Subcidadania e modernização desigual em Becos da memória, de Conceição Evaristo

Gabriel Estides Delgado

Resumo


Em uma poética descentrada, coletiva, Conceição Evaristo narra as agruras do processo brasileiro de modernização excludente diretamente tributário da clivagem escravagista que ultrapassa a Abolição em 1888. Sob forte especulação do capital, travestido em ímpeto urbanizador (dir-se-ia “sanitário”), vê-se o desmonte de uma favela, situada em zona nobre e central, de Belo Horizonte. A figuração coletiva que emerge em Becos da memória aponta para as transformações modernas da dominação, que deixa de ser direta e pessoal e passa à eficácia, como se racionalmente fundamentada, de seu exercício liberal. Para uma análise que situe os expedientes formais utilizados por Evaristo dentro da série literária contemporânea, serão abordadas algumas características da produção ficcional de Luiz Ruffato, principalmente de seu romance em fragmentos Eles eram muitos cavalos. A comparação busca apontar continuidades e diferenças nos projetos de representação das classes populares empreendidos pelos autores. Caso a análise logre êxito, as escolhas formais destacadas devem iluminar em si a diversidade de encaminhamentos poéticos possíveis ao tratamento de tão exigente dinâmica referencial.


Palavras-chave


Becos da memória; Conceição Evaristo; Literatura afro-brasileira contemporânea; Literatura brasileira contemporânea

Texto completo:

PDF/A


DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7917.2015v20n1p15

Direitos autorais 2015 Gabriel Estides Delgado

Rev. Anu. Lit. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. Santa Catarina. Brasil. ISSNe 2175-7917

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.