O negro no Recôncavo da Bahia: reflexões sobre construções identitárias, retóricas de etnicidade, raça e cultura.

Autores

  • Ana Paula Comin de Carvalho Universidade Federal do Recôncavo Bahiano (UFRB).
  • Mariana Balen Fernandes Universidade Federal da Bahia (UFBA)

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2019v21n2p7

Resumo

O presente artigo tem o objetivo de refletir sobre os limites do reconhecimento público e político da população negra no estado da Bahia. Para tanto realizamos uma análise comparativa dos contextos etnográficos do chamado turismo étnico-afro; de identificação, regularização e proteção dos territórios quilombolas frente a projetos de desenvolvimento na região do Recôncavo. Tomamos como universos empíricos a exploração turística em termos étnicos da Festa da Boa Morte e de algumas comunidades remanescentes de quilombo de Cachoeira e os conflitos das comunidades remanescentes de quilombos de Santo Amaro e municípios adjacentes frente à implantação de um empreendimento imobiliário de âmbito internacional na Ilha de Cajaíba, local considerado fundamental simbólica e materialmente por estes grupos. Em ambos os casos atentamos para as construções identitárias, retóricas da etnicidade, raça e cultura que emergem nesses processos e o quanto elas são aceitas ou não pelos diferentes agentes envolvidos. Práticas e manifestações culturais tidas como tradicionais são acionadas nos dois contextos com sentidos, intencionalidades e resultados distintos. Evidencia-se a grande resistência por parte tanto do Estado quanto da sociedade em reconhecer o negro como sujeito político ou de direito, mas tão somente como objeto cultural, marco da identidade regional e nacional brasileira. Desse modo, a cultura continua sendo o lugar por excelência reservado aos afro-brasileiros, isto é: o espaço da diferença.

Biografia do Autor

Ana Paula Comin de Carvalho, Universidade Federal do Recôncavo Bahiano (UFRB).

Atualmente é Professora Adjunta de Antropologia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Também atua como Professora Permanente dos Programas de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFRB e de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).Foi Professora Pesquisadora UAB, na disciplina Antropologia e
Educação do curso de Pedagogia a distância da Universidade Estadual da Bahia (UNEB). É líder do grupo de pesquisa "Memória, Processos Identitários e Territorialidades no
Recôncavo da Bahia" (MITO) na UFRB. É membro do Grupo de Trabalho Quilombos da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Desenvolve pesquisas nos seguintes
temas: identidade étnica, territorialidade, comunidades remanescentes de quilombos, quilombos urbanos e patrimônio imaterial. Atuou em assessorias para o Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e na confecção de material didático (livros e vídeoaulas)
para o curso de Ciências Sociais a distância da ULBRA.

Mariana Balen Fernandes, Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Doutora em Antropologia pela Universidade Federal da Bahia (2012-2016). Mestre em Antropologia Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2004) e Bacharel em Ciências Sociais, ênfase em Antropologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000). Professora substituta junto à Universidade Federal da Bahia, docente das disciplinas de Etnografia (Ciências Sociais) e Antropologia (Direito) (2012 a 2014). Docente de 2007 a 2016 junto às faculdades Unisaber/DF, FACITEC/DF, Projeção/DF, Ruy Brabosa/BA. Experiência nas áreas de etnicidade ( comunidades negras/quilombolas), religiosidade, territorialidade, pesquisa e ética em antropologia. Atuação em laudos antropológicos para identificação de territórios quilombolas, técnica parecerista junto aos processos de licenciamento ambiental e consultoria para políticas públicas voltadas aos povos e comunidades tradicionais.

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Publicado

2019-12-31

Como Citar

COMIN DE CARVALHO, Ana Paula; BALEN FERNANDES, Mariana. O negro no Recôncavo da Bahia: reflexões sobre construções identitárias, retóricas de etnicidade, raça e cultura. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 21, n. 2, p. 007–034, 2019. DOI: 10.5007/2175-8034.2019v21n2p7. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/2175-8034.2019v21n2p7. Acesso em: 20 fev. 2024.

Edição

Seção

Artigos