Conflito, Resignação e Irrisão na Música Popular Brasileira: um estudo antropológico sobre a Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa. Por que as Canções têm Arranjos?

Autores

  • Rafael José de Menezes Bastos UFSC

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2013v15n1-2p211

Palavras-chave:

Adoniran Barbosa, São Paulo, Arranjo, Maneiras de Cantar e de Tocar, Modelos Nativos de Compreensão da Canção

Resumo

Trata-se de um estudo sobre o samba Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa, por meio da análise de sua obscura primeira versão (de 1951), com arranjo de Nelson Miranda, tendo como cantor o próprio compositor. Esse arranjo é brevemente contrastado, sobretudo através da letra, com aquele dos Demônios da Garoa (de 1955), de autoria do próprio grupo, que transformou o samba num grande sucesso. O primeiro arranjo é marcado pela tristeza e pela dor, construídas por uma musicalidade de lamentação e de resignação. A letra da Maloca narra um encontro dramático de três sem-tetos com o establishment imobiliário na São Paulo dos anos de 1950. Esses anos são caracterizados pelo ufanismo econômico, pela reinvenção da paulistanidade e pelas retumbantes comemorações do 4º Centenário. O segundo é marcado pela jocosidade e pelo desdém, fabricados por uma musicalidade da irrisão. O estudo busca reconstituir os modelos nativos de compreensão da canção, dando especial atenção às problemáticas do arranjo e das maneiras de cantar e de tocar.

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Publicado

2013-12-21

Edição

Seção

NÚMERO 2: Artigos