O que fazer com a herança

Antonio Carlos Santos

Resumo


Uma pergunta sobre o futuro do passado é uma pergunta sobre o presente, sobre o nosso fazer como professores de literatura em um mundo neo-obscurantista e cripto-criminoso onde reina a indiferença do niilismo passivo. É uma pergunta sobre a herança, sobre aquilo que herdamos dos fantasmas, sobre nossa responsabilidade em relação aos fantasmas, como mantê-los vivos, cheios de potência. Fazer-nos essa pergunta em uma Semana de Letras significa articular com vocês uma reflexão sobre nossa própria atividade em uma Faculdade de Letras: o que significa ser um estudante de Letras? O que significa fazer uma opção pela língua e pela literatura? Como manter relação com algo que a escola não nos deu antes e que parece completamente destituído de valor? Como entrar no debate, ter uma posição, se o que nos rege é o desconhecimento, a indiferença, a apatia, construídos ao longo de uma relação com as ruínas da escola? No quinto fragmento do Prólogo de Aurora. Reflexões sobre os preconceitos morais, Nietzsche nos lembra que nossa atividade se dá sob um ritmo lento: “ (...) a filologia é a arte venerável que exige de seus cultores uma coisa acima de tudo: pôr-se de lado, dar-se tempo, ficar silencioso, ficar lento – como uma ourivesaria e um saber da palavra que tem trabalho sutil e cuidadoso a realizar, e nada consegue se não for lento”. E sabemos que o ritmo da vida de hoje é acelerado, tudo é muito rápido, pra ontem.

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DOI: https://doi.org/10.5007/%25x

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