Utilização medicinal da secreção (“vacina-do-sapo”) do anfíbio kambô (Phyllomedusa bicolor) (Anura: Hylidae) por população não-indígena em Espigão do Oeste, Rondônia, Brasil

Paulo Sérgio Bernarde, Rosimeyri Aparecida Santos

Resumo


Anfíbios apresentam substâncias farmacologicamente ativas em sua pele com funções de proteção contra infecções de microorganismos e predadores. Algumas tribos indígenas no Sudoeste da Amazônia utilizam a secreção de Phyllomedusa bicolor para fins medicinais. Apesar de existirem relatos sobre a utilização dessa secreção em comunidades indígenas, praticamente nada existe em literatura sobre a prática em populações não indígenas. O presente estudo tem como objetivo relatar a utilização da “vacina-do-sapo” por populações não-indígenas em Espigão do Oeste (Rondônia). Foram entrevistadas 31 pessoas que receberam aplicações dessa vacina. A utilização da “vacina-do-sapo” em Espigão do Oeste não se trata de um hábito tradicional da região, sendo que o aplicador veio de outra parte da Amazônia. Em geral, as pessoas que utilizaram a vacina são de classe média a alta e apresentam algum nível de escolaridade (ensino fundamental, médio ou superior). Cerca de metade dos entrevistados acharam que as aplicações ajudaram no problema de saúde que as levaram a receber a vacina ou sentiram melhor disposição após o tratamento e fariam novamente as aplicações. A maioria das pessoas não conhece a espécie P. bicolor, da qual são retiradas as secreções para elaboração da vacina. Embora várias pessoas tenham procurado o tratamento achando que a vacina servia para tudo, suas propriedades medicinais ainda se encontram em estudo.


Palavras-chave


Etnozoologia; Etnofarmacologia; Medicina tradicional; Phyllomedusa bicolor; Zooterapia

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7925.2009v22n3p213

Direitos autorais 2011 Paulo Sérgio Bernarde, Rosimeyri Aparecida Santos

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Biotemas. UFSC, Florianópolis, SC, Brasil, eISSN 2175-7925

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