Estudo sobre a figurabilidade em Balzac: A desfiguração do portrait de Camille Maupin

Paula Caldas Frattini

Resumo


Nesse artigo, a ideia corrente da leitura do descritivo em Balzac como uma “mania” estilística ou como a inscrição do mundo sensível no romance prefigurando, dessa feita, uma romance de significação coerente e coesa, é reavaliada. A intenção, aqui, é sugerir ao leitor a análise de um elemento da poética balzaquiana - a figurabilidade - seus alcances estéticos e os possíveis problemas da relação entre o romance e as questões de representação. O retrato da personagem Camille Maupin do romance Béatrix desponta, dessa forma, como uma composição figurativa problemática referente à afirmação de que nos romances balzaquianos o que impera é uma representação fiel do mundo sensível. No lugar de uma  reprodução fiel, notamos uma reconfiguração do corpo sensível. Na esteira do estudo de Georges Didi- Huberman sobre a semelhança informe em George Bataille e o conceito batailliano de materialismo, propomos a leitura do corpo de Camille Maupin como a descrição de um corpo informe, priorizando a maneira como o texto ficcional balzaquiano torna a figura humana visível.


Palavras-chave


Balzac; Romance do Século XIX; Figurabilidade

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7917.2016v21n2p134

Direitos autorais 2016 Paula Caldas Frattini

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