Etnoecologia de pequenos cetáceos: interações entre a pesca artesanal e golfinhos no norte do estado do Rio de Janeiro, Brasil

Autores

  • Gabrielle Amorim Rosa Laboratório de Ciências Ambientais, Universidade Estadual do Norte Fluminense -UENF, Campus Universitário Darcy Ribeiro
  • Camilah Antunes Zappes Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais Laboratório de Ciências Ambientais, Universidade Estadual do Norte Fluminense -UENF, Campus Universitário Darcy Ribeiro
  • Ana Paula Madeira Di Beneditto Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais Laboratório de Ciências Ambientais, Universidade Estadual do Norte Fluminense -UENF, Campus Universitário Darcy Ribeiro

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7925.2012v25n3p293

Palavras-chave:

Captura acidental, Delphinidae, Etnoecologia, Pescadores artesanais

Resumo

Estudos no norte do Rio de Janeiro indicam interações entre a pesca artesanal e os cetáceos, mas não existem pesquisas que abordem o conhecimento de pescadores sobre estes animais. O objetivo deste estudo é descrever as interações entre os cetáceos e a pesca através da percepção dos pescadores de Atafona (RJ). Entre fevereiro e março de 2010 foram selecionados 20 pescadores através da técnica “bola-de-neve” e aplicado um questionário etnográfico a fim de obter dados através de relatos da percepção cultural sobre os pequenos cetáceos no norte fluminense. Cada pescador descreveu mais de um golfinho, o que explica o tamanho amostral das respostas (N=34) maior que o número de entrevistados (N=20). Pelos relatos dos informantes foram identificadas três espécies e um gênero: Sotalia guianensis (N=15; 75%); Pontoporia blainvillei (N=9; 45%); Steno bredanensis (N=6; 30%) e Stenella spp. (N=4; 20%). A resposta “colisão com artefatos” (rede de espera) foi a única descrita na questão da ocorrência de acidentes entre a pesca e os golfinhos (N=24; 71%) e a rede de espera é o artefato responsável pelo emalhe dos animais. As carcaças dos golfinhos emalhados podem ser descartadas ao mar e/ou a musculatura e gordura utilizadas como isca na pescaria de elasmobrânquios. As quatro principais espécies reportadas na literatura para a área foram as identificadas pelos pescadores. Para todos os entrevistados o emalhe é causado pelos golfinhos o que prejudica a pesca.

 

Biografia do Autor

Gabrielle Amorim Rosa, Laboratório de Ciências Ambientais, Universidade Estadual do Norte Fluminense -UENF, Campus Universitário Darcy Ribeiro

Possui Técnico em Agropecuária Orgânica pelo Colégio Técnico da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (2007). Atualmente está se graduando em Ciências Biológicas com ênfase em Ciências Ambientais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense - UENF, com previsão de término para 2011. Foi contemplada com a bolsa de monitoria na disciplina de Biologia dos Vegetais Superiores concedida pela UENF e com a bolsa no Programa de Intercâmbio Internacional de Cultura e Educação com os EUA (Porto Rico) intitulado Internacionalização Curricular em Ciências do Mar: Ênfase nos Ecossistemas Costeiros; concedida por FIPSE/CAPES. Atua principalmente na investigação da etnobiologia de comunidades pesqueiras e suas interações com os cetáceos.

Camilah Antunes Zappes, Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais Laboratório de Ciências Ambientais, Universidade Estadual do Norte Fluminense -UENF, Campus Universitário Darcy Ribeiro

Doutoranda em Ecologia e Recursos Naturais pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. Possui mestrado em Ciências Biológicas Comportamento e Biologia Animal pela Universidade Federal de Juiz de Fora, MG (2007), sendo graduada em Bacharelado e Licenciatura do curso de Ciências Biológicas pela Universidade Vale do Rio Doce (2003). Tem experiência na área de Ecologia, Zoologia, e Etnobiologia com ênfase em Ecologia Comportamental, atuando principalmente nos seguintes temas: Comportamento de cetáceos, impacto do turismo em regiões estuarinas e etnobiologia de comunidades pesqueiras voltadas para cetáceos.

Ana Paula Madeira Di Beneditto, Programa de Pós-graduação em Ecologia e Recursos Naturais Laboratório de Ciências Ambientais, Universidade Estadual do Norte Fluminense -UENF, Campus Universitário Darcy Ribeiro

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Santa Úrsula (1986), mestrado em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (1997) e doutorado em Biociências e Biotecnologia pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (2000). Atualmente é Professora Associada I da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - UENF, e foi contemplada com a bolsa Jovem Cientista do Nosso Estado, concedida pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ (2009-11). Tem experiência na área de Ecologia Marinha, com ênfase em Biologia e Conservação de Recursos Marinhos Vivos, atuando principalmente na investigação de espécies alvo e não alvo das pescarias, dinâmica da pesca artesanal e conhecimento de comunidades tradicionais.

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Publicado

2012-04-03

Edição

Seção

Artigos