O 'feminino' como gênero do desenvolvimento

Mani Tebet Azevedo de Marins

Resumo


Este artigo propõe analisar, sob o viés de gênero, como se desenvolve, de modo não premeditado, a construção de fronteiras morais e simbólicas decorrentes da implementação de um programa de combate à pobreza: o Bolsa Família. Doravante, procuraremos esclarecer as propriedades dessas fronteiras e as formas de negociação de seu conteúdo. Com a finalidade de compreender melhor a complexidade da formação do status das beneficiárias (mães), percorremos diversos espaços pelos quais elas transitam. Por meio de entrevistas realizadas em uma periferia de uma grande cidade do Rio de Janeiro, podemos afirmar que as relações entre beneficiário(a)s e não beneficiário(a)s fundam-se em uma matriz moral carregada de tensões valorativas de gênero (‘boa’ e ‘má mãe’), o que acaba por reproduzir também uma hierarquização do ‘bom’ e do ‘mau pobre’.


Palavras-chave


Gênero; Fronteira Simbólica; Programa Bolsa Família

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Rev. Estud. Fem., ISSN 1806-9584, Florianópolis, Brasil.