Nossa Senhora Aparecida e a Mulher Lobisomem: Benjamin, Brecht e teatro dramático na Antropologia

John Cowart Dawsey

Resumo


A já clássica noção interpretativa de cultura formulada por Clifford Geertz nos permitiria tratar a cidade de Aparecida do Norte, onde se encontra a santa padroeira do Brasil, como um espécie de texto drmático. Poder-se-ia interpretar a “Mulher Lobisomem” e outras “atrações” que podiam ser encontradas na feira perto da nova catedral, nos anos oitenta, como manifestações carnvalescas do cáos em meio às quais emergi uma graciosa e serena ordem de proporções cósmicas. Por outro lado, procedendo à maneira de Walter Benjamin (cujas afinidades com o teatro brechtiano são bem conhecidas), tendo os olhos fixos nas elipses, incoerências, retificações suspeitas e comentários tendenciosos, busca-se o que pode estar submerso no texto. A “Mulher Lobisomem” tem muito a dizer sobre as esperanças e os comportamentos de Aparecidas profanas. Este artigo pode ser visto como um exercício de detecção de paradigmas alternativos na antropologia, às margens do teatro dramático de Victor Turner e nas bordas da hermenêutica de Clifford Geertz.

Palavras-chave


Aparecida do Norte; Paradigmas alternativos na antropologia; Drama

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Ilha R. Antr., Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC,  Florianópolis, SC, Brasil, ISSNe 2175-8034