Fitotoxicidade in vitro de extratos de Mikania laevigata Schultz Bip. ex de Baker sobre Lactuca sativa L. e Bidens pilosa L.

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7925.2020.e68109

Palavras-chave:

Controle biológico, Cumarina, Fitointoxicação, Guaco

Resumo

Extratos vegetais possuem metabólitos secundários que podem atuar como bioherbicidas com a vantagem de promoverem menores riscos ao ambiente. Mikania laevigata pertence à família Asteraceae e possui a cumarina 1,2-benzopirona como marcador químico, capaz de inibir ou estimular a germinação e crescimento de plantas adjacentes. Diante do exposto, objetivou-se avaliar a fitotoxicidade dos extratos aquoso e etanólico de M. laevigata sobre Lactuca sativa (alface) e Bidens pilosa (picão preto). Foram testadas cinco concentrações (0,1; 1,0; 1,5; 2,0 e 3,0 mg.mL-1) dos extratos, aquoso e etanólico, em experimentos separados, e água destilada como controle. Para isso, foram avaliados a porcentagem de germinação, o índice de velocidade de germinação, o crescimento inicial e os teores de peróxido de hidrogênio (H2O2) e do malonaldeido (MDA). Na presença do extrato etanólico, as espécies (alface e picão preto) reduziram 85 e 90% da germinação, respectivamente. O comprimento da radícula, na menor concentração dos extratos, não foi afetado. Entretanto, na concentração de 2,0 mg.mL-1, as reduções foram de 85%, para alface, e 65%, para picão preto. O aumento do teor de H2O2 foi dose dependente, ou seja, conforme o aumento da concentração dos extratos maior a produção de peróxido, seguido do aumento do MDA para alface e picão preto. As plântulas cultivadas na concentração de 3 mg.mL-1 do extrato etanólico sofreram necrose, impossibilitando as análises subsequentes. Os extratos da M. laeviagata nas concentrações 2,0 e 3,0 mg.mL-1 demonstraram fitointoxicação com aumento do estresse oxidativo nas espécies alface e picão preto.

Biografia do Autor

Lívia Maria de Lima Santos, Universidade Federal de Lavras

Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2011). Mestre em Biologia Vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco (2014). Doutora em Ciências (Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares) pela Universidade Federal de Lavras (2018), com período sanduíche (Abril, 2017 - Setembro, 2017) na Faculdade de Biologia no laboratório de Fisiologia Vegetal da Universidade de Vigo (UVigo), Espanha. Licenciatura em Ciências Biológicas (2018). Experiência na área de Botânica, com ênfase em bioatividade e controle de qualidade de extratos vegetais de plantas medicinais.

Adenilson Henrique Gonçalves, Universidade Federal de Lavras

Graduação em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras (1994), Mestrado em Ciência de Plantas Daninhas pela Universidade Federal de Lavras em 1997 e Doutorado também em Ciência de Plantas Daninhas pela UFLA em 2002. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Controle de Plantas Daninhas nas culturas de milho e feijão, efeito residual de herbicidas em solos e deriva de herbicidas em diversas culturas agrícolas. Atuou como Professor em Agronomia pelo CESEP Centro Superior de Ensino e Pesquisa de Machado ? MG da Fundação Educacional de Machado (FEM), lecionando às disciplinas: Manejo de Plantas Invasoras; Cereais (Arroz e Trigo); Estatística Experimental; Cafeicultura; Melhoramento de Plantas e Cana, Milho e Sorgo. Também atuou como Professor Pesquisador nos cursos de Agronomia e Engenharia Ambiental da Fundação de Ensino Superior de Passos (FESP), lecionando as disciplinas: Botânica; Plantas Medicinais; Defensivos Agrícolas; Olericultura; Café e Algodão; Arroz, Trigo e Mandioca; Ecologia; Manejo Integrado de Plantas Cultivadas; Princípios de Desenvolvimento Sustentável e Manejo Agrícola do Solo. Atualmente é Professor Adjunto III do Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA) na área de Ciência de Plantas Daninhas, docente Permanente do Curso de Graduação em Agronomia/Fitotecnia, membro do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares e Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia.

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Publicado

2020-05-25

Edição

Seção

Artigos