Invisibilidade e hipervisibilidade dos muçulmanos no extremo sul do Brasil: os contornos da vida comunitária e os preceitos islâmicos em ato entre imigrantes de origem palestina

Autores

  • Denise Fagundes Jardim

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2012v14n1-2p119

Resumo

Desde 1996, a ausência ou presença controlada de líderes religiosos junto às famílias de imigrantes palestinos no extremo sul do Brasil, me instigara a indagar sobre a “falta de” uma mesquita e a opção por uma sala de oração situada na Sociedade Beneficente Árabe-Palestina numa cidade do extremo sul do Brasil. Acompanhando a comunidade por mais de 10 anos, percebe-se que a sala de oração comportara visitas esporádicas de Cherks, mas até então, os líderes religiosos “de carreira” eram acolhidos tão somente como visitantes e hóspedes da comunidade. Somente no ano 2000 reconheceu-se a presença de um potencial Imam. Esse é um processo revelador de aspectos da vida religiosa e da ingerência da comunidade local na sua experiência cotidiana e de suas relações com não muçulmanos, indicando processos ora de hipervisibilidade ora de invisibilidade da religiosidade muçulmana entre os imigrantes. Os estudos sobre islamismo vêm sendo organizados na atualidade dando ênfase ao estudo da islamofobia, se contrapondo a noções reduzidas sobre a experiência religiosa, e aos nexos entre as práticas muçulmanas e a presença imigrante em sociedades em que o cristianismo é preponderante. Indago sobre algumas das ciladas metodológicas mais comuns na organização de trabalhos etnográficos sobre as práticas muçulmanas. Como propusera Geertz, tomo a religião como sistema cultural e procuro redirecionar as perguntas que  costumeiramente formulamos em campo. Não estaríamos pautados prioritariamente pelo sentido de “revelar” as práticas religiosas nativas?

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Publicado

2012-12-29

Como Citar

JARDIM, Denise Fagundes. Invisibilidade e hipervisibilidade dos muçulmanos no extremo sul do Brasil: os contornos da vida comunitária e os preceitos islâmicos em ato entre imigrantes de origem palestina. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 14, n. 1,2, p. 119–138, 2012. DOI: 10.5007/2175-8034.2012v14n1-2p119. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/2175-8034.2012v14n1-2p119. Acesso em: 29 maio. 2024.

Edição

Seção

NÚMERO 2: Artigos