Resposta da prática de 12 semanas de natação sobre saúde mental em indivíduos com amputação de membros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/1807-0221.2021.e77439

Palavras-chave:

Amputação, Natação, Saúde Mental

Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo verificar o efeito da prática de natação de 12 semanas sobre escores de saúde mental em indivíduos com amputação. Participaram do estudo 19 indivíduos entre 30 e 66 anos, separados em grupo 1: não amputados (n=12) e grupo 2: amputados (n=7), ambos submetidos ao programa de natação com frequência de duas vezes por semana. Foram realizadas avaliação de depressão/ansiedade utilizando os inventários de Beck, e de autoestima utilizando o questionário de autoimagem/autoestima proposto por Steglich, antes e após o programa de natação utilizando o teste estatístico de Tukey. Os escores de ansiedade (p<0.05) de ambos os grupos apresentaram redução (não amputados: 6.33±3.4; amputados: 6.76±2.4), quando comparado ao pré-programa (não amputados: 10.6±2.4; amputados: 11.7±2.6). Em relação à autoestima, apenas o grupo de amputados teve aumento (181±8.6) significativo (p<0.05), quando comparados ao pré-programa (146±4.0). Conclui-se que o programa de 12 semanas de natação foi eficaz para a melhora de parâmetros de ansiedade e autoestima em pessoas com amputação.

Biografia do Autor

Beatriz Dieke Moreira, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Acadêmica do Curso de Psicologia da Universidade Do Extremo Sul Catarinense/UNESC.

Ramiro Doyenart, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade Do Extremo Sul Catarinense/UNESC.

Karin Martins Gomes, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Possui graduação em Psicologia pela Universidade do Vale do Itajaí (2003), mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC(2006) e doutorado em Ciências da Saúde pela Universidade do extremo sul catarinense - UNESC (2009). Docente no Curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense/UNESC.

Luciano Acordi da Silva, Universidade do Extremo Sul Catarinense

Possui pós-doutorado (2013) pelo programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde na Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Docente no Curso de Educação Física da Universidade do Extremo Sul Catarinense/UNESC.

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. Artmed Editora, 2014.

ANTUNES, Giselli; MAZO, Giovana Zarpellon; BALBÉ, Giovane Pereira. Relação da autoestima entre a percepção de saúde e aspectos sociodemográficos de idosos praticantes de exercício físico. Revista da Educação Física/UEM, v. 22, n. 4, p. 583-589, 2011.

ANTUNES, Hanna Karen Moreira et al. Depression, anxiety and quality of life scores in seniors after an endurance exercise program. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 27, n. 4, p. 266-271, Dec. 2005.

BAPTISTA, Makilim Nunes; CARNEIRO, Adriana Munhoz. Validade da escala de depressão: relação com ansiedade e stress laboral. Estudos de Psicologia (Campinas), v. 28, n. 3, p. 345-352, 2011.

BAVOSO, Daniel et al. Motivação e autoestima relacionada à prática de atividade física em adultos e idosos. Revista Brasileira de Psicologia do Esporte, v. 7, n. 2, 2018

BECERRA, et al. Percepção de atletas do rugby em cadeira de rodas sobre os apoios recebidos para a prática do esporte adaptado. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, v. 27, n. 3, p. 615-627, 2019.

BECK A. T., EPSTEIN N., BROWN G., STEER R. A. An inventory for measuring clinical anxiety: psychometric properties. J Consult Clin Psychol. 1988;56(6):893-7.

BRASIL. Lei n. 3.298, 20 de dezembro de 1999. Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência [página na internet]. Brasília (DF). [acesso 2012 Mai 01]. Disponível em: http://portal. mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/dec3298.pdf

BRASIL. Lei n. LEI Nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). [página na internet]. Brasília (DF). Acesso em 15 de 03 de 2020. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à pessoa amputada / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Ministério da Saúde, 2012.

CANTARELLI, Estela Maris Lançoni; SOARES, Maria Márcia; VOLPI, José Henrique. O mal do século pela Psicologia Corporal. In: VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) 24º CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. Anais. Curitiba: Centro Reichiano, 2019.

CAPITAO, Cláudio Garcia; TELLO, Renata Raveli. Traço e estado de ansiedade em mulheres obesas. Psicol. hosp. (São Paulo), São Paulo , v. 2, n. 2, dez. 2004 .

CARVALHO, J. Amputações de membros inferiores: em busca da plena reabilitação. São Paulo: Manole, 2003.

CASTRO, Gisele Fontenelle de Oliveira. Exercícios de alongamento e caminhada com idosos em uma UBS sob o enfoque da Psicologia Corporal. In: VOLPI, José Henrique; VOLPI, Sandra Mara (Org.) CONGRESSO BRASILEIRO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS, XXII, 2017. Anais. Curitiba: Centro Reichiano, 2017.

CASTRO, S. E SOUZA, D. Significados de um projeto social esportivo: um estudo a partir das perspectivas de profissionais, pais, crianças e adolescentes. Movimento. Porto Alegre, v. 17, n.04, p. 145-163, out/dez de 2011.

COSTA, Rudy Alves; SOARES, Hugo Leonardo Rodrigues; TEIXEIRA, José Antônio Caldas. Benefícios da atividade física e do exercício físico na depressão. Revista do Departamento de Psicologia. UFF, v. 19, n. 1, p. 273-274, 2007.

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Grupo A-Artmed, 2008.

DANISH, S. J.; NELLEN, V. C. New roles for sport psychologists: teaching li skills through sport to at-risk youth. Quest, Champaign, v.49, p.100-13, 1997.

DEFFENDI, Luma Tiziotto; SCHELINI, Patrícia Waltz. Relação entre autoestima, nível intelectual geral e metacognição em adolescentes. Psicologia Escolar e Educacional, v. 18, n. 2, p. 313-320, 2014.

DEKON, Stefan Fiuza de Carvalho et al. Estudo comparativo entre índice anamnético de DTM e inventário de ansiedade traço-estado (IDATE). Jornal Brasileiro de Oclusão, ATM & Dor Orofacial, v. 2, n. 7, 2010.

DI NUBILA, H. B. V. Nota Técnica - Uma introdução à CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 35, n. 121, p. 122-123, 2010.

FEITOSA, Luzanira Correia et al. O efeito do esporte adaptado na qualidade de vida e no perfil biopsicossocial de crianças e adolescentes com paralisia cerebral. Revista Paulista de Pediatria, v. 35, n. 4, p. 429-435, 2017.

GORENSTEIN, Clarice; ANDRADE, L. H. S. G. Inventário de depressão de Beck: propriedades psicométricas da versão em português. Rev Psiq Clin, v. 25, n. 5, p. 245-50, 1998.

IBGE. Censo 2010 [página na internet]. 2013. Disponível em https://censo2010.ibge.gov.br/ Acesso em 21/03/2020

KRAVCHYCHYN, Claudio et al. Projetos e programas sociais esportivos no Brasil: antecedentes históricos e reflexividade social. The Journal of the Latin American Socio-cultural Studies of Sport (ALESDE), v. 10, n. 1, p. 53-68, 2019.

LAMEGO, Murilo Khede et al. Aerobic exercise reduces anxiety symptoms and improves fitness in patients with panic disorder. MedicalExpress (São Paulo, online), São Paulo, v. 3, n. 3, M160306, June 2016.

LUCCIA, N.; SILVA, E. S. Aspectos técnicos de Amputações de Membros Inferiores. In: PITTA, G. (Ed.). Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

MACEDO, Paula Costa Mosca. Deficiência física congênita e saúde mental. Revista da SBPH, v. 11, n. 2, p. 127-139, 2008.

MEDEIROS, Marina dos Santos de et al. Estudo de caso de um programa individualizado de natação em cadeirante portador de poliomielite: análise de parâmetros bioquímicos, qualidade de vida e capacidade física funcional. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 40, n. 1, p. 94-99, 2018.

MEURER, Simone Teresinha; BENEDETTI, Tânia Rosane Bertoldo; MAZO, Giovana Zarpellon. Aspectos da autoimagem e autoestima de idosos ativos. Motriz. Journal of Physical Education. UNESP, p. 788-796, 2009.

MEURER, Simone Teresinha et al. Associação entre sintomas depressivos, motivação e autoestima de idosos praticantes de exercícios físicos. Revista Brasileira de ciências do esporte, v. 34, n. 3, p. 683-695, 2012.

MILIOLI, Renata et al. Qualidade de vida em pacientes submetidos à amputação. Revista de Enfermagem da UFSM, v. 2, n. 2, p. 311-319, 2012.

MINISTÉRIO DA SAÚDE (BR). Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência [página na internet]. Brasília (DF): MS; 2010[acesso 2012 Mai01]. Disponível em: http:// bvsms.saude.gov.br/ bvs/publicacoes/politica_nacional_pessoa_com_deficiencia.pdf

MINISTÉRIO DO ESPORTE. Programa Segundo Tempo: ação de funcionamento de núcleos. Brasília: UFRGS, 2007.

MORGAN, W. P. Affective beneficence of vigorous physical activity. Med Sci Sports Exerc. 1985;17:94-100. 66.

MORAES, Helena et al. O exercício físico no tratamento da depressão em idosos: revisão sistemática. Revista de psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 29, n. 1, p. 70-79, 2007.

NOCE, Franco; SIMIM, Mário Antônio de Moura; MELLO, Marco Túlio de. A percepção de qualidade de vida de pessoas portadoras de deficiência física pode ser influenciada pela prática de atividade física?. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 15, n. 3, p. 174-178, 2009.

NORTH, T. C., MCCULLAGH, P., TRAN, Z. V. Effect of exercise on depression. Exerc Sport Sci Rev. 1990;18:379-415. 67.

OMS. CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. São Paulo: EDUSP, 2003.

OPAS. OPAS/OMS apoia governos no objetivo de fortalecer e promover a saúde mental da população. 2016. Disponível em https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5263:opas-oms-apoia-governos-no-objetivo-de-fortalecer-e-promover-a-saude-mental-da-populacao&Itemid=839 Acesso em 07 de março de 2021.

RANSFORD, C. P. A role for amines in the antidepressant effect of exercise: a review. Med Sci Sports Exerc. 1982;4(1):1-10.

SBICIGO, Juliana Burges; BANDEIRA, Denise Ruschel; DELL'AGLIO, Débora Dalbosco. Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR): validade fatorial e consistência interna. Psico-USF, v. 15, n. 3, p. 395-403, 2010.

SILVA, Maurício Corte Real da; OLIVEIRA, Ricardo Jacó de; CONCEIÇÃO, Maria Inês Gandolfo. Efeitos da natação sobre a independência funcional de pacientes com lesão medular. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 11, n. 4, p. 251-256, 2005.

TAFAREL, C. N. Z. Desporto educacional: realidade e possibilidades das políticas governamentais e das práticas pedagógicas nas escolas públicas. In: STIGGER, M.P.; LOVISOLO, H.R. (Orgs.) Esporte de rendimento e esporte na escola.Campinas: Autores Associados, 2009. p.71-102.

TSUTSUMI, Olívia et al. Os benefícios da natação adaptada em indivíduos com lesões neurológicas. Revista Neurociências, v. 12, n. 2, p. 82-86, 2004.

VERÍSSIMO, Sónia Margarida Alberto Correia et al. Relações entre ansiedade-estado e ansiedade-traço, sintomas depressivos e sensibilidade ao stresse em puérperas. 2010. Dissertação de Mestrado.

VIANNA, J. A., LOVISOLO, H. R. A inclusão social através do esporte: a percepção dos educadores. Rev. bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, n.2, p.285-96, 2011.

VIEIRA, José Luiz Lopes et al. A prática da hidroginástica como tratamento complementar para pacientes com transtorno de ansiedade. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 58, n. 1, p. 8-16, 2009.

VIEIRA, Maressa Carvalho. A natação para a pessoa com deficiência: oferecimento e envolvimento de programas em Campinas e região. Conexões, v. 16, n. 2, p. 199-212, 2018.

VISCARDI, A. A. F.; CORREIA, P. M. S. Questionário de avaliação de autoestima e/ou de autoimagem: vantagens e desvantagens na utilização com idosos. R. bras. Qual. Vida, Ponta Grossa, v. 9, n. 3, p. 261-280, jul./set. 2017.

White RL, Babic MJ, Parker PD, Lubans DR, Astell-Burt T, Lonsdale C. Domain-Specific Physical Activity and Mental Health: A Meta-analysis. Am J Prev Med. 2017 May;52(5):653-666. doi: 10.1016/j.amepre.2016.12.008. Epub 2017 Jan 30. PMID: 28153647.

WHO. Towards a Common Language for Functioning, Disability and Health: ICF The International Classification of Functioning, Disability and Health. Genebra, 2002.

Downloads

Publicado

2021-08-26