Domesticando o Humano: para uma antropologia moral da proteção animal

Autores

  • Bernardo Lewgoy Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Caetano Sordi Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Leandra Oliveira Pinto Universidade Federal do Rio Grande do Sul

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2015v17n2p75

Palavras-chave:

Antropologia, Moralidades, Proteção Animal, Domesticação

Resumo

Este artigo examina o campo da proteção animal em Porto Alegre (RS) desde um ponto de vista antropológico e etnográfico. Compreendemos que as contemporâneas iniciativas de resgate, adoção e proteção de animais de companhia em situação de risco e abandono, levadas a cabo por organizações não governamentais e múltiplas redes voluntárias, revelam a emergência de novas sensibilidades e moralidades para com os animais não humanos em  contextos “pós-domésticos” (Bulliet 2005), reconfigurando as fronteiras entre o público e o privado, a esfera da intimidade e das políticas públicas. Por fim, concluímos que o exercício de domesticação contido nestas iniciativas é uma via de mão dupla: por um lado, tenta-se disciplinar e higienizar o espaço público e a conduta dos acolhedores de animais; por outro, busca-se educar os seres humanos para o convívio com membros não humanos das famílias, tornando-os responsáveis (em sentido moral, psicológico e legal) pelas suas novas famílias multiespecíficas.

Biografia do Autor

Bernardo Lewgoy, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1988), mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1992) e doutorado em Ciência Social (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (2000). Atualmente é professor  do PPG/Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Recebeu menção honrosa no I concurso EDUSC/ANPOCS de obras em ciências sociais, em 2002. Foi Presidente da Câmara de Pesquisa da UFRGS (2012-2014) e membro do Comitê de Ética da UFRGS (2013). Membro do Conselho Deliberativo do Instituto Latino Americano de Estudos Avançados da UFRGS. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia da Religião, atuando principalmente nos seguintes temas: Antropologia da Religião (espiritismo), Teoria Antropológica, Antropologia das Relações entre Humanos e Animais. Coordena o Projeto de Pesquisa Espelho Animal: Antropologia das Relações  entre Humanos e Animais (grupo de pesquisa do CNPq). É líder da Rede Interdisciplinar de Pesquisa Animalia- estudos sobre humanos e animais (edital ILEA 2013) . É pesquisador PQ 2 do CNPq desenvolvendo atualmente o projeto Espiritismo e Globalização.

Caetano Sordi, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Possui graduação em Ciências Sociais (UFRGS, 2011) e Filosofia (PUCRS, 2013). Mestre (2011-2013) e Doutorando (2013 - atual) em Antropologia Social (UFRGS), com período de estágio sanduíche (PDSE/CAPES) na University of Aberdeen, Escócia, Reino Unido. Bolsista de Doutorado do CNPq. Membro do grupo de pesquisa Espelho Animal: antropologia das relações entre humanos e animais; (PPGAS/UFRGS/CNPq) e da Rede Animalia: Rede Interdisciplinar de Pesquisa em Relações Humano-Animais; (ILEA/UFRGS). Em Filosofia, tem experiência nas áreas de Filosofia Política, Teologia Política, Secularização e Opinião Pública. Em Antropologia, tem experiência nas áreas de Sociedade e Ambiente, Relações Humano-Animais (Antrozoologia), Antropologia da Técnica e Antropologia da Alimentação.

Leandra Oliveira Pinto, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Possui graduação em Licenciatura em Ciências Sociais (2013) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente cursando o Mestrado Acadêmico em Antropologia Social nesta mesma instituição. Membro do grupo de pesquisa Espelho Animal: antropologia das relações entre humanos e animais (PPGAS/UFRGS). Integrante do Projeto Animal é Tri, entidade de proteção animal atuante no município de Porto Alegre.

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Publicado

2015-12-27

Edição

Seção

NÚMERO 2: Artigos