Influência do enriquecimento ambiental sobre o comportamento de Ateles paniscus (Primates: Atelidae) mantido cativo no Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, Salvador, Bahia, Brasil

Autores

  • Denise Costa Rebouças Lauton Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Airan dos Santos Protázio Departamento de Ensino, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Campus Irecê.
  • Jacileide Santos Silva Lima Universidade Estadual de Feira de Santana.
  • Téo Veiga de Oliveira Divisão de Mamíferos do Museu de Zoologia, Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Feira de Santana.

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-7925.2020.e72010

Palavras-chave:

Bem-estar, Comportamento natural, Estereotipia, Macaco-aranha, Zoológico

Resumo

Técnicas de enriquecimento ambiental tornam o ambiente cativo mais interessante e agradável para os animais, aumentando o bem-estar e prevenindo o desenvolvimento de comportamentos anormais. Nesta pesquisa, avaliamos a influência de diferentes técnicas de enriquecimento no comportamento de dois indivíduos de Ateles paniscus mantidos cativos no Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, Salvador, Brasil. O estudo foi dividido em cinco fases: controle; enriquecimento sensorial; enriquecimento social; enriquecimento alimentar e pós-enriquecimento. O método animal-focal com registro instantâneo foi utilizado para registrar os atos comportamentais exibidos nas diferentes fases de enriquecimento e estes foram comparados, quanto à sua frequência, com os exibidos na fase controle. Também foi comparada a frequência de uso dos artefatos introduzidos no recinto durante as fases sensorial e alimentar. De modo geral, não houve diferenças entre os atos comportamentais exibidos nas diferentes fases de enriquecimento, exceto durante a fase de enriquecimento alimentar do macho. Também não houve diferenças quanto ao uso dos artefatos. Contudo, os resultados evidenciam a influência de um ambiente enriquecido sobre a frequência de ocorrência dos comportamentos dos indivíduos. É possível que as condições do recinto e a presença dos visitantes exerçam influências negativas no comportamento dos indivíduos, de modo a não favorecer a redução efetiva dos comportamentos anormais observado.

Biografia do Autor

Denise Costa Rebouças Lauton, Universidade Estadual de Feira de Santana

Biologa pela Universiade Estadual de Feira de Santana, Ba

Mestre em Zoologia (área 2: conservação e ecologia) pelo convenio Universidade Federal do Pará e Museu Paranaense Emílio Goeldi, PA.

Atualmente é bolsista no Museu de Zoologia da UEFS, professora visitante Da faculdade Claretiano e tutora EAD da UFBA.

Airan dos Santos Protázio, Departamento de Ensino, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Campus Irecê.

Departamento de Ensino, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Campus Irecê. Professor de Biologia.

Jacileide Santos Silva Lima, Universidade Estadual de Feira de Santana.

Universidade Estadual de Feira de Santana.

Téo Veiga de Oliveira, Divisão de Mamíferos do Museu de Zoologia, Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Feira de Santana.

Divisão de Mamíferos do Museu de Zoologia, Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Feira de Santana. Professor de biologia e coordenador do Museu de Zoologia da UEFS.

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Publicado

2020-09-28

Edição

Seção

Artigos