Estado de conservação de Astyanax biotae (Characiformes: Characidae) em Mato Grosso do Sul, bacia do alto Paraná, Brasil

Autores

  • Maria José Alencar Vilela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Francisco Severo-Neto Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
  • Fernando Rogério Carvalho Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7925.2018v31n4p47

Palavras-chave:

Áreas úmidas, Cabeceiras de riachos, Espécie nativa, Ictiofauna, Unidade de Conservação

Resumo

Astyanax biotae é uma espécie originalmente descrita em um afluente do Rio Paranapanema, bacia do alto Paraná. Durante amostragens realizadas em drenagens dos rios Ivinhema e Verde, no sistema do alto Paraná, em Mato Grosso do Sul, exemplares de A. biotae foram coletados em cabeceiras de pequenos riachos e em lagoas de várzea, tanto em Unidades de Conservação como em áreas de agricultura intensiva. Os dados morfomerísticos de 20 indivíduos analisados foram similares aos da série-tipo. Exemplares testemunhos estão depositados nas coleções ictiológicas da UFMS (ZUFMS), UEMS (CPUEMS) e UNESP (DZSJRP). Com base nos critérios da IUCN, sugerimos sua classificação como Menos Preocupante (LC) no estado de Mato Grosso do Sul, considerando principalmente a inexistência de ameaças efetivas em duas das áreas de ocorrência da espécie, situadas dentro de Unidades de Conservação. No entanto, reforçamos a urgência em medidas para a proteção das regiões de cabeceiras de riachos, a fim de evitar o aumento do desmatamento, assoreamento e poluição agrícola, problemas recorrentes no Cerrado, que comprometem severamente a manutenção desses hábitats e suas espécies. É necessário investir em estudos sobre a biologia da espécie e ampliar as amostragens, buscando diminuir os vazios amostrais ainda existentes nas drenagens estaduais.

Biografia do Autor

Maria José Alencar Vilela, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Laboratório de Ictiologia, Campus Três Lagoas.

Área de pesquisa: Distribuição e biologia de peixes de água doce.

Francisco Severo-Neto, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Instituto de Biociências, Laboratório de Zoologia - Ictiologia

Área: Distribuição, sistemática e biologia de peixes de água doce.

Fernando Rogério Carvalho, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Instituto de Biociências, Laboratório de Zoologia - Ictiologia

Área de pesquisa: Distribuição, sistemática e biologia de peixes de água doce.

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Publicado

2018-11-29

Edição

Seção

Artigos