O corpo da crítica: alguns apontamentos sobre feminismo(s) e literatura

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7917.2021.e73433

Palavras-chave:

Crítica literária feminista, Genealogias epistêmicas do feminismo, Brasil

Resumo

O presente artigo tem o objetivo de revisitar as origens da crítica literária feminista. Nesse sentido, recuperam-se os principais conceitos que embasaram o pensamento feminista em cada momento histórico, bem como as principais mulheres que ocuparam grande importância para o imaginário do feminismo ao longo de sua história. Esta retomada histórica evidencia o conceito interdisciplinar da crítica literária feminista, uma vez que esta não admite uma leitura de texto desvinculada de sua exterioridade e de sua historicidade. Nossa intenção aqui é discutir como a teoria feminista enriqueceu o campo da crítica literária, fazendo novas perguntas e apresentando novos problemas e questionamentos no que diz respeito à pesquisa literária, tais como a questão da representação da mulher na literatura e nas outras artes, o problema da escrita e da autoria femininas, as conexões entre gênero e raça, gênero e orientação sexual, gênero e classe, ademais de outras perspectivas de natureza interseccional.

Biografia do Autor

Anselmo Peres Alós, Universidade Federal de Santa Maria

Licenciado em Letras (2001) e Doutor em Literatura Comparada (2007) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pós-doutor pelo PPG-Letras da UFPE. Professor do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Santa Maria, e do PPG-Letras da mesma instituição. Membro Associado da ANPOLL (GT Homocultura e Linguagens), da ANPOF (GT Filosofia e Gênero) e da ABRALIC. Bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ-2) do CNPq.

Dileane Fagundes de Oliveira, Universidade Federal de Santa Maria

Licenciada em Letras pela UNIFRA e Mestra em Letras (Estudos Literários) pelo PPG-Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente é doutoranda em Estudos Literários na UFSM, sob a orientação de Anselmo Peres Alós, e participante do grupo de pesquisa Trânsitos teóricos e deslocamentos epistêmicos: feminismos, estudos de gênero e teoria queer (UFSM/CNPq). Atua profissionalmente como professora do Ensino Fundamental e Médio na Rede Estadual de Ensino do Rio Grande do Sul.

Referências

BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Trad. de Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: o feminismo e a subversão da identidade. Trad. de Renato Aguiar. 8. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

COELHO, Nelly Novaes. A literatura feminina no Brasil contemporâneo. São Paulo: Siciliano, 1993.

COELHO, Nelly Novaes. Dicionário de escritoras brasileiras. São Paulo: Escrituras, 2002.

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. Trad. de Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Boitempo Editorial, 2019.

CRENSHAW, Kimberlé. Mapping the margins: intersectionality, identity politics, and violence against women of color. Stanford Law Review, v. 43, n. 6, p. 1241-1299, jul. 1991.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Trad. de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2016.

DAVIS, Angela. Mulheres, cultura e política. Trad. de Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2017.

DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. Estudos Avançados, v. 17, n. 49, p. 151-172, 2009. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142003000300010. Acesso em 17 de fevereiro de 2020.

FERREIRA, Lígia F. ‘Negritude’, ‘negridade’, ‘negrícia’: história e sentidos de três conceitos viajantes. Literafro, Belo Horizonte, 7 fev. 2018. Disponível em http://www.letras.ufmg.br/literafro/artigos/artigos-teorico-conceituais/153-ligia-f-ferreira-negritude-negridade-negricia. Acesso em 11 de junho de 2020.

FIRESTONE, Shulamith. A dialética do sexo. Rio de Janeiro: Labor do Brasil, 1976.

FLORESTA, Nísia. Direitos das mulheres e injustiça dos homens. Trad. livre do francês por Nísia Floresta Brasileira Augusta. Recife: Typographia Fidedigna, 1832.

FLORESTA, Nísia. Conselhos à minha filha. Rio de Janeiro: Typographia de J. E. S. Cabral, 1842.

FLORESTA, Nísia. Woman. Trad. de Livia A. de Faria. London: G. Parker, 1865.

FLORESTA, Nísia. Opúsculo humanitário. Rio de Janeiro: Typographia de M. A. da Silva Lima, 1853.

FONSECA, Maria Nazareth Soares. Políticas de esquecimento e desejos de lembrar. In: CHAVES, Rita; MACEDO, Tânia (Orgs.). Literaturas em movimento: hibridismo cultural e exercício crítico. São Paulo: Via Atlântica, 2003, p. 97-113.

FUNK, Susana Bornéo. A distopia de ontem é a realidade de hoje. Entrevista concedida a Anselmo Peres Alós. Letras. Santa Maria, v. 29, n. 59, p. 385-402, jul./dez. 2019. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/letras/article/view/44097/pdf. Acesso em: 11 jul. de 2020.

HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

HOLLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Explosão feminista: arte, cultura, política e universidade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

JAMESON, Fredric. O inconsciente político: a narrativa como ato socialmente simbólico. São Paulo: Ática, 1992.

LAURETIS, Teresa de. A tecnologia do gênero. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, p. 206-242.

MILLET, Kate. Política sexual. Lisboa: Dom Quixote, 1969.

PINTO, Céli Regina Jardim. Uma história do feminismo no Brasil. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2003.

PIÑON, Nélida. Tempo das frutas. Rio de Janeiro: José Álvaro, 1966.

PIÑON, Nélida. Sala de armas. 5. ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1973.

RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro?. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

SAFFIOTI, Heleieth. A mulher na sociedade de classes. Petrópolis: Vozes, 1976.

SANTOS, Lívia Maria Natália de Souza. Poéticas da diferença: a representação de si na lírica afro-feminina. Literafro, 7 fev. 2018. Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/artigos/artigos-teorico-conceituais/154-livia-maria-natalia-de-souza-santos-poeticas-da-diferenca. Acesso em: 10 out. 2019.

SCHMIDT, Rita Terezinha. O fim da inocência: das medusas de ontem e de hoje. Signo, número especial, p. 95-112, 2006. Disponível em: https://online.unisc.br/seer/index.php/signo/article/view/443/296. Acesso em 10 out. 2019.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99 jul./dez. 1995.

Downloads

Publicado

2021-04-16

Como Citar

ALÓS, A. P.; OLIVEIRA, D. F. de. O corpo da crítica: alguns apontamentos sobre feminismo(s) e literatura. Anuário de Literatura, [S. l.], v. 26, p. 01-21, 2021. DOI: 10.5007/2175-7917.2021.e73433. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/literatura/article/view/73433. Acesso em: 25 jun. 2021.

Edição

Seção

Artigos