Prazer e sofrimento no trabalho docente: estudo com professoras de ensino fundamental em processo de formação superior

Rosângela Dutra de Moraes

Resumo


O trabalho docente demanda a formação de um vínculo afetivo, especialmente no nível fundamental. Sendo este vínculo uma das condições para a efetividade do trabalho da professora, também se revela como fonte potencial do sofrimento, por sua natureza incompleta, característica estrutural da relação de trabalho. Os estudos desenvolvidos por Dejours acerca o sofrimento psíquico do trabalho apontam para a construção de estratégias coletivas para lidar com o mesmo. O objetivo desta pesquisa foi identificar e analisar as principais fontes de prazer e sofrimento psíquico no trabalho dos professores de ensino fundamental integrantes do PEFD (Programa Especial de Formação Docente), problematizando a exigência da formação superior bem como as demandas de professor-estudante. Trabalhou-se com a abordagem qualitativa. Participaram da pesquisa trinta e três sujeitos. Como resultados, a principal fonte prazer no trabalho se relaciona à tarefa de educar e à troca afetiva com os alunos. As principais fontes de sofrimento psíquico: ausência dos pais dos alunos e violência associada às condições sociais precárias; desvalorização salarial da profissão. O desejo de cursar pedagogia pareceu facilitar a relação com as novas tarefas de estudante. E a autovalorização profissional foi a estratégia coletiva identificada para reduzir o sofrimento decorrente da desvalorização social da profissão.

Palavras-chave


Prazer-sofrimento no trabalho. Trabalho docente. Subjetividade e trabalho. Pleasure and suffering at work. Teacher’s work. Subjectiveness and work.

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Rev. Psi: Org e Trab R. Eletr. Psico., ISSN 1984-6657, Brasília, Brasil.