O Reino e o Deserto. A Inquietante Medievalidade do Moderno

Eduardo Sterzi

Resumo


O ano é 1947, e João Cabral de Melo Neto, que havia pouco assumira o posto de vice-cônsul em Barcelona, imprime ele próprio, na prensa manual que comprara naquele mesmo ano por razões terapêuticas, seu quarto livro, com o longo título encadeado de Psicologia da composição com a Fábula de Anfion e Antiode. O volume, como seu título permite depreender, traz três poemas. O primeiro, «Fábula de Anfion», embora retome uma linha de reflexão sobre a poesia já delineada no livro imediatamente anterior, O engenheiro, e que estará também no centro dos dois outros poemas agora publicados, «Psicologia da composição» e «Antiode (contra a poesia dita profunda)», deixa no leitor familiarizado com o conjunto da obra cabralina uma persistente sensação de estranheza. Antes de mais nada, porque se trata, salvo engano, do único poema de Cabral que se organiza a partir de uma explícita referência mitológica, inscrita já no título. Tal referência não lhe chegava diretamente do manancial grego-antigo, mas, sim, por intermédio de um autor cujos ensaios ele vinha lendo com atenção desde a adolescência e ao qual já homenageara dedicando-lhe um poema, Paul Valéry.



Palavras-chave


João Cabral de Melo Neto; Linguagem; Soberania; Modernidade

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-784X.2011nesp4p4

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Boletim de Pesquisa NELIC, ISSNe 1984-784X, Florianópolis, SC, Brasil.

 

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