Pseudotradução e Dom Quixote

Silvia Cobelo

Resumo


O presente estudo pretende mostrar como uma técnica narrativa, a pseudotradução, é utilizada no Quixote como uma das formas de diálogo com os livros de cavalaria parodiados. Veremos também como a pseudotradução e pseudofontes árabes formam parte das raízes cervantinas. A pseudotradução, ou tradução fictícia apresenta um texto como uma tradução, sem correlação com nenhum texto original (alguns em idiomas inventados). Na verdade não existe o texto fonte em outro idioma e é uma técnica utilizada desde o século XII até hoje em dia. Entre as razões para a criação de una pseudotradução estão a autoridade e prestigio do “idioma de partida” e/ou a necessidade de ocultar o nome com um pseudônimo. No caso do
Quixote, seguindo as tradições de obras pseudotraduzidas, o original tem uma longa e complicada história de como foi encontrado e a eleição do lugar e idioma de origem, Toledo e árabe, são deliberados. Até finais do século XIII todos os documentos de Toledo que não eram de origem real o eclesiástico eram redigidos em árabe. Apesar da política lingüística de Alfonso X, que converteu ao espanhol em idioma nacional, os judeus só deixaram de escrever em árabe no século XVI. Cervantes domina genialmente essa técnica criando
uma pseudotradução que joga com a verossimilhança e a pura ficção, levando a parodia dos livros de cavalaria a seus mais mínimos detalhes.

Palavras-chave


pseudotradução; Quixote; literatura espanhola

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DOI: https://doi.org/10.5007/fragmentos.v33i0.8424

Revista Fragmentos, ISSNe 2175-7992, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.