A psicofarmacologização da infância e o modelo de ação da droga centrado na doença

Autores

  • Sandra Caponi Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7984.2020.e74538

Palavras-chave:

antipsicóticos clássicos, antipsicóticos atípicos, infância, indústria farmacêutica, medicalização

Resumo

 A prescrição e a ampla aceitação do uso de antipsicóticos clássicos e atípicos na infância e na adolescência, foi reivindicada aduzindo a suposta função terapêutica e curativa dessas drogas. Tomando como ponto de partida a distinção de dois modelos explicativos de ação dos psicofármacos, um centrado na doença e outro centrado na droga, analiso de que modo a indústria farmacêutica contribuiu, com suas estratégias publicitárias, à divulgação de uma narrativa triunfalista que naturalizou o uso de antipsicóticos como cura para doenças psiquiátricas. Os dois psicofármacos analisados são a clorpromazina, um antipsicótico clássico, e a risperidona, um antipsicótico atípico de última geração. 

 

Biografia do Autor

Sandra Caponi, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

Professora titular do Departamento de Sociologia e Ciencia Politica. UFSC. Graduação em Filosofia - Universidad Nacional de Rosário (Argentina), mestrado em Lógica e Filosofia da Ciência pela UNICAMP, doutorado em Lógica e Filosofia da Ciência pela UNICAMP, realizou um primeiro Pós doutorados em Universidade de Picardie (França) e EHESS

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Publicado

2021-01-29

Edição

Seção

Dossiê Temático