Pierre Menard: Leitor-Criador

Jorgelina Rivera

Resumo


O escritor Jorge Luis Borges reproduz no seu artifício “Pierre Menard, autor del Quijote” (1939, originalmente) o conceito de palimpsesto e instaura por meio deste uma poética de leitura (Monegal), executada pelo seu próprio autor. Menard torna-se uma personagem arquetípica que emula ironicamente a escritura dos precursores recuperando os interstícios do passado, quer dizer, a volta à tradição, trabalho executado tanto por Borges como pelo reconhecido poeta Haroldo de Campos na sua poética sincrônica. Há uma desintegração do tempo e do espaço na escritura deste artifício e Menard torna-se um exemplo ilustrativo que esboça a literatura como um conjunto de fragmentos inter-relacionados. A noção de autor é abolida, segundo cada época o texto vai ser lido de uma forma diferente: as condições de recepção de um texto não dependem do autor, e sim da experiência do leitor. Borges anuncia através deste texto o caráter infinito da literatura.


Palavras-chave


Tradição; Poética da Leitura; Pierre Menard

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DOI: https://doi.org/10.5007/1984-784X.2017v17n27p121

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