Uma poética do silêncio: trauma, representação e linguagem em "Fuga da morte", de Paul Celan

Maria Esther Torinho

Resumo


No poema Fuga da morte, Paul Celan nos apresenta situações vivenciadas por ele mesmo em um campo de concentração nazista, o que insere o poema no contexto da Literatura de testemunho; trata-se de um poema imbuído de alta carga dramática, no qual conteúdo e forma aliam-se para oferecer uma leitura densa, carregada de significado. Pode-se perceber, no poema, que o silêncio comanda a cena, exprimindo, por meio das diversas lacunas deixadas por uma linguagem fragmentada, aquilo que é difícil para o poeta exprimir, o que é indizível, o que leva o leitor a um sentimento de estranheza, apossando-se da significação apenas por etapas e por entre as lacunas. Este artigo aborda o poema a partir de conceitos relativos à Literatura de testemunho e a impossibilidade de representar o real (Roland Barthes); no plano formal, além de conceitos de Mikhail Bakhtin e de Barros e Fiorin sobre polifonia, dialogismo e interdiscursividade; além disso, partindo do conceito musical de fuga, conforme sugerido pelo título do poema e evidenciado no texto, é abordada a linguagem figurada – metáforas e metonímias, ironia e elipses, como estratégias do autor para enfrentar a aporia entre trauma e representação, tendo-se assim, uma poética do silêncio, nos quais as elipses e as metáforas adquirem papel fundamental. 


Palavras-chave


Paul Celan; Fuga da morte; Testemunho; Representação; Polifonia

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7917.2014v19n2p107

Direitos autorais 2014 Maria Esther Torinho

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