Identidade, dissidência e alteridade nas corporações policiais e militares: uma análise sociológica a partir de claude dubar e do movimento de policiais antifascismo

Autores

  • Ewerton de Santana Monteiro UFS

DOI:

https://doi.org/10.5007/1806-5023.2026.e109610%20

Palavras-chave:

Identidade profissional, Identidade Policial, Policiais antifascismo, Cultura, Polícia

Resumo

O artigo analisa identidades policiais e militares no Brasil contemporâneo, focando na tensão entre coesão e diferenciação no campo da segurança pública. Utilizando a teoria de Claude Dubar, demonstra como a identidade policial é continuamente moldada nas fronteiras entre membros da corporação ("nós") e sujeitos externos ou dissidentes ("eles"). O Movimento de Policiais Antifascismo (MPAF) serve como exemplo de identidade dissidente (e migrante) que, embora tensione o tradicional ethos militarista, preserva elementos simbólicos do ser policial. Assim, a partir de uma abordagem conceitual, e por meio de uma breve revisão bibliográfica, e da pesquisa empírica de mestrado – O movimento de Policiais Antifascismo e as polícias na política – continuada no doutorado, o artigo pretende contribuir com o debate sobre identidade, alteridade e reconversão nas instituições policiais e militares. A análise conclui que a identidade profissional é um processo dinâmico de reconfiguração, influenciado por disputas internas e diferentes narrativas da profissão.

 

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Publicado

2026-03-24