“Quem nunca teve origem não volta”: o direito da autodeclaração e seus impasses no acesso às vagas para indígenas no Ensino Superior

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5007/2175-8034.2020v22n1p7

Palavras-chave:

Lei de cotas, Autodeclaração, Povos ameríndios, Tenetehara/Guajajara

Resumo

O objetivo do presente artigo consiste em realizar uma reflexão sobre o critério da autodeclaração, presente na Lei de Cotas 12.711/2012, para a ocupação de vagas pelos povos indígenas no ensino superior público e os debates que tal critério gera acerca da indianidade. O critério de autodeclaração produziu um debate acerca da indianidade não pelos ameríndios, mas sim para as instituições universitárias que se veem diante do imperativo de ter que lidar com a indianidade nas suas burocracias. Tomo como campo empírico a construção de comissões para garantir as vagas para indígenas na Universidade Federal do Maranhão(UFMA) sob pressão das lideranças indígenas, em especial, do povo Tenetehara/Guajajara. Nesse embate em torno da garantia da ocupação das vagas por indígenas o idioma da guerra reaparece entre os tenetehara para continuar em sua rexistência em relação à tentativa constante de desindianização por parte da sociedade brasileira(Viveiros de Castro, 2017).

Biografia do Autor

Ana Caroline Amorim Oliveira, Universidade Federal do Maranhão-UFMA

Professora Adjunto-II de Sociologia da Universidade Federal do Maranhão-UFMA lotada no Curso de Licenciatura em Ciências Humanas do Campus São Bernardo. Professora Colaboradora do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade-Pgcult(UFMA). Líder do Grupo de Pesquisa Epistemologia da Antropologia, Etnologia e Política (CNPQ). Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo - USP(2018) com área de concentração em etnologia indígena. Possui Mestrado em Antropologia pela Universidade Federal de Pernambuco(2008). Graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão-UFMA (2006).

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Publicado

2020-07-01

Edição

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Artigos