Uma abordagem etnoecológica da pesca do caranguejo, Ucides cordatus, Linnaeus, 1763 (Decapoda: Brachyura), no manguezal do Distrito de Acupe (Santo Amaro-BA).

Francisco José Bezerra Souto

Resumo


O caranguejo-uçá (Ucides cordatus), além de ser um dos componentes mais caracteríticos do ecossistema manguezal no Brasil, assume uma notável importância sócio-econômica ao longo do litoral nordestino. Trata-se de um recurso pesqueiro abundante, de grande aceitação comercial e que contribui para a geração de emprego, renda e subsistência em comunidades pesqueiras de estuários. A captura do caranguejo é uma das principais atividades no Distrito de Acupe (Santo Amaro-BA). Com o objetivo de se conhecer aspectos etnoecológicos envolvidos nesta atividade, foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com pescadores (N=13) com pelo menos 15 anos de experiência na pesca. Os resultados demonstraram que estes pescadores detêm um vasto conhecimento sobre a biologia e a ecologia do caranguejo e sobre o funcionamento do ecossistema manguezal, algumas vezes compatível com os conhecimentos encontrados na literatura científica. Este corpo de conhecimento dos pescadores tem influência na otimização da produção, uma vez que as programações e as estratégias de captura estão intimamente relacionadas a aspectos morfo-fisiológicos (ecdise, reprodução, diferenciação sexual) e etológicos (andada, escavação) dos caranguejos e a fenômenos ambientais (chuvas, marés). A conexão ser humano-animal, estabelecida entre pescadores e caranguejos, tem implicações na conservação dos estoques, uma vez que está intimamente relacionada com esforços de captura.

Palavras-chave


Conhecimento ecológico tradicional; Etnoconservação; Pescadores artesanais; Caranguejo (Ucides cordatus)

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DOI: https://doi.org/10.5007/%25x

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Biotemas. UFSC, Florianópolis, SC, Brasil, eISSN 2175-7925

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