Técnicas para controle químico de palmeiras invasoras em Unidade de Conservação na região metropolitana de São Paulo

Luiza Gonçalves Lazzaro, Ana Beatriz da Silva Cunha de Barros, Rejane Esteves, Silvana Cristina Pereira Muniz de Souza, Natália Macedo Ivanauskas

Resumo


Espécies invasoras prejudicam as comunidades vegetais autóctones por eliminar diretamente as espécies nativas ou por inibir a sua regeneração. Há evidências de que as palmeiras exóticas Livistona chinensis e Archontophoenix cunninghamiana, que colonizam remanescentes de Floresta Atlântica, ameaçam os processos sucessionais da vegetação natural e, portanto, devem ser controladas. Neste estudo, avaliamos a eficácia do controle químico dessas palmeiras exóticas com o herbicida glifosato. Efetuamos o controle químico por meio da injeção de glifosato (ROUNDUP TRANSORB R 30%) no estipe de 30 indivíduos de cada espécie, em dosagens variáveis de acordo com o porte das palmeiras. Os sinais de senescência foram ilustrados, descritos e acompanhados semanalmente até a morte de todas as palmeiras, que demorou 18 semanas para L. chinensis e 29 semanas para A. cunninghamiana. O glifosato mostrou-se eficaz para ambas as espécies e recomendado para o controle de palmeiras adultas de grande porte, as quais devem ser priorizadas no manejo, a fim de eliminar as matrizes responsáveis pela oferta de propágulos.


Palavras-chave


Herbicida; Invasão biológica; Manejo adaptativo; Recuperação

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DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7925.2019v32n2p55

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