dotar o indivíduo de
                        graus crescentes de <italic>liberdade para fazer sua escolha.</italic> A
                        criança, ao formular seu sonho e tentar transformá-lo em realidade,
                            <italic>assumirá o controle de todo o processo e suas
                                <bold>consequências</bold></italic>, analisando a viabilidade do
                        sonho e sua capacidade de gerar auto-realização. Ela <italic>assume o
                            controle e a responsabilidade,</italic> em graus compatíveis com seu
                        grau de maturidade, por meio de exercícios que a acompanham da pré-escola ao
                        nível médio. (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Dolabela, 2017</xref>, posição
                        1015, grifos nossos).</p>
                </disp-quote>
                <p>No documento do BM, <italic>Competências e Empregos: uma Agenda para a Juventude
                        (Síntese de constatações, conclusões e recomendações de políticas),</italic>
                    é destacado que o Brasil enfrenta uma “crise de aprendizagem”. Consoante o
                    documento, “apesar de gastos generosos com educação e altos níveis de matrícula
                    na escola, os jovens não estão adquirindo competências que os tornarão
                    trabalhadores competitivos” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Banco Mundial, 2018,
                        p. 17</xref>).</p>
                <p>Em 2022, é publicado o Decreto n.º 11.079, de 23 de maio de 2022, que institui a
                    Política Nacional para Recuperação das Aprendizagens na Educação Básica, e é
                    definido que “por meio da qual a União, em regime de colaboração com os estados,
                    o Distrito Federal e os Municípios, implementará estratégias, programas e ações
                    para a recuperação das aprendizagens e o enfrentamento da evasão e do abandono
                    escolar na educação básica”. (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Brasil, 2022, p.
                        1</xref>).</p>
                <p>O Art. 4º apresenta as diretrizes dessa política. A primeira delas é a “I -
                    adaptação curricular para priorização <italic>das habilidades e das
                        competências</italic>, com a definição de marcos de aprendizagem para cada
                    ano escolar” (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Brasil, 2022, p. 2</xref>, grifos
                    nossos).</p>
                <p>A lógica das competências e a visão dos profissionais do ensino como
                    empreendedores vai de encontro a uma compreensão crítica de didática que,
                    consoante <xref ref-type="bibr" rid="B22">Franco e Pimenta (2016)</xref>,
                    tem:</p>
                <disp-quote>
                    <p>[...] como foco a produção de atividade intelectual no aluno e pelo aluno,
                        articulada a contextos nos quais os processos de ensinar e aprender ocorrem.
                        Algo que se paute numa pedagogia do sujeito, do diálogo, cuja aprendizagem
                        seja mediação entre educadores e educandos (<xref ref-type="bibr" rid="B22"
                            >Franco; Pimenta, 2016, p. 541</xref>).</p>
                </disp-quote>
                <p>Numa perspectiva crítica, a educação é compreendida com base no desenvolvimento
                    histórico, conforme destaca Saviani em sua obra <italic>Pedagogia
                        histórico-crítica: primeiras aproximações</italic> (2013). A escola “diz
                    respeito ao conhecimento elaborado e não ao conhecimento espontâneo; ao saber
                    sistematizado e não ao saber fragmentado [...]. Em suma, a escola tem a ver com
                    o problema da ciência” (Saviani, 2013, p. 14).</p>
                <p>Desse entendimento, deriva o papel da escola “propiciar a aquisição dos
                    instrumentos que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como o
                    próprio acesso aos rudimentos desse saber” (Saviani, 2013, p. 14). É a partir
                    dessa perspectiva que as “atividades nucleares desenvolvidas pela escola”,
                    definidas por Saviani como Currículo, precisam ser organizadas. Um currículo que
                    promova o pleno desenvolvimento das potencialidades dos educandos e a liberdade
                    “que vai sendo conquistada à medida que os seres humanos lidam com as
                    determinações existentes produzindo meios materiais e simbólicos que empregam
                    para alcançar objetivos” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Duarte, 2021b, p.
                        98</xref>).</p>
                <p>A didática crítica tem como pressupostos os elementos retromencionados, uma visão
                    histórica e dialética da educação e dos processos de ensinar e aprender, e a
                    catarse como categoria. Catarse entendida como “momento no qual ocorre a
                    ascensão da consciência a um nível superior de compreensão da prática social”
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Duarte, 2021c, p. 286</xref>). Vale
                    ressaltar que:</p>
                <disp-quote>
                    <p>Põem-se, assim, em relevo as relações entre conteúdo e forma, meio e fins.
                        Mais do que isso, trata-se da recusa à dissociação entre os conteúdos
                        escolares e as formas pelas quais eles são trabalhados, bem como da recusa à
                        dissociação entre os fins ético-políticos da educação e os meios empregados
                        para se atingirem esses fins. Em outras palavras, as clássicas perguntas o
                        que ensinar?, como ensinar?, por que ensinar?, a quem ensinar? precisam ser
                        respondidas como parte interconectadas de uma mesma perspectiva pedagógica,
                        política, científica e filosófica (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Duarte,
                            2021c, 287</xref>).</p>
                </disp-quote>
                <p>Em sentido oposto, na lógica empreendedora, a didática é, assim como o próprio
                    professor, submetida a um processo de reconversão e concebida como uma técnica
                    de gestão empresarial da sala de aula em busca de resultados que são cobrados do
                    professor sob o manto da gestão por resultados, que supostamente objetiva a
                    qualidade da educação, ancorada numa pseudomeritocracia.</p>
                <p>A didática passa a atender não à multidimensionalidade dos processos de ensinar e
                    aprender, mas a uma agenda globalmente estruturada, termo usado pelo professor
                    Roger Dale da University of Bristol, orientada pelos princípios da gestão
                    empresarial, ideia de responsabilização das instituições e dos docentes
                        (<italic>accountability</italic>), avaliação e ranqueamento de
                    desempenho.</p>
                <p>A cultura da performatividade é disseminada, e mediante monitoramento dos
                    resultados dos estudantes nas avaliações externas (nacionais, estaduais e
                    municipais), é realizado o controle, que tem como culminância a premiação, a
                    exemplo da bonificação em detrimento de aumento salarial ou do pagamento de um
                    salário digno para a categoria do magistério, ou a punição. O sucesso na gestão
                    do microempreendimento implica a capacidade de apresentar resultados
                    satisfatórios nos exames padronizados que integram a política de
                        <italic>accountability</italic>.</p>
                <p>A disposição intelectual afetiva do professor, expressão usada por Giovanni Alves
                    na obra <italic>Trabalho e subjetividade: o espírito do toyotismo na era do
                        capitalismo manipulatório,</italic> é capturada e subordinada à lógica
                    empreendedora. O professor é reconvertido num prático, mero executor de
                    atividades preestabelecidas de forma heterônoma, e a didática transforma-se numa
                    técnica que desumaniza, nega a criatividade e autonomia dos docentes. E o sonho,
                    tão proclamado pelo discurso empreendedor, transforma-se no pesadelo de quem,
                    cotidianamente, é impedido de realizar uma práxis humanizadora.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações finais</title>
            <p>O regime de acumulação flexível requer um novo tipo de profissional, a partir de uma
                “formação” baseada em aprendizagens flexíveis. A Nova Gestão Pública, o
                aprofundamento da precarização laboral e a mercantilização da educação atendem aos
                preceitos neoliberais dos organismos internacionais.</p>
            <p>Sob a égide do capitalismo contemporâneo, no campo educacional, ocorre um processo de
                reconversão docente, que submete o professor a uma racionalidade instrumental,
                transformando-o em mero executor de tarefas, tendo como horizonte o alcance de metas
                preestabelecidas. Em consonância com a reconversão docente, está em curso um
                processo de expropriação cultural dos discentes que fere de morte o desenvolvimento
                pleno das potencialidades e a promoção de sua liberdade, além de servir a uma
                política de lesa-pátria.</p>
            <p>Emerge, nesse processo e na esteira do empreendedorismo, uma perspectiva de pedagogia
                e didática empreendedora. Didática reduzida a uma dimensão gerencial e técnica da
                sala de aula em busca de resultados em avaliações externas, sob a lógica da política
                de <italic>accountability</italic> e do controle ideológico do Estado.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other" id="fn1">
                <label>1</label>
                <p>Nessa década, houve muitas mudanças econômicas e políticas: em 1973 houve a crise
                    do petróleo; em 1971, o presidente dos EUA Richard Nixon rompe com o acordo da
                    Conferência de Bretton Woods e põe fim ao sistema monetário internacional
                    definido nesta Conferência.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn2">
                <label>2</label>
                <p>O processo de acumulação flexível iniciou-se nos países capitalistas centrais e
                    foi exportado para os países periféricos, que o absorveram de forma desigual, em
                    função do nível de resistência da classe trabalhadora de cada nação.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn3">
                <label>3</label>
                <p>Os estudos do professor Newton Duarte apontam que a denominada Pedagogia do
                    Aprender a Aprender é composta por ideias fundamentadas no construtivismo, na
                    pedagogia das competências, na pedagogia do professor reflexivo, na pedagogia
                    dos projetos e na pedagogia da escola nova.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn4">
                <label>4</label>
                <p>O tecnicismo preconizava a racionalidade, a eficiência e a produtividade, com
                    controle do processo, em consonância com a forma de organização
                    taylorista-fordista de produção (Saviani, 2007).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn5">
                <label>5</label>
                <p>Conforme o documento do BM (2018), as competências cognitivas são aquelas que
                    costumam ser acadêmicas e incluem aspectos básicos: ler, contar e dizer as
                    horas. São “aprendidas no ensino fundamental e desenvolvidas ao longo da vida”
                        (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Banco Mundial, 2018, p. 10</xref>). As
                    competências socioemocionais dizem respeito às aprendizagens realizadas durante
                    as interações sociais e interpessoais e estruturas sociais. São destacadas como
                    competências socioemocionais: comportamentos, atitudes e valores. Enquanto que
                    as competências técnicas são referentes ao conhecimento e experiência para
                    realizar tarefas. São desenvolvidas no ensino médio, escola técnica ou educação
                    terciária (BM, 2018).</p>
            </fn>
        </fn-group>
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            <title>REFERÊNCIAS</title>
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                        principais tendências.</italic> In: ANTUNES, Ricardo. (Org.). Riqueza e
                    miséria do trabalho no Brasil II. São Paulo: Boitempo, 2013.</mixed-citation>
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                    <chapter-title><italic>A nova morfologia do trabalho e suas principais
                            tendências.</italic></chapter-title>
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                        trabalho no limiar da Indústria 4.0.</italic> In: ANTUNES, Ricardo. (Org.).
                    Uberização, trabalho digital e indústria 4.0. 1. ed. São Paulo: Boitempo,
                    2020.</mixed-citation>
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                    <chapter-title><italic>Trabalho intermitente e uberização do trabalho no limiar
                            da Indústria 4.0.</italic></chapter-title>
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                        <italic>Revista Jurídica Trabalho e Desenvolvimento Humano</italic>,
                    Campinas, v. 2, n. 1, p. 56-81, 2019.</mixed-citation>
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                        previdenciária: a dupla face de um mesmo projeto</article-title>
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                        Institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular, a ser
                        respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no
                        âmbito da Educação Básica</source>
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                    Formação Continuada de Professores da Educação Básica e institui a Base Nacional
                    Comum para a Formação Continuada de Professores da Educação Básica (BNC-Formação
                    Continuada). Brasil, 2020.</mixed-citation>
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                        Dispõe sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Continuada
                        de Professores da Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a
                        Formação Continuada de Professores da Educação Básica (BNC-Formação
                        Continuada)</source>
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