Problemas Conceituais e Empíricos na Pesquisa sobre Comprometimento Organizacional: uma Análise Crítica do Modelo Tridimensional de J. Meyer e N. Allen

Ana Carolina de Aguiar Rodrigues, Antonio Virgilio Bittencourt Bastos

Resumo


Na agenda de pesquisa sobre comprometimento organizacional (CO), predomina o modelo tridimensional de Meyer e Allen (1991) formado pelas bases afetiva, normativa e de continuação (instrumental). Esse modelo, contudo, tem sido foco das discussões sobre os principais problemas que cercam o construto: esticamento indevido do conceito, escalas com propriedades psicométricas inadequadas e inconsistências empíricas, parcialmente decorrentes da inclusão da base de continuação, que apresenta controvérsias em sua estrutura fatorial, comportamento diferenciado dos demais fatores e correlações baixas ou negativas com variáveis desejáveis. Essa base representa também o significado de “permanência por necessidade”, faceta questionável do conceito de comprometimento, sob o argumento de que constitui um tipo de vínculo diferente. Buscou-se organizar e mapear as principais questões
conceituais e empíricas do modelo tridimensional de Meyer e Allen (1991), a fim de apresentar o panorama necessário para uma maior compreensão do atual estado da arte e das alternativas para a agenda de pesquisa na
área. Para tanto, foram articuladas investigações e discussões teóricas nacionais e internacionais sobre o comprometimento publicadas até o ano de 2009. A partir dessa análise, o estudo sugere que o modelo tridimensional seja revisado e propõe a retirada da base de continuação do conceito de comprometimento.

Palavras-chave: comprometimento organizacional, comprometimento de continuação, problemas
conceituais e empíricos.


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Rev. Psi: Org e Trab R. Eletr. Psico., ISSN 1984-6657, Brasília, Brasil.