Mário de Sá-Carneiro e a festa parisiense da belle époque

Autores

  • Teresa Cristina Cerdeira da Silva Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7917.2016v21n2p21

Palavras-chave:

Festa, Belle Époque, Modernidade, Vanguarda, Cidade

Resumo

O episódio da Festa da Americana em A Confissão de Lúcio dá a ver a ambiência da Belle Époque parisiense. A Festa desempenha aí um duplo papel: o da teatralização e o do aprendizado. De um lado, essa orgia mágica ilustra perfeitamente a noção batalliana de “despesa” da qual se afastam as limitações e as regras do trabalho. De outro, pode-se certamente ver aí o amálgama inesperado do gozo e da aptidão intelectual, da desmedida orgíaca e da busca espiritual, o que faz pensar no Banquete platônico. Esse refinamento erótico da linguagem não está longe das linhas sinuosas, das volutas e da ornamentação da Arte Nova em que se destaca a Belle Époque Francesa. A herança impressionista do jogo de cores, a aventura baudelairiana da correspondência das sensações, a experiência conjunta de excesso e de sutileza oferecem aos expectadores uma mise en scène da voluptuosidade, tal como a concebe essa estranha mulher, espécie de porta-voz do autor que, como tantos outros artistas, veio a Paris no alvorecer do século XX para experimentar o gozo da modernidade.

Biografia do Autor

Teresa Cristina Cerdeira da Silva, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Possui graduação em Letras Português Literaturas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1972), mestrado em Letras (Ciência da Literatura) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1979), mestrado em Littérature Comparée - Université de Toulouse II - Le Mirail (1974) e doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1987). Atualmente é professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro Atua em Literatura Portuguesa , com ênfase nos séculos XX e XXI, sobretudo em temas relaçionados à intertextualidade, relações intersemióticas, autobiografia, literatura e história. É autora dos seguintes livros: JOSÉ SARAMAGO: ENTRE A HISTÓRIA E A FICÇÃO UMA SAGA DE PORTUGUESES (Dom Quixote, Lisboa, 1989), O AVESSO DO BORDADO (Caminho, Lisboa, 2000), e A TELA DA DAMA (Presença, Lisboa, 2013). A MÃO QUE ESCREVE (rio de Janeiro. Casa da Palavra, 2014). Organizadora e autora do livro de ensaios coletivos sobre a obra de Helder Macedo - A EXPERIÊNCIA DAS FRONTEIRAS ( EdUU, 2002) e co-organizadora de dois livros de homenagem: CLEONICE CLARA EM SUA GERAÇÃO (Ed UFRJ,) e A PRIMAVERA TODA PARA TI (PRESENÇA, LISBOA, 2004). Foi Regente da CÁTEDRA JORGE DE SENA (2005-2011) e editora da Revista METAMORFOSES (números 7, 8, 9, 10.1. 10.2. 11.1, 11.2, 12.1, 12.2)

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Publicado

2016-12-06

Como Citar

SILVA, T. C. C. da. Mário de Sá-Carneiro e a festa parisiense da belle époque. Anuário de Literatura, [S. l.], v. 21, n. 2, p. 21-29, 2016. DOI: 10.5007/2175-7917.2016v21n2p21. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/2175-7917.2016v21n2p21. Acesso em: 1 dez. 2020.

Edição

Seção

Dossiê "Mário de Sá-Carneiro: Eu-próprio o Outro: 100 anos depois"