O levante das empenas: lampejos em tempos de pandemia

Autores

  • Max Alan Kampa UFPR
  • Erick Renan Kampa Universidade Tecnológica Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.5007/1806-5023.2021.e78300

Palavras-chave:

Covid-19, Biopolítica, Pandemia, M. Foucault, Didi-Huberman

Resumo

O presente artigo, de teor ensaístico, propõe uma reflexão sobre as projeções que ganharam as fachadas dos prédios ao redor do Brasil e que se firmaram como forma de protesto contra as ações do governo em meio ao confinamento imposto pela pandemia da Covid-19. Em completo desacordo com as estratégias escolhidas pelo governo federal para o enfrentamento da pandemia, esses manifestantes passaram a utilizar da reclusão para, a partir de suas janelas, lançarem nas empenas suas revoltas e criar uma ação em rede, que se prolifera e transforma-se em um ato de resistência diante do poder dominante. Adotando como base o conceito de biopolítica visto em Michel Foucault e dialogando com as investigações do filósofo e historiador da arte Georges Didi-Huberman sobre os levantes e as resistências, procuramos pensar sobre a importância desse movimento de insurreição no contexto da pandemia, e em como sua existência e sua insistência em sobreviver, estão intrinsecamente ligadas às relações de poder.

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Publicado

2021-02-10

Edição

Seção

Seção Especial: COVID-19