Uma questão de gênero? A diferença sexual como valor no discurso histórico acerca da histeria

Gleisson Roberto Schmidt

Resumo


Contemporaneamente, vários autores têm se debruçado sobre o tema da “objetividade” da ciência e dos valores científicos. A questão mais básica é a da existência de valores em curso na prática, métodos e produtos da ciência. Este artigo pretende apresentar o discurso histórico acerca da histeria como uma teoria nosológica pautada por valores, sendo estes tanto sociais quanto cognitivos, cuja interrelação íntima interroga a tese acerca da objetividade dos valores epistêmicos. A histeria afigura, assim, como um exemplo de teoria médico-científica na qual valores sociais (nomeadamente: valores políticos e religiosos que institucionalizaram uma diferença de gênero) influenciaram decisivamente oras a recusa da existência da entidade mórbida, oras sua descrição e tratamento. Tamanha foi a força dos valores sociais nas teorias etio-patológicas da histeria que, até mesmo na teoria psicanalítica, se ela já não é mais descrita como uma “doença das mulheres”, ainda o continua sendo como “sofrimento do feminino”.


Palavras-chave


Nosologia da histeria; Diferença sexual; Valores sociais; Freud, Sigmund (1856-1939); Psicossexualidade.

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-8951.2013v14n104p67

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Cad. de Pesq. Interdisc. em Ci-s. Hum-s., Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. ISSN 1984-8951.