Pode o subalterno falar? Literatura, memória e resistência em "Fim dos meus natais de macarronadas", de Geni Guimarães
DOI:
https://doi.org/10.5007/2175-7917.2026.e110390Palavras-chave:
literatura afro-brasileira, memória, resistênciaResumo
Dentre as diversas formas de expressão, a literatura constitui um importante espaço de representação de experiências historicamente silenciadas, permitindo que sujeitos marginalizados elaborem, por meio da escrita, memórias marcadas por processos de exclusão, violência e resistência. Nesse contexto, a literatura afro-brasileira contemporânea tem conferido visibilidade às vozes de grupos subalternizados, como se observa na obra Leite do Peito (2001), de Geni Guimarães. Assim, o presente estudo analisa o conto “Fim dos meus natais de macarronadas” com o objetivo de compreender de que maneira a memória da narradora transforma uma experiência de discriminação racial vivida na infância em uma narrativa de resistência. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica, desenvolvida por meio de análise teórico-interpretativa da narrativa. Os resultados evidenciam que a rememoração da experiência traumática ultrapassa a dimensão individual e se constitui como um processo de construção identitária e de afirmação da voz de sujeitos historicamente silenciados. Conclui-se que o conto ressignifica a memória como espaço de resistência, denúncia da violência racial e preservação da memória coletiva afro-brasileira.
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